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segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Transporte dos briquetes desde a secção de briquetagem até ao cais da via-férrea

Com a limpeza do morro junto à Mina do Espadanal, ficou visível uma estrutura pertencente à antiga mina.

Esta estrutura é o que resta de um pontão da via de acesso que contornava a fábrica de briquetes, sob o qual passava a calha mecânica de transporte dos briquetes desde a secção de briquetagem até ao cais da via-férrea. Próximo desta estrutura existia um tanque de decantação de lamas onde eram depositadas as lamas geradas na secção de secagem de lignite. Estas estruturas foram parcialmente demolidas pela Câmara Municipal de Rio Maior durante as obras de alargamento da Avenida Dr. Mário Soares.


Com um pouco de curiosidade dá para espreitar lá para dentro.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Em 1938 estava prevista uma fábrica de adubos para Rio Maior

Em 1938, falava-se na construção de uma fábrica de adubos em Rio Maior.


Segundo o documento “World Trade Notes of Chemical and Allied Products” do Departamento do Comércio dos Estados Unidos, reportam a intenção de uma empresa francesa de construir uma fábrica de adubos em Rio Maior.


“Proposta de uma fábrica de Nitrogénio em Portugal – Interesses financeiros franceses estão a considerar construir uma fábrica de sulfato de amónia em Portugal. A fábrica irá laborar segundo o processo Casale e terá uma capacidade de produção anual de 30.000 toneladas de sulfato de amónia. O local escolhido é Rio Maior, Santarém e os produtos propostos são amónia sintética, ácido nítrico, ácido sulfúrico, sulfato de amónia e outos fertilizantes. O carvão para a laboração virá das minas que se situam perto de Rio maior.
(Consulado Geral Americano, Lisboa)”.

Esta fábrica nunca veio a ser criada.

Já em 1947 o Ministério da Economia de Portugal também pretendia construir uma fábrica de adubos químicos para aproveitar as lignites de Rio Maior e que seria para instalar no Vale de Santarém, Rio Maior ou Caldas da Rainha.
Em 1949 existe uma grande expectativa em torno do aproveitamento industrial das lignites. Prosseguem os estudos para instalação de fábrica de adubos químicos, com sondagens em terrenos a sul da vila de Rio Maior, entre o sítio das Bastidas e a Quinta dos Sobreiros.
Esta fábrica também nunca veio a ser construída.

A fábrica de adubos poderia ter trazido alguma dinâmica no tecido empresarial de Rio Maior e teria permitido a que a Mina do Espadanal funcionasse por mais uns tempos, mas também teria trazido problemas ecológicos para toda a região.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Nova Rotunda, Mina do Espadanal



Na tarde do dia 25 de Abril foi inaugurada a nova Rotunda da Mina do Espadanal e Rua Quinta do Abum pelo executivo da Câmara Municipal de Rio Maior.
Esta é uma obra financiada pelo Grupo Sonae, detentor da cadeia de supermercados Continente, e que estava projectada desde 2010, altura em que aquele hipermercado se instalou em Rio Maior. A via de comunicação demorou 7 anos a concretizar por dificuldades na negociação dos terrenos.
Na rotunda foi instalada uma escultura em ferro alusiva à mina do Espadanal.



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Chaminés em Rio Maior


Este artigo é sobre as chaminés industriais de Rio Maior. Mais propriamente as chaminés em tijolo que agora estão abandonadas mas que são a memória do passado industrial desta terra.

Terei de começar como é evidente pela chaminé da Mina do Espadanal.
Esta chaminé com 64 metros de altura pertencia à central elétrica do polo industrial envolvente à mina, tem forma poliédrica mas o seu interior é redondo formado por tijolos refratários.

 
Mesmo na entrada de Rio Maior, para quem vem de Santarém, na estrada da Chainça, existe uma bonita chaminé.


Na rotunda do Gato Preto, podem ser observadas duas chaminés em tijolo.


 
Na rotunda, Dr. Francisco Sá Carneiro, existe uma imponente chaminé.

 
Junto ao Centro Escolar de Rio Maior Nº1, existem mais duas bolitas chaminés de tijolo.


