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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Capela de Nossa Senhora da Saúde no Alto da Serra


A Capela do Alto da serra designada por Capela de Nossa Senhora da Saúde foi inaugurada a 2 de Junho de 2018 pelo Vigário Geral, o Padre Aníbal Vieira.
A inauguração contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Isaura Morais, dos elementos do seu executivo, Filipe Santana Dias, Lopes Candoso, Ana Figueiredo e Miguel Santos, do presidente da Junta de Freguesia de Rio Maior, João Rebocho, do Vigário Geral da Diocese de Santarém, Aníbal Vieira, dos padres Paolo Beretta e Manuel Aníbal Mota e também de muitos convidados e população local. Perto de uma centena de pessoas marcaram presença no evento.

A história desta capela começa quando em 2010 a Comissão de Melhoramentos e Associação Recreativa, Desportiva e Cultural do Alto da Serra e a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição sugerem à Câmara Municipal de Rio Maior a doação da antiga escola primária que se encontrava fechada. A Comissão de Melhoramentos pretendia adaptar o edifício à função de capela.
Foi elaborado o documento que formalizava a doação do terreno e edifício da antiga escola em favor da Fábrica da Igreja Paroquial da Nossa Senhora da Conceição. O documento foi aprovado pelo executivo camarário a 12 de Novembro de 2010 e posteriormente a 27 de Novembro do mesmo ano em Assembleia Municipal.
O edifício escolar tinha sido inaugurado em 30 de Setembro de 1984, mas encontrava-se desativado há vários anos devido ao aparecimento dos centros escolares.

O apoio financeiro para a construção da capela surgiu de várias entidades como a Câmara Municipal, Junta de Freguesia, empresas locais e doações da população.

O exterior da capela é sóbrio mas bem delineado realçando a torre sineira, o pátio em calçada e os vitrais.

A Torre sineira tem 3 secções distintas: O painel de azulejos referentes a Nossa Senhora da Saúde, o relógio e o sino.

A calçada que cobre o pátio tem marcada a data de 2017 que foi a data de construção da capela.

Os bonitos vitrais têm de ser admirados pelo interior e representam cenas dispersas ligadas à religião, como:
A anunciação de Maria pelo anjo
A aparição de Maria aos pastorinhos em Fátima
A Sagrada Família
 O Espírito Santo

O interior da capela é surpreendentemente amplo e funcional decorado de forma simples mas muito elegante.
Na entrada foi colocado um painel de azulejos que mostram o rosto de Jacinta Marto, uma dos três pastorinhos que tiveram a visão da aparição mariana de Fátima.

O altar é moderno com as imagens da elevação triunfante de Jesus e da Nossa Senhora da Saúde.

Falta referir que o projeto do interior da capela é dos arquitetos Pedro Oon e Ferreira, Parte da arquitetura e especialidades é da responsabilidade do engenheiro Fragoso e o projeto do exterior da responsabilidade da arquiteta Rute.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Luis Repolho

Repolho é uma localidade que pertence à freguesia de S. Sebastião, tem uma área de 1.23km2 e em 2011 tinha 124 habitantes.


Interessante é a homenagem que os habitantes da terra fazem a Luis Silva. Na principal estrada que atravessa Repolho, a N361, deram o nome do largo a Luis Silva, mais conhecido como Luis Repolho e que foi o primeiro habitante do lugar. Para lembrar o feito afixaram um bonito painel de azulejos feito em 2013.

Luis Repolho nasceu a 12 de Março de 1889 e veio a falecer a 16 de Abril de 1956.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Golden Eagle Residence & Golf Resort

As tabuletas continuam lá a indicar o caminho para o Campo de Golf Golden Eagle. 
O problema é que este campo deixou de existir quando fechou portas em 2013. 

Neste momento a Quinta do Brinçal onde se localizava o campo de golfe está à venda por 19.422.000 euros em algumas imobiliárias, como a Caixa Imobiliário ou a Imobiliária Elite. 

