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domingo, 9 de dezembro de 2018

Escultura da Sagrada Família em Areia


O Jardim Municipal está todo iluminado e enfeitado dando o espírito Natalício à Cidade de Rio Maior. 
Aqui existem uma série de atividades características desta época, como insufláveis, carrossel, feirinha de Natal e a já típica pista de gelo. 


A novidade é uma excelente escultura feita com 15 toneladas de areia representando a sagrada família realizada pelo escultor Pedro Mira. 
A inauguração oficial vai acontecer hoje. 
Até ao dia 19 de Dezembro vão decorrer ateliês de esculturas em areia para quem quiser aprender as técnicas desta arte. No entanto estão presentes dois tanques com areia onde todos podem experimentar e mostrar o artista que tem em si.




 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Morgado de São João da Ribeira

O Morgado de São João da Ribeira foi criado a 30 de Março de 1330 a favor de Estevão Martins Cerveira, um fidalgo honrado.


Estevão Martins Cerveira jaz na Igreja de São João da Ribeira e como não teve descendência o Morgado de São João da Ribeira passou para o seu 1º irmão, Rui Vasques Cerveira.
Rui Vasques Cerveira casou com D. Margarida Canes e teve uma filha, D. Maria Rodrigues Cerveira.
D. Maria Rodrigues Cerveira casou com Alvaro Gonçalves de Mesquita e do matrimónio nasceu Fernão Cerqueira.
Fernão Cerqueira casou com D. Clara Montarroio e do matrimónio nasceu Estevão Martins Cerveira.
Estevão Martins Cerveira casou com D. Guiomar Montarroio de Sequeira e do matrimónio nasceu Mem Cerveira.


Mem Cerveira era fidalgo da casa real e viveu no tempo dos reis D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I.
Foi Alferes More de Santarém onde também morava e teve os cargos de Juiz, Contador de resíduos, Provedor dos órfãos, Provedor das capelas, Provedor das albergarias, Provedor das gafarias, Contador das obras e terças dos concelhos na Comarca da Estremadura e Contador das aposentorias na Vila de Santarém.
Mem Cerveira faleceu em 1520 e cumprindo-se a vontade expressa no seu testamento, foi sepultado na Capela de São Bartolomeu da Igreja de São Domingos, em Santarém.
O túmulo de Mem de Cerveira encontra-se atualmente na Nave Norte do Museu Arqueológico do Carmo (Lisboa) dado o desaparecimento da Igreja de São Domingos de Santarém. O túmulo assume uma tipologia típica do estilo manuelino, caracterizando-se pela integração numa estrutura parietal, limitada por um arco polilobado, com arquivoltas decoradas com notável mestria.


Por Carta de Aforro de D. Afonso V, no livro 6º, folha 100 e livro 26 folha 50 da chancelaria do dito rei, foi Mem Cerveira reconfirmado senhor e administrador do morgado de São João da Ribeira.
Mas os reis concederam a Mem Cerveira mais poderes sobre este morgado e terras anexas.
D. Afonso V concedeu o privilégio de coutada em 16 de Julho de 1474 (apesar de ser também uma reconfirmação, pois estes poderes já tinham sido concedidos a seu avô Fernão Cerveira em 10 de Junho de 1447).
Os lavradores e todas as outras pessoas de qualquer estado ou condição ficaram proibidos de fazer caneiros desde o Moinho do Bom Nome até o Freixal. Caso não cumprissem esta ordem tinham de pagar duzentos reais brancos.
Os lavradores ficaram também obrigados a limparem o rio e repararem as suas testadas todos os anos. Caso não cumprissem esta ordem tinham de pagar também duzentos reais brancos.
Estes privilégios foram posteriormente reconfirmados, por carta de D. João II a 28 de Maio de 1487 e por carta de D. Manuel I a 4 de Novembro de 1496.

Mem Cerveira teve um primeiro casamento com D. Isabel de Montarroio e deste matrimónio nasceu D. Leonor de Montarroio Cerveira.
D. Leonor de Montarroio Cerveira casou com Francisco de Faria e do matrimónio nasceu Manuel de Faria Cerveira.
Na Igreja de São João da Ribeira encontra-se a sepultura térrea de Francisco de Faria que faleceu a 9 de Junho de 1528.

