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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O rio Maior

A cidade de Rio Maior é atravessada pelo rio Maior que acabou por ceder o nome à localidade.

Chama-se rio Maior pois é o maior dos três rios que convergem para o mesmo leito (rio Maior, ribeira de Alcobertas e ribeira de Almoster). O rio Maior nasce a Oeste da cidade de Rio Maior num sítio denominado por Bocas e é um afluente do rio Tejo com um comprimento de 54Km (26Km são percorridos pelo canal da Vala de Azambuja).
Actualmente o rio tem pouco caudal chegando mesmo a secar durante os meses secos do Verão, mas reza a história que ainda no século XIX o rio era navegável e utilizado para transportar pequenas mercadorias até ao Rio Tejo no qual aguardavam barcos maiores para se fazer o transbordo das cargas.
Nos nossos dias o rio Maior é muito mal usado, está poluído e com as margens mal cuidadas, servindo como ponto de descarga de várias pequenas indústrias e pecuárias e como ponto de captação de água para rega dos campos perto das suas margens. O peixe do rio Tejo (principalmente o sável) não consegue subir o rio Maior para além da Ribeira de São João devido aos vários açudes e azenhas existentes, havendo no entanto algumas bogas na ribeira de Almoster.
Este rio, nomeadamente a sua nascente tem um elevado potencial para ser mais um pólo de lazer e de turismo da terra, bastando para isso haver vontade e alguém que meta mãos à obra.

Ficam algumas imagens do rio Maior junto à sua nascente agora que após as grandes chuvadas que ocorreram nas últimas semanas corre com um bom caudal.





Imagem do rio no Verão, completamente seco.

Imagem do rio com o seu caudal normal.

O rio Maior nem sempre desembocou no Tejo em Azambuja.
Conforme se pode ver no mapa seguinte, mostrando a correição (zona de acção do corredor, representante do Rei na comarca) de Santarém, o rio Maior unia-se ao Tejo em Santarém. Nesta carta de 1640 de autoria de João Teixeira Albernaz, o rio Maior ainda aparece sem nome.

Após o terramoto de 1755, o Marquês de Pombal mandou averiguar os estragos no reino e à registos do rio se chamar Rio de São João, uma referência a São João da Ribeira, que era na altura uma das terras mais importantes na zona.
Só mais tarde é que o rio se passou a chamar rio Maior, por ser o maior dos 3 rios que concorrem para o mesmo leito.
Também começa agora ser questionado se foi o rio que deu o nome à localidade ou se não teria sido o oposto. Como se pode ver na carta da correição, a localidade Rio Maior (Rio Miyor) já estava referênciado e só mais tarde é que o rio se passou a chamar rio Maior.

Imagens antigas da nascente do rio Maior



Pode saber mais sobre o curso completo do rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/07/o-curso-do-rio-maior.html
Pode ver imagens da nascente do rio Maior seca em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2010/10/nascente-do-rio-maior-seca.html
Pode saber mais sobre a plantação de eucaliptos na nascente em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/09/eucaliptos-na-nascente-do-rio-maior.html
Pode saber mais sobre a Fonte das Três Bicas na nascente do rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/10/fonte-das-tres-bicas-em-rio-maior.html
Pode saber sobre a poluição no rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/11/problemas-ambientais-da-regiao-do-rio.html
Pode saber sobre um estudo de 1867 para aproveitar esta água no abastecimento de Lisboa, em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2013/02/estudo-de-1867-para-abastecer-agua.html
Pode saber sobre o curso do centro da cidade à nascente do rio Maior, em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2013/07/passeio-do-centro-da-cidade-nascente-do.html
Pode consultar mapas antigos do rio Maior, em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2014/11/o-rio-maior-nos-mapas.html
Pode saber mais sobre o rio Maior na cidade em: 
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2014/11/o-rio-maior-na-cidade.html 

sábado, 6 de novembro de 2010

Concelho de Rio Maior e sua História

Rio Maior foi elevada a sede de concelho a 6 de Novembro de 1836 e embora nunca tenha tido foro de vila, a partir desta data passou a ser considerada como tal. A elevação de Rio Maior a sede de concelho ocorreu por decreto de D. Maria II devido a um reordenamento administrativo do reino que foi coordenado por Passos Manuel.