Enquanto a Quinta do Brinçal tenta encontrar uma saida para a sua situação, as receitas que possui ainda vão sendo da venda de árvores e das licenças de caça. A Zona de Caça estava sob gestão da “Associação de Caça – Esperas e Montarias”, com o número de processo 6846 na Freguesia de Arrouquelas para a época venatória 2017/2018. 

O empreendimento Golden Eagle Residence & Golf Resort pretendia criar na Quinta do Brinçal, localizada entre Arrouquelas e Asseiceira, um complexo turístico e imobiliário de grandes dimensões que não se chegou a concretixar. O campo de golf era a parte visivel do empreendimento. 

Para perceber como esta quinta chegou a este estado, vou apresentar um pouco da sua história. 
O Campo de Golf foi inaugurado em 1994 pelo então proprietário Ricardo Cardoso, mentor do projecto. O campo foi desenhado pelo arquitecto norte-americano Rocky Roquemore, uma das personalidades mais marcantes da arquitectura de campos de golf a nível mundial e o campo de golf chegou a ser considerado um dos mais fascinantes e competitivos campos portugueses, com 6,623 metros, 9 lagos e 87 bunkers.

Com o campo de golf nasce o Golden Eagle Residence & Golf Resort que pretendia desenvolver-se numa parte da Quinta do Brinçal, correspondendo a uma área com cerca de 90 hectares. 
O Grupo Amorim chegou a associar-se ao projecto mas abandonou-o, ficando apenas com os créditos que o banco do grupo tinha concedido. Mais tarde os créditos passaram para o Banco Popular e posteriormente para o Banco Santander. 
A propriedade veio a ser adquirida anos mais tarde pela Carmin (CAMIN) Global Real Estate que ali queria criar uma verdadeira cidade, com cerca de 1600 habitações, colégio internacional, infantário, dois campos de golfe, dois hotéis, residências assistidas para seniores e centro de estágios de futebol.
Este novo projecto já abrangia uma área total com cerca de 533 hectares. 
Foram feitos os arruamentos, o terreno foi dividido em lotes, as infraestruturas com água, eletricidade e saneamento foram feitas e começaram-se a vender propriedades. 
A proposta urbanística do empreendimento foi aprovado pela Câmara Municipal de Rio Maior em 2004 
 

Em 21 de Dezembro de 2006 foi criado o Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado Golden Eagle, gerido por FUNDIMO, Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Imobiliário. 
A Carmin (CAMIN) pretendia investir cerca de 900 milhões de euros na região, num plano a 12 anos, mas no auge da crise económica e do imobiliário que atingiu o país depois de 2007, a Carmin (CAMIN) entrou em insolvência e faliu. Apesar da falência o campo de golf continuava aberto a quem aqui queria praticar esta modalidade. 
A crise também foi provocada por uma indecisão do governo Português quanto à localização do aeroporto alternativo ou complementar ao de lisboa. Em 2005 o governo Português tomou a decisão de construir o novo aeroporto de Lisboa na Ota (perto de Rio Maior). Em 2007 contudo a situação alterou-se radicalmente. Após um estudo financiado pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e de muita discussão, o governo conclui que Alcochete era efetivamente uma localização preferível à da Ota, o que levou à mudança radical na sua decisão anterior. 
Carmin (CAMIN) é uma sociedade, contribuinte nº502486350, que tinha como atividade a promoção imobiliária e foi constituída em dezembro de 1990. Em 28 de Dezembro de 2007, foi criada uma nova sociedade, a Camin Global SGPS SA que durou pouco tempo pois em Novembro de 2012 entrou em Dissolução e Liquidação. A declaração de insolvência da CAMIN foi sentenciada a 03 de Junho de 2013. A Carmin (CAMIN) possuía o empreendimento “Cerca de Santa Mónica” em Évora, o empreendimento “Casas de Azeitão” em Setúbal e o empreendimento “Golden Eagle” em Rio Maior. 
Em Junho de 2013, a Câmara Municipal de Rio Maior lançou o Plano Estratégico de Desenvolvimento de Rio Maior (Visão e Estratégia para 2025 e Plano de Ação para 2030) e a “Golden Eagle Residence & Golf Resort” era considerada uma “Infraestrutura com capacidade de projecção nacional e internacional”. 
Em 6 de Novembro de 2013 a Câmara Municipal de Rio Maior foi oficialmente informada que o campo iria fechar portas. 