A administração do Morgado de São João da Ribeira ficou assim na família dos Farias.


Por linhagem feminina o morgado chegou a Francisco de Novaes Cazado. O seu pai foi Nuno de Novaes Pimental e sua mãe D. Michaela de Almeida Cazada.
Francisco de Novaes Cazado era um fidalgo cavaleiro da casa real que foi Comendador da Ordem de Cristo e contador do mestrado da Ordem de Santiago de Cristo.
Francisco de Novaes Cazado era natural de Aldeia Galega do Ribatejo, casou com  D. Antónia Maria de Faria Cerveira, natural de Setúbal e de cujo matrimónio nasceu Tomás João de Novais Pimentel Faria e Cerveira.
Tomás João de Novais Pimentel Faria e Cerveira, natural de Setúbal, fidalgo cavaleiro da Casa Real, capitão de cavalos, casou com D. Francisca Josefa Caetana do Amaral, natural da freguesia de Nossa Senhora do Alecrim, Lisboa. Deste matrimónio nasceu Francisco de Novais Casado Pimentel Faria e Cerveira.
Francisco de Novais Casado Pimentel Faria e Cerveira era natural de Setúbal, morador em Lisboa e fidalgo cavaleiro da Casa Real que faleceu a 11 de Agosto de 1808.
Como curiosidade, estão bem documentadas as diligência de habilitação para a Ordem de Cristo, em 1744, de Francisco de Novais Casado Pimentel Faria e Cerveira.

O último registo que encontrei sobre o Morgado de São João da Ribeira, corresponde a João Maria da Piedade Coutinho de Seabra e Sousa Tavares, 21º Sr. dos Morgados de S. João da Ribeira. Este Sr. era também o 2º Visconde da Baía (Brasil) e possuía vários outros títulos e terras no Brasil

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Praxe aos novos alunos da ESDRM

E terminou ontem a Praxe aos Caloiros da Escola Superior de Desporto de Rio Maior.


Agora só no próximo ano é que se vai ver os novos alunos a se passearem pela cidade de Rio Maior com os típicos penicos amarelos na cabeça e os aventais já bastante sujos. Estes caloiros (novos estudantes) chamam-se Porcos pois é o animal pelo qual infelizmente Rio Maior é conhecido devido às muitas suiniculturas que cá existem. 
Foi uma longa praxe que durou mais de mês e meio e que serviu para acolher e integrar os novos alunos da ESDRM que na sua grande maioria não são do Concelho de Rio Maior. De notar que todos os dias se reuniam junto ao Estádio Municipal numa pequena cerimonia realizada pontualmente às 8:40 da manhã. 
Quero referir que a adesão à praxe foi totalmente voluntária e que o principal objetivo foi criar laços de amizade entre os colegas e dar a conhecer o curso a escola e a cidade. 
O final da praxe ocorreu ontem numa cerimónia intitulada por Batismo. Todos se concentraram junto ao Pavilhão Multiusos e depois deslocaram-se em cortejo até ao Jardim Municipal onde a atividade principal se realizou no lago do jardim. 
As imagens para quem não está dentro do sistema da praxe podem transparecer uma certa brutalidade gratuita, mas tal não foi o que aconteceu, foi sim um processo de iniciação e de fecho de um ciclo de preparação, a praxe. 








Uma breve história da Praxe Académica em Portugal. 
A praxe apareceu na Universidade de Coimbra. 
No reinado de D.João V, século XVIII, a praxe foi proibida para evitar ofensas entre estudantes. 
No entanto a praxe não acabou e já no século XIX houve mesmo um aumento da violência com o aparecimento do canelão (os estudantes mais velhos davam pontapés nas canelas dos mais novos) e o rapanço (os estudantes mais novos viam os seus pelos rapados). 
No século XX, em 1902 o canelão foi abolido e com a implantação da República em 1910 a praxe é mesmo abolida. 
Com o Estado Novo, aparecem novamente as praxes nas Universidades. 
Com a revolução de 25 de Abril de 1974, a praxe é dissipada. 
Mas aos poucos a praxe vai ganhando força até chegarmos aos dias de hoje em que as praxes violentas são muito criticadas e combatidas, mas as praxes de integração e positivas são consideradas um bom instrumento de união dos estudantes. 
A praxe é para muitos novos estudantes a única forma que têm de no início do ano conhecerem pessoas, familiarizarem-se com o curso e integrarem-se na universidade e na cidade. A praxe cria amizades, integra, gera redes futuras de companheirismo e gera solidariedades grupais. 
No entanto a praxe não deixa de ser um sistema profundamente hierárquico com regras rígidas às quais os caloiros devem de obedecer sem levantar objeções.


