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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Mercado Municipal de Rio Maior


A 6 de Novembro de 2018 foi inaugurada mais uma obra de requalificação do Mercado Municipal de Rio Maior. Estas obras obrigaram ao encerramento temporário do piso térreo do mercado. 
Com estas obras o mercado ficou mais atrativo, com melhores condições para o seu funcionamento e tornou também o espaço de utilização mais flexível. De recordar que o edifício contempla uma área útil de 555m2 dividida por dois pisos. 



O objetivo destas obras foi dar mais conforto, higiene e segurança aos utilizadores do espaço de modo a fomentar um maior número de transações de bens, mas também proporcionar uma zona de convívio e de relação entre a cidade e o meio rural. 







A relação entre vendedor e consumidor nos mercados é que tem sido um equilíbrio difícil de manter, levando a que os consumidores passem a procurar menos os mercados em detrimento de outras superfícies, logo levando a que a oferta nos mercados também não seja tão variada quanto o desejado. Este é um círculo vicioso que tem de ser quebrado com ideias inovadoras. 
O mercado tem vindo a perder vendedores e clientes ao longo dos últimos anos e de notar que já em 2013 e 2014, várias bancas no mercado foram a haste pública com uma licitação mínima de 25€ por não haver interessados. 
Esta perda de movimento no mercado não tem sido por falta de investimento monetário no espaço. De referir que estas últimas obras custaram 71.112,55€ e que desde 2011 já foi aqui investido pelo menos 105.603,05€ sem contar com os custos de manutenção do espaço. De lembrar que em Março de 2012 foram terminadas grandes obras de remodelação.


Os mercados retalhistas já desempenharam um papel importante na distribuição de produtos de qualidade às populações, sendo mesmo um símbolo de comércio urbano. Os mercados começaram em recintos ao ar livre e depois passaram a existir como estruturas cobertas. Recentemente o desenvolvimento e conservação dos mercados tem sido posta em causa com o aparecimento de outras ofertas competitivas adaptadas aos novos hábitos de consumo. 

Pode-se e deve-se estudar os mercados municipais no contexto atual para melhor se poder decidir como gerir e direcionar este equipamento público. 

Os pontos fortes dos mercados são: 
- Especializado em produtos frescos com uma forte valorização dos produtos locais. 
- Existe uma forte relação com o espaço urbano e é gerador de efeitos positivos na envolvente. 
- Como a gestão é municipal existem garantias de sanidade, limpeza e higiene. 
- Valor patrimonial público. 
- O atendimento é centrado no consumidor. 
Os pontos fracos dos mercados são: 
- Formato de venda excessivamente dependente do ramo alimentar e desajuste entre a oferta e a procura. 
- Dificuldades de estacionamento e cruzamento de mercadorias com pessoas 
- Gestão pouco empresarial e falta de formação profissional 
- Escassa utilização das novas tecnologias 
- Horários restritos e inadequados 


Não há uma fórmula mágica, mas segundo vários estudos existem 4 cenários para os Mercados Municipais: 
Cenário 1 – Investir desistindo, “Não os matem que eles vão morrendo” 
   Cenário baseado na ideia que os mercados não são sustentáveis a médio/longo prazo. A gestão do mercado pode ser entregue a uma empresa de gestão de condomínios. 
Cenário 2 – Investir desinvestindo, “Vão-se os anéis, mas ficam os dedos” 
   As autarquias têm consciência de que dispõem de um património de localização privilegiada no centro da cidade que poderão rentabilizar. A área do mercado é dividida em espaços para aluguer e para realização de eventos, perdendo-se o objetivo de comércio local. 
Cenário 3 – Investir coexistindo, “Se não os vences, junta-te a eles” 
   Aposta-se na coexistência do comércio tradicional com outro tipo de oferta comercial mais do género das grandes superfícies. 
Cenário 4 – Investir investindo 
   Aposta-se numa abordagem integrada dos mercados, conjugando investimento e inovação de modo a se adequar o funcionamento do mercado com a envolvente urbana. 


