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terça-feira, 17 de novembro de 2020

Semanário "O Zé"


No final do ano de 1975, o jornal regional “Vida Social”, levado pelo movimento social que surgiu com o pós 25 de Abril de 1974, acaba por dar lugar a um novo jornal local de combate político, “O Zé”. 

“O Zé” teve como diretor João Pereira Lopes e contou com um número significativo de colaboradores entre os quais muitas pessoas influentes em Rio Maior. 

Começou com uma tiragem de 5.000 exemplares, mas rapidamente passa para os 11.000 exemplares ganhando projeção a nível nacional. Em 1980 o semanário chega aos 17.000 exemplares. 

O jornal do qual derivou este jornal, o “Vida Social” foi fundado em 1961. Este jornal era o sucessor do “Gazeta Regional” que apareceu em 1959 que por sua vez derivava do “Jornal de Rio maior” que surgiu em 1956.

 

Rio maior ficava na linha de combate entre o Norte e o Sul de Portugal que seguiam linhas ideológicas diferentes no pós 25 de Abril de 1974.



Pode saber mais sobre a Moca de Rio Maior em:
 
Sobre o 25 de Abril em Rio Maior:
 
Sobre o 13 de Julho de 1975 em Rio Maior:
 
Sobre o Dia do Agricultor Livre:
 
Sobre o Dezembro de 1975 em Rio Maior: 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Colégio Luis de Camões em Rio Maior

O Colégio Luis de Camões já foi uma referência na educação privada em Rio Maior, mas fechou portas após o ano letivo de 2006/2007. 


Em 1957 é fundado o Colégio Luis de Camões com o objetivo de ser um liceu. Foi criado pelo Dr. Augusto Pedro Branco que após muito trabalho e dedicação conseguiu ter um edifício dedicado ao ensino na zona da Freiria. Atualmente fica situado entre a Avenida dos Combatentes e a Rua Alberto São Goucha.

O Dr. Augusto Branco foi professor na Escola Comercial de Rio Maior, exerceu a função de chefe de secretaria do Município de Rio Maior e colaborou com o Jornal de Rio Maior. Atualmente existe uma rua perto da Biblioteca Municipal de Rio Maior à qual foi dado o nome do criador do colégio. 


Durante a sua existência de meio século, o colégio chegou a ter alunos em regime de internato.

Nos últimos anos ministrava-se neste colégio o ensino pré-escolar, básico e secundário. Tinha uma capacidade para 400 alunos. 

Desde meados dos anos 1990, houve um grande investimento no pré-escolar e 1º ciclo do ensino básico. Havia atividades como a ginástica, o ballet e a patinagem. De referir que desde 1996 que o ensino do inglês era obrigatório neste estabelecimento para as crianças a partir dos 4 anos de idade.

Em 2006 representantes do Colégio participaram na elaboração da Carta Educativa do Município de Rio Maior. 

Em Março de 2007 é constituída a empresa “C.L.C. – Colégio Luís de Camões, Unipessoal Lda” para gerir o colégio e em outubro do mesmo ano dá-se a sua Dissolução e Liquidação.

O lote em que se encontra o colégio possui uma área bruta de 6384m2 e possui um edifício com uma área bruta de construção de 1385m2. O edifício é composto por 4 corpos, sendo que dois deles são de 3 pisos e dois de rés-do-chão. 

 

O Colégio Luis de Camões está atualmente à venda por quase 1 milhão de euros. Quando em 2011 começaram a tentar vender o imóvel era pedido quase o dobro do valor pedido atualmente.


Fizeram-me chegar fotografias do interior do edifício e como pode ter interesse principalmente para os ex-alunos recordarem os espaços onde passaram muitas horas da sua juventude, mostro-as de seguida.

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Após reclamação de apresentação de fotografias obtidas sem a autorização dos atuais proprietários, decidi retirar as mesmas deste blog. Este blog foi criado para partilhar informação sobre Rio Maior e não tem o interesse de criar problemas a ninguém.
 

sábado, 24 de outubro de 2020

O Esquilo Vermelho em Rio Maior.


