segunda-feira, 1 de março de 2021

Sal de Rio Maior, considerado o melhor para a salgação

 


Nos Anais da Sociedade Promotora da Industria Nacional, publicado em 1835 tem um artigo de Constantino Botelho de Lacerda Lobo, datado de 1812, sobre a análise do sal comum das marinhas de Portugal.

 

Nesta altura o Sal é muito importante na conservação dos alimentos, nomeadamente carne e peixe. Nesta altura ainda não havia arcas frigoríficas. A primeira máquina refrigeradora foi construída em 1856 e o primeiro frigorífico doméstico surgiu apenas em 1913.



É analisado o sal de várias salinas de Portugal, nomeadamente: Sal de Setúbal; Sal de Alcácer; Sal da Figueira; Sal de Aveiro; Sal de Rio maior; Sal das marinhas de Lisboa e Sal das marinhas de Algarve.

Uma das conclusões (item 20), é que entre todos os sais, o de Rio Maior, por ter os sais muriáticos térreos em menor quantidade, é o melhor para a salgação.

 

Os testes foram realizados entre 1789 e 1794.

Sal de Rio Maior.

Exp 22ª – Dissolvi um arratel de sal de Rio Maior, feita a dissolução, e filtrada, ficou no filtro uma quantidade de terra, que pesou ½ oitava, e aquela, que precipitou a soda pesou 38 grãos, sendo 26 de terra calcaria, e 12 de magnésio.

Exp. 23ª – Repetindo a experiência com igual quantidade de sal, o resultado foi separar pela filtração uma porção de terra, que pesou uma oitava, e pela precipitação com a soda 48 grãos de terra calcária, e magnésio, que pesaram, esta 20 grãos, e aquela 28.

Exp. 24ª – Fiz uma 3ª experiência com uma igual quantidade de sal de Rio Maior, o qual dissolvido, e filtrado, deixou no filtro ½ oitava de terra solta, e o que precipitei com soda pesou 72 grãos, sendo 40 de terra calcária, e 32 de magnésio.

Exp. 25ª – De um arratel de sal de Rio Maior lançado no espirito de vinho ficaram neste fluido em dissolução 3 oitavas, e 12 grãos de muriatos térreos.

Exp. 39ª – Não me contentando somente com a análise, fiz também a seguinte experiência: No 1º de Março de 1794 expus á ação atmosférica os sais das sobreditas marinhas, tomando de cada um deles meio arrátel, e passados 15 dias observei que o sal de Setúbal tinha aumentado de peso 91 quilates, o de Lisboa 88, o de Rio Maior 50, o da Figueira 78, o de Aveiro 90, o de Vila Nova de Portimão 74, o de Faro 68 e o de Castro Marim 82.



É interessante também a referência aos países que usam o Sal de Portugal e de Espanha.

“Os estrangeiros nossos vizinhos empregam para suas salgações sais brancos de Espanha e de Portugal, o que fornece aos Holandeses e aos Ingleses um comércio assaz considerável que consiste em vir buscar, sobretudo a Portugal, os sais que carecem. …”

Pode saber mais sobre as Salinas em: 

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/06/salinas-de-rio-maior.html

Sem comentários:

Enviar um comentário