Pode saber mais sobre o Mercado Municipal de Rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/11/mercado-municipal-de-rio-maior.html

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Balança na Igreja de Arrouquelas


Na Igreja de Arrouquelas existe uma balança. Esta balança está fixa à parede numa ala que se encontra no lado direito da nave principal da igreja. 
A haste principal desta balança que se encontra presa à parede é bastante antiga sendo os pratos de madeira uma reconstrução dos originais. 

O interessante nesta balança é a razão da sua existência. 
A balança poderia servir numa altura em que os pagamentos à igreja eram principalmente em géneros. Os pagamentos à igreja poderiam passar por simples ofertas, pagamento de indulgências ou mesmo o dízimo. 



Mas esta balança tem outro propósito. 
Existe a lenda de uma aparição Mariana nos campos de Arrouquelas da qual ficou a imagem de Nossa Senhora da Encarnação que ainda existe na igreja. Perdeu-se a origem desta pequena estátua, sabendo-se apenas que é muito antiga. 
No entanto esta imagem foi sempre muito procurada pelos prodígios e graças consedidas a quem a ela recorre. A prova destes milagres pode ser comprovada pela fé das pessoas que deixaram muitas e variadas ofertas nesta igreja. 
Uma das manifestações divinas mais frequentes acontecia às crianças com problemas.
Para as crianças ficarem sãs e livres de qualquer mal deveria ser oferecido a nossa senhora o equivalente em trigo ao peso do jovem. Para isso servia a balança. 


Esta história está registada no seguinte documento muito antigo.


Pode saber mais sobre a Igreja de Arrouquelas em: 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Medalha aos soldados da I Grande Guerra da Marmeleira

A I Grande Guerra foi bastante dura para os Portugueses. Foi uma guerra muito centrada na Europa, que começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918.


A medalha aqui mostrada foi gentilmente cedida por Jorge Soares. 
É uma medalha do grande escultor português João da Silva que na altura, 1919, se encontrava a trabalhar em Paris. É uma muito rara medalha de prata de 30mm, com 8,5 gramas (com o aro de suspensão). 

Esta medalha foi atribuida aos militares da Vila da Marmeleira que combateram na I Grande Guerra. 
Na frente da medalha pode-se ver uma imagem panorámica da Vila da Marmeleira com a igreja em destaque e com os dizeres “A Grande Guerra 1914-1918”. Também se pode observar a assinatura do escultor “J. Silva” e a data “Paris 1919”. 
No verso pode-se ler “A Marmeleira Reconhecida Aos Seus Filhos Combatentes”. 

Atualmente a igreja da Vila da Marmeira dedicada a São Francisco de Assis tem um formato diferente do da medalha, mas esta foi alvo de obras profundas que terminaram em 1945. 

Após a I Grande Guerra a Vila da Marmeleira realizou uma homenagem aos seus heróis e deve de ter sido nessa iniciativa que as medalhas foram distribuídas. 

Sobre o envolvimento de Portugal na I Grande Guerra: 
Apesar de Portugal no início ser neutral, os primeiros soldados a serem enviados para a guerra foram para proteger as fronteiras das ex-colónias africanas contra os avanços alemães, em 1914. De notar que a revolução republicana era recente (5 de Outubro de 1910) e que havia um certo interesse na classe política da altura em participar na guerra. 
O primeiro passo para o envolvimento formal de Portugal na I Guerra Mundial foi a publicação de uma lei, no início de Fevereiro de 1916, em que a Republica Portuguesa poderia requisitar qualquer bem indispensável à defesa nacional. O segundo passo foi a 23 de Fevereiro de 1916 em que Portugal tomou posse de 38 navios alemães que se encontravam ancorados em Lisboa (ao todo foram 72 navios que se encontravam ancorados em todo o território nacional incluindo Angola e Moçambique). A passagem de muitas das embarcações apreendidas por Portugal para as mãos inglesas levou à entrega a 9 de Março de 1916 da declaração de guerra alemã. 
Em 1917, as primeiras tropas do Corpo Expedicionário Português partiam para a Europa, principalmente para a zona da Flandres. 
De notar que o Corpo Expedicionário Português esteve menos tempo na guerra que os seus aliados ingleses, franceses e russos, mas passou muito mais tempo na linha da frente da guerra que estes, causando um elevado número de baixas e forçando cada soldado a um grande desgaste físico e psicológico. 
Depois do inferno das trincheiras, para muitos dos que sobreviveram veio a dificuldade dos campos de prisioneiros. Na catástrofe da ofensiva alemã de 9 de abril de 1918 (Batalha do Lys), mais de 6.500 militares portugueses ficaram prisioneiros. Estes prisioneiros passaram por más condições no cativeiro e depois do Armistício sofreram do abandono a que o Estado Português os deixou. 
Portugal, no esforço da guerra, mobilizou quase 200 mil homens e morreram quase 10 mil homens ficando milhares feridos. A guerra teve custos económicos e sociais graves, muito superiores à capacidade nacional da altura.
 