Heráldica do Concelho de Rio Maior:
No escudo destacam-se as duas pirâmides de sal que representam as salinas e que são o verdadeiro símbolo desta região. O facto de terem a côr prata, pretende significar a riqueza e a humildade.
O rodízio de engenho, simboliza a riqueza industrial que provinha das suas noras e extracção mineira.
O rio Maior tinha de estar representado, já que deu o nome à cidade e a sua forma ondulada exprime caridade e lealdade.
O terreno verde também não podia faltar dado o cariz agrícula da região e neste escudo pretende representar a fertilidade da região e simbolizar a fé e esperança de um povo.
Curioso é o fundo negro, mas em termos heráldicos esta côr significa firmeza e honestidade.
Em termos oficiais as regras heráldicas para o Concelho de Rio Maior saíram no Diário da República, nº144 de 26 de Junho de 1986 (Rio Maior foi elevada a cidade em 1985) e diz:
Brasão: de negro, duas pirâmides de sal de prata, assente num terrado de verde, em contra chefe, cortado por três faixetas ondadas de prata e de azul. Em chefe um rodízio de engenho de prata. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com os dizeres a negro «Cidade de Rio Maior».
Bandeira: gironada de oito peças de branco e verde. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.
Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Rio Maior».


O Edifício dos Paços do Concelho:
Os primeiros autarcas tomaram posse a 13 de Janeiro de 1837 e os Paços do Concelho ficaram num edifício do qual se perdeu a identidade, mas em 1837 o governo civil de Santarém cedeu o edifício de um antigo hospício de frades franciscanos à Câmara Municipal que se passou a instalar aí desde 19 de Fevereiro de 1838. Inicialmente ficaram neste edifício as repartições públicas do concelho, a câmara, a administração, a repartição de fazenda, o tribunal judicial e ainda uma escola do sexo masculino.
Segundo consta, uma D. Anna terá em 1763 fundado um hospício que mais tarde o doou aos frades franciscanos, com a obrigação de estes criarem aí uma fábrica de buréis (burel é um tecido grosseiro de lã como o que é usado para os hábitos dos frades) de modo a dar emprego às pessoas necessitadas da povoação. A data da fundação do hospício vem de uma inscrição que estava numa pedra e na qual se lia ‘Aedificata est aedicula Sacra família, 1763’.
Em 1915 foi demolido o edifício que fazia frente à Câmara Municipal e foi empedrado o largo agora conhecido por Praça da República.
Nos anos 80 o edifício já não se adequava às suas funções e segundo solicitação da Câmara, o arquitecto José Amorim projectou o actual edifício em 1988. O edifício primitivo foi demolido e em 27 de Maio de 1992 é inaugurado o actual edifício com a presença do então Presidente da República, Dr. Mário Soares.
Imagens actuais:





Imagens do antigo edifício:



História do Concelho de Rio Maior:
Como referi, Rio Maior foi elevada a sede de concelho a 6 de Novembro de 1836 por decreto de D. Maria II. Anteriormente, Rio Maior pertencia ao concelho de Azambujeira que fora criado em 27 de Maio de 1633 por Filipe de Portugal e agora extinto.
Inicialmente o concelho de Rio Maior ficou constituído pelas freguesias de Rio Maior, Arruda dos Pisões, Azambujeira, Outeiro da Cortiçada, São João da Ribeira e Abitureiras.
Logo a 4 de Junho de 1837 a freguesia de Abitureiras foi desanexada de Rio Maior e passou a fazer parte do concelho de Santarém.
Em 1855 as freguesias de Alcobertas e Fráguas passam a pertencer a Rio Maior devido à extinção do concelho de Alcanena que passou a ser uma freguesia de Santarém.
Em 1877 aparece a freguesia da Vila da Marmeleira por desanexação do lugar de Marmeleira de São João da Ribeira.
Em 1962 São João da Ribeira volta a dividir-se, surgindo assim a freguesia de Arrouquelas.
Em 1984, novamente São João da Ribeira é dividida e surgem assim as freguesias de Ribeira de São João e de Malaqueijo. Mas também neste ano surge a freguesia de São Sebastião por divisão de Fráguas e a freguesia de Asseiceira por divisão de Rio Maior.
Em 1985 Rio Maior é elevada a Cidade.
Em 1989 o concelho de Rio Maior ficou com a divisão administrativa actual com a formação da freguesia de Assentiz por divisão da Vila da Marmeleira.