O esquilo-vermelho é um roedor omnívoro que habita nas árvores e é muito comum na Europa e na Ásia.
O esquilo-vermelho tem um comprimento típico de 19 a 23 cm (excluindo a cauda), uma cauda entre 15 e 20 cm de comprimento e um peso entre 250 e 340 g.
 
 

Em Portugal, o esquilo-vermelho desapareceu no século XVI, provavelmente devido à perda de habitat.  Este esquilo também era caçado pelo valor da sua pelagem.
Desde os anos 1980 que esta espécie começou novamente a colonizar o norte de Portugal com esquilos vindos da Galiza, Espanha.
A expansão natural dos esquilos-vermelhos já repovoou grande parte de Portugal, incluindo Rio Maior.
O esquilo-vermelho também foi introduzido de forma artificial em áreas urbanas como o Parque Florestal de Monsanto, em Lisboa, e o Jardim Botânico de Coimbra.
 

 
Em Rio Maior já existem avistamentos frequentes em aldeias como Arrouquelas.
Apesar de na nossa região os esquilos terem muitos predadores, vamos ver se a colónia se expande. Os principais predadores são os cães, gatos, raposas, corujas e gaviões.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Em 1499 o cortejo de transladação do rei D. João II passou por Rio Maior

Em 1499, passou por Rio maior o cortejo fúnebre de transladação do corpo do rei D. João II.

Este cortejo está descrito no livro “Historia Geral de Portugal Tomo VIII” de 1787.


O corpo do rei D. João II esteve durante 4 anos num caixão na Sé da cidade de Silves e como foi desejo do rei, o seu corpo foi levado para o Mosteiro da Batalha.

Pelo caminho, o cortejo fúnebre passou pela cidade de Rio maior.

 

D. Manuel era primo do rei defunto, D. João II e irmão da anterior rainha D. Leonor. Foi o único rei a subir ao trono sem ser descendente ou parente em primeiro grau do antecessor. Para se mostrar agradecido ao seu antecessor organizou este grande cortejo.

 

O rei D. João II fez o trajeto entre Silves e a Batalha numa anda muito ricamente ornamentada puxada por dois cavalos cobertos de brocados.

No cortejo seguiam: Muitos cantores e músicos (civis e militares) que mantinham uma música agradável; muitos notáveis, fidalgos e clero a cavalo; 80 capelões; bispos e arcebispos; grande comitiva régia apeada.

Com um dia de atraso havia uma outra comitiva que acompanhava o rei D. Manuel.

 




 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Na década de 80, importante experiência nutricional envolvendo 2 aldeias de Rio Maior.

Na década de 80 do século passado, realizou-se em Rio Maior uma importante experiência sobre o contributo do sal na pressão arterial das pessoas. Esta foi a primeira experiência do género a nível Mundial.

 


Com a coordenação do professor Rose (cientista inglês) e acompanhamento de Fernando de Pádua, pegaram em duas aldeias do Concelho de Rio Maior e numa delas fizeram uma intensa campanha junto da população local para baixar o consumo de sal. Na outra aldeia não se fez nenhuma campanha, sendo somente monitorizado o estado de saúde, de modo a servir de contraprova.

Durante dois anos um grupo de cientistas e técnicos de alimentação acompanhou esta experiência em Rio Maior.

Na altura da experiência, em Portugal consumia-se em média 20 gramas de sal por dia e por habitante, quando a Organização Mundial de Saúde recomendava um consumo máximo de 5 gramas de sal.

O resultado é que conseguiram baixar a pressão arterial da população sob análise numa média de 4 mm hg, o que foi espetacular dado que estima-se que esta redução reduza o número de acidentes vasculares para metade.

Na população de controlo, cuja dieta não foi vigiada, a pressão arterial média da população subiu mesmo nalguns milímetros.