Mal o campo de golfe fechou, começaram os roubos e vandalismo. A GNR foi por diversas vezes chamada a intervir. 
Em 2016 tentaram vender a Quinta do Brinçal em leilão, mas tal não se concretizou. 

Já este ano, 18 de Janeiro de 2019, houve novo leilão, mas também sem sucesso. 

Entretanto a quinta encontra-se no estado que pode ser visto nas seguintes fotografias e que foram recolhidas do sitio na Internet “Lugares avandonados”. 




Estas imagens contrastam com as que tirei em 2009 e cujo artigo pode ser lido em: 



Em Março deste ano, veio-se a conhecer o relatório da auditoria da Ernst&Young (EY) ao banco Caixa geral de Depósitos. Neste relatório aparecem descritos vários negócios ruinosos realizados pelo banco público e lá é identificado como grande devedor o Fundo Imobiliário Golden Eagle. A 31 de Dezembro de 2015 o fundo tinha uma posição devedora de 31 milhões de euros, sendo que 27 milhões de euros estavam registados como imparidades pelo banco.

Uma pena que este projeto não se tenha concretizado. Deveria-se encontrar uma solução digna para esta bela propriedade.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Homenagem aos Estudantes


Na renovada Praça do Comércio, a Câmara Municipal de Rio Maior decidiu homenagear os estudantes com uma estátua em Bronze representando um braço de estudante segurando a capa com as fitas assinadas a esvoaçar.



Este é um monumento bem conseguido embora anatomicamente nota-se uma dificuldade do artista em colocar o braço naquela posição. 
Esta é uma homenagem justa, ainda mais que com as obras da Praça do Comércio a Fonte dos Estudantes desapareceu. 
Esta obra foi feita pela empresa Bernardino – Fundição d’Arte, Lda sediada em Vila Nova de Gaia. 
O agradecimento de Rio Maior aos estudantes, pode ser lido na pasta :“Homenagem do Município de Rio Maior a todos os estudantes que, com a sua alegria e juventude, dão vida à nossa cidade e levam consigo, com orgulho, o nome Rio Maior, terra onde se formaram! Rio Maior 2019”. 
No lado principal da pasta aparecem os símbolos da Câmara Municipal de Rio Maior e da Escola Superior de Desporto.




As fitas estão assinadas, em bronze, com versos dos próprios estudantes: 
- “De malas e bagagem mudei-me, como tantos outros, para esta cidade que quase momentaneamente se tornou casa. Deu-me tudo, sem pedir nada em troca. Por ruas e ruelas, cantos e recantos, abraçou-me como se ali pertencesse. Envolveu-me em momentos e histórias que de tão efémeros se tornaram eternos. Finalista, mas pouco por Sara Alves” 
- “Mas chorei, por alguém; Por alguém, que não fez por merecer; Eu por ti sou capaz; De ir ao fundo e até de morrer. Bagatuna” 
- “A pequena cidade; Que vives a saudade; De querer voltar; E de capa negra traçar; Recordando as noites de luar; A saudade que cá fica serve para relembrar; Todos os dias vividos em rio maior. Sal & Tuna, 2015” 
- “São estes os melhores anos; Melhores momentos da vida; Ser da ESDRM é um orgulho; (...); Capa negra no coração, sacrifício pela Tradição. Comissão de Praxe ESDRM; DVRA PRAXIS SED PRAXIS” 
- “E o destino está traçado; Ao chegares a Rio Maior; Tens de estar preparado; Para chegares a doutor. Bagatuna, 2010.” 
- “Assim nasceu a Bagatuna; Uma história de encanto; A cidade saiu à rua; Só para vos ver passar. Bagatuna, 2003” 
- “Cantaremos noite e dia; Como divas ao luar; Alegrando corações; Para assim não chorar; Cavaquinhos e violas; Bandolins e pandeiretas; É a Sal & Tuna; Com as suas capas negras. Sal & Tuna 2006” 

A imagem seguinte é de ontem, dia  09-05-2019, na serenata do Traçar da Capa aos novos estudantes. 