Pode saber mais sobre a ESDRM em:
Pode saber mais sobre a inauguração do edifício da ESDRM em:
Pode saber mais sobre as tunas de Rio Maior em:
Pode saber mais sobre o Bagatunaço em:
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Dr. Fernando Sequeira Aguiar

Doutor Fernando Sequeira Aguiar, nasceu a 14 de Agosto de 1910 em Lisboa e faleceu a 28 de Abril de 2001 em Rio Maior. 


Nasceu e cresceu na freguesia das Mercês em Lisboa e licenciou-se em medicina na Escola Médico-Cirúrgica situada no Campo de Santana (Atualmente Campo Mártires da Pátria).
Durante a II Grande Guerra Mundial foi destacado para Cabo Verde como oficial médico miliciano. Ainda em Cabo Verde nasceu a sua filha, Manuela Aguiar. 
Com o fim da Grande Guerra, a 15 de Novembro de 1945 veio para Rio Maior exercer medicina.
O seu primeiro consultório localizava-se na avenida Salazar (Atual Rua Dr. Francisco Barbosa). No entanto permaneceu mais tempo no consultório situado na rua David Manuel da Fonseca no qual chegou a ter um aparelho de radioscopia único na região. 
Fernando Aguiar não exercia medicina somente nos seus consultórios, pertenceu também ao corpo clínico da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior, trabalhou como médico na Casa do Povo e dos Serviços Médico-Sociais da Caixa de Previdência, pertenceu ao corpo clínico do Centro de Saúde de Rio maior, exerceu como médico legista no Tribunal Judicial de Rio Maior e pertenceu ao Corpo de Bombeiros Voluntários de Rio Maior na qualidade de médico.
Em 1949 começa a colaborar com o jornal O Riomaiorense, desde o primeiro número da terceira série que saiu no dia 10 de Fevereiro. 


A localização da nova Igreja Matriz, que se encontrava em projeto de construção e problemas urbanísticos de Rio maior motivavam discussão pública e a imprensa tomou posição. Entre 1956 e 1958, Fernando Aguiar publicou diversos artigos sobre estas temáticas urbanísticas no jornal O Riomaiorense e em 1958 compilou estes artigos no livro Por Rio Maior. Este livro teve prefácio de Alexandre Laureano Santos (patrono da Biblioteca Municipal de Rio Maior).


Fernando Aguiar colaborou durante largos anos e de forma dedicada com o Grupo Cénico Zé P’reira como cenógrafo. Este grupo de teatro existiu sob a direção de Ernesto Alves.
Em 1958, Fernando Aguiar esteve muito ativo na candidatura do General Humberto Delgado à presidência da República. 
De 1 de Julho de 1966 a 18 de Novembro de 2000, presidiu ao núcleo de Rio Maior da Liga dos Combatentes da Grande Guerra (atualmente Liga dos Combatentes). A Delegação de Rio Maior da Liga dos Combatentes foi criada em 2 de Setembro de 1924, assumindo a presidência Raul Gomes Costa, mas teve curta duração e suspendeu a sua atividade. Até 1966 os sócios dependiam da Delegação de Santarém. Em 2000 assume a presidência da Liga o Dr. Eduardo Casimiro.
Desde as primeiras eleições autárquicas (pós 25 de Abril de 1974) que Fernando Aguiar pertenceu à Assembleia Municipal de Rio Maior em representação do Partido Socialista. Manteve-se neste importante órgão autárquico até ao seu falecimento em 2001. 
Fernando Aguiar também pertenceu ao cineclube de Rio Maior. A 24 de Julho de 1977 festejaram-se os 25 anos do Cineclube (foram projetados filmes de 8 e 16mm produzidos pela coletividade) que contou com a participação de Fernando Aguiar.
A 13 de Fevereiro de 1980 surgiu o nº1 da 1ª série do jornal Notícias do Concelho de Rio maior cuja direção era de Fernando Aguiar. 
A 1 de Agosto de 1985 surgiu o nº1 da 2ª série do quinzenário Notícias do Concelho de Rio Maior em que Fernando Aguiar era diretor e também proprietário.
 