A experiência trouxe ainda outra consequência, pois a população que estava a ser acompanhada mudou mesmo os seus hábitos alimentares e rotinas diárias para uma maneira de viver muito mais saudável.

O artigo de “O Jornal” que está na imagem é de 28 de Fevereiro de 1986.

 


Recentemente foi realizado um estudo no âmbito do Programa Menos Sal Portugal que conclui que a diminuição da ingestão de sal e o aumento da ingestão de potássio, a par da mudança dos padrões alimentares, estão diretamente associados a uma significativa redução da pressão arterial e a potenciais benefícios cardiovasculares. Revelou mesmo que, com a redução da ingestão de sal, os participantes reduziram a pressão arterial (SBP) em 2,1 mm hg. No grupo de indivíduos com maior consumo obteve-se com uma redução do consumo de sal de 0,6gr, uma importante redução da pressão arterial de 9 mm Hg.

Com o ganho obtido com a redução da ingestão de sal muitos doentes podem evitar iniciar medicação anti hipertensora ou conseguir reforçar o efeito de medicação já em curso.

Convém recordar que as doenças cardiovasculares mantêm-se como a principal causa de morte na Europa, sendo responsáveis por 45% de todas as mortes no continente Europeu e 37% nos países da União Europeia (estudo realizado em 2017).

 


Mas quem é o Professor Fernando de Pádua?

Fernando Manuel Archer Moreira de Pádua nasceu em Faro a 29 de Maio de 1927.

Em 1950 foi o melhor aluno da Faculdade de Medicina de Lisboa e realizou na universidade de Harvard (USA) uma Pós-Graduação em Cardiologia.

Esteve 33 anos na Direção de Serviços Hospitalares de Medicina no Hospital de Santa Maria.

Organizou Cursos de Pós-graduação em Geriatria e colaborou noutros de Cardiologia, Bioética, Reumatologia e Diabetes. Em 1997 Recebeu a Medalha de Ouro por Serviços Distintos das mãos da Ministra da Saúde Dra. Maria de Belém.

Fundou e foi presidente da Fundação Portuguesa de cardiologia.

Criou a Fundação Fernando Pádua.

 


terça-feira, 15 de setembro de 2020

Antipapa Bento XIII esteve em Rio Maior em 1382

O Antipapa Bento XIII esteve em Rio Maior em 1382.

 

 

Rio Maior em 1382 foi escolhida para Portugal decidir se apoiaria o Papa de Roma ou o Papa de Avinhão.

Conforme está escrito na página 375 do livro “Brasões Da Sala de Sintra, Volume 2”: 

“Hesitando D. Fernando sobre qual dos papas reconheceria por verdadeiro, convocou em fins do verão de 1382 uma junta de letrados para Rio Maior. Nela compareceu o dr. Gil do Sem, o dr. João das Regras, que pouco havia viera do estudo de Bolonha, e outros jurisconsultos.” 

 


O porquê de ser em Rio Maior reside no facto do Rei D. Fernando estar a residir em Rio Maior nessa altura.

D. Fernando era bisneto de D. Sancho IV de Leão e Castela e envolveu-se em três guerras contra o país vizinho (Guerras Fernandinas), disputando o trono de Castela.

Finalmente em 1382 termina a guerra com Castela pelo tratado de Elvas. Mal o tratado é assinado (9 de Agosto de 1382) o rei D. Fernando dirige-se para os paços de Santarém juntamente com a rainha D. Leonor Teles e o João Fernandes Andeiro. Devido ao rei se encontrar muito fraco acaba por ficar em Rio Maior.

 

Já agora, pode saber mais sobre uma suposta infidelidade entre a rainha D. Leonor e o João Andeiro ocorrida em Rio Maior, em: 

http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2013/07/infidelidade-real-em-rio-maior-sec-xiv.html 

 


Antes de falar do Antipapa Bento XIII é importante perceber o que foram os antipapas e o Grande Cisma do Ocidente.

