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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Antiga Azenha ao abandona em Alcobertas

Em Alcobertas existem várias azenhas. Existem algumas ainda capazes de funcionar, outras que foram recuperadas, mas também há aquelas que estão ao abandono.



A Azenha que aqui refiro encontra-se na Ribeira de Cima, após passar por trás da Igreja Paroquial de Santa Maria Madalena.



A Azenha encontra-se em estado de abandono profundo mas ainda possui muito do equipamento necessário para a moagem de cereais. É pena não se recuperar este edifício que é uma memória de um passado industrial, gerador de muita riqueza para a comunidade.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Parque de Merendas da Adufa em Alcobertas

 

Parque de merendas da Adufa em Alcobertas.

Por trás da Igreja Paroquial de Santa Maria Madalena existe este pequeno parque de merendas junto à Ribeira de Cima.

Esta zona é útil para os peregrinos que por aqui passam a caminho de Fátima.

O parque contem duas mesas de pedra com respetivos bancos que permite um descanso a quem por aqui passa com a proteção do Sol feita com a ajuda de duas árvores.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Moinho Velho Terra Chã

No meio da Serra dos Candeeiros, agora semeada de aerogeradores, existe um velho moinho que resiste aos novos tempos.

Conhecido como Moinho Velho da Terra Chã, tem agora como companheiro o aerogerador nº 38.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Pegada de dinossauro na Serra dos Candeeiros

Na Serra dos Candeeiros, junto à lagoa, existe uma pegada de dinossauro gravada numa das pedras desta serra. Esta pedra está junto ao caminho que atravessa a serra.


Em Chãos, numa calçada, existe uma pedra que ao ser aplicada revelou que trazia gravada uma pegada de dinossauro. Pode saber mais em:

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2012/02/pegada-de-dinossauro-em-chaos.html

 

Pode saber mais sobre a lagoa da Serra dos Candeeiros, em:

https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/04/lagoa-na-serra-de-candeeiros.html

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Poço com Picota em Alcobertas

Este poço está mesmo ao lado da Igreja Paroquial de Santa Maria Madalena.

Tem a data de 1947 gravada que deve ter sido a data de alguma remodelação.

A picota também conhecida por cegonha, foi muito utilizada no nosso país e é um aparelho de elevar água de poços pouco profundos. A introdução deste engenho na Península Ibérica é atribuída aos árabes.

Foi originalmente desenvolvida na antiga Mesopotâmia e India antiga, e a primeira referência conhecida é de um selo de Sargão da Acádia de 3000 AC.


A picota é constituída por dois pedaços longos e articulados de madeira, um deles na posição vertical e firmemente preso ao terreno. O outro, perpendicular ao primeiro, tem numa extremidade um peso e no outro um recipiente para a água. Baixa-se o recipiente ao poço e o peso na outra extremidade ajuda a içar o recipiente.

A Picota mais conhecida em Rio Maior é a que se encontra nas salinas.

domingo, 11 de janeiro de 2026

Geossítio do Plano de Falha de Vale de Barco em Alcobertas

O geossítio do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros está localizado numa antiga pedreira que deixou visivel uma falha tectónica com importância científica e didática.

Na antiga pedreira explorou-se calcite, que no passado preencheu uma espessa caixa de falha integrada no acidente tectónico Rio Maior – Porto de Mós. Esta falha corta a leste o anticlinal da Serra dos Candeeiros e coloca em contacto rochas calcárias do Jurássico Médio (a oeste) com as do Jurássico Superior (a este).

Observam-se grandes planos de falha com estrias indicadoras de movimentação polifásica.



Os visitantes têm visível toda esta força da natureza que resultou no plano de falha de Vale de Barco. Os visitantes podem também fazer um pequeno percurso circular pelo geoparque. O percurso é seguro e está devidamente vedado, mas não se deve sair do local demarcado pois pode haver o risco de derrocada ou queda.




Existem painéis interpretativos e uma pequena zona de descanso composta por 4 mesas de pedra e respetivos bancos.


A 10 de maio de 2025, foram inaugurados os paineis interpretativos do geossítio do Vale de Barco. Inauguração inserida nas festas da Vila de Alcobertas.

Na inauguração estiverem presentes, o Presidente do Município de Rio Maior, Filipe Santana Dias, o Vereador Miguel Santos, o Diretor Regional da DRCNF – LVT, Carlos Albuquerque, o presidente da Junta de Freguesia de Alcobertas, Tiago Martins, entre outras individualidades e instituições.