Ainda em vida, O Município de Rio Maior atribui o nome de Fernando Aguiar a uma das ruas da cidade, a rua da Biblioteca Municipal.

No dia 28 de Abril de 2001, Fernando Aguiar faleceu vítima de doença perlongada. O velório realizou-se no núcleo de Rio Maior da Liga dos Combatentes. Cumpriu-se o seu desejo de ter como mortalha a sua bata de médico e o cortejo fúnebre passou pela Rua David Manuel da Fonseca onde se deteve por breves momentos no espaço onde foi o seu antigo consultório. Os seus restos mortais estão depositados no cemitério de Rio Maior na zona pertencente à Liga dos Combatentes.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas de Alcobertas


A primeira estação de tratamento de esgotos para suinicultura em Portugal foi inaugurada em Maio de 1993 na região de Alcobertas. A criação deste equipamento contou com o apoio financeiro do FEDER e do ICN. 
Na altura a suinicultura era uma das maiores fontes de riqueza do Concelho de Rio Maior, mas eram também reconhecidos os graves problemas para a saúde pública que o não tratamento dos dejectos provocam. 
A Associação de Desenvolvimento de Serra d’Aire e Candeeiros (ADSAICA) era a responsável pela Estação Coletiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ECTES) de Alcobertas. 
A estação de tratamento de esgotos para suinicultura tinha equipamentos considerados revolucionários para a altura permitindo não só o tratamento dos afluentes recebidos, mas também a produção de energia eléctrica. A ECTES de Alcobertas foi o primeiro sistema de digestão anaeróbia (Biogás), de tipo centralizado, destinado ao tratamento de efluentes de suinicultura, baseado na valorização do potencial energético daquele tipo de resíduos orgânicos. 
Mas a estação nunca funcionou conforme o previsto. Poucos suinicultores aderiram a esta estação de tratamento de efluentes e algumas dificuldades técnicas praticamente atiraram as instalações para o abandono.


A ADSAICA foi criada em 1990 pelos sete municípios da área do PNSAC e pelo então Instituto de Conservação da Natureza (ICN). Com a conversão do ICN em Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICN-B), a manutenção da estação foi-se degradando com a perda do técnico que geria a ECTES e do funcionário que retirava as lamas. 
Em 2010 a direção da ADSAICA, presidida então pela Câmara Municipal de Alcanena, assumiu a incapacidade para gerir a ECTES e aprovou em assembleia geral a sua doação ao Município de Rio Maior. Rio Maior assumiu o compromisso de arrancar com um projeto de recuperação e reativação da ECTES, orçado em 100 mil euros numa primeira fase. No entanto a estação manteve-se sem qualquer recuperação nem atividade. 
Em 2012, foi assinado entre a autarquia de Rio Maior e a Junta de Freguesia de Alcobertas um protocolo de transferência deste equipamento para a alçada da Junta de Freguesia. A Junta de Freguesia defendeu ser a ECTES economicamente sustentável uma vez que dos 100 mil euros orçados, 60 mil já não seriam necessários pois a Junta de Freguesia já tinha o trator e a cisterna. Apostava-se na venda do fertilizante, resultante do tratamento do resíduo, para a agricultura. 
A recolha e tratamento de efluentes pecuários começou a ser realizada, já o sistema de produção de energia eléctrica a biogás não voltou a ser ativado pois a recuperação foi considerada muito cara para o rendimento da ETAR. 
A Estação Colectiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ECTES) de Alcobertas também recebe águas ruças provenientes dos lagares de azeite. 
Já em Agosto de 2014 as instalações foram inspecionadas pelas entidades competentes na matéria e não foram encontrados problemas. 