Pode saber mais sobre a antiga fonte dos estudantes em: 
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/05/chafariz-na-praca-do-comercio-em-rio.html 

terça-feira, 7 de maio de 2019

O Lugar das Bocas e as suas galerias subterraneas


Que o rio Maior tem tido menos caudal nos últimos anos é um facto. 
De recordar que ainda no século passado Rio Maior tinha muitas azenhas movidas pela força das águas do rio, chegou a ter uma unidade industrial, a Moagem Maria Celeste, cujo acionamento era hidráulico e chegou mesmo a ter uma central hidroelétrica. Segundo alguns relatos, o rio Maior era mesmo navegável a partir de São João da Ribeira até ao rio Tejo. 
Vendo o caudal que sai pelas nascentes das Bocas nota-se que as principais nascentes do rio secam muito rapidamente quando o período de chuvas acaba.
Uma das razões para esta mudança, pode estar na água ter encontrado outras saídas preferenciais pelo maciço calcário da Serra dos Candeeiros saindo assim menos água na zona das Bocas. 
A nascente nas Bocas está bem descrita num artigo de Christian Thomas em 1991. “Grande ressurgimento na parte Sul do planalto dos Candeeiros. Esta nascente está bloqueada pelos blocos de pedra caídos, sobre os quais se construiu a estrada que liga Rio Maior a Caldas da Rainha.”
Em 1988, João Neves descobriu uma pequena entrada que após um percurso estreito dá acesso a um sifão que ele explorou até cerca de 100 metros. É por esta zona que passa a água que vai alimentar o rio Maior. 
A planta e o corte da passagem encontrada e explorada estão no topo deste artigo.

Sobre esta entrada também pode saber mais em: 


Mais recentemente, no Verão de 2016, membros da Associação AESDA e XploraSub confirmaram os mapas acima descritos e completaram-nos ainda mais.
Nesta nova exploração descobriram mais de 150 metros de novas galerias subterrâneas. Esta expedição permitiu ainda detetar um novo algar que dá acesso à zona freática da gruta e que se encontra à cota absoluta dos 100 metros.




Pode saber mais sobre esta exploração em: 

Neste artigo fica assim mostrado que por baixo do maciço calcário da Serra dos Candeeiros existem reservatórios de água e uma grande ramificação de rios subterrâneos que como qualquer curso de água vai criando novos caminhos com o passar dos anos.
Claro que os furos de captação de água da empresa Águas do Oeste também desviam uma parte da água para uso público. 

Pode saber sobre um estudo de 1867 para aproveitar esta água no abastecimento de Lisboa, em: 
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2013/02/estudo-de-1867-para-abastecer-agua.html
Pode saber mais sobre a Moagem Maria Celeste em: 
https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/moagem-maria-celeste.html 
Pode saber mais sobre a antiga Central Hidroelétrica em:

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Fonte na zona das Bocas


Na realidade, poucos metros para jusante da zona das Bocas, o rio Maior aumenta de caudal com a água desta nascente. 
A nascente que foi restaurada em 1985 fica mais exaatamente nas coordenadas 39.3428, -8.9647. 
Infelizmente, devido ao baixo caudal de água que as nascentes principais do rio Maior têm tido, são estes pequenos afloramentos que vão mantendo o rio a correr em direção ao rio Tejo. 