As origens e história de Rio Maior:
As primeiras provas de vida humana em Rio Maior remontam à pré-história.
Principalmente na zona das Bocas, foram encontrados vários materiais referentes ao período do Paleolítico Inferior e Superior.
Nas grutas de Nossa Senhora da Luz (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/03/gruta-em-nossa-senhora-da-luz.html) foram encontrados vestígios de enterramentos que decorreram desde o Paleolítico Superior até ao Calcolitico.
A Anta de Alcobertas (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/02/dolmen-igreja-de-santa-maria-madalena.html) é um vestígio surpreendente do Neolítico que chegou até nós.
Da época Eneolítica existem vários vestígios como os existentes no Alto das Bocas e que são compostos por fragmentos de carvão, cerâmicas e alguns artefactos.
Da Idade do Ferro também existem vários vestígios como o Castro de São Martinho (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/03/castro-de-sao-martinho.html).


Da presença romana existem muitos vestígios como a Villa Romana (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/villa-romana-de-rio-maior.html), a estátua de ninfa aí encontrada, o denominado Buraco da Moura (túnel de tijoleira para canalizar a água do rio Maior para uma fundição de metais) e vários fustes e mosaicos encontrados em campos de cultivo.
Uma actividade importante para os romanos nesta região era a recolha do sal (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/06/salinas-de-rio-maior.html), embora a exploração das salinas já fosse realizada em tempos mais remotos. A estrada romana que ligava Lisboa a Braga passava perto o que facilitava o escoamento do sal. Desta estrada existem vários vestígios, como os existentes no Alto da Serra e a ponte em Assentiz (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/ponte-romana-assentiz.html).
Depois vieram os Muçulmanos que para além de alguns vestígios arquitectónicos como a Torre Mourisca datada de 1111 em São João da Ribeira (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/torre-mourisca-e-igreja-matriz.html), deixaram algumas alfaias e técnicas agrícolas como o fabrico de adobo que se usou até ao século XIX. Em Alcobertas resistiram até os nossos dias os silos usados para guardar cereais (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/silos-medievais-em-alcobertas.html) e ainda no forno cerâmico (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/02/forno-medieval-em-alcobertas.html). Dos Muçulmanos ficaram também muitas lendas, como a da fonte em Assentiz (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/fonte-mourisca-assentiz.html), a do monte de S. Gens (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/fontanario-em-sao-joao-da-ribeira.html) e a da quinta do Jogadouro (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/10/moinho-dagua-jogadouro.html).
A extracção do sal foi continuada e mesmo ampliada pelos Muçulmanos.
Com a conquista de Santarém por D. Afonso Henriques, passaram a ser os Templários a querer disputar as salinas, conforme mostra o documento de 1177 de compra de parte do poço (1/5) a Pêro d’Aragão (este é o documento mais antigo referente a Rio Maior que se conhece e está guardado na Torre do Tombo).