 
No Bairro da Serradinha, pode-se observar mais uma imponente chaminé industrial.

 
Mesmo no centro da cidade de Rio Maior, também há um exemplar na rua Mariano de Carvalho.

 
Na zona do Moinho do Chão, existe este exemplar.

Estes são alguns exemplos de chaminés existentes em Rio Maior, mas por todo o Concelho existem muitas outras, como esta em Fráguas.


Apesar da maioria destas chaminés serem particulares, o seu legado é do domínio público, pelo que deveriam de ser inventariadas, restauradas e conservadas. A nossa identidade advém do nosso passado pelo que o devemos acarinhar.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Antigas casas de mineiros em Abum

 
A curta distância da mina de diatomite do Abum e da secção dos Bogalhos encontram-se 8 casas em banda, construídas pela EICEL em 1946.
Esta estrutura edificada para alojar operários mineiros, permaneceu habitada por antigos mineiros e suas famílias após o encerramento da mina até aos nossos dias.


Sobre o complexo central da Mina do Espadanal pode consultar:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/uma-das-construcoes-de-rio-maior-que.html

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Bairro Mineiro de Santa Bárbara

O Bairro Mineiro de Santa Bárbara foi edificado em 1959 por iniciativa privada e com o apoio da E.I.C.E.L. (Empresa responsável pela exploração das minas em Rio Maior).

 
Santa Bárbara é a padroeira dos mineiros.
Santa Bárbara foi segundo a tradição católica, uma jovem nascida na cidade de Nicomédia (perto da actual Istambul, Turquia) e era filha de Dióscoro, um nobre Romano. Bárbara acabou por se converter ao cristianismo, o que deixou o seu pai furioso, levando-o a matar a sua própria filha depois de a torturar. Ao a matar, um relâmpago também o matou. Santa Bábara ficou conhecida como protectora contra os relâmpagos e tempestades e passou a ser considerada padroeira de todos os que trabalham com fogo, como os mineiros.
A imagem seguinte retirada do Blog http://rio-maior.blogspot.com/ mostra a procissão que se realizava entre aos escritórios da EICEL no Espadanal e a Boca da Mina.

 
No Bairro de Santa Bárbara havia e ainda existe 12 casas térreas e geminadas devidamente numeradas de 1 a 12. Cada moradia era composta por três divisões e uma cozinha. No quintal havia uma casa de banho. Em frente de cada casa havia uma parcela de terreno onde eram semeados e colhidos produtos hortícolas para consumo próprio de cada família.



Num comentário de Vitor Almeida ao blog http://rio-maior.blogspot.com/ informa que:
A divisão das famílias pelas casas era:
  Nº01 – Família Corneta, originária de Penamacôr
  Nº02 – Família José Martins, originária do Alentejo
  Nº02 – Família Sacho, originária de Aljustrel
  Nº04 – Família Soldado, originária de Pias, Alentejo
  Nº05 – Família Manuel de Almeida, originária de Penamacôr, mina do Palão
  Nº06 – Família Manuel dos Cabos, originária de Almoster, Santarém
  Nº07 –
  Nº08 – Família Joaquim Simão, originária do Alentejo
  Nº09 –
  Nº10 – Família Abílio Apolinário, originária de Azambuja
  Nº11 – Família Teixeira, originária do Alentejo
  Nº12 – Família Magno, originária de Alcobaça

Sobre o complexo central da Mina do Espadanal pode consultar:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/uma-das-construcoes-de-rio-maior-que.html

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bairro do Espadanal

Em Rio Maior, a atividade mineira da Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, distribuía-se por três polos principais, para além da grande estrutura edificada na década de 40/50 do século passado:
Polo 1 – Espadanal – Polo inicial desenvolvido em torno do poço mestre aberto em 1916, com edifícios destinados a Escritório, Posto Médico, Refeitório, Oficinas, …
Polo 2 – Bogalhos – Junto a um segundo poço de acesso à mina, continha o sistema de drenagem de águas para a Ribeira do Aboim, a primitiva central eléctrica e casas para operários.
Polo 3 – Abum – Estabeleceu-se uma segunda concessão mineira, vulgarmente denominada ‘Mina do Giz’, para a extração de diatomite.