Mas este é um projeto que começou há já vários anos:

- Em 2019, a Junta de Freguesia de Alcobertas iniciou os trabalhos de recuperação paisagística com o apoio do ICNF, abrangendo mais de 91 mil metros quadrados.

- Preparação do terreno por forma ao enchimento do fundo da pedreira.

- Colocação de vedações de segurança nas zonas transitáveis para promover a visitação segura do local.

- Execução de um muro ao longo do caminho com pedra seca para impedir a deposição de materiais.

- Florestação com a ajuda das escolas da região, dos escuteiros e das Brigadas de Sapadores Florestais

- Limpeza do pinhal no interior da área recuperada.

- Colocação de painéis interpretativos com conteúdo produzido pelo ICNF.

- Execução do parque de merendas.

 

Localização: a 1 km do Olho de Água de Alcobertas, Rio Maior.

Coordenadas GPS: 39.436700045270534, -8.906933894018463

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

A Cabra Sapadora da Cooperativa Terra Chã

Na Terra Chã existe uma homenagem às Cabras Sapadoras que protegem a Serra dos Candeeiros dos incêndios de Verão.
Para além desta meritória função ainda permitem o fabrico de queijo e permite a conservação da Gralha de Bico Vermelho.
 

 

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Trabalho de arqueologia realizado em 1873 na Gruta de Alcobertas

No “Portugal Antigo e Moderno” de 1873 existe uma história curiosa sobre a Gruta de Alcobertas.

Esta gruta, é identificada no texto como existente no chamado “Cabeço de Truquel” e a Serra dos Candeeiros é ainda referida como Serra dos Albardos devido ao frio que se costuma sentir no cimo da serra.



O curioso da história é os locais terem posto fogo na gruta para evitar os trabalhos arqueológicos de 1869. Mas a história começa assim:

“…

Em 1869, o Sr. Joaquim Possidónio Narciso da Silva, distinto arquiteto da casa real, fundador da Associação dos Arquitetos Civis Portugueses, e do Museu Arqueológico que está na igreja gótica do Carmo, em Lisboa. Inteligente e zeloso amador das antiguidades da pátria, fez aqui uma viagem, de propósito para investigar todas as particularidades da gruta e se a sua existência pertencia a épocas pré-históricas, como parece provável.

Viu que a entrada da gruta está meio escondida pela rama de espessos arbustos e é baixa e estreita. A primeira gruta é uma espécie de vestíbulo, bastante alta, mas pouco espaçosa. Porém, por uma abertura existente no rochedo, passa-se a outra gruta muito mais vasta. Ambas as grutas têm nas rochas que formam a abobada uns buracos por onde entra o ar e a luz.

Achou o Sr. Silva a pouca profundidade uma camada de cinza (com alguns ossos misturados) com bastante espessura e ocupando todo o centro da gruta. Por baixo desta camada de cinza achou uma de areia e por baixo desta outra de cinza e ossos, como a superior.

Em vista disto, é de supor que esta gruta fosse destinada para necrópoles, ou jazigo dos restos mortais desses povos primitivos.

Já era muito, mas o Sr. Silva tinha fundadas esperanças de vir a descobrir instrumentos e outros vestígios dos tempos pré-históricos.

Como era noite, interromperam-se os trabalhos. No dia seguinte, quando o Sr. Silva chegou à gruta com os criados e trabalhadores para continuar as investigações, viu que dos respiradouros da gruta saiam densas espirais de fumo. Foram os pastores da serra que julgando que lhes iam roubar tesouros que reputavam seus (apesar de na véspera o Sr. Silva lhes dizer que caso aparecesse algum ouro ou prata lhes dava tudo a eles) tinham enchido a gruta de mato (para o que tinham trabalhado toda a noite) e lhe haviam lançado fogo.

No dia seguinte voltou o Sr. Silva, mas o fumo e o calor não deixaram penetrar na gruta, pelo que reservou a continuação dos trabalhos para o dia seguinte. Mas recebendo um telegrama para regressar a Lisboa ficaram, por enquanto, suspensas as suas investigações.

Por essa ocasião, mostraram também ao Sr. Silva na mesma serra, à distância de coisa de um quilometro da gruta, um dólmen perfeitamente conservado. Foi um ótimo achado porque não havia conhecimento, nem memória escrita, desse monumento céltico naquela localidade.”