Pode saber mais sobre o rio Maior em: 

sábado, 4 de maio de 2019

Concurso RM Talentos



A 5ª edição do Concurso RM Talentos realizou-se ontem, dia 3 de Maio, no cineteatro de Rio Maior.
O concurso está integrado nas iniciativas da Semana da Juventude em Rio Maior. 
O objectivo do Concurso RM Talentos é o de fomentar a participação dos jovens promovendo as suas capacidades individuais e reconhecer o talento daqueles que se distinguem em determinada área artística.
As inscrições para quem queria participar decorreram até ao dia 19 de março e eram destinadas a todos os jovens dos 12 aos 35 anos, para performances em palco e que podem ser individuais ou em grupo. O casting para selecionar os jovens com maior potencial realizou-se no dia 20 de março. 
Este ano os jovens a concurso foram: Bianca Neves, Sara Cardoso, Tatiana Abrantes e o grupo Queendom (composto por Catarina Pinto, Bárbara Costa e Joana Félix). Tatiana Abrantes foi a vencedora ao cantar a música “Somewhere Over the Rainbow” na versão de Ariana Grande.





Para abrilhantar o espectáculo atuaram também o grupo de HipHop da Escola Superior de Desporto de Rio Maior e a Associação de Dança de Tremês.




A história do concurso começou em 2014 com a competição Voz de Rio Maior em que a jovem Regina Filipe de Alcobertas ganhou. Em 2015 já no formato RM Talentos ganhou a Joana Silva de Rio Maior. Em 2016 o vencedor foi Telmo Tinta de Assentiz com uma performance de magia. Em 2017 a vencedora foi Débora Madeira de Outeiro da Cortiçada e já no ano passado o grande vencedor foi Alexandre Martins.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Militares nas ruas de Rio Maior em 23 de abril de 1976

Públicação de 1976 em Nova York, USA. 
Rio Maior, Portugal, 23 de abril. 
Na preparação para a reunião do partido comunista. 
A Guarda Nacional com carros de reconhecimento com equipamento antimotim está estacionada perto de uma escola em Rio Maior, no centro de Portugal, onde um punhado de membros e seguidores do Partido Comunista (PCP) realizou a sua primeira reunião eleitoral desde que foram expulsos da cidade no verão passado. 
Houve interferência, mas nenhum incidente violento durante a reunião eleitoral. 
Eleições parlamentares terão lugar no domingo. 

Esta não foi a primeira vez que militares foram chamados a Rio Maior. 

Na altura da aparição Mariana em Asseiceira ao vidente Carlos Alberto em 16 de Dezembro de 1954 (penúltima aparição). O governo da altura não queria mais concorrência para as aparições de Fátima e então mandou a GNR e o exército bloquear todas as estradas de acesso a Asseiceira (ficando mesmo a EN1 sem circulação). As pessoas tinham de passar pelos campos e chegavam a Asseiceira com calçado e roupa pesados de tanta terra. Os habitantes do lugar faziam o que podiam para os ajudar. Nesta aparição mais de 40.000 pessoas chegaram a Asseiceira vindas de todas as partes do país. 

13 de Julho de 1975. Milhares de pessoas uniram-se aos agricultores, sendo a sede do Partido Comunista e a sede da Frente Socialista Popular em Rio Maior destruídas. Os ânimos só acalmaram com a chegada de militares vindos de Caldas da Rainha. A sede do Partido Comunista foi destruída com o arremesso de mobiliário e documentos pela janela. Por último foram também atirados pela janela 5 membros do partido que sofreram ferimentos.  

A 14 de Dezembro de 1975 realiza-se em Rio Maior o 2º Plenário Nacional  de Agricultores que juntou mais de 60.000 pessoas de todos os pontos do país. O coronel Jaime Neves, dos comandos, desloca-se a Rio Maior com uma força militar, mas tudo se passa com ordem e disciplina.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Rio Maior em 1870

Uma imagem da Região de Rio Maior na década de 1870 pode ser retirada dos livros “Chorographia Moderna do Reino de Portugal”

No volume I de 1874 pode-se ver uma descrição da Serra dos Candeeiros e do rio Maior. 


Serra de Alcobertas (das), dos Candieiros ou dos Molianos.— A Oeste da Villa de Alcanede, na Freguezia das Alcobertas (concelho de Rio Maior) mencionam quasi todos os auctores esta serra, que nos parece não ser mais do que o resto das ondulações do terreno na extremidade da grande serrania de Minde, a que o povo da dita Freguezia das Alcobertas deu este nome, e alguns auctores o de serra dos Candieiros ou dos Molianos.
Não é possivel sem temeridade assignar-lhe dimensões, exceptuando a altura que é de 485m. João Baptista de Castro diz haver n'esta serra uma grande concavidade e dentro uma espécie de pedra que parece crystal, muito procurada para embrechados e brutescos. 