Nas imagens seguintes pode-se observar o aspecto dos antigos edifícios.
 

 
Fotos retiradas de uma filmagem amadora do pólo do Espadanal realizada em 19 de Setembro de 1998. A filmagem encontra-se na página do Facebook da Eicel Património Mineiro, em:


Os sete edifícios que existiam neste polo que se foram renovando ao longo do tempo de exploração da mina, destinavam-se a: Direção Técnica, Escritórios, Posto Médico, Refeitório, Topografia, Carpintaria, Oficina de Serralharia, Oficina Eléctrica, Ferramentaria, Armazém e Garagem.
Resumidamente, nesta área encontravam-se as áreas de apoio á laboração do complexo mineiro.

Em 1999 o conjunto edificado foi demolido pela Câmara Municipal para aí ser construído um bairro social para albergar 14 famílias de etnia cigana que ocupavam na altura um terreno privado junto à Avenida Mário Soares (zona do atual Pavilhão Multiusos e Parque escolar). Esta foi uma ação no âmbito do projeto “Percursos de Cidadania” (projeto de luta contra a pobreza do Concelho de Rio Maior). De notar que nos sensos de 2001 estavam registadas 20 barracas na freguesia de Rio Maior.

Em 2003 foram assim entregues e ocupadas as moradias do Bairro do Espadanal. O bairro é um conjunto de moradias térreas do tipo pré-fabricado.
Atualmente existem mais algumas construções em alvenaria que foram construídas à revelia.

 
Hoje em dia o Bairro do Espadanal está envolto em polémica, já que o ‘Centro Europeu dos Ciganos’ (European Roma Rights Center - ERRC) apresentou um relatório em que afirma que as famílias foram isoladas no meio da floresta, no topo de uma velha mina, onde não há transportes públicos, iluminação e acessos alcatroados. As queixas estendem-se há existência de infiltrações nas casas e aos problemas respiratórios relacionados com as poeiras provenientes da mina desativada.
O ERRC tem sede em Budapeste (Hungria) e é uma organização do direito internacional público que tem por missão combater a descriminação e alcançar a igualdade das pessoas de etnia cigana.
Em Novembro deste ano, vieram a Portugal dois emissários do ERRC (Dezideriu Gergely – Diretor executivo e Lydia Gall – Responsável jurídica) para denunciarem esta e outras situações que ocorrem em Portugal

A Câmara Municipal de Rio Maior tem uma opinião contrária e já rebateu oficialmente as denúncias.
Segundo a Câmara Municipal, a exploração da mina já cessou há cerca de 60 anos, não sendo conhecidos problemas de saúde relativos à antiga atividade mineira. Em 2003 foi feito um avultado investimento por parte da câmara para dar uma casa a pessoas que viviam de forma ilegal em barracas e tendas. O Bairro do Espadanal dista cerca de 400 metros do perímetro urbano da cidade (perto da zona escolar e do centro desportivo), é servido por uma estrada asfaltada e possui iluminação pública.


Independentemente da forma como o alojamento foi realizado em 2003, o importante é que a coabitação de todos se faça de uma forma integrativa de modo a que as diferenças existentes numa comunidade sirvam para valorizar e enriquecer culturalmente o povo e não para criar cisões e divisões sem nexo. O segredo está no conhecimento e respeito mútuo.

Sobre o complexo central da Mina do Espadanal pode consultar:

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mina de Giz em Rio Maior

Antiga Mina do Giz em Rio Maior.



A popularmente conhecida como mina do giz foi de facto uma mina de diatomite.
A atividade de extração de diatomite da responsabilidade da EICEL era realizada no sítio do Album. Isto permitiu tirar melhor partido do minério existente no jazigo do Espadanal que era formado por camadas intercaladas de lignite e diatomite.
A extração de diatomite desenvolveu-se por escavação em céu aberto, mas também através da abertura de galerias.  Na zona central do jazigo, a diatomite atinge uma perfundidade de 60 metros.
Em 1936 a diatomite de Rio Maior já era vendida como produto de limpeza, como mostra o anúncio colocado na imprensa regional.

