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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mina de Giz em Rio Maior

Antiga Mina do Giz em Rio Maior.



A popularmente conhecida como mina do giz foi de facto uma mina de diatomite.
A atividade de extração de diatomite da responsabilidade da EICEL era realizada no sítio do Album. Isto permitiu tirar melhor partido do minério existente no jazigo do Espadanal que era formado por camadas intercaladas de lignite e diatomite.
A extração de diatomite desenvolveu-se por escavação em céu aberto, mas também através da abertura de galerias.  Na zona central do jazigo, a diatomite atinge uma perfundidade de 60 metros.
Em 1936 a diatomite de Rio Maior já era vendida como produto de limpeza, como mostra o anúncio colocado na imprensa regional.

Até há pouco tempo ainda eram visíveis as ruinas dos quatro edifícios construídos para possibilitar a lavra e processamento deste minério com as funções de armazenagem, moagem e calcinação (fornos).
Em 2008 os edifícios foram demolidos o terreno terraplanado de modo a nele ser instalado os estaleiros da Câmara Municipal de Rio Maior (anteriormente localizados nos edifícios da mina do Espadanal). Os estaleiros começaram a funcionar nestas instalações em Maio de 2009. As instalações na Rua dos Bogalhos dispõem de áreas para as obras municipais, serralharia, carpintaria, pintura, sinalética, mecânica e também para o sector de água e saneamento. Possui igualmente espaços de apoio aos funcionários, como escritórios, refeitório e balneários.


Para este local também esteve em estudo a instalação de uma Central Termoeléctrica, embora tenha recebido o parecer negativo por parte da Câmara Municipal.
Apesar da tentativa de se apagar de forma definitiva este vestígio da história industrial recente de Rio Maior, a diatomite ainda é visível, bem como restos dos antigos edifícios. A entrada para as galerias foi tapada.



Diatomite ou diatomito é uma rocha organogenética sedimentar pouco densa, muito porosa e absorvente, formada pela precipitação das carapaças das diatomáceas. Possui um ponto de fusão alto (entre 1400ºC e 1650ºC), é insolúvel em ácidos (excepto o ácido fluorídrico), é solúvel em bases fortes e absorve 4 vezes o seu peso em água.
Esta rocha de cor branca, acinzentada ou amarelada tem um grão muito fino e é usada como:
- Agente filtrante, devido à sua alta permeabilidade e capacidade de retenção da parte sólida.
- Isolante, devido a possuir baixa condutividade térmica pois tem células cheias de ar contidas nas carapaças das diatomáceas.
- Absorvente, em inseticida, catalisadores e pilhas eléctricas. Para absorver a nitroglicerina no fabrico da dinamite.
- Elemento farmacêutico na elaboração de pastas de dentes e excipientes para pílulas.
- Material abrasivo para líquidos, pastas de limpeza e para polir metais, azulejos, vidros, …
- Matéria-prima silicosa na fabricação de silicato de cálcio e silicato de sódio e de materiais insonorizantes.
- Controlo de insectos, na agricultura usando diatomite em pó nos armazéns. A diatomite causa danos à cutícula dos insetos.
- Pista para detectar petróleo pois a diatomite serve como marcador preciso do tempo geológico da rocha.
- Como elemento de construção, usando tijolos de diatomite.

As diatomáceas pertencem ao reino vegetal e estão incluídas no grupo das algas. Estes seres microscópicos foram durante muito tempo classificados como animais e só no final do século XVII é que passaram a ser considerados como vegetais.
A diatomite forma-se, como já foi referido pela precipitação das carapaças das diatomáceas. Uma vez mortas as diatomáceas,a matéria orgânica decompõem-se e as frústulas (carapaças) depositam-se no fundo da água, formando grandes depósitos siliciosos. Este é um processo contínuo o que leva à formação de enormes depósitos. Se as águas forem calmas e puras, o depósito é constituído por camadas uniformes, mas se as águas forem agitadas as diatomáceas aparecem misturadas com detritos e argila o que leva ao depósito passar da cor branca para um cinzento mais escuro.
Em Rio Maior a diatomite é homogénea e possui uma coloração clara sendo que a idade da sua formação é do fim do Pliocénico médio ao princípio do Pliocénico superior (O Plioceno é a última época do antigo período Terciário da era Cenozoica e está compreendido entre cerca de 5 e 2 milhões de anos atrás).
O primeiro grande estudo sobre os depósitos de diatomáceas em Portugal foi realizado por Alfredo Andrade da Silva em 1946. Anteriormente só tinham havido uns trabalhos de F. Chaves na ilha de S. Miguel e de P. Lefébure em Rio Maior.
Diatomáceas Fósseis de Portugal
- Jazigo de Rio-Maior, Óbidos e Alpiarça –
Por Alfredo Andrade da Silva, Assistente da Faculdade de Ciência da Universidade do Porto.
Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, Vol. VI, Fasc.I-II, 1946.

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