Mas quem foi Joaquim Possidónio Narciso da Silva?

Possidónio da Silva nasceu em Lisboa a 15 de maio de 1806.

Por causa da invasão napoleônica em Portugal, no ano de 1807, Possidónio da Silva partiu para o Rio de Janeiro, no Brasil, junto com sua família. Lá, passou parte de sua juventude.

Em 1824, com dezoito anos de idade, Possidónio da Silva foi estudar Arquitetura na École des Beaux-Arts, em Paris, França. Entre 1829 e 1830, esteve em Roma, mas retornou a Paris para trabalhar no Palais Royal e no Palácio das Tulherias.

Em 1833, Possidónio da Silva regressou a Portugal, onde se tornou arquiteto da Casa Real. Participou nas obras dos Palácio da Pena, São Bento, Necessidades e traçou o Palácio do Alfeite.

Entre 1851 e 1853 foi o 2.º Grão-Mestre da Grande Loja Provincial do Oriente Irlandês.

Foi no final da década de 1850 que adquiriu do Governo apoio para o primeiro levantamento dos monumentos nacionais. Possidónio da Silva procurou também, por meio de jornais, informar o público da necessidade de preservar o património arquitetónico português.

Em 1867, durante a Exposição Internacional de Paris, realizou-se a segunda sessão do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-histórica, em que Possidónio da Silva obteve o primeiro contacto com as práticas da Arqueologia, em especial a escavação estratigráfica e sectorial. Em 1878, em seu livro “Noções Elementares de Archeologia”, Possidónio da Silva publicou uma síntese desses métodos.

Possidónio da Silva foi fundador e presidente da Associação dos Arquitectos Civis Portugueses que passou a se chamar Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses, antes de se cindir, já depois da morte do Joaquim, e dar as atuais Ordem dos Arquitectos e Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP).

Também foi membro do Instituto de França e da Société française d'archéologie.

Joaquim Possidónio Narciso da Silva faleceu a 23 de março de 1896.


Pode saber mais sobre a gruta de Alcobertas, em:

Cidadania RM - Rio Maior: Gruta de Alcobertas (rio-maior-cidadania.blogspot.com)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Área de Serviço de Autocaravanas (ASA) de Chãos – Alcobertas

Foi inaugurada no dia 6 de Novembro de 2021 a Área de Serviço de Autocaravanas (ASA) de Chãos – Alcobertas.

Em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, esta Área de Serviço oferece serviço de estacionamento e pernoita para 5 autocaravanas, bem como serviço de abastecimento de água e energia, cargas e descargas e limpeza. Encontra-se num sítio calmo e aprazível, dispondo de parque de merendas. Na zona tem acesso a 4 percursos pedestres e a um largo conjunto de atividades de cultura e lazer. Na envolvente existe ainda um restaurante panorâmico, um restaurante típico e uma mercearia.
Esta é uma inauguração importante para o turismo de Alcobertas e de Rio Maior, pois os adeptos do autocaravanismo é um nicho turístico em expansão.






Contactos:
   Site: https://outdoor-routes.pt/service-areas/asa-de-chaos-alcobertas/
   Telefone: +351 243 991 121
   Mapa: https://goo.gl/maps/KMYdPQeRGCFjD3bu7
   Coordenadas: 39°25'05.4"N 8°55'13.0"W
Características da ASA:
   Área:500 m2
   Lotação:5 uni.
   Horário de Funcionamento:24 horas
   RNET:7/ASA
Serviços e equipamentos disponibilizados:
   Receção automática com cancela e vedação
   Escoamento de águas residuais
   Despejo de resíduos sólidos urbanos
   Despejo de cassetes sanitárias
   Fornecimento de água potável
   Abastecimento de energia elétrica
   Área de limpeza de autocaravanas
   Café e restaurante
   Parque com mesas e bancos


A 13 de Maio de 2021 foi lançada a primeira pedra da Área de Serviço de Autocaravanas de Chãos. A esta iniciativa estiveram presentes entre outros o Presidente da CCDR Alentejo, António Silva, o Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Luís Dias e o Presidente da Junta de Freguesia de Alcobertas, Paulo Dias.
Já na inauguração, a 6 de Novembro de 2021, estiveram presentes os Presidentes da Câmara Municipal de Rio Maior e da Junta de Freguesia de Alcobertas, bem como Libério Moreira, representante da Entidade Regional do Turismo do Alentejo e Ribatejo. Esta inauguração coincidiu com 185º aniversário da elevação de Rio Maior a Concelho. Na inauguração o espaço levou a bênção pelo pároco da Freguesia, Sérgio Santos.


