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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Adega IVV (Instituto da Vinha e do Vinho) em Rio Maior


Quem vem a entrar em Rio Maior pela EN114, na zona do Gato Preto, passa pelas antigas instalações do IVV (Instituto da Vinha e do Vinho).
Este antigo Armazém Vinícola é um testemunho de que a industria do vinho já foi muito importante no Concelho de Rio Maior. O projecto é do ano de 1957, em 1962 começaram as obras e a inauguração foi em 1964.
Actualmente as instalações estão desactivadas e abandonadas.
O abandono das instalações pode colocar em risco a quem aqui se aventurar a entrar, pois as portas dos tanques encontram-se abertas e praticamente todos os locais estão acessíveis. Várias autarquias estão a tentar junto do IVV que as instalações abandonadas transitem para os municípios a preços simbólicos. Poderia ser uma saída para estes edifícios que ainda se encontram em bom estado para serem reaproveitados para outras actividades.

A dimensão dos depósitos exteriores é impressionante.
No interior de um dos edifícios encontram-se os depósitos de menor capacidade.

Nos depósitos eram guardados vinhos de todo o país, como vinhos do Dão, Palmela, ...
Na entrada ainda se encontra a balança para pesar os camiões, com a secretária que ainda possui em cima de si o calendário e o lápis para tomar anotações.

Breve história da vinha e do vinho em Portugal.
Após a fundação de Portugal, em 1143, as Ordens Religiosas instaladas no território, tiveram um papel fundamental na expansão da cultura vínica e do desenvolvimento das regiões vitivinícolas.
Nos séculos XV e XVI, os vinhos partiram nas naus e caravelas portuguesas acompanhando os descobrimentos e a expansão marítima. O vinho era importante, não só para alimentar os marinheiros e manter a boa disposição a bordo, mas também como lastro nas embarcações, pois estas tinham que vir cheias no regresso a Portugal com os produtos trazidos do Brasil e do Oriente. Os marinheiros verificaram que quando o vinho que não era bebido retornava a Portugal estava muito melhorado. Chegaram à conclusão que o lento envelhecimento nos tonéis e o calor dos porões proporcionavam ao vinho características ímpares e este vinho de ‘torna viagem’ ou ‘roda’ como passaram a ser conhecidos eram vendidos a preços fabulosos. Este conhecimento e técnica de envelhecimento do vinho viria a ser desenvolvido posteriormente.
Nos séculos XVII e XVIII houve um grande desenvolvimento das regiões vitivinícolas, pois o estabelecimento de acordos comerciais e a grande fama dos vinhos portugueses originou um enorme consumo e exportação de vinho.
No século XIX a praga da filoxera atacou as vinhas nacionais devastando a maior parte das regiões vinícolas.
No início do século XX iniciou-se o processo de regulamentação oficial de várias denominações de origem. A vitivinicultura portuguesa tem como característica principal a diversidade e esta característica é essencialmente devida a três factores: Clima, Solo e Castas.
Apesar da boa qualidade do vinho, a vinicultura portuguesa era desorganizada, tanto a nível da produção, como do comércio. Esta desorganização e irregularidade das produções levavam a que em anos de pouca produção os preços dos vinhos subiam a limites exagerados e em anos de grande produção com a concorrência entre produtores a colheita não trazia qualquer lucro.
Houve assim a necessidade de intervir no mercado de modo a o tornar mais estável.
Logo a seguir ao golpe de estado de 1926 e como afirmação do Estado Novo, lançou-se o plano económico ‘Organização Corporativa e de Coordenação Económica’, o que permitiu ao estado regular a dimensão das empresas, quotas de mercado, preços, ...
A 17 de Dezembro de 1933 foi criada a ‘Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal’ (FVSCP) que passou a retirar do mercado os excessos de produção e a armazená-los para anos de escassez. Deste modo conseguiu regularizar o mercado, normalizando os preços do vinho. Passou-se a guardar as reservas de vinho em grandes unidades.
Em 19 de Agosto de 1937 é criada a ‘Junta Nacional do Vinho’ (JNV) para suceder à FVSCP com as principais missões de defender economicamente a pequena vinicultura, de regularizar o preço do vinho e de melhorar a qualidade.
A resposta encontrada para solucionar o problema do mercado foi a criação de uma rede de adegas cooperativas, uma vez que a capacidade de cada adega excedia a laboração média anual. Assim surge a Adega Cooperativa de Rio Maior.
Com a adesão de Portugal à Comunidade Europeia em 1986, houve a necessidade de reestruturar e surge assim em 22 de Setembro de 1986 o ‘Instituto da Vinha e do Vinho’ (IVV) para suceder ao JNV.

2 comentários:

  1. em rio maior nunca se laborou e por isso não se constituiu adega coooperativa nem tinha essas pretensoes. em rio maior funcionou o armazém vinicola, que tambem estava inserido numa rede de armazéns na area que era da jurisdição da JNV.

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  2. David, obrigado pelo seu comentário e correcção.
    Já alterei o artigo, substituindo 'Adega Cooperativa' por 'Armazém Vinícola'.

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