Durante a período medieval o território de Rio Maior encontrava-se dividido entre o priorado da ordem de Avis e o domínio dos frades (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/04/arco-da-memoria.html). As principais actividades económicas eram a agricultura (centeio, trigo, cevada, milho e painço), viticultura, extracção de sal e extracção mineira.
Existe registo de vários acontecimentos e personagens da realeza que foram passando por Rio Maior:
- D. Fernando I participou em montarias nesta região e aqui descansou após a assinatura do tratado de paz com Castela após a entrada destes em Lisboa (1373).
- O duque de Coimbra, D. Pedro instalou nesta zona as suas tropas para se preparar para a batalha de Alfarrobeira (1449).
- Em 1802 foi atribuido o título de Conde de Rio Maior a João Vicente de Saldanha (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/05/os-condes-e-marqueses-de-rio-maior.html).
- Durante a terceira invasão napoleónica a Portugal, o general francês, Junot, é gravemente ferido na cabeça à passagem por Rio Maior (1810).
- D. Miguel também fica em Rio Maior, na chamada Casa Senhorial (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/02/casa-senhorial-del-rei-d-miguel-casa-da.html) antes da batalha de Almoster que perdeu entre os liberais e miguelistas (1834)
.
Evolução demográfica da região:
- Em 1527, nos primeiros censos do reino, Rio Maior possuía 89 vizinhos e Alcobertas 40.
- No início do século XVIII, Rio Maior possuía 260 vizinhos e São João da Ribeira 300.
- Em 1758, Rio Maior possuía 3.000 pessoas com mais de sete anos e São João da Ribeira 1.830.
- Já como concelho, a evolução demográfica é a representada pelo gráfico e seguinte tabela.
Data ....... 1849 . 1900 . 1930 . 1960 . 1981 . 1991 . 2001 . 2004
Habitantes 5405 11645 15150 19356 19894 20119 21110 21621

Resumo Histórico de Rio Maior até à inauguração do actual edifício dos Paços do Concelho:
1177 – Documento mais antigo do concelho «Doacom de salinas e Rio Mayor» ;
(----) – Rio Maior pertence ao Termo da Vila de Santarém;
1449 – D. Pedro, duque de Coimbra, a caminho de Alfarrobeira;
1619 – Fundação de Albergaria Régia;
1633 – O lugar de Rio Maior passa a pertencer ao Concelho da Vila de Azambujeira;
1759 – Fundação da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior;
1761 – Criação da Feira Anual (actual Feira da Cebola);
1763 – A albergaria é entregue aos frades franciscanos arrábidos;
1789 – Estrada Real de D. Maria I (Lisboa – Rio Maior – Alcobaça – Coimbra);
1803 – Criação do título de Conde de Rio Maior (João V.S.O. Juzarte Figueira e Sousa);
1810 – Junot ferido aquando da 3ª Invasão Francesa;
1834 – D. Miguel (rei absolutista) pernoita nas vésperas da batalha de Almoster;
1836 – Criação do Concelho de Rio Maior;
1837 – A Câmara Municipal é instalada no edifício da albergaria;
1837 – Abitureiras é desanexada de Rio Maior e passa para Santarém;
1855 – As freguesias de Alcobertas e Fráguas passam a pertencer a Rio Maior;
1869 – Fundação do Grémio de Instrução e Recreio Riomaiorense;
1870 – Reconstrução do Hospital da Misericórdia;
1877 – Criação da freguesia de Vila da Marmeleira;
1878 – Fundação da Escola Primária da Vila;
1880 – Inauguração do Teatro Riomaiorense;
1886 – Fundação da Escola Municipal Secundária;
1892 – Fundação da Associação dos Bombeiros Voluntários de Rio Maior;
1893 – Fundação de «O Riomaiorense», primeiro jornal de Rio Maior;
1916 – Registo da Mina de Lignite do Espadanal;
1920 – Constituição da Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica Lda, Conc. das Minas do Espadanal;
1924 – Criação da Escola Comercial Municipal;
1928 – Electrificação da Vila de Rio Maior;
1935 – Inauguração do Matadouro Municipal;
1945 – Inauguração da linha férrea Rio Maior-Vale de Santarém (transporte de carvão);
1946 – Início da exploração de areeiros;
1955 – Início da laboração da Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal;
1957 – Fundação da empresa «Carnes Nobre»;
1962 – Criação da freguesia Arrouquelas;
1969 – Encerramento das Minas do Espadanal;
1972 – Fundação da União Desportiva de Rio Maior;
1978 – «Renascimento» do Coral e Orquestra Típica de Rio Maior;
1983 - Descoberta de vestígios de uma Villa Rustica Romana, denominada, Villa Romana de Rio Maior
1984 – Criação das freguesias de São Sebastião, São João da Ribeira e Malaqueijo.
1985 – Rio Maior é elevada a Cidade;
1992 – Inaugurado o novo edifício dos Paços do Concelho.
.
Alguns dados deste artigo foram retirados de outras páginas da internet com artigos muito interessantes, como por exemplo:
Site da Câmara Municipal
Site do Jornal Região de Rio Maior
Blog Memórias de Rio Maior
Site Wikipédia
Blog do Centro de Estudos Riomaiorenses

