terça-feira, 20 de julho de 2021

Rotunda na Avenida Paulo VI

 No passado dia 27 de Junho, foi inaugurada a nova rotunda na Avenida Paulo VI em Rio Maior.

A inauguração contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Filipe Santana Dias, da Deputada da Assembleia da República, Isaura Morais, dos Presidentes das Juntas de Freguesia de Rio Maior e S. Sebastião, João Rebocho e Albertino Lopes, bem como de vários elementos do executivo camarário.
A rotunda foi feita para resolver um problema de trânsito que existia na ligação da Avenida Marechal Humberto Delgado com a Avenida Paulo VI. A imagem seguinte foi retirada do Google Maps.

Foi uma boa ideia terem afastado as passadeiras na Avenida Paulo VI desta nova rotunda, tornando o trânsito mais fluido e diminui a probabilidade de haver atropelamentos. Reduzindo um pouco os passeios que aqui eram bastante largos, conseguiram encaixar a rotunda inaugurada.

O canteiro no centro da rotunda forma uma bonita flor de 6 folhas, uma Trímera. A imagem seguinte foi retirada da página da Câmara Municipal de Rio Maior.


 

sábado, 17 de julho de 2021

Actividade Ninhos na Freguesia em Arrouquelas

 Em Arrouquelas está a acontecer a Actividade Ninhos na Freguesia.

Uma iniciativa do Centro de Estar de Arrouquelas em parceria com a Junta de Freguesia de Arrouquelas que pretende elaborar e instalar ninhos artificiais em vários jardins e locais públicos de modo a ajudar a passarada a completar o seu ciclo de vida. 

Os ninhos e flores artificiais são feitos de material reciclado e foram criados pelos residentes com mais de 65 anos de modo a tentar combater o isolamento provocado pela pandemia que vivemos provocada pelo vírus Covid.

Interessante é a afixação junta dos trabalhos de placas com dados e fotografia dos seus executantes.

Uma comunidade é mesmo isto, formada por pessoas e pelas suas vivências.






 

 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Provável antiga fortaleza ou castelo em Rio Maior

É provável que Rio Maior já tenha tido um pequeno castelo ou fortaleza (A imagem é do Castelo de Alcanede).


No artigo de 1881 que saiu no “Diccionario Popular” é referida a existência de um castelo, junto à Igreja de S. Miguel, atualmente conhecida como Capela de Nossa Senhora da Vitória.

Pode-se verificar mais evidências da existência de uma fortaleza em Rio Maior nos seguintes artigos:

- Alcaide-mor de Rio Maior

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2013/03/alcaide-mor-de-rio-maior.html

- Infidelidade real em Rio Maior - séc. XIV

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2013/07/infidelidade-real-em-rio-maior-sec-xiv.html

- Capela de Nossa Senhora da Vitória e Paço Medieval

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/05/capela-de-nossa-senhora-da-vitoria-e.html

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Ligação ferroviária em Rio Maior, 1874


O caminho de ferro sempre foi muito desejado em Rio Maior.

Chegou a existir em Rio Maior um ramal, mas de carga, devido à Mina do Espadanal.

Pode saber mais sobre esta linha em: 

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2011/08/antiga-linha-de-caminho-de-ferro-em-rio.html 

 

No entanto este artigo é sobre um pedido de licença de construção e exploração de um caminho de ferro para mercadorias e passageiros que ligaria a Ponte de Sant’Ana no Cartaxo e o Porto de S. Martinho.

Esta ligação ferroviária estava prevista com paragens na Vila do Cartaxo, Rio Maior, Óbidos e Caldas da Rainha.

O pedido foi autorizado em 26 de fevereiro de 1874.

As condições de autorização estão nas imagens seguintes:



Claro que esta obra nunca foi concretizada.

Curioso é o pedido da licença ter sido feito por Luíz Augusto Palmeirim (imagem no topo deste artigo).