Este é um equipamento prioritário para toda a região, não só para o Concelho de Rio Maior, pois existe uma grande concentração de suiniculturas e lagares e os problemas ambientais causados por estas atividades não são especulações mas uma realidade infelizmente sentida já por muitos habitantes. Não esquecer que o rio Maior está praticamente morto devido à elevada carga de poluição que nele é descarregada o que afeta todas as populações por onde ele passa. O rio Maior vai desaguar no rio Tejo contribuindo também para a poluição deste rio. Infelizmente atravessam Rio Maior dois cursos de água altamente poluídos que são o rio Maior e a ribeira de S. Gregório. Nós é que temos de decidir se estamos confortáveis com a situação atual ou se queremos mudar. 
Urge criar um sistema de identificação de todas as suiniculturas existentes na região, criar um sistema de recolha de resíduos de todas elas e em Estações de Tratamentos de Efluentes Suinícolas fazer a sua descontaminação e valorização. 

Pode ver imagens de 1993 da pré-inauguração desta estação de Alcobertas em:  
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/estacao-de-tratamento-de-esgotos/

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

RM Bikes – Sistema de bicicletas partilhadas de Rio Maior


O sistema de bicicletas partilhadas permite que Rio Maior tenha uma nova forma de mobilidade urbana. Uma mobilidade amiga do ambiente e que incentiva ao bem-estar físico dos utentes.



A ideia de promover o uso da bicicleta começou a ganhar forma na Câmara Municipal de Rio Maior e com o financiamento da União Europeia em Outubro de 2017 o sistema é concebido. É um sistema com origem no Canada na empresa Bewegen e foi trazido para Portugal pela Bikeemotion, um consorcio portugues criado em 2011. 
No dia 25 de Abril de 2018 foi inaugurado o sistema de bicicletas partilhadas, aproveitando as comemorações  do 44º aniversário da revolução dos cravos. Nesta apresentação do sistema estiveram presentes entre outros, a presidente da Câmara Municipal, Isaura Morais, o vice-presidente da Câmara Municipal, Luis Filipe Santana e o vereador João Lopes Candoso, considerado o mentor da iniciativa. 
O período experimental decorreu até o final do mês de Junho de 2018, altura em que o sistema partilhado de bicicletas entrou em funcionamento normal. 
Rio Maior tem umas excelentes condições para este tipo de mobilidade urbana recorrendo às bicicletas, pois é praticamente plana, com poucas elevações, possui já uma boa rede de ciclovias (embora ainda em expansão) e a cidade tem uma estreita ligação ao desporto. 
Existem actualmente disponíveis 24 bicicletas eléctricas RM Bikes e 4 estações onde as pode deixar ou levantar. O sistema permite ser ampliado com muita facilidade assim tenha a adesão dos riomaiorenses e de quem nos visite. 


As estações a onde se encontram as bicicletas situam-se no Jardim Municipal, Centro de Estágio, Piscinas e Salinas.
 

As bicicletas são eléctricas o que permite andar quase sem esforço e têm uma autonomia de perto de 100km sem pedalar. Têm um sistema de GPS incluído que permite saber a cada momento onde cada uma das 24 bicicletas está localizada. Têm um cesto na zona frontal que permite transportar até 20kg de carga. Cada bicicleta possui iluminação à frente e atrás o que aumenta o tempo de utilização da bicicleta e dá mais segurança ao utilizador. As baterias que equipam as bicicletas são de carga rápida e permitem o uso da bicicleta por longos períodos de tempo, mas se esta acabar existem sempre os pedais. 

Estão previstos dois perfis de utilizadores:
- Utilizadores Regulares (Os primeiros 30 minutos são grátis e pode fazer o número de viagens que pretender). 
  Subscrição anual – 25€ 
  Subscrição semestral – 15€ 
  Preço por tempo extra: +0,5€ entre 30 e 60 minutos; +0,5€ entre 60 e 90 minutos; +1,0€ cada fracção de 30 minutos acima dos 90 minutos.
- Utilizadores Ocasionais 
  Por dia –  6€ 
  Por hora – 2€ 
Se precisar de algum apoio, pode usar as seguintes formas de contacto:
- Telefone Geral: +351 243 999 300; Apoio a Cliente: +351 243 999 325 
- E-mail: info@wegoshare.com 
- Morada: Praça da República – Ed. Câmara Municipal, 2040-313 Rio Maior



Durante o período nocturno o sistema está indisponivel para realizar manutenção e redistribuir as bicicletas. 
Este sistema de transporte é barato e muito fácil de usar. Aproveite mais este equipamento que está ao seu dispor. Denuncie algum eventual uso excessivo que presencie.
Divirta-se sem esquecer descuidar da sua segurança. 