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Rio Maior e o 25 de Abril de 1974



Este artigo é para contextualizar a situação de Rio Maior na época da revolução dos cravos.
Vou usar excertos do excelente livro “História de Rio Maior” de Fernando Duarte e edição do autor.
Fernando Duarte tenta dar uma visão objetiva dos acontecimentos, mas conforme ele mesmo admite, sem ter a necessária distanciação temporal, já que o relato é jornalístico.


“A 17 de Janeiro de 1974, iniciaram-se, em Rio Maior, as obras de construção do primeiro cinema-estúdio do Ribatejo, de que é proprietário Fernando Casimiro. O projecto, modernista, é da autoria do arquitecto Jaime Dias de Azevedo, e a direcção do engenheiro Martins Vasco.
Em Fevereiro de 1974, comemora-se o 50º aniversário da Escola Comercial Municipal de Rio Maior. Estão concluídos o pavilhão gimno-desportivo e a nova sede da Casa do Povo de Rio Maior.
A 7 de Abril, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, visita a vila de Rio Maior.
O Almirante Américo Tomaz, Presidente da República, anuncia-se em em Fevereiro desse ano, visitará o Ribatejo: no dia 27 de Abril, Tomar; e no dia 28 de Abril, Rio Maior. Na vila, fazem-se preparativos mas a visita não se efectua pois o regime marcelista é derrubado a 25 de Abril de 1974. Nos jornais de 24, ainda se noticiam essas visitas.