Até há pouco tempo ainda eram visíveis as ruinas dos quatro edifícios construídos para possibilitar a lavra e processamento deste minério com as funções de armazenagem, moagem e calcinação (fornos).
Em 2008 os edifícios foram demolidos o terreno terraplanado de modo a nele ser instalado os estaleiros da Câmara Municipal de Rio Maior (anteriormente localizados nos edifícios da mina do Espadanal). Os estaleiros começaram a funcionar nestas instalações em Maio de 2009. As instalações na Rua dos Bogalhos dispõem de áreas para as obras municipais, serralharia, carpintaria, pintura, sinalética, mecânica e também para o sector de água e saneamento. Possui igualmente espaços de apoio aos funcionários, como escritórios, refeitório e balneários.


Para este local também esteve em estudo a instalação de uma Central Termoeléctrica, embora tenha recebido o parecer negativo por parte da Câmara Municipal.
Apesar da tentativa de se apagar de forma definitiva este vestígio da história industrial recente de Rio Maior, a diatomite ainda é visível, bem como restos dos antigos edifícios. A entrada para as galerias foi tapada.



Diatomite ou diatomito é uma rocha organogenética sedimentar pouco densa, muito porosa e absorvente, formada pela precipitação das carapaças das diatomáceas. Possui um ponto de fusão alto (entre 1400ºC e 1650ºC), é insolúvel em ácidos (excepto o ácido fluorídrico), é solúvel em bases fortes e absorve 4 vezes o seu peso em água.
Esta rocha de cor branca, acinzentada ou amarelada tem um grão muito fino e é usada como:
- Agente filtrante, devido à sua alta permeabilidade e capacidade de retenção da parte sólida.
- Isolante, devido a possuir baixa condutividade térmica pois tem células cheias de ar contidas nas carapaças das diatomáceas.
- Absorvente, em inseticida, catalisadores e pilhas eléctricas. Para absorver a nitroglicerina no fabrico da dinamite.
- Elemento farmacêutico na elaboração de pastas de dentes e excipientes para pílulas.
- Material abrasivo para líquidos, pastas de limpeza e para polir metais, azulejos, vidros, …
- Matéria-prima silicosa na fabricação de silicato de cálcio e silicato de sódio e de materiais insonorizantes.
- Controlo de insectos, na agricultura usando diatomite em pó nos armazéns. A diatomite causa danos à cutícula dos insetos.
- Pista para detectar petróleo pois a diatomite serve como marcador preciso do tempo geológico da rocha.
- Como elemento de construção, usando tijolos de diatomite.

As diatomáceas pertencem ao reino vegetal e estão incluídas no grupo das algas. Estes seres microscópicos foram durante muito tempo classificados como animais e só no final do século XVII é que passaram a ser considerados como vegetais.
A diatomite forma-se, como já foi referido pela precipitação das carapaças das diatomáceas. Uma vez mortas as diatomáceas,a matéria orgânica decompõem-se e as frústulas (carapaças) depositam-se no fundo da água, formando grandes depósitos siliciosos. Este é um processo contínuo o que leva à formação de enormes depósitos. Se as águas forem calmas e puras, o depósito é constituído por camadas uniformes, mas se as águas forem agitadas as diatomáceas aparecem misturadas com detritos e argila o que leva ao depósito passar da cor branca para um cinzento mais escuro.
Em Rio Maior a diatomite é homogénea e possui uma coloração clara sendo que a idade da sua formação é do fim do Pliocénico médio ao princípio do Pliocénico superior (O Plioceno é a última época do antigo período Terciário da era Cenozoica e está compreendido entre cerca de 5 e 2 milhões de anos atrás).
O primeiro grande estudo sobre os depósitos de diatomáceas em Portugal foi realizado por Alfredo Andrade da Silva em 1946. Anteriormente só tinham havido uns trabalhos de F. Chaves na ilha de S. Miguel e de P. Lefébure em Rio Maior.
Diatomáceas Fósseis de Portugal
- Jazigo de Rio-Maior, Óbidos e Alpiarça –
Por Alfredo Andrade da Silva, Assistente da Faculdade de Ciência da Universidade do Porto.
Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, Vol. VI, Fasc.I-II, 1946.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Primitiva Central Eléctrica em Rio Maior.