Um Antipapa é uma pessoa que reclama o título de Papa durante um período em que o título está vago ou em oposição a um Papa legitimamente eleito. Um Antipapa não é uma pessoa que segue uma doutrina contrária à fé da igreja sendo mesmo geralmente apoiados por cardeais. O primeiro antipapa conhecido foi Hipólito de Roma que protestou contra o Papa Calisto I, no ano 235.

Já em 1309 o Papa Clemente V foi levado, sem possibilidade de contestação, pelo rei francês, Filipe, de Roma para residir em Avinhão, na França. Em 1377, o Papa Clemente V morre e em 1378, o novo Papa, Gregório XI, voltou para Roma onde faleceu pouco depois. Foi então eleito Urbano VI, que tornou-se num papa muito autoritário, de modo que uma quantidade considerável do Colégio dos Cardeais anulou a sua votação e foi realizado um novo conclave. Foi eleito Clemente VII, que passou a residir em Avinhão. Inicia-se assim o Cisma, em que o Papa residia em Roma e o Antipapa residia em Avinhão.

Ainda surgiu, mais tarde, um outro Antipapa em Pisa. O Grande Cisma terminou no Concílio de Constança em 1417, quando o papado foi estabelecido definitivamente em Roma.

 


Durante o Cisma, as nações dividiram-se entre as que apoiavam o Papa e as que defendiam o Antipapa.

 


Quando se dá o Grande Cisma, em 1378, Portugal apoia o Papa de Roma.

Já em 1979, como Portugal estava em paz com Castela e apoiando Castela o Antipapa de Avinhão, o rei também passou a apoiar o Antipapa de Avinhão.

Em 1381, a aliança com Inglaterra foi renovada e Portugal passou a apoiar novamente o Papa de Roma.

Em 1382 com o fim das Guerras Fernandinas, o rei D. Fernando volta a apoiar o Antipapa de Avinhão.

Estas constantes mudanças de apoio, valeram ao rei D. Fernando o cognome de o Inconstante.

Já em 1385 e sendo D. João I rei de Portugal, o reino passa a apoiar o Papa de Roma.

 

Voltando ao Antipapa Bento XIII.

Antes de ser eleito antipapa a 28 de Setembro de 1394, Bento XIII, foi batizado como Pedro Martínez de Luna. Nasceu em 1328 em Aragão e em 1375 ganhou o título de cardeal de Santa Maria in Cosmedin.

Em 1382, Pedro de Luna foi enviado por Clemente VII a Portugal, a solicitar a D. Fernando que reconhecesse Clemente VII como Papa. O Papa de Avinhão já era reconhecido oficialmente por Castela, França, Escócia, Sicília, Aragão e Navarra.

 

… Estando D. Fernando em Rio Maior, veio ter com ele o cardeal de Luna e rogou-lhe que tornasse a dar obediência a Clemente VII, como o fizera antes da vinda dos ingleses. O monarca, ouvidos os letrados do reino e contra o parecer de todos, determinou reconhecer a legitimidade do papa de Avinhão.

 

A presença do cardeal D. pedro de Luna é atestada em Rio Maior a partir de meados de Novembro de 1382.

O Antipapa espanhol sucedeu a Clemente VII, continuando assim o Cisma com um pontificado em Avinhão em colisão com o Papa de Roma, Bonifácio IX.

 

A corte portuguesa esteve sediada em Rio Maior por alguns meses. Para albergar a corte e todas os emissários em Rio Maior, a região teria obrigatoriamente de possuir boas condições humanas e de edificado. Este é um tema que deveria merecer uma investigação mais profunda.

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Rio Maior em indicadores

Após ler o artigo de opinião no “Mais Ribatejo” de 20 de Agosto deste ano com o título “Santarém deixa os jovens muito aquém”, decidi ver as fontes do artigo e tentar perceber a situação específica de Rio Maior.