Rio Maior — Nasce duas leguas a Oeste de Alcanede: corre ao Sul e depois a S. E. ; passa em Rio Maior (a S. O.) onde tem bella ponte de cantaria : uma legua mais abaixo volta a E. S. E. ; passa uma legua ao Sul de Azambujeira: inclina depois para S. E. até á ponte d'Asseca, passando logo abaixo sob a ponte da via ferrea do norte; e voltando depois para S. S. O. até entrar no canal denominado Valla d' Azambuja, a qual segue quasi parallelamente ao Tejo, onde vae entrar 3 1/2k ao S. de Azambuja.
O curso do rio é de 14 léguas, das quaes 5 no encanamento da valla. 
Affluentes do Rio Maior
- Ribeira de Almoster — Nasce na Freguezia de Cercal, 6k a N. O. de Alcoentre: corre a S. E.; passa 1/2k a N. E. de Alcoentre, e 1/2l mais abaixo muda a direcção geral para E. N. E.: passa 1k ao S. de Alcoentrinho, em Almoster (a Oeste) e 1/2l mais abaixo entra no Rio Maior, com 6 leguas de curso.
 Tem tres pontes de madeira e uma de cantaria.
- Ribeira das Alcobertas ou de Calhariz.— Nasce na Freguezia das Alcobertas a Oeste de Alcanede: corre a S. E.; passa 1k a Este da Villa da Azambujeira, e logo entra no rio Maior com 5 leguas de curso. 

No volume IV de 1876 consegue-se uma descrição do Concelho de Rio Maior.

CONCELHO DE RIO MAIOR PATRIARCHADO COMARCA DE SANTAREM

ALCOBERTAS (1)
Antiga Freguezia de Santa Maria Magdalena no Logar de Alcobertas, curato da apresentação dos freguezes, no Termo da Villa de Alcanede. 
Em 1840 pertencia esta Freguezia ao concelho de Alcanede, extincta pelo decreto de 24 de outubro de 1855, pelo qual passou ao de Rio Maior.
Está situado o Logar das Alcobertas em valle, na serra das Alcobertas ou dos Candieiros. 
Tem estrada para Rio Maior.
Dista de Rio Maior 12k para N. N. E. 
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Feira ou Teira, Portella, Chans, Casaes dos Monizes, Sourons ou Serões, Alqueidão Velho; e os casaes de Val de Feira ou Val de Teira, Fonte Longa, da Velha, Cadouço, Ribeira de Baixo, Ribeira de Cima.
Vem mencionados em Carvalho, além do Logar das Alcobertas com uma ermida do Espirito Santo, os logares de Sourões com uma dita de Santo Amaro, e Alqueidão Velho com uma dita de S. Lourenço. 

População segundo a Chorographia de Carvalho
População segundo a Chorographia de Almeida 207 fogos 
População segundo Estatistica Parochial 212 fogos; 840 habitantes
População segundo Estatistica Civil 870 habitantes 
Recolhe milho, trigo, cevada e vinho.

ARRUDA DOS PISÕES (2)
Antiga Freguezia de S. Gregorio, vigaria e commenda da ordem de Aviz, sendo a apresentação da mesa da Consciencia em freire professo da mesma ordem (na Estatistica Parochial vem a apresentação do Marquez de Niza), no Termo da Villa de Santarem. 
Está situado o Logar de Arruda dos Pizões em valle junto á ribeira das Alcobertas. Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 11k para E. S. E.
Comprehende mais esta Freguezia os casaes da Boa Vista e Bréjo. 
Vem mencionados no Diccionario Geographico Manuscripto os Iogares de Pizões e Boa Vista.