Pode saber mais sobre a rede de ciclovia em Rio Maior, em: 
Pode saber mais sobre o RM Bikes, em: 
Pode consultar o regulamento da RM Bikes, em:

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Transportes rodoviários em Rio Maior durante o século passado

Os serviços de transporte de pessoas sempre se fez em Portugal usando a tração animal. A junta de bois, cavalo ou mula. A Casa da Muda que servia a mala-posta no Alto da Serra foi construida em 1737. 
Em 1864 foi inaugurada a ligação entre Lisboa e Porto por comboio a vapor. O comboio passou a ser um meio seguro e rápido de transporte de pessoas e mercadorias. 
Em 1878 passou a haver transporte urbano de passageiros. Foi no Porto e usava-se a tração a vapor.
Em 1895 surgiu também no Porto a primeira linha da Península Ibérica de transporte de passageiros usando carros elétricos.
Em 1895 chega a Portugal o primeiro automóvel pessoal. Com o aparecimento de veículos movidos a motores de combustão o transporte de pessoas muda radicalmente.

Em 1938 a empresa “A Scalabitana” fazia transportes de passageiros entre Santarém, Lisboa, Cartaxo e Vila da Marmeleira. Havia um serviço combinado para Rio Maior com a empresa “Capristano & Ferreira”.



Em 1939 a empresa “Viriato Paulo & Paulo” explorava uma carreira de passageiros aos Domingos entre Rio Maior e Asseiceira. Esta carreira, bem como outras realizadas por esta empresa foram adquiridas pela empresa “Capristanos”. 

Em 1945 a empresa “Capristanos” pediu autorização para explorar uma carreira regular de transporte de passageiros entre Caldas da Rainha e o Entroncamento com paragem em Rio Maior, Alcanena e Torres Novas.



No mesmo ano a empresa Claras requereu a concessão de uma carreira regular de transporte de passageiros para o mesmo percurso (Caldas da Rainha – Entroncamento) e em substituição da carreira que já efectuava entre Amiais de Baixo e Torres Novas.



Actualmente a empresa “Rodoviária do Tejo” é que serve a região de Rio Maior com transportes regulares. Esta empresa teve a  sua origem na empresa “Claras” e foi criada em 31 de Janeiro de 1991. 

Rio Maior é também servida por um serviço rodoviário de ligação interurbana assegurada pela empresa “Rede Nacional de Expressos”. Esta empresa foi fundada em 1995 e é composta por várias empresas operadoras de autocarros, sendo que uma delas é a “Rodoviária do Tejo”.

Pode saber mais sobre a casa da Muda que servia a diligência em Rio Maior em: 
Pode saber mais sobre a Estação Central de Camionagem de Rio Maior em: 
Pode saber mais sobre a companhia “Capristano & Ferreira” em: 
Pode saber mais sobre a empresa “Claras” em: 
Pode saber mais sobre a empresa “Rodoviária do Tejo” em: 
Pode saber mais sobre a empresa “Rede Nacional de Expressos” em: 


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

O Sílex de Azinheira, Rio Maior

O Sílex é usado desde praticamente que o homem é homem. 

Em Rio Maior existem vestígios da recolha de sílex, processamento e utilização desde a época do Paleolítico inferior (com o Homo Heidelbergensis) até aos nossos dias. 
No museu da Casa Senhorial estão expostas peças encontradas em Rio Maior, como: Biface do Paleolítico Inferior; Lasca, Raspadores e Pontas Bifacial do Paleolítico Médio; Núcleos, Lascas, Lamelas, Lâminas e Instrumentos Líticos do Paleolítico Superior; Lamelas, Núcleos de Lamelas, Geométricos, Crescentes e Instrumentos Líticos da Idade da Pedra Polida). 