A primitiva central eléctrica encontra-se agora em ruínas.

A central serviu de apoio à fase inicial de exploração da Mina do Espadanal.
Pode encontrar estas ruínas na estrada que liga a R361 (Rio Maior - Alcanede) à mina do Espadanal.

Ficam de seguida mais algumas imagens destes vestígios da história industrial do Concelho de Rio Maior.



terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Mina e Fábria de Briquetes de Rio Maior

Uma das construções de Rio Maior que pode ser avistada a vários quilómetros de distância, servindo até de referência para pequenos aviões é a chaminé da mina do Espadanal. Esta chaminé pertencia à central eléctrica existente no pólo industrial envolvente à mina. De referir que a central eléctrica consumia cerca de metade do carvão extraído na mina.
A chaminé embora tenha forma poliédrica o seu interior é redondo constituído por tijolos refractários.
Os primeiros registos que chegaram até nós do carvão extraído em Rio Maior datam de 1915, sendo a exploração pouco intensiva até ao início da segunda Grande Guerra Mundial. Devido á falta de combustível que existia o jazigo passou a ser considerado reserva nacional e iniciou-se a exploração intensiva o que implicou avultados investimentos.
Em 1916 foi feito o registo da mina do Espadanal por António Custódio dos Santos e deu-se a abertura do poço mestre.
A 10 de Julho de 1922 os direitos de exploração mineira do Espadanal passam a ser da empresa ‘E.I.C.E.L.’ (A Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, Limitada foi constituída a 15 de Setembro de 1920) após um processo de disputa em tribunal entre esta empresa, a empresa das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova e a empresa Carbonífera de Rio Maior.
O Couto Mineiro do Espadanal é finalmente demarcado a 10 de Agosto de 1927.
Em 1969 a mina foi fechada. A 16 de Setembro de 1970 a concessão mineira e os seus activos passam para a Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE - actual EDP). Em 1976 por despacho ministerial e por razões de necessidade de reduzir as despesas com a segurança a maquinaria foi desmantelada e todo o seu espólio foi removido ou vandalizado.
Na época áurea a mina chegou a empregar mais de 1500 pessoas e chegou a possuir uma ligação privativa por caminho-de-ferro até ao vale de Santarém. O cais ferroviário da mina era aonde se situa actualmente o pavilhão multiusos de Rio Maior e a principal razão da ligação férrea era o muito mau estado em que se encontravam as vias rodoviárias envolventes.
As principais actividades da empresa que geria o pólo mineiro eram a indústria carbonífera (ligada ao carvão) e a electrotécnica (produção de electricidade).
Na área concessionada e para além das grandes estruturas envolventes á fábrica de briquetes, central termoeléctrica e entrada da mina, a empresa funcionava basicamente em 3 pólos.
Pólo do Espadanal – Este pólo construído em torno do poço mestre de acesso á mina encontravam-se os edifícios de refeitório, posto médico, serralharia, carpintaria, oficina eléctrica, ferramentaria, armazém, escritórios e serviços administrativos. Estes edifícios foram demolidos em 1999 para dar lugar a um bairro habitacional.
Pólo de Bogalhos – Neste pólo existia o sistema de bombagem para drenagem das galerias, a primitiva central eléctrica e casas para operários. Hoje só existem vestígios da central eléctrica e aparentemente têm os dias contados devido a mais um projecto de construção para zona.
Pólo de Abum – O jazigo do Espadanal era constituído principalmente por lignite, mas também por camadas de diatomite. Para a extracção da diatomite (vulgarmente conhecida por giz) a empresa criou neste pólo um núcleo de extracção e processamento deste minério. Actualmente os edifícios foram demolidos e a mina tapada para o espaço dar origem aos estaleiros municipais.
A fábrica de briquetes era usada até data recente como estaleiro municipal e apresenta actualmente um aspecto de abandono com uma degradação muito acentuada de todos os edifícios.
Actualmente só existem dois troços da mina intactos que são a entrada em direcção à fábrica de briquetes em que existiam duas linhas para vagões e uma secção interior em que existiam 3 linhas para vagões. Estas secções resistiram pois têm as abóbadas empedradas sendo que todas as outras secções seguras por troncos de madeira já desabaram.