Descobrir Portugal em autocaravana é conhecer todo o território com mais liberdade, ao seu ritmo e de forma segura. Para viver o Autocaravanismo de forma correta é importante que se cumpra todas as regras. É nomeadamente preciso ter atenção em não estacionar ou pernoitar em espaços ilegais. As Áreas de Serviço dispõem de infraestruturas e serviços que dão todo o apoio durante a sua estadia.
Existem 3 tipos de gestão destes espaços: Municipal; Parque de Campismo; Particular
O distrito de Santarém já possui várias Áreas de Serviço para Autocaravanas (ASAs). São 16 no total que se distribuem pelos Concelhos: Abrantes (2x); Benavente; Cartaxo (2x); Constância; Coruche; Entroncamento; Ferreira do Zêzere; Golegã; Mação; Salvaterra de Magos (2x); Tomar; Vila Nova da Barquinha e agora também em Rio Maior.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Baloiço Montanelas em Alcobertas

Rio Maior tem um baloiço panorâmico.

Para além da extensa e bonita vista, este baloiço tem uma particularidade, é duplo e um dos assentos é a estrutura de uma antiga motorizada.
A motorizada era uma Peugeot 103 de 49cc, provavelmente construída na década de 70 do século passado.
A iniciativa do baloiço partiu do clube motard local, o Clube Montanelas de Casais Monizes.
A localização do baloiço é excelente com uma vista que permite observar a Serra de Montejunto e nos dias de boa visibilidade até a Serra da Arrábida se consegue avistar. Fica na estrada que liga Casais Monizes a Alcobertas, rua do Bairro Social (39°26'17.9"N 8°53'28.3"W), perto do posto de vigia. O baloiço foi inaugurado no início de Outubro de 2021.


Excelente iniciativa.

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Gruta de Alcobertas - Descrição de Bernardino Soveral em 1872

Descrição da Gruta de Alcobertas feita por Bernardino Arede Soveral na publicação “Diario Illustrado, nº127” de 4 de Novembro de 1872.

A descrição é um pouco longa, mas vale a pena pela emoção que o autor coloca na descrição do que o envolve.

 

Vou iniciar a descrição quando acenderam as tochas na entrada da gruta. Deixei a transcrição em português antigo para não a adulterar.

De lembrar que a Gruta de Alcobertas a esta data era considerada uma das mais bonitas da Europa. 

 

“Accenderam-se portanto, e distribuíram-se os brandões de cera que levavamos. Bem depressa a luz do dia desappareceu, e esta especie de procissão caminhava á luz das tochas. Eramos ao todo 9 pessoas.

Tinhamos caminhado uns 15 a 20 metros, e a gruta já tinha uma capacidade de 3 metros de alto e 2 de largo : nas paredes d’ella começavam a apparecer camadas de diversas crystalisações, que similhavam um forro de musgo ; mas tão branco e transparente, como se uma camada de neve, em manhã d’inverno, houvesse cahido por cima d’elle, conservando-lhe a fórme ramosa. Era lindo ver como as nossas luzes faziam refulgir uns reflexos cambiantes d’aquelles grumos aparentes de um orvalho gelado. 

Tenho visto algumas grutas que há no paiz. Li na excelente obra de Adolphe Joanne (Voyage ilustrée dans les cinq parties du monde) as descripções de diversas grutas, e não encontrei alli, como na gruta que descrevo, tantas, tão variadas e tão imponentes crystalisações, em uma distancia de mais 300 passos, com abobadas de cinco a nove metros de altura, recamadas de estalagmites admiraveis pelo volume, pelas côres, pela transparência e pelo brilho. É realmente surprehendente o ver como das paredes da galeria brotam umas crystalisações como se fosse vegetação de marmore e vidro, aflorando aquellas superfícies perpendiculares ; outras vezes, pousando aquelles ornatos sobre uns degraus que vão esconder-se nos franjados que pendem dos extremos da abobada: faz parecer que uma cascata acabava de se gelar n’aquelle momento.