 

Luíz Augusto Palmeirim

Poeta pertencente à geração ultrarromântica, de nome completo Luís Augusto Xavier Palmeirim, nascido a 9 de agosto de 1825, em Lisboa, e falecido a 4 de dezembro de 1893, na mesma cidade.

Também foi deputado, jornalista, dramaturgo, crítico e tradutor. Proveniente de uma família de militares de alta patente, frequentou o Colégio Militar e tomou parte na rebelião da Maria da Fonte, entre 1846 e 1847, ao serviço da Junta do Porto, contra a ditadura de Costa Cabral.

Foi censor do Teatro D. Maria II desde 1853 e diretor do Conservatório de Lisboa desde 1878 até à sua morte, para além de membro da Academia Real das Ciências e da Sociedade Escolástico-Filomática.

Era conhecido como o mais popular dos nossos poetas.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Os Sapateiros de Benedita e a sua relação com Rio Maior



Tendo por base o postal com o endereço de Rio Maior mostrando uma oficina de sapateiro em meados do século passado, decidi investigar um pouco mais. 

A pouco mais de dez quilómetros de Rio Maior, em 1950 havia na freguesia da Benedita 750 (setecentos e cinquenta) sapateiros que trabalhavam em 120 oficinas.

Era habitual os sapateiros da Benedita deslocarem-se ao mercado mensal de Rio Maior, alguns de bicicleta, para venderem o seu calçado. No final do mercado tentavam trocar, nas lojas da região, o calçado não vendido por artigos de sapateiro como solas e cabedais. A Feira das Cebolas em Rio Maior servia de montra ao trabalho destes sapateiros que ganhou fama na região. 

Em termos históricos é aceite que a influência do calçado nesta região provém do Mosteiro de Alcobaça. Sapateiro era uma das profissões mais representadas nos Coutos de Alcobaça nos séculos XIV e XV. Nos finais do século haveria 26 sapateiros nos Coutos, dois por povoação, excepto em Alcobaça. Devido à fraca qualidade dos solos de Benedita, esta actividade seria um complemento aos parcos rendimentos que provinham da agricultura.

A freguesia da Benedita ganhou ao longo do século XX, o epíteto de “Terra de sapateiros”. 

Até meados do século passado as oficinas na em Benedita eram de caris familiar em que o saber passava de pais para filhos. Como é mostrado no postal, junto ao sapateiro havia sempre um velho alguidar de barro para pôr a sola de molho, para a amaciar e poder bater, tornando-a mais concisa e durável.

Durante a Segunda Grande Guerra havia falta de solas e cabedais e por isso, falta de trabalho para os sapateiros. Mas os sapateiros logo se organizaram e clandestinamente este material era transportado no dorso de mulas, vindas de Alcanena pela Serra dos Candeeiros. 

Devido ao violento esforço físico exigido, em 1945 é definida a idade mínima de 14 anos para trabalhar neste ofício.

Na década de 60 do século passado a freguesia foi alvo de um projecto de Desenvolvimento Comunitário que tinha por base o associativismo dos sapateiros e se estendia à melhoria das condições de vida de toda a população. O negócio saiu da clandestinidade e foram criadas duas grandes fábricas no âmbito deste projecto. A freguesia passou a ter água canalizada, luz e estradas alcatroadas. 

 

 

O Pé Descalço.

Durante muito tempo o povo português andou descalço, a pobreza assim o impunha e mais tarde o hábito. 

Só a partir dos últimos anos da monarquia é que se tentou reverter esse costume através de manifestos e da proibição da entrada em Lisboa de pessoas descalças, mas sem grandes resultados.

Foi na década de 30 (século XX) que se erradicou das cidades esse costume através dos esforços do governo que decretou a lei nº 12073 em 1928 que publicava: 

   a) É proibido o trânsito de pessoas descalças na via pública das áreas das cidades, que serão delimitadas por postura municipal;

  b) As disposições poderão igualmente ser aplicadas a outras localidades por decisão dos governos civis; 

   c) A transgressão do disposto será punida com uma multa de $50 a 2$00. A reincidência será punida com o dobro da pena.