O artigo pode ser lido em: 

https://maisribatejo.pt/2020/08/20/santarem-deixa-os-jovens-muito-aquem/ 

 

Os dados genéricos são os seguintes


 

Para se ter dados mais concretos, recorri ao site dos Municípios: 

https://www.pordata.pt/Municipios 

 

Existe muita informação neste local da internet para ajudar na tomada de decisão.

Percorrendo alguns dos dados lá existentes podemos colocar a informação em gráficos.

1- População residente.


Verifica-se que a tendência em Rio Maior segue a mesma tendência nacional.

 

2- Taxa de natalidade.


A taxa de natalidade bruta em Rio Maior também segue a tendência nacional.

Verificou-se um valor mínimo entre os anos de 2012 e 2014, mas nos últimos anos tem-se verificado um ligeiro aumento na taxa de natalidade.

 

3- Nível de escolaridade.


Também na escolaridade Rio Maior segue a tendência nacional.

Houve uma grande diminuição do número de pessoas sem escolaridade e um aumento nomeadamente das pessoas com ensino superior.

 

4- Poder de compra.


Tendo como base o poder de compra nacional, os habitantes de Rio Maior tem tido uma ligeira melhoria ao longo dos últimos anos.

 

5- Edifícios.


Sobre os imóveis, no Município de Rio Maior têm-se verificado um aumento dos edifícios residenciais, mas uma forte diminuição nos não residenciais. O mesmo acontece a nível nacional.

 

6- Criminalidade.


Mais uma vez, a tendência de Rio Maior segue a tendência nacional.

Nunca é demais salientar o elevado número de ocorrências de violência doméstica.

 

7- Taxa de desemprego.


A evolução da taxa de desemprego é semelhante à evolução ocorrida a nível nacional.

De salientar a maior taxa desemprego (relação entre as pessoas desempregadas e as com emprego) no feminino.

 

8- Salários.


Neste aspeto tem de se salientar que a média dos salários em Rio Maior é inferior á média nacional.

Para os jovens que pensam não valer a pena estudar, de salientar que como é normal, os salários médios sobem conforme sobe a escolaridade das pessoas.

 

9- Cultura – Equipamentos.


No que respeita ao acesso que os munícipes de Rio Maior têm à cultura, a região não fica nada bem. Este é um ponto que deveria merecer uma grande atenção dos responsáveis autárquicos pois falta um pouco de tudo, tanto em quantidade como em qualidade. Sabe-se também que este não é um assunto fácil de gerir.

 

10- Investimento em atividades culturais.


No que a investimento em atividades culturais, nota-se que mais de metade vai para atividades desportivas. O desporto é importante, mas há muito mais para além da atividade física.

Em abono de verdade tem-se que ter cuidado ao analisar esta rúbrica pois os últimos dados são de 2012.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Gruta de Alcobertas - Descrição de Bernardino Soveral em 1872

Descrição da Gruta de Alcobertas feita por Bernardino Arede Soveral na publicação “Diario Illustrado, nº127” de 4 de Novembro de 1872.

A descrição é um pouco longa, mas vale a pena pela emoção que o autor coloca na descrição do que o envolve.

 

Vou iniciar a descrição quando acenderam as tochas na entrada da gruta. Deixei a transcrição em português antigo para não a adulterar.

De lembrar que a Gruta de Alcobertas a esta data era considerada uma das mais bonitas da Europa. 

 

“Accenderam-se portanto, e distribuíram-se os brandões de cera que levavamos. Bem depressa a luz do dia desappareceu, e esta especie de procissão caminhava á luz das tochas. Eramos ao todo 9 pessoas.

Tinhamos caminhado uns 15 a 20 metros, e a gruta já tinha uma capacidade de 3 metros de alto e 2 de largo : nas paredes d’ella começavam a apparecer camadas de diversas crystalisações, que similhavam um forro de musgo ; mas tão branco e transparente, como se uma camada de neve, em manhã d’inverno, houvesse cahido por cima d’elle, conservando-lhe a fórme ramosa. Era lindo ver como as nossas luzes faziam refulgir uns reflexos cambiantes d’aquelles grumos aparentes de um orvalho gelado. 