A gruta de Alcobertas tem de extensão 210 metros : a galeria d’ella tem algumas curvas, e a não ser necessário subir e descer em trez logares, a 2 e 3 metros de altura, podia caminhar-se até ao fim em um plano quasi horisontal. Não é necessário descer a perigosas profundidades, como na famosa gruta das fadas, na cordilheira da Serane, onde Cimarozza, descendo ao abysmo do monte Tharene, e escutando os sons das harpas eólicas, recebiam, das correntes do vento, lições de harmonia. Esqueceu-me levar uma bussola para conhecer a direcção da galeria, mas pareceu-me que seguia o dorso da montanha, para o lado do Sul. 

A gruta contém quatro grandes salões, o ultimo dos quaes, é colossal : em toda a galeria não há o menor espaço de pedra nua ; a abobada e lados d’ella, a não terem algumas agglomerações de crystal de rocha, podia dizer-se que eram completamente forradas de crystaes, de carbonato de cal, coloridos, brancos, opacos ou transparentes, e por isso, despertando sempre a curiosidade, pela variedade dos quadros que apresenta.

Em alguns dos intervallos dos quatro salões, há umas curvas com uns pórticos assimilhando diversas entradas para outras galerias. Apparecem alli, em um d’elles, uns cortinados, pendentes de uma especie de architrave, e assimilhando as pregas e apanhados de tecidos, encorpados, dando reflexos como se fossem bordados de lantejoulas. Em outros, nota-se a similhança de bambinellas, que ora se escondem para o centro de largas fendas cavadas nos flancos da rocha, cheias de sombras que resistem á força das nossas luzes; ora deixando apparecer na altura de 5 a 18 decimetros um agrupamento de colunas alvíssimas, de diametro entre um e tres decimetros. Aquellas tapecerias consistem de uma lindíssima aggregação de crystalisações calcareas, tão unidas e lizas, que o lápis mais experiente, não assombra com tanta suavidade, as voltas do encanudado de um formoso pavilhão. Ninguem dirá que teem a dureza da pedra, aquelles apanhados de pregas, de dois a trez metros de altura, coloridos diversamente por via das infiltrações de almagre, que alli ha em abundancia, e, mais ou menos saturados pela côr vermelha d’elle, formando um contraste admiravel sobre a brancura das columnas. 

O primeiro salão que eu denominei – dos órgãos – é um dos que mais me encantou. Tem quasi cinco metros de alto, e quatro de largura : nos lados e frente levantam-se uns pórticos em ogiva, de aberturas e ornatos diversos.

Notam-se alli desde a cúpula até á base, ao lado esquerdo de quem vae, umas laminas separadas parallelamente por intervalos desde dois decimetros até dez centimetros, que assimilham a uns bastidores colossaes, de uma superficie aparentemente lapidada, e de uma espessura de 5 a 8 centimetros : póde introduzir-se por entre ellas um braço, e por isso collocámos algumas das nossas luzes na lombada, deixe-me assim dizer, d’aquelle enorme livro meio aberto ; e que lindo efeito isto produzia! Alguns de aquelles diaphragmas, apesar de bem espessos, teem muita transparencia, e deixam coar, entre as luzes, uns reflexos açafroados, lindíssimos. 

Outros de maior espessura, e com aberturas eguaes, parecem os tubos perpendiculares de um magestoso orgam, e com a notável circumstancia de que, batendo-lhes levemente, davam uns sons prolongados, e muito similhantes aos que são vibrados por um relogio em que a mola substituiu a campainha.

Entre este 1º e o 2º salão que eu denominei – das estatuas – é mister passar, subindo e depois descendo, por cima de um rochedo admirável, e que mede apenas metro e meio de elevação. 

Surprehendeu-me a quantidade de fulgor dos lampejos que se despediam da superfície d’este penhasco, quando se fazia oscilar diante d’elle uma luz. Aquella pedra tem uma superficie escura e aveludada ; parece forrada de feltro, e sendo este comprimido pela mão, abate-se, e os lampejos desapparecem. Todavia creio que reapparecem; porque aquella pedra tem sofrido muitos attrictos, na passagem dos que visitam a gruta, e nós encontramol-a radiante dos seus crystaes, e tão brilhantes que pareciam milhões de pyrilampos a esvoaçar por meio das sombras.

A poucos passos do indicado penedo, encontra-se o 2º salão – o das estatuas : elle tem um não sei que de triste. É um âmbito curvo, de extensão aproximada a 11 metros, conservando uma largura de 5 metros, e 6 de altura. Ao approximar-nos d’este recinto, parece que do centro das sombras se levantam aqui e alem, umas estatuas, á altura de 1 metro e metro e meio. 

