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sábado, 19 de novembro de 2011

Casais Monizes

No alto da Serra dos Candeeiros existe o lugar de Casais Monizes que pertence a Alcobertas.

Este lugar árido está envolto em várias lendas, como se pode verificar no artigo:

Na terra as casas costumavam ser baixas e com portas pequenas como se pode observar na seguinte fotografia de 1943.
 
As casas eram baixas com portas pequenas, poucas janelas e muitas sem chaminé para protegerem os seus habitantes do frio e do muito vento que por aqui costuma fazer no inverno. A construção é em pedra pois esta matéria-prima abunda por toda a região.
Algumas destas casas ainda são possíveis de observar em Casais Monizes, embora a maior parte delas se encontrem ao abandono, preferindo agora os seus habitantes, como é óbvio, morar em casas novas e já com todos os confortos que a modernidade trouxe.

 
A água é um elemento que escasseia nesta terra, principalmente durante os meses de Verão. Por isso antigamente usavam-se as depressões nas rochas ou algares para servirem de cisterna, armazenando as águas da chuva. A abertura de poços é inútil por aqui devido à serra ser formada por rocha calcária.

 
Devido ao facto da terra ser árida, a agricultura sempre foi de subsistência, sendo que o gado constituía a verdadeira riqueza da região obrigando antigamente os habitantes a serem essencialmente pastores. Pelo gado os homens de Casais Monizes faziam todos os sacrifícios e criaram talhados na rocha os bebedouros para matar a sede aos animais.

 
Por estas terras o gado alimentava-se sobretudo de alecrim. Assim o alecrim sustentava os rebanhos, alimentava as abelhas que faziam o mel, desinfectava os quartos dos doentes, enfeitava os cabelos das noivas, servia de incenso na capela e dava um outro sabor às refeições. Havia assim uma dependência dos habitantes em relação a esta planta. E como refere Frederico Alves no artigo ‘Casais Monizes – A Serra dos Degredados’ que publicou em 1943 no ‘Multidão’, a planta do alecrim que em noutras terras é desprezada, aqui assume o estatuto de ‘planta sagrada’, cuidada como algo muito precioso por seus habitantes.

 
Para se poder usar o solo para a agricultura e pastorícia teve de se limpar este das pedras calcárias que o cobriam. As pedras foram usadas para construir muros, delimitando assim as propriedades, mas ao mesmo tempo protegendo as culturas dos ventos fortes.


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