O Sílex é uma rocha sedimentar silicatada, constituída de quartzo criptocristalino. Possui uma densidade elevada, com fratura conchoidal e possui geralmente uma cor cinzenta mas com misturas de outras cores. Existe sob a forma de nódulos ou massas em formações de giz ou calcário. 
Pode ter origem orgânica, fazendo parte do grupo dos acaustobiólitos (rochas de origem biológica não combustíveis, formada de carapaças siliciosas de organismos marinhos) ou inorgânica. Pode ainda ter origem em fenómenos de substituição (processos metamórficos que se desenvolvem após a rocha ígnea estar totalmente sólida). 


Os depósitos de sílex de alta qualidade existentes na zona da Azinheira, Rio Maior, foram a fonte de matéria-prima mais extensivamente explorada para ferramentas de pedra lascada em toda a parte ocidental da Península Ibérica. 
As pedras de sílex da Azinheira foram transformadas em ferramentas pelos homens primitivos ao longo de toda a última Idade do Gelo, entre 60.000 a 10.000 anos atrás. A presença abundante dos cascalhos da Azinheira pode ser responsável pela elevada densidade de locais arqueológicos do Paleolítico Superior registados perto de Rio Maior. 
Num trabalho geoarqueológico realizado entre os anos de 1990 a 2016, foram examinadas mais de 2.330 pedras de sílex ou calcárias recolhidas na Azinheira. Nenhum do sílex encontrado foi encontrado dentro do calcário rochoso, leitos de sílex ou outros contextos geológicos primários. Logo, todo o sílex existente foi transportado para a Azinheira através de processos aluviais ou outros processos geológicos percorrendo distâncias que podem ser de várias dezenas de quilómetros. As pedras de sílex da Azinheira aparecem em cascalhos e depósitos de areia de Mioceno. 
A composição geoquímica do sílex encontrado varia muito o que indica múltiplas origens de formação desta rocha. Algumas amostras encontradas foram originalmente formadas em ambientes marinhos profundos, enquanto outras indiciam ambientes sedimentares de plataforma rasa. 


Mas o sílex da Azinheira não foi somente utilizado extensivamente durante a pré-história. Durante os séculos XVII e XVIII a aldeia da Azinheira foi o principal centro de produção de pederneiras de Portugal. 
Utilizando a particularidade da pedra de sílex libertar uma faísca quando colide com uma peça metálica, o sílex foi usado como pederneira nas armas de fogo, para provocar a detonação. 
Na edição do “Archaeólogo português, Volumes 7-8” de 1903 existem referências às pederneiras e a Azinheira:
- “... Petiscando pederneira sobre um trapo: ao pé do trapo põe-se giesta seca, sopra-se no trapo e acende-se o trapo e a giesta ...” 
- “... na memória relativa a Rio Maior, encontra-se: Compõe-se esta freguesia de nove Aldeas, a de Azinheira, celebre pelas pederneiras que nella se fabricão e tem 32 fogos, etc. ...” 


O mecanismo de pederneira, desenvolvido no início do século XVII, veio para mudar o anteriormente utilizado mecanismo de fecho de mecha. Consiste na utilização de uma pedra de Sílex presa ao extremo do Cão , que após ser accionado pelo gatilho, percute uma peça metálica chamada fuzil, provocando uma faísca que detona a pólvora presente na câmara de detonação. 
Foi o principal mecanismo de detonação de armas de fogo até a segunda metade do século XIX, quando veio a ser preterido pelo mecanismo de percussão, com o aparecimento dos cartuchos. 