O fim do Estado Novo, da ditadura de Salazar e Caetano, a 25 de Abril de 1974, é festejado em todo o concelho. Os elementos da Câmara Municipal estão demissionários mas mantêm-se até à eleição da nova Comissão Administrativa que, em Junho, toma posse no Governo Civil de Santarém. A 1 de Maio, Rio Maior manifestou exuberantemente o seu apoio ao triunfante movimento dos capitães e saúda a Junta de Salvação Nacional e o general António Spínola.
Eleita em assembleia popular, a Comissão Administrativa do Município de Rio Maior, tem a seguinte constituição: Presidente, Alberto Santos Goucha; vogais, José da Silva Pulquério, Mário Lopes Goucha, Arlindo Ferreira Santos e dr. Francisco Bergstrom Barbosa. Em Junho de 1974, esta Comissão toma posse, no Governo Civil de Santarém, no mesmo dia das de Santarém e Torres Novas. Curioso. Do acto de posse foram testemunhas, Armando Pulquério e Fernando Duarte, dois elementos do jornalismo regional.
A 24 de Julho de 1974 é impresso na tipografia de Rio Maior o nº 2.000 de Diário do Ribatejo. A 1 a 8 de Setembro, a Grande Feira realiza-se no novo clima de liberdade que se vive no país. ...
(...)
Em Dezembro comemora-se o 88º aniversário da Associação dos bombeiros Voluntários de Rio Maior e o Governador Civil desloca-se ao concelho para inaugurar a luz eléctrica em algumas das últimas povoações rurais que ainda a não possuíam.
Em Janeiro de 1975, iniciam-se, no Concelho de Rio Maior, as sessões de esclarecimento político dos vários partidos. ...
(...)
As eleições para os deputados à Assembleia Constituinte, em 25 de Abril de 1975, são, no concelho de Rio Maior, favoráveis sobretudo ao Partido Socialista e ao Partido Popular Democrático. Na vila, constituíram-se núcleos dos principais partidos. O concelho regista 13.586 eleitores.
(...)
A 13 de Julho de 1975, incidentes graves têm lugar em Rio Maior. Agricultores assaltam e destroiem, na vila, as sedes do Partido Comunista Português, na rua D. Fernando, e da Frente Socialista Popular, na rua D. Afonso Henriques. O Largo e a zona do Parque estão apinhadas de gente, irada contra os comunistas, vinda de todas as partes do concelho. Sucessivas edições de Diário do Ribatejo esgotam-se devido à objectividade da informação acerca do caso de Rio Maior. O povo diz que a Imprensa de Lisboa está manipulada pelos comunistas. Nos dias imediatos, milhares de exemplares do Diário de Lisboa e do Diário Popular, são rasgados no Largo. Forte dispositivo militar e da G.N.R. intervem. O Governador Civil desloca-se a Rio Maior. O clima é tenso e o povo não aceita a acusação de reaccionarismo. Fugitivos da prisão de Alcoentre foram capturados pela G.N.R. de Rio Maior. Na vila, gera-se uma hostilidade ao P.C.P. que se alarga a todo o país e cujos ecos chegam ao estrangeiro.
Em Agosto de 1975, Mário Soares fala num comício em Rio Maior. No mesmo mês, piquetes de vigilância interceptam, na vila, uma caravana de automóveis que, com armas, se dirigia a Leiria.
O dr. Francisco Bergstrom Barbosa demite-se da Comissão Administrativa do Município. (...)
Nos primeiros dias de Setembro, realiza-se a Grande Feira e o P.C.P. e o MDP/CDE afirmam que o ELP tem forte implantação no concelho de Rio Maior.
Um movimento de pequenos e médios agricultores, que hostiliza a reforma agrária e a ocupação selvagem de propriedades, converge para Rio maior, como centro de reivindicação. Rio Maior contesta a reforma agrária. Em Santarém após um encontro de agricultores, geram-se incidentes graves com camponeses convocados e que provoca mortes.
A 24 de Novembro de 1975 mais de 25.000 pessoas assistem em Rio Maior, a um plenário de pequenos e médios agricultores anti comunistas, reunião de significado histórico, comentada nacional e internacionalmente.
De 24 para 25 de Novembro de 1975 erguem-se barricadas em Rio Maior e durante horas é vedado o acesso a Lisboa. Uma revolução militar de esquerda saída na precipitação provocada pela tomada de posição de Rio Maior, é abafada pelas forças fiéis ao Governo do almirante Pinheiro de Azevedo.
Em Rio Maior é criada a CAP – Confederação Nacional de Agricultores.
(...)
Enquanto tudo isto se passa ainda sem proporcionar uma adequada perspectiva histórica ao estudioso, que só o tempo facultará, para um julgamento objectivo, os factos aqui ficam relatados com isenção. E uma coisa é certa – de um ponto de vista da história regional – na Câmara Municipal de Rio Maior há um notório esforço de dinamização, em situações nem sempre fáceis, mas Rio Maior caminha, confiante, no progresso do país novo e democrático criado pelo Movimento do 25 de Abril.”


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O rio Maior nos mapas


O Rio Maior é um curso de água que nasce na Serra dos Candeeiros, nas “Bocas” (Rio Maior) e desagua no rio Tejo, perto de Azambuja.
Ao longo do seu percurso o rio Maior é também chamado de Vala da Asseca, Ribeira da Asseca, Vala da Azambuja e Vala Real.
Atualmente o percurso do rio Maior é de cerca de 70 quilómetros.

Antigamente o rio Maior desaguava no rio Tejo entre Santarém e o Cartaxo, provavelmente perto de Carneiras.
No século XVIII o rio Maior foi desviado para a Vala Real de Azambuja, mandada construir por ordem do Marquês de Pombal. As obras começaram no reinado de D. José I e foram concluídas no reinado de D. Maria I. Esta vala é navegável em cerca de 17km e antigamente permitia a passagem de barcos de 30/35 toneladas que escoavam os produtos da região para Lisboa e permitia também o transporte de pessoas.