População segundo a Chorographia de Almeida 40 fogos
População segundo Estatistica Parochial 52 fogos; 200 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 220 habitantes
AZAMBUJEIRA (3)
Antiga Villa d'Azambujeira, na antiga comarca de Santarem. Donatario o Conde de Soure.
Está situada em um monte entre o rio Maior e a ribeira das Alcobertas ou de Calhariz, 1/2k a O. N. O. da margem esquerda do dito rio Maior,11k a O. N. O. da margem direita do Tejo.
Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 18k para S. E. 
Tem uma só Freguezia da invocação de Nossa Senhora do Rozario, vigaria da apresentação do arcebispo de Lisboa, segundo Carvalho, da apresentação do Conde de Soure, Diccionario Geographico Manuscripto e Estatistica Parochial.
Comprehende esta Freguezia, além da Villa, os logarees de Alfouves, Calhariz; os casaes de Boa Vista, Tagoeiro (Tegarrejo no mappa topographico) de Cima, Tagoeiro de Baixo, Casalinho, Regato, Casal das Figueiras, Freixial; e a quinta do Carvalhal de Baixo. 
Vem mencionado em Carvalho o Logar de Affouves.

População segundo a Chorographia de Carvalho 40 fogos 
População segundo a Chorographia de Almeida 86 fogos
População segundo Estatistica Parochial 100 fogos; 398 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 392 habitantes
É abundante de trigo, milho, centeio, legumes, vinho, gado e caça. 
D. João IV elevou á categoria de Villa, em 1654, o antigo Logar de Azambujeira que pertencia n'esse tempo á Freguezia de S. João da Ribeira, do Termo de Santarem; e a doou a Lourenço Pires de Carvalho, provedor das obras e paços reaes, e depois em virtude de casamento da unica herdeira veiu a passar á casa dos Conde de Soure.
O nome de Azambujeira deve-o ao grande numero de zambujos ou azambujos, como alguns diziam, que ha pelos seus contornos. 

FRAGOAS (4)
Antiga Freguezia de Santo Antonio de Fragoas, capellania da ordem de Aviz pertencente á commarca de Alcanede, no Termo d'esta Villa 
Em 1840 pertencia esta Freguezia ao concelho de Alcanede, extincto pelo decreto de 24 de outubro de 1855, pelo qual passou ao de Rio Maior.
Está situado o Local de Fragoas na margem esqueda da ribeira das Alcobertas, na estrada de Alcanede para Rio Maior. Dista de Rio Maior duas leguas para N. E. 
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Cabos, Carvalhões ou Carvalhaes, Ribeira das Fragoas, Ribeira dos Moinhos; os casaes de Povoas, Dourado, Rouxinol, Azenha, Moraxico; e as quintas de Mamposteiro e Ortiga.
Vem mencionados em Carvalho, além do Logar de Fragoas séde da egreja parochial, os logares de Cabos com uma ermida de S. Sebastião, Carvalhos com uma dita de S. Gregorio. 
Tambem ali havia em um ermo, e muito distante da Freguezia, uma ermida de S. Miguel que em tempos remotos foi parochia.

População segundo a Chorographia de Almeida 144 fogos
População segundo Estatistica Parochial 140 fogos; 536 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 581 habitantes
Tem feira a 29 de setembro que dura 3 dias. 

OUTEIRO DA CORTIÇADA (5)
Antiga Freguezia de Nossa Senhora da Ribeira da Cortiçada, curato da apresentação do parocho da Freguezia de Abitureiras, do Termo de Santarem ao qual também pertencia esta Freguezia de Nossa Senhora da Ribeira, que hoje chamam do Outeiro da Cortiçada por comprehender o Logar do Outeiro, que parece pertencia em 1708 á Freguezia de Santa Maria de Almoster.
Está situado o Logar do Outeiro na margem direita da ribeira das Alcobertas. Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 11k para Este. 
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Val de Marinhas, Correias; os casaes Alto, da Raposa, da Cortiçada; e a quinta do Cubo.

População segundo a Chorographia de Carvalho 134 fogos 
População segundo a Chorographia de Almeida 95 fogos
População segundo Estatistica Parochial 108 fogos; 414 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 411 habitantes
A egreja parochial está mais de 1/2k a Este do Logar do Outeiro, além da ribeira e proxima ao casal da Cortiçada. 