Em Portugal as espingardas de fechos de sílex (ou de pederneira, como se chamaram em Portugal) começaram a aparecer no início da década de 1570, mas a confiança nelas era tão pequena que por provisão de 1574, se determinou que quem tivesse arcabuz ou espingarda de pederneira era obrigado a ter serpe ou morrão, para garantia do funcionamento da arma. 
Em 1675, no reinado de D. Pedro, as espingardas de pederneira começaram a substituir os arcabuzes e os mosquetes de morrão; e a cavalaria passou a dispor de clavinas e de pistolas. Embora D. Pedro desejasse ter o Exército todo armado com armas de pederneira, não o conseguiu por falta de meios. 
Em 1704, envolvemo-nos na Guerra de Sucessão de Espanha e durante essa guerra houveram alterações importantes no nosso exército. Por aviso de Maio de 1704, D. Pedro II determinou que os “terços de infantaria se armassem com bocas-de-fogo (armas de pederneira) com baioneta (de alvado). 
Em 1762 Portugal entra na guerra dos 7 anos. Portugal pede ajuda a Inglaterra que manda o Conde de Lippe à frente de uma força militar. O Conde de Lippe constata que o exército português está mal equipado e em acordo com o Conde de Oeiras, futuro Marquês de Pombal decidem tomar medidas importantes que tendem à auto-suficiência do exército nacional. 
A 27 de Agosto de 1762 (Reinado de D. José) apareceram nos Armazéns do Reino 23 pessoas de Azinheira identificados como “fabricantes de Pederneira de Rio Maior”. Todos eles aceitaram fazer um contrato em que eram obrigados a entregarem nos Armazéns do Reino 140 pederneiras por dia e por cada um deles. Dois terços das pederneiras seriam para espingarda e um terço para pistola. Ficavam também impedidos de vender qualquer excesso de produção que conseguissem ter sem a licença de Sua Majestade. Foram distribuidos padrões das pederneiras por cada fabricante para estes assegurarem que a produção estava conforme o especificado e as peças não serem rejeitadas pelos aprovadores do exército. Cada fornecedor era pago à razão de mil e oitocentos reis por cada milhar de pederneiras entregues. O Rei também queria fazer uma fábrica de pederneira em Alcântara e obrigou a que 8 dos 23 produtores de Rio Maior ficassem nas Pedreiras de Alcântara. Os que foram para Azinheira: Manuel Gomes, Manuel seu filho, José de Vargas, José da Costa, Inácio da Costa, Manuel da Costa Marques, António da Costa, Francisco da Costa, Manuel de Vargas, Miguel Cardoso, António Pedro, António Mendes, António da Costa da Ribeira, João da Silva Marques e Francisco Ferreira. Os que ficaram em Alcântara: José do Vale, João de Figueiredo, Miguel de Figueiredo, João Pereira, José de Vargas, António de Vargas, Manuel filho de José Carvalho, Bernardo da Silva 
Já no século XIX as nossas espingardas, carabinas e pistolas eram ainda de pederneira, mas os exércitos europeus tentavam adaptar os fechos de percussão às suas armas, mas não foi fácil essa alteração (as pólvoras e cápsulas fulminantes estavam no seu início e pretendia-se transformar armas antigas em vez de fabricar novas). Em Portugal foi determinado que as armas enviadas para conserto no Arsenal fossem transformadas e distribuídas aos regimentos de infantaria. Os resultados foram tão maus que, por ocasião da Guerra da Patuleia (1846), tiveram de ser distribuídas de novo armas de pederneira. 
A produção de pederneira era de tal forma importante que só os povos da Azinheira empregados na produção de pederneiras, conservaram até 1834, a regalia de não serem obrigados a ir à Guerra. Para a recolha do sílex eram feitos uns buracos estreitos e fundos no solo, “veios”, onde a rocha era procurada para posteriormente se fazer as pederneiras. À entrada da Azinheira existe um local denominado “Alto da Cascalheira” que seria onde as pedras de sílex eram concentradas. 
A transformação das armas de pederneira em percussão tomou novo alento com a Regeneração, sendo dada ordem para a conversão generalizada em 1852. Mas só em 1855 se conseguiu produzir um sistema de fechos de ignição de confiança e, simultaneamente, um bom controle de fabrico. 


Hoje em dia a pederneira continua a ser usada mas como equipamento de sobrevivência, utilizada por profissionais de caça, pesca, campismo, resgate e salvamento. 
Como se consegue produzir faíscas da pederneira mesmo após ter sido molhada e palha, gravetos finos ou qualquer outro material pode ser utilizado como combustível para fazer uma fogueira, é um óptimo produto para actividades ao ar livre. 


Este artigo foi baseado em várias publicações, sendo que as 3 mais importantes são: 
- “Pederneiras de Azinheira” - Artigo e notas de Maria Alzira Almeida publicados em nº 1 da 11ª série de O Riomaiorense. 
- “The Rio Maior – Azinheira Ridge (RMAR) Chert Characterization Project”, coordinated by Paul Thacker (2013-2016) 
- “História das armas de fogo e seus Sistemas de Operação: Armas de pederneira” de Ricardo M. Andrade (2016)