Tenho visto algumas grutas que há no paiz. Li na excelente obra de Adolphe Joanne (Voyage ilustrée dans les cinq parties du monde) as descripções de diversas grutas, e não encontrei alli, como na gruta que descrevo, tantas, tão variadas e tão imponentes crystalisações, em uma distancia de mais 300 passos, com abobadas de cinco a nove metros de altura, recamadas de estalagmites admiraveis pelo volume, pelas côres, pela transparência e pelo brilho. É realmente surprehendente o ver como das paredes da galeria brotam umas crystalisações como se fosse vegetação de marmore e vidro, aflorando aquellas superfícies perpendiculares ; outras vezes, pousando aquelles ornatos sobre uns degraus que vão esconder-se nos franjados que pendem dos extremos da abobada: faz parecer que uma cascata acabava de se gelar n’aquelle momento.

A gruta de Alcobertas tem de extensão 210 metros : a galeria d’ella tem algumas curvas, e a não ser necessário subir e descer em trez logares, a 2 e 3 metros de altura, podia caminhar-se até ao fim em um plano quasi horisontal. Não é necessário descer a perigosas profundidades, como na famosa gruta das fadas, na cordilheira da Serane, onde Cimarozza, descendo ao abysmo do monte Tharene, e escutando os sons das harpas eólicas, recebiam, das correntes do vento, lições de harmonia. Esqueceu-me levar uma bussola para conhecer a direcção da galeria, mas pareceu-me que seguia o dorso da montanha, para o lado do Sul. 

A gruta contém quatro grandes salões, o ultimo dos quaes, é colossal : em toda a galeria não há o menor espaço de pedra nua ; a abobada e lados d’ella, a não terem algumas agglomerações de crystal de rocha, podia dizer-se que eram completamente forradas de crystaes, de carbonato de cal, coloridos, brancos, opacos ou transparentes, e por isso, despertando sempre a curiosidade, pela variedade dos quadros que apresenta.

Em alguns dos intervallos dos quatro salões, há umas curvas com uns pórticos assimilhando diversas entradas para outras galerias. Apparecem alli, em um d’elles, uns cortinados, pendentes de uma especie de architrave, e assimilhando as pregas e apanhados de tecidos, encorpados, dando reflexos como se fossem bordados de lantejoulas. Em outros, nota-se a similhança de bambinellas, que ora se escondem para o centro de largas fendas cavadas nos flancos da rocha, cheias de sombras que resistem á força das nossas luzes; ora deixando apparecer na altura de 5 a 18 decimetros um agrupamento de colunas alvíssimas, de diametro entre um e tres decimetros. Aquellas tapecerias consistem de uma lindíssima aggregação de crystalisações calcareas, tão unidas e lizas, que o lápis mais experiente, não assombra com tanta suavidade, as voltas do encanudado de um formoso pavilhão. Ninguem dirá que teem a dureza da pedra, aquelles apanhados de pregas, de dois a trez metros de altura, coloridos diversamente por via das infiltrações de almagre, que alli ha em abundancia, e, mais ou menos saturados pela côr vermelha d’elle, formando um contraste admiravel sobre a brancura das columnas. 

O primeiro salão que eu denominei – dos órgãos – é um dos que mais me encantou. Tem quasi cinco metros de alto, e quatro de largura : nos lados e frente levantam-se uns pórticos em ogiva, de aberturas e ornatos diversos.

Notam-se alli desde a cúpula até á base, ao lado esquerdo de quem vae, umas laminas separadas parallelamente por intervalos desde dois decimetros até dez centimetros, que assimilham a uns bastidores colossaes, de uma superficie aparentemente lapidada, e de uma espessura de 5 a 8 centimetros : póde introduzir-se por entre ellas um braço, e por isso collocámos algumas das nossas luzes na lombada, deixe-me assim dizer, d’aquelle enorme livro meio aberto ; e que lindo efeito isto produzia! Alguns de aquelles diaphragmas, apesar de bem espessos, teem muita transparencia, e deixam coar, entre as luzes, uns reflexos açafroados, lindíssimos. 