A título de curiosidade as galerias mais profundas iriam a cerca de 60 metros de profundidade e a chaminé da central eléctrica tem cerca de 70 metros de altura. Os briquetes produzidos eram 'paralelos' de carvão prensado sem o uso de químicos que depois eram usados nos fogões e sistemas de aquecimento de particulares.
É uma pena e um mal já dificilmente reparável a quantidade de património de Rio Maior e dos riomaiorenses que se está a perder. Não devemos esquecer que durante a década de 40 e 50 vieram muitas pessoas de outros pontos do país trabalhar nestas minas e que grande parte delas e das suas famílias acabaram por ficar a residir aqui e cujos descendentes são parte integrante dos riomaiorenses.

Fotos da fábrica de briquetes



Fotos da entrada da mina


Em Abril de 2011 a EICEL (Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico), realizou na Biblioteca Municipal de Rio Maior uma exposição sobre a Mina do Espadanal. Nessa exposição encontrava-se a maquete da zona edificada da mina.

História da Mina do Espadanal:
1890 - Tentativa de explorar o carvão em Pedra na Carniceira, por Charters Crespo.
1914/1915 - Início da pesquisa de carvão na Quinta da Várzea pela Sociedade formada para o efeito por António Custódio, Pedro Goucha, Silvino Sequeira e João Sequeira.
1916 - Pesquisa de sais de potássio no Espadanal por Ayres Augusto Mesquita de Sá e Padre Hymalaia. Descoberta uma camada de 12 metros de espessura de lignite a 30 metros de profundidade. Registo da Mina de Lignite do Espadanal por António Custódio dos Santos.
1917 - Para suportar a continuação das pesquisas na Mina do Espadanal é constituida a sociedade entre a firma Leites, Sobrinhos & Ca. e António Custódio.
1920 - Constituição da EICEL (Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica Lda.
1922 - Os direitos de exploração mineira no Espadanal passam a ser da EICEL.
1927 - O Couto Mineiro do Espadanal é demarcado .
1942 - As Minas de Rio Maior são consideradas reserva de combustível nacional pelo decreto nº32270.
1944 - Graves problemas sociais em Rio Maior devido à chegada de cerca de 1500 pessoas para trabalhar no complexo mineiro.
1945 - Inaugurada a via-férrea Rio Maior - Vale de Santarém e respectivo cais de embarque. Fundado o Clube de Futebol "Os Mineiros".
1955 - Início da laboração da Fábrica de Briquetes.
1968 - Por despacho ministerial é suspensa a lavra no couto mineiro da Quinta da Várzea.
1969 - Crise no sector do carvão que leva à paralisação mineira em Rio Maior.
1970 - A concessão mineira e os seus activos passam para a Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE - actual EDP)
1972 - A empresa EICEL é liquidada e quase todos os seus bens passam para o estado.
1976 - Por despacho ministerial, toda a maquinaria foi desmantelada.
Decada de 70 e 80 - Tentativa falhada de instalar uma central termoeléctrica no Espadanal.
1999 - A Câmara Municipal de Rio Maior adquire várias parcelas, num total de 110.380m2 do Couto Mineiro.
2005 - Início do processo de estudo e salvaguarda do Património Mineiro Riomaiorense.
2007 - Constituída a Comissão para o Estudo, Defesa e Valorização do Património Cultural e Natural do Concelho de Rio Maior.
2008 - Constituição do Centro de Estudos Riomaiorenses - Associação para a Defesa do Património.
2010 - Constituída a EICEL - Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico.

Blog da EICEL 1920 - Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arqutectónico:
Informações sobre a primitiva central electrica de apoio à mina em:
Informações sobre a Mina de Giz (Mina de Diatomite) em: