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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Mamutes de Azambujeira


Na Quinta do Carvalhal de Cima, foram encontradas ossadas de mamutes em 1909.
 
Este achado foi encontrado pelo proprietário, o Eng. Francisco Ferreira Campos quando abria uma mina de água (que ainda existe e que entra vários metros em direção à zona urbana de Azambujeira) e as escavações foram acompanhadas na altura pelo Abade Frevly Francis que era à época, um dos maiores entendidos no assunto. O dente de mamute, segundo relatos, tinha o tamanho de uma cabeça humana.
As ossadas de mamute, encontravam-se junto à casa principal, no local a onde já existiu uma alfarrobeira e no meio do que já foi em tempos um belíssimo jardim, admirado por muitos, já que o Sr. Campos, nas suas viagens, costumava trazer plantas exóticas que aqui as replantava.
O mamute foi identificado, como sendo da Época Terciária e do tipo Mastodon, Tetrabelodon Angustidens, do mesmo tipo que outro encontrado em Lisboa por Sousa Torres em 1935.
Mesmo atualmente, nesta zona, conseguem-se encontrar com facilidade fósseis, o que levou o Sr. Campos a defender a sua tese de que na época Terciária, o mar chegava até Azambujeira (Mar de Thétis), conforme publicados em 1936.
Em abono da verdade, Mastodonte e Mamute não são da mesma espécie, embora sejam muito semelhantes e só se consigam distinguir pelo período em que viveram e por algumas particularidades nos dentes.
Fica de seguida uma imagem que mostra os três ‘primos’: Mastodonte (há frente), elefante (ao meio) e o mamute (a trás). Deve-se notar que há muitos subgrupos destas famílias que provocam variações muito significativas de altura entre elementos da mesma espécie. Na figura, estão representados o elefante africano e o mamute colombiano.

 
Francisco Ferreira Campos era um amante da Paleontologia e apesar de ser Engenheiro de Máquinas da Armada e Engenheiro de Obras Públicas e Minas, vivia rodeado pelos seus livros e achados.
Infelizmente e após o falecimento de Francisco Campos (1856-1942) a coleção de livros e de animais pré-históricos ficou com paradeiro desconhecido.
Os mamutes, foram praticamente todos extintos há 10 mil anos, no final de Era do Gelo, quando na altura percorriam em rebanho o território da Eurásia e América do Norte. Uns argumentam que foram as mudanças climáticas as culpadas pela extinção, outros afirmam que os mamutes foram caçados até a extinção pelo homem, o predador dominante.
No entanto houve uma colónia de mamutes lanudos que sobreviveu até há 4 mil anos atrás, na atual Rússia, onde hoje se encontra a ilha Wrangel (no norte da Sibéria).
Em 2007, na Sibéria, foi descoberto um bebé mamute num extraordinário estado de conservação, o que está a levantar esperanças na comunidade científica de voltar a criar um mamute vivo, a partir do DNA desta cria.
Até há pouco tempo atrás, alguns paleontólogos afirmavam que a espécie mamute não chegou a existir na Península Ibérica. Contudo são vários os relatos de achados de mamutes, como o do Prof. Telles Antunes que encontrou fragmentos de dente de mamute na Gruta da Figueira Brava, na Serra da Arrábida (Setúbal). Existem igualmente vestígios seguros de mamutes em Granada, Espanha. É agora aceite que os mamutes viveram mesmo na Península Ibérica, há cerca de 150 mil anos e eram do tipo Mamute Lanoso (Mammuthus Primigenius).
Por último, faz pena ver o estado de abandono e de ruína a que estão entregues as quintas de Carvalhal de Cima e de Carvalhal de Baixo.
Quinta de Carvalhal de Cima.

 
Quinta de Carvalhal de Baixo (com a data por cima da porta de 1830).

 
Não resisto a mostrar uma fotografia minha de 1997 em frente às ossadas de um mamute, no Museu de História Natural em Nova Iorque (USA).


2 comentários:

  1. Muito, muito interessante. Não fazia a mínima ideia de que em Azambujeira (proximidades) tinham sido encontradas ossadas de mamutes. E o post dá muito boas informações, a suscitar uma outra procura, e uma viagem até ao sítio. Muito obrigado por este trabalho, Américo.
    Abraço,
    Manuel Sá

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  2. Obrigado pelo comentário. Este blog é o meu ato de cidadania e encontra-se aberto a todos os que queiram participar.
    Abraço, Américo.

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