Outros de maior espessura, e com aberturas eguaes, parecem os tubos perpendiculares de um magestoso orgam, e com a notável circumstancia de que, batendo-lhes levemente, davam uns sons prolongados, e muito similhantes aos que são vibrados por um relogio em que a mola substituiu a campainha.

Entre este 1º e o 2º salão que eu denominei – das estatuas – é mister passar, subindo e depois descendo, por cima de um rochedo admirável, e que mede apenas metro e meio de elevação. 

Surprehendeu-me a quantidade de fulgor dos lampejos que se despediam da superfície d’este penhasco, quando se fazia oscilar diante d’elle uma luz. Aquella pedra tem uma superficie escura e aveludada ; parece forrada de feltro, e sendo este comprimido pela mão, abate-se, e os lampejos desapparecem. Todavia creio que reapparecem; porque aquella pedra tem sofrido muitos attrictos, na passagem dos que visitam a gruta, e nós encontramol-a radiante dos seus crystaes, e tão brilhantes que pareciam milhões de pyrilampos a esvoaçar por meio das sombras.

A poucos passos do indicado penedo, encontra-se o 2º salão – o das estatuas : elle tem um não sei que de triste. É um âmbito curvo, de extensão aproximada a 11 metros, conservando uma largura de 5 metros, e 6 de altura. Ao approximar-nos d’este recinto, parece que do centro das sombras se levantam aqui e alem, umas estatuas, á altura de 1 metro e metro e meio. 

Aquelles vultos são de uma apparencia tal, que é necessario vel-os de perto para crér que o cinzel do estatuario não andou por alli esboçando figuras humanas.

Aquellas estatuas, deixem-me assim chamar-lhes, estão em semi-circulo, e no eixo da curva, há uns penhascos tambem cobertos de crystalisações ; porém, com quanto muito resplandecentes, assentam n’uma superfície escura, e entre elles ha umas aberturas elipticas, que dão a apparencia de arcadas, além das quaes tudo são sombras. 

Pareceu-nos este logar a parte central das abobadas subterraneas, próximas a Seringapatan, onde existem os mausoleos das dynastias musulmanas de outras eras.

O 3º salão designei-o – A catedral; - porque se assimilha ás ruinas de um templo grandioso, conservando-se ainda de pé uns restos surprehendentes que attestam a sua primeira magnitude. 

O espaço é oblongo ; tem 6 metros desde a base até á abobada, e na sua maior largura 5 metros.

De um lado vê-se uma rocha elevada, do volume e feição de um pulpito. As paredes, recamadas com innumeraveis crystalisações de uma belleza que não póde descrever-se, estão fendidas a prumo, assimilhando gradamentos meios destruidos. 

A um dos lados vê-se uma saliência na rocha, com uns córtes tão em esquadria que fazem parecer um altar, sobre o qual pendem, á altura de 4 metros, umas curvas orladas de franjas, compostas de pequenos tubos com a transparencia cambiante de madreperolas, e terminadas por umas gotas d’agua, que de espaço a espaço descem a luzir até ao solo, constituindo uma perspectiva impossivel de pintar.

Dos outros lados d’este salão, pendem, junto á abobada, uns ornatos, como capíteis corinthios, com as suas folhas de acantho, e pousando sobre umas columnas, brancas como jaspe, parte das quaes parecem quebradas pelo meio, e parte veem-se estendidas entre pequenos montes de crystal de rocha. 

Fazem lembrar aquellas esplendidas crystalisações, os delineamentos da architectura phoceana, similhante á que os Egypcios empregaram no templo de Karnac.

O 4º e ultimo salão é enorme, e fechado por uma grande cúpula de 6 metros de diametro, na altura de 9 metros! 