Em 1928 a Liga Portuguesa da profilaxia Social criou uma campanha nesse sentido, considerando o uso do pé descalço indecente e anti-higiénico, publicando nessa altura o livro “O Pé Descalço – Uma vergonha nacional que urge extinguir”. 

Em 1947 surgiu nova campanha de sensibilização onde se criou também programas de vacinação anti-tétano. Agora o problema já não era tanto a pobreza extrema, mas o hábito de andar descalço.

Estas campanhas continuaram a nível nacional e regional e muitas pessoas foram presas durante 1 ou 2 dias quando eram apanhadas descalças sobretudo nas cidades e nas vilas porque nas zonas mais rurais não havia tanta fiscalização, então viam-se pelos caminhos homens com botas penduradas ao ombro para serem apenas calçadas quando chegassem às vilas ou às cidades.


 Todos os anos se realiza no primeiro fim-de-semana de agosto a Festa do Pé Descalço na freguesia de Asseiceira.

quarta-feira, 3 de março de 2021

História e lição empresarial na época do Marquês de pombal.

Esta é a história de um Inglês que mudou a vida da Marinha Grande há 250 anos atrás.

Esta é a história de Guilherme Stephens em que envolve Rio Maior numa lição empresarial.

 


Guilherme nasceu a 1731 em Inglaterra e após a morte prematura dos pais veio trabalhar para Portugal com apenas 15 anos. Com o terramoto de 1755 fica desempregado e passa a viver em abrigos. Sabendo que para a reconstrução de Lisboa vão ser necessárias matérias primas, propõem ao rei D. José e ao Marquês de Pombal a criação de uma fábrica de cal que começa a laboral em 1757. Após 1764 e com a necessidade de vidros e janelas, o Marquês de Pombal convida Guilherme Stephens a reconstruir a fábrica de vidro perto do Pinhal do Rei, na atual Marinha Grande. A 16 de Outubro de 1769 a Real Fábrica de Vidros começa a laboral.


Conta-se uma interessante história, envolvendo Rio Maior, em que a perspicácia empresarial de Guilherme Stephens fica bem evidente. Esta história encontra-se descrita em “Memórias Histórica de Algumas Vilas e Povoações de Portugal” de 1871.


Guilherme Stephens saiu de Lisboa em direção á Marinha Grande, como era seu costume, para acompanhar pessoalmente a produção na fábrica, apesar de ter inteira confiança no administrador.

Chegando a Rio Maior, descansou numa estalagem, de construção recente, aí existente.

A estalajadeira trouxe-lhe um copo grande com vinho. O copo nada tinha de notável a não ser a forma colossal e a grossura do vidro. Stephens, depois de observar o copo, chamou a estalajadeira.

- Onde comprou este copo, boa mulher?

- Veio da Marinha Grande e não me custou muito dinheiro, meu senhor. É de tão boa qualidade que já tem caído no chão algumas vezes e ainda se não quebrou.

- Deveras?

- É tão certo que se não tivesse agora medo que não me saísse o dito verdadeiro, pediria ao senhor que o deitasse ao chão.

- Se o quebrar, hei de pagar-lho.

Gulherme Stephens atirou o copo ao solo e a mulher teve o prazer de ver que ficou inteiro.

- É de boa qualidade, não há dúvida, resmungou Stephens, e acrescentou alto:

- Compro este copo…

- O senhor…

- Sim… quanto quer por ele?

- Já tem uso e faz-me falta.

- Não importante… Guarde isso.

E Guilherme deu uma moeda de ouro á estalajadeira, que ficou eufórica pois há muito não via nas suas mãos tão avultada quantia.

- Visto que já o copo é meu, dê-me agora um martelo, boa mulher.

Stephens com duas marteladas fez o copo em mil pedaços o que deixou a mulher atónita.

- Não se admire. Você há de vir um dia a saber para que isto se fez.

Guilherme Stephens dirigiu-se á Marinha Grande e logo que chegou ali mandou chamar o administrador.