RIBEIRA (S. JOÃO DA) (6)
Antiga Freguezia de S. João Baptista da Ribeira, vigaria da apresentação do convento de S. João Evangelista (Loios) de Santarem, no Termo da Villa Hoje é priorado 
Está situado o Logar de S. João da Ribeira na margem esquerda do rio Maior.
Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 12k para S. E. 
Por decreto de 3 janeiro de 1847 foi constituido este Logar cabeça do concelho de Rio Maior. 
Ignoramos a data do decreto que invalidou esta disposição.
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Marmelleira (grande Logar segundo o mappa topographico), Assentis, Arrouquellas, Malaqueijo, Quintas; os casaes de Ventuzella, Ribeira; as quintas de S. Jurge, Ferraria, Santa Barbara, Lagarata ou Escagarata, Angustias, Seabra; e as Habitações Isoladas de Bairro, Miguel ou Antonio Miguel, Amieira, Curiosa, Brejo, Val de Barcos, Frazoas, Charneca.
Vem mencionados em Carvalho, além do Logar de S. João Baptista da Ribeira, séde da egreja, os logares de Malhaqueijo, Marmeleira, Assentis, Arrouquella, cada um com sua ermida. 

População segundo a Chorographia de Carvalho 300 fogos
População segundo Estatistica Parochial 601 fogos; 2201 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 2542 habitantes


RIO MAIOR (7)
Antiga Freguezia de Nossa Senhora da Conceição no Logar de Rio
Maior, priorado da ordem de Aviz, da apresentação da Mesa da Consciencia, no Termo de Santarem, que posteriormente a 1708 foi elevado á categoria de Villa, e hoje é cabeça do actual concelho de Rio Maior. 
Está situada a Villa entre duas ribeiras que juntando-se formam o chamado Rio Maior.
Tem estradas reaes para Alcoentre e para a real das Caldas a Leiria. 
Dista de Santarem 6l para O. N. O.
Tem uma só Freguezia, que é a supra indicada. 
Comprehende esta Freguezia, além da Villa, os logares de Carraxana ou Escarraxana, Vivenda (Casaes da Vivenda no mappa topographico), Freiria, Assenta, Porta de Teiva, Fonte da Bica, Casal do Callado, Pé da Serra, Lobo Morto, Caniceira, Sidral ou Cidral, Azinheira, Ante-Porta ou Entre-Porta, Bouças, Panasqueira, Asseiceira; os casaes de Abixanas, Valle d'Obidos, Traz da Serra (Casaes da Serra no mappa), Alto da Serra; as quintas de Varzea, S. Paio, Logradouro, Bastilhas, Sobreiros; das Habitações Isoladas de Valles, Ribeira de Cima, Ribeira de Baixo, Val das Laranjas, Chainça.
Segundo o Diccionario Chorographico de José Avellino de Almeida ha para o lado septentrional da Villa uma pequena planicie cercada de pouco elevadas collinas, e no meio um poço empedrado de 25 palmos de profundidade, todo dividido em tanques pertencentes a diversos proprietarios, aonde se fabrica excellente sal, muito superior ao sal marinho; e em outra planicie mais consideravel, no sitio chamado Marinha Velha, é tradição que havia outro semelhante poço, com agua egualmente propria para sal, e que em todo este terreno mostra poder encontrar-se da mesma agua e promover uma industria muito importante; achando-se além d'isso o terreno desaproveitado para a agricultura porque nada produz. 

População segundo a Chorographia de Carvalho 270 fogos
População segundo a Chorographia de Almeida 850 fogos 
População segundo Estatistica Parochial 912 fogos; 3020 habitantes
População segundo Estatistica Civil 3400 habitantes 
Tem feira annual de 3 dias, começando em 15 de setembro.

Tem este concelho : 
Superficie, em hectares 33471
População, habitantes 8416 
Freguezias, segundo a Estatistica Civil 7
Predios, inscriptos na matriz 10229