Alli, o sr. Germano do Souto, nosso intrépido companheiro, subiu a um rochedo de 4 metros de altura, que está a um lado, e levantou a luz do seu brandão. A oscillação d’ella com as de todas as nossas tochas, formava um conjunto de reflexos tão bellos, que a mente mais opulenta de ficções grandiosas, por muito prevenida que estivesse havia de extasiar-se alli, e conhecer que a descripção mais cheia de pompa, não ia além dos traços de uma miniatura imperfeita. Lembrei me n’aquelle enorme subterraneo do infeliz Francisco I. Caldas, morto na Bolivia pelas commoções politicas, porque me veio á mente a descripção que elle faz da famosa caverna Guaya Suma, proximo ao gigantesco Chimboraso, na cordilheira dos Andes.

N’este 4º salão, ha, na sua maior altura, duas grandes aberturas allipiticas, que indicam o seguimento de outras galerias. 

Não fomos lá ; porque só faltava escada própria para hir áquella altura ; mas tambem porque ninguem se afoitára ainda a hir além do ponto aonde nós fomos. Conta-se que um explorador ousado, quis tentar a investigação do resto da gruta, mas ficou transido de terror, pelos precipicios que vira, e desistira do intento.

É possivel que seja isto verdade, e se effectivamente quem intentar a exploração do resto da gruta, deve munir-se de cordas e bons companheiros, sondando com toda a cautella a solidez do fundo das galerias, e verificando de’espaço a espaço se o ar é nocivo á respiração.” 

 

Pode saber mais sobre esta gruta em: 

http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/04/gruta-de-alcobertas.html 

 

Bernardino Passos de Arêde Soveral Tavares , nasceu a 20 de Fevereiro de 1815 em Aveiro e Faleceu a 30 de Janeiro de 1885 no Cartaxo. Foi juiz desembargador e senhor do Prazo de Arrudel. Casou-se com Maria Bernardina Dias Tavares (N1823 F1895) em 1853 e tiveram 7 filhos

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Resinagem em Rio Maior


A Resinagem ainda continua ativa em Rio Maior.
Apesar de cada vez haver menos pinheiros devido à invasão dos eucaliptos é ainda possível ver a resina a correr bem perto da cidade de Rio Maior, como é o caso de Vale de Óbidos.

A resina é uma secreção das plantas, mais abundante mas espécies resinosas que serve para proteger a árvore das agressões, quando sofrem danos ou feridas. A resina é um líquido viscoso translúcido de cor amarela acastanhada que estimula a cicatrização da ferida e funciona como protector pois repele herbívoros e insectos. A resina não deve ser confundida com a seiva pois têm funções e características diferentes na árvore.


A resinagem é praticada manualmente pelo resineiro com o objectivo de extrair, recolher, limpar e acondicionar a resina de pinheiros.
A extracção da resina consiste em fazer cortes na casca do troco, fazendo com que a árvore produza e liberte a resina que é recolhida num recipiente preso à árvore.
A resinagem permite uma valorização extra dos povoamentos de pinheiros promovendo a criação de emprego e riqueza nos meios rurais.
A resinagem está regulada pelo decreto de lei nº 181/2015 de modo a permitir que a árvore continue a crescer ao longo da sua vida.

A resina é entregue a fábricas que a transformam em matéria prima para variados produtos.
A resina entra no fabrico de: Aguarrás; Vernizes de óleo; Lacas; Graxas; Colas; Elásticos; Indústria do papel; Medicina; …


Em termos históricos sabe-se que as resinas, incenso e mirra, foram muito utilizadas em rituais religiosos na Grécia, Roma e antigo Egito. Desde a Idade da Pedra até à Idade do Bronze o âmbar (resina fossilizada) era muito popular como ornamento. No meio naval a resina era usada para impermeabilizar e tornar mais resistentes a estrutura de madeira, mas também as cordas e lonas.
O uso excessivo das resinas levou ao aparecimento das primeiras resinas sintéticas em 1907 por Leo Baekeland.