Aquelles vultos são de uma apparencia tal, que é necessario vel-os de perto para crér que o cinzel do estatuario não andou por alli esboçando figuras humanas.

Aquellas estatuas, deixem-me assim chamar-lhes, estão em semi-circulo, e no eixo da curva, há uns penhascos tambem cobertos de crystalisações ; porém, com quanto muito resplandecentes, assentam n’uma superfície escura, e entre elles ha umas aberturas elipticas, que dão a apparencia de arcadas, além das quaes tudo são sombras. 

Pareceu-nos este logar a parte central das abobadas subterraneas, próximas a Seringapatan, onde existem os mausoleos das dynastias musulmanas de outras eras.

O 3º salão designei-o – A catedral; - porque se assimilha ás ruinas de um templo grandioso, conservando-se ainda de pé uns restos surprehendentes que attestam a sua primeira magnitude. 

O espaço é oblongo ; tem 6 metros desde a base até á abobada, e na sua maior largura 5 metros.

De um lado vê-se uma rocha elevada, do volume e feição de um pulpito. As paredes, recamadas com innumeraveis crystalisações de uma belleza que não póde descrever-se, estão fendidas a prumo, assimilhando gradamentos meios destruidos. 

A um dos lados vê-se uma saliência na rocha, com uns córtes tão em esquadria que fazem parecer um altar, sobre o qual pendem, á altura de 4 metros, umas curvas orladas de franjas, compostas de pequenos tubos com a transparencia cambiante de madreperolas, e terminadas por umas gotas d’agua, que de espaço a espaço descem a luzir até ao solo, constituindo uma perspectiva impossivel de pintar.

Dos outros lados d’este salão, pendem, junto á abobada, uns ornatos, como capíteis corinthios, com as suas folhas de acantho, e pousando sobre umas columnas, brancas como jaspe, parte das quaes parecem quebradas pelo meio, e parte veem-se estendidas entre pequenos montes de crystal de rocha. 

Fazem lembrar aquellas esplendidas crystalisações, os delineamentos da architectura phoceana, similhante á que os Egypcios empregaram no templo de Karnac.

O 4º e ultimo salão é enorme, e fechado por uma grande cúpula de 6 metros de diametro, na altura de 9 metros! 

Alli, o sr. Germano do Souto, nosso intrépido companheiro, subiu a um rochedo de 4 metros de altura, que está a um lado, e levantou a luz do seu brandão. A oscillação d’ella com as de todas as nossas tochas, formava um conjunto de reflexos tão bellos, que a mente mais opulenta de ficções grandiosas, por muito prevenida que estivesse havia de extasiar-se alli, e conhecer que a descripção mais cheia de pompa, não ia além dos traços de uma miniatura imperfeita. Lembrei me n’aquelle enorme subterraneo do infeliz Francisco I. Caldas, morto na Bolivia pelas commoções politicas, porque me veio á mente a descripção que elle faz da famosa caverna Guaya Suma, proximo ao gigantesco Chimboraso, na cordilheira dos Andes.

N’este 4º salão, ha, na sua maior altura, duas grandes aberturas allipiticas, que indicam o seguimento de outras galerias. 

Não fomos lá ; porque só faltava escada própria para hir áquella altura ; mas tambem porque ninguem se afoitára ainda a hir além do ponto aonde nós fomos. Conta-se que um explorador ousado, quis tentar a investigação do resto da gruta, mas ficou transido de terror, pelos precipicios que vira, e desistira do intento.

É possivel que seja isto verdade, e se effectivamente quem intentar a exploração do resto da gruta, deve munir-se de cordas e bons companheiros, sondando com toda a cautella a solidez do fundo das galerias, e verificando de’espaço a espaço se o ar é nocivo á respiração.” 

