segunda-feira, 28 de março de 2022

Água de Inglaterra em Rio Maior

Água de Inglaterra é um dos exemplos mais marcantes dos 'remédios de segredo' muito em voga durante o século XVIII. Pelo nome de Água de Inglaterra eram conhecidos vários preparados farmacêuticos, produzidos por diferentes fabricantes desde finais do Séc. XVII a inícios do Séc. XIX e que apresentam em comum, além do nome, o facto de serem vinhos de quina. Eram utilizados para o tratamento do paludismo, que era então uma das doenças mais importantes, atingindo um grande número de pessoas. A importância medicinal da Água de Inglaterra reside no facto de a quinina ser o seu princípio ativo mais importante, constituindo o mais antigo quimioterápico ainda em uso.

Em 1794 o uso era de tal modo generalizado que Jacob de Castro Sarmento viu-se na necessidade de redigir um documento em que tenta provar os benefícios da sua Água de Inglaterra e de ter em cada terra um representante oficial para a sua distribuição.

Em Rio Maior a legítima representante era a viúva de João Rodrigo Gomes.

Castro Sarmento criou uma verdadeira rede de distribuição da Água de Inglaterra em Portugal. Com o isolamento da quinina por Pelletier (1788-1842) e Caventou (1795-1877) em 1820 e a sua substituição pelo sulfato de quinina, a Água de Inglaterra perde a importância que teve no século XVIII.

Quina é o nome de várias plantas arborescentes da família das rubiáceas, encontradas na América do Sul, cuja casca tem propriedades antifebris. O processo para fazer a Água de Inglaterra passa pelo cozimento da casca da quina, mas como o sabor é muito mau, tem que ser usado num outro preparado chamando-se vinho de quina. Chama-se Água de Inglaterra pois inicialmente era importada de Inglaterra e só com Castro Sarmento é que começou também a ser produzida em Portugal. Como curiosidade o ‘Gin Tónico’ é mais uma bebida inglesa em que se mistura a aguardente de zimbro com água de quinino, dois líquidos com características medicinais (o Gin, usado contra a “peste negra” e a água tónica com quinino utilizado contra a Malária).


terça-feira, 22 de março de 2022

Postais de Rio Maior da década de 1910 da Editora Adelino Alves Pereira

Ficam aqui alguns postais da década de 1910 da Editora Adelino Alves Pereira da Figueira da Foz.









São postais com mais de 100 anos. Imagens das Salinas, da zona do Gato Preto (onde se encontra o atual quartel dos bombeiros), o primitivo quartel dos bombeiros, uma panorâmica de Rio Maior em 1914, uma antiga azenha existente nas bocas (local onde hoje se festeja o ‘dia de Bom Verão’) e as Bocas com a nascente do rio Maior.

Curioso o símbolo que identifica a editora. Um hexagrama pagão formado por triângulos entrelaçados e no seu interior as siglas do autor “AP”. Normalmente este símbolo é usado como amuleto de proteção e união de opostos

quinta-feira, 17 de março de 2022

Postais de Rio maior do início do céculo XX, de Faustino António Martins


Ficam aqui 2 postais do início do século passado (com mais de 120 anos) retratando momentos em Rio Maior.

Estes postais são de Faustino António Martins.


Faustino António Martins foi um grande filatelista, diretor e proprietário do Filatelista (publicação mensal).

Foi proprietário de um estabelecimento comercial, posteriormente especializado na compra e venda de selos, estabelecimento esse, situado na Praça Luís de Camões n.º 35 Lisboa, fundado em 1867.

Tornou-se editor e comerciante de cartofilia em 1900, muito associada à filatelia. Esta importante casa editora sofreu várias modificações no seu nome: Faustino A. Martins / F. A. Martins / ed. Martins / Martins / ou Martins & Silva entre outras variantes. Iniciou atividade editorial sob a sigla F. A. Martins a partir de 1900, Edição Martins a 1902 e Martins e Silva provavelmente em 1903. Nos seus postais retratou a vida pública e oficial da época, bem como aspetos do território, do povoamento e da sociedade, das atividades económicas e culturais, das paisagens e costumes de quase todo o país.