Desde o primeiro mapa de Portugal feito por Fernando Álvaro Seco, em 1561, decidi ver como o percurso do rio Maior foi representado ao longo do tempo até finais do século XIX.
Para facilitar a identificação do rio Maior, clareei a zona em que ele é representado.
É interessante observar como o local em que o rio Maior desagua no rio Tejo muda. Claro que é necessários compreender que os mapas mais antigos eram pouco precisos.
 1561 - Mapa de Fernando Álvaro Seco
 Mapa realizado com base no 1º mapa
 1613-1664 Mapa de Apud Joannem Janbonnium
 1640 Carta da Correição de Santarém
 1640-1679 Mapa de Visscher Nicolaus
 1663 Mapa de Sanson e Nicolas
 1720-1756 Mapa de Seutter e Mathäus
 1736 Mapa de Homann e Joahann Baptist
 1751 Mapa de Robert de Vagondy e Giles
 1800 - Mapa de Homannischen Erben e Franz
 1801 Mapa de Cary e John
 1829 Mapa de Hall e Sidney
1883 Mapa de Letts e Son and Co. 

Pode saber mais sobre o rio Maior, em: 
O rio Maior, da nascente até à cidade de Rio Maior. 
Sobre o curso do rio Maior: 

domingo, 28 de outubro de 2012

Fonte das três Bicas, em Rio Maior


Fonte das três bicas do Rio Maior.
 
 
É considerado que a nascente do rio Maior é no local designado por Bocas, embora também seja referido por várias entidades que a nascente do rio Maior é na Fonte das Três Bicas.
O facto é que a nascente do rio Maior se deve a um conjunto de nascentes, localizadas na terminação Sul do sistema aquífero do Maciço Calcário Estremenho e que drenam parte da água contida na Serra dos Candeeiros.
A nascente mais espetacular, é a das Bocas de Rio maior que pode atingir caudais elevados, mas cujo período de atividade é curto.
Existem oito outras nascentes com caudais mais reduzidos, mas mais regulares: Fonte da Oliveirinha, Fonte Peidinho, Fonte Galega, Fonte das três Bicas, Poço do Lagar, Rebentão, Fonte dos Marmelos e Fonte das Travessas (as 5 primeiras localizam-se na margem direita e as restantes três, na margem esquerda do rio Maior).

 
Fui visitar a Fonte das Três Bicas que fica na Quinta do Jogadouro, mesmo ao lado do antigo mosteiro beneditino.
A fonte encontra-se coberta por silvas e canas, estando em mau estado de conservação.
Apesar de há já duas semana chover com muita frequência, inclusiva com trovoada, a fonte está seca e olhando para o rio, este também está no mesmo estado.

 
É de constatação imediata que o leito do rio está cheio de vegetação e outros detritos que em caso de grande caudal pode impedir o deslocamento da água e provocar que o rio saia do seu leito, causando inundações.
Mas o principal problema do rio é este não ser. Por outras palavras, para um rio existir é necessário ter água.
Embora as causas possam ser muitas, a enorme plantação de eucaliptos que cobre toda a margem direita do rio Maior, não ajuda a que a água se infiltre no solo e consiga alimentar o rio.
A imagem seguinte, mostra parte da extensa plantação de eucaliptos com o leito do rio Maior a passar no lado direito e o esqueleto do velho moinho do Virgínio no lado esquerdo.


Claro que a plantação de eucaliptos a cerca de 70 metros da fonte, cumpre a distância mínima legal, mas qualquer cultura de rápido crescimento, principalmente na fase em que está jovem e crescendo rapidamente, tem um alto consumo de água do solo e por essa razão, é necessário ter cuidados especiais para se preservar as nascentes de água.
Penso que esse cuidado não se está a ter em Rio Maior e o resultado é que hoje, a ribeira de São Gregório que também passa em Rio Maior já tem caudal de água e o rio Maior tem as suas nascentes secas.

Para saber mais sobre os eucaliptos na nascente do rio Maior, consulte:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/09/eucaliptos-na-nascente-do-rio-maior.html
Para saber mais sobre o rio Maior, consulte:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2010/01/o-rio-maior.html