 

Pode saber mais sobre esta gruta em: 

http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/04/gruta-de-alcobertas.html 

 

Bernardino Passos de Arêde Soveral Tavares , nasceu a 20 de Fevereiro de 1815 em Aveiro e Faleceu a 30 de Janeiro de 1885 no Cartaxo. Foi juiz desembargador e senhor do Prazo de Arrudel. Casou-se com Maria Bernardina Dias Tavares (N1823 F1895) em 1853 e tiveram 7 filhos

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas de Alcobertas


A primeira estação de tratamento de esgotos para suinicultura em Portugal foi inaugurada em Maio de 1993 na região de Alcobertas. A criação deste equipamento contou com o apoio financeiro do FEDER e do ICN. 
Na altura a suinicultura era uma das maiores fontes de riqueza do Concelho de Rio Maior, mas eram também reconhecidos os graves problemas para a saúde pública que o não tratamento dos dejectos provocam. 
A Associação de Desenvolvimento de Serra d’Aire e Candeeiros (ADSAICA) era a responsável pela Estação Coletiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ECTES) de Alcobertas. 
A estação de tratamento de esgotos para suinicultura tinha equipamentos considerados revolucionários para a altura permitindo não só o tratamento dos afluentes recebidos, mas também a produção de energia eléctrica. A ECTES de Alcobertas foi o primeiro sistema de digestão anaeróbia (Biogás), de tipo centralizado, destinado ao tratamento de efluentes de suinicultura, baseado na valorização do potencial energético daquele tipo de resíduos orgânicos. 
Mas a estação nunca funcionou conforme o previsto. Poucos suinicultores aderiram a esta estação de tratamento de efluentes e algumas dificuldades técnicas praticamente atiraram as instalações para o abandono.


A ADSAICA foi criada em 1990 pelos sete municípios da área do PNSAC e pelo então Instituto de Conservação da Natureza (ICN). Com a conversão do ICN em Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICN-B), a manutenção da estação foi-se degradando com a perda do técnico que geria a ECTES e do funcionário que retirava as lamas. 
Em 2010 a direção da ADSAICA, presidida então pela Câmara Municipal de Alcanena, assumiu a incapacidade para gerir a ECTES e aprovou em assembleia geral a sua doação ao Município de Rio Maior. Rio Maior assumiu o compromisso de arrancar com um projeto de recuperação e reativação da ECTES, orçado em 100 mil euros numa primeira fase. No entanto a estação manteve-se sem qualquer recuperação nem atividade. 
Em 2012, foi assinado entre a autarquia de Rio Maior e a Junta de Freguesia de Alcobertas um protocolo de transferência deste equipamento para a alçada da Junta de Freguesia. A Junta de Freguesia defendeu ser a ECTES economicamente sustentável uma vez que dos 100 mil euros orçados, 60 mil já não seriam necessários pois a Junta de Freguesia já tinha o trator e a cisterna. Apostava-se na venda do fertilizante, resultante do tratamento do resíduo, para a agricultura. 
A recolha e tratamento de efluentes pecuários começou a ser realizada, já o sistema de produção de energia eléctrica a biogás não voltou a ser ativado pois a recuperação foi considerada muito cara para o rendimento da ETAR. 
A Estação Colectiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ECTES) de Alcobertas também recebe águas ruças provenientes dos lagares de azeite. 
Já em Agosto de 2014 as instalações foram inspecionadas pelas entidades competentes na matéria e não foram encontrados problemas. 


Este é um equipamento prioritário para toda a região, não só para o Concelho de Rio Maior, pois existe uma grande concentração de suiniculturas e lagares e os problemas ambientais causados por estas atividades não são especulações mas uma realidade infelizmente sentida já por muitos habitantes. Não esquecer que o rio Maior está praticamente morto devido à elevada carga de poluição que nele é descarregada o que afeta todas as populações por onde ele passa. O rio Maior vai desaguar no rio Tejo contribuindo também para a poluição deste rio. Infelizmente atravessam Rio Maior dois cursos de água altamente poluídos que são o rio Maior e a ribeira de S. Gregório. Nós é que temos de decidir se estamos confortáveis com a situação atual ou se queremos mudar. 
Urge criar um sistema de identificação de todas as suiniculturas existentes na região, criar um sistema de recolha de resíduos de todas elas e em Estações de Tratamentos de Efluentes Suinícolas fazer a sua descontaminação e valorização. 

Pode ver imagens de 1993 da pré-inauguração desta estação de Alcobertas em:  
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/estacao-de-tratamento-de-esgotos/

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Poço do Povo em Teira


Em Teira existe o Poço do Povo.

 
O Poço encontra-se com a estrutura de tijolo em boas condições, mas o espaço envolvente está pouco cuidado. 
Este poço agora tem pouca utilidade, mas em tempos era essencial para os habitantes. 

É difícil encontrar o poço, mas para quem está a descer pela Rua do Lugar da Serra , encontra uma lage de pedra para passar a ribeira. O Poço do Povo encontra-se aí perto, nas coordenadas 39,3921, -8,9281.