sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Boga do rio Maior e Trancão


Em 2007 foi descoberta uma nova espécie de peixe em dois afluentes do rio Tejo.
Esta nova espécie, a ‘Chondrostoma olisiponensis’ só foi detetada em duas zonas, no rio Trancão e na bacia hidrográfica do rio Maior.


Este peixe é pequeno, tendo os espécimes capturados cerca de 10cm, é esverdeado, mas com reflexos dourados e prateados. Os machos distinguem-se por terem as barbatanas anais mais compridas.
As comparações morfológicas com outros peixes permitiram concluir que se trata de uma nova espécie. Esta rara espécie está ameaçada pois são poucos os indivíduos detetados e encontram-se numa área geográfica muito restrita e sob pressão agrícola e urbanística.

Se mais não houvesse, esta é mais uma razão para cuidarmos do rio Maior. Se o rio Maior não estivesse tão poluído provavelmente esta espécie poderia migrar da ribeira de Almoster para ocupar outros braços do rio. Devemos de acreditar que o rio Maior ainda é possível ser salvo e voltar a olhar para ele como fonte de vida e de riqueza.

Segundo o artigo científico que saiu para a comunicação social:
Chondrostoma olisiponensis (HUGO F. GANTE, et al., 2007) espécie nova é descrita apenas para a região do baixo Rio Tejo. A nova espécie é pequena (todos os espécimes examinados são menores do que 120 mm em comprimento padrão) e distingue-se das restantes espécies de Chondrostoma s.l. pela seguinte combinação de características: ausência de lâmina córnea no lábio inferior, boca muito arqueada e ausência de intensa coloração avermelhada na base das barbatanas. As barbatanas pélvicas são alongadas, chegam ao ânus e frequentemente passam a inserção da barbatana anal nos machos. Possui 36 a 43 escamas na linha lateral. Chondrostoma olisiponensis distingue-se ainda de C. lusitanicum, uma espécie filogeneticamente próxima que habita a mesma área geográfica, por ter o corpo mais alto, cabeça mais longa, olhos maiores, barbatanas peitoral e pélvica e último raio anal mais longos, etc. Contrariamente às outras espécies do género, C. olisiponensis apresenta dimorfismo sexual externo (diferenciação entre macho e fêmea) , em que os machos possuem barbatanas pélvicas mais longas que passam o ânus e frequentemente se sobrepõem com a barbatana anal."

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