- Disseram-me, e eu vi, que se fazem aqui copos de vidro grosso para tabernas e estalagens.

- É verdade, e por sinal que tem extraordinário consumo, pois os almocreves estão aí a gabar a sua duração… afirmam eles que se não quebram.

- Fique sabendo, sr. administrador, que isso é contrário aos interesses da fábrica.

- Pois eu julgo que tão grande fama deve acreditar a fábrica.

- Assim deve ser. Mas de hoje por diante não se hão de fazer copos, nem vidros, que se não quebrem.

Efetivamente, desde essa altura que não se fabricam na Marinha Grande copos como o que Stephens sacrificou em Rio Maior”.

 

Este conceito de produção de “Um artigo que não se estraga é uma tragédia para os negócios” está hoje em dia ligado à chamada obsolescência programada em que os produtos são feitos para durar menos tempo e assim aumentar o volume de negócios.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Sal de Rio Maior, considerado o melhor para a salgação

 


Nos Anais da Sociedade Promotora da Industria Nacional, publicado em 1835 tem um artigo de Constantino Botelho de Lacerda Lobo, datado de 1812, sobre a análise do sal comum das marinhas de Portugal.

 

Nesta altura o Sal é muito importante na conservação dos alimentos, nomeadamente carne e peixe. Nesta altura ainda não havia arcas frigoríficas. A primeira máquina refrigeradora foi construída em 1856 e o primeiro frigorífico doméstico surgiu apenas em 1913.



É analisado o sal de várias salinas de Portugal, nomeadamente: Sal de Setúbal; Sal de Alcácer; Sal da Figueira; Sal de Aveiro; Sal de Rio maior; Sal das marinhas de Lisboa e Sal das marinhas de Algarve.

Uma das conclusões (item 20), é que entre todos os sais, o de Rio Maior, por ter os sais muriáticos térreos em menor quantidade, é o melhor para a salgação.

 

Os testes foram realizados entre 1789 e 1794.

Sal de Rio Maior.

Exp 22ª – Dissolvi um arratel de sal de Rio Maior, feita a dissolução, e filtrada, ficou no filtro uma quantidade de terra, que pesou ½ oitava, e aquela, que precipitou a soda pesou 38 grãos, sendo 26 de terra calcaria, e 12 de magnésio.

Exp. 23ª – Repetindo a experiência com igual quantidade de sal, o resultado foi separar pela filtração uma porção de terra, que pesou uma oitava, e pela precipitação com a soda 48 grãos de terra calcária, e magnésio, que pesaram, esta 20 grãos, e aquela 28.

Exp. 24ª – Fiz uma 3ª experiência com uma igual quantidade de sal de Rio Maior, o qual dissolvido, e filtrado, deixou no filtro ½ oitava de terra solta, e o que precipitei com soda pesou 72 grãos, sendo 40 de terra calcária, e 32 de magnésio.

Exp. 25ª – De um arratel de sal de Rio Maior lançado no espirito de vinho ficaram neste fluido em dissolução 3 oitavas, e 12 grãos de muriatos térreos.

Exp. 39ª – Não me contentando somente com a análise, fiz também a seguinte experiência: No 1º de Março de 1794 expus á ação atmosférica os sais das sobreditas marinhas, tomando de cada um deles meio arrátel, e passados 15 dias observei que o sal de Setúbal tinha aumentado de peso 91 quilates, o de Lisboa 88, o de Rio Maior 50, o da Figueira 78, o de Aveiro 90, o de Vila Nova de Portimão 74, o de Faro 68 e o de Castro Marim 82.



É interessante também a referência aos países que usam o Sal de Portugal e de Espanha.

“Os estrangeiros nossos vizinhos empregam para suas salgações sais brancos de Espanha e de Portugal, o que fornece aos Holandeses e aos Ingleses um comércio assaz considerável que consiste em vir buscar, sobretudo a Portugal, os sais que carecem. …”

Pode saber mais sobre as Salinas em: 

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/06/salinas-de-rio-maior.html