domingo, 9 de dezembro de 2018

Escultura da Sagrada Família em Areia


O Jardim Municipal está todo iluminado e enfeitado dando o espírito Natalício à Cidade de Rio Maior. 
Aqui existem uma série de atividades características desta época, como insufláveis, carrossel, feirinha de Natal e a já típica pista de gelo. 


A novidade é uma excelente escultura feita com 15 toneladas de areia representando a sagrada família realizada pelo escultor Pedro Mira. 
A inauguração oficial vai acontecer hoje. 
Até ao dia 19 de Dezembro vão decorrer ateliês de esculturas em areia para quem quiser aprender as técnicas desta arte. No entanto estão presentes dois tanques com areia onde todos podem experimentar e mostrar o artista que tem em si.




 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Morgado de São João da Ribeira

O Morgado de São João da Ribeira foi criado a 30 de Março de 1330 a favor de Estevão Martins Cerveira, um fidalgo honrado.


Estevão Martins Cerveira jaz na Igreja de São João da Ribeira e como não teve descendência o Morgado de São João da Ribeira passou para o seu 1º irmão, Rui Vasques Cerveira.
Rui Vasques Cerveira casou com D. Margarida Canes e teve uma filha, D. Maria Rodrigues Cerveira.
D. Maria Rodrigues Cerveira casou com Alvaro Gonçalves de Mesquita e do matrimónio nasceu Fernão Cerqueira.
Fernão Cerqueira casou com D. Clara Montarroio e do matrimónio nasceu Estevão Martins Cerveira.
Estevão Martins Cerveira casou com D. Guiomar Montarroio de Sequeira e do matrimónio nasceu Mem Cerveira.


Mem Cerveira era fidalgo da casa real e viveu no tempo dos reis D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I.
Foi Alferes More de Santarém onde também morava e teve os cargos de Juiz, Contador de resíduos, Provedor dos órfãos, Provedor das capelas, Provedor das albergarias, Provedor das gafarias, Contador das obras e terças dos concelhos na Comarca da Estremadura e Contador das aposentorias na Vila de Santarém.
Mem Cerveira faleceu em 1520 e cumprindo-se a vontade expressa no seu testamento, foi sepultado na Capela de São Bartolomeu da Igreja de São Domingos, em Santarém.
O túmulo de Mem de Cerveira encontra-se atualmente na Nave Norte do Museu Arqueológico do Carmo (Lisboa) dado o desaparecimento da Igreja de São Domingos de Santarém. O túmulo assume uma tipologia típica do estilo manuelino, caracterizando-se pela integração numa estrutura parietal, limitada por um arco polilobado, com arquivoltas decoradas com notável mestria.


Por Carta de Aforro de D. Afonso V, no livro 6º, folha 100 e livro 26 folha 50 da chancelaria do dito rei, foi Mem Cerveira reconfirmado senhor e administrador do morgado de São João da Ribeira.
Mas os reis concederam a Mem Cerveira mais poderes sobre este morgado e terras anexas.
D. Afonso V concedeu o privilégio de coutada em 16 de Julho de 1474 (apesar de ser também uma reconfirmação, pois estes poderes já tinham sido concedidos a seu avô Fernão Cerveira em 10 de Junho de 1447).
Os lavradores e todas as outras pessoas de qualquer estado ou condição ficaram proibidos de fazer caneiros desde o Moinho do Bom Nome até o Freixal. Caso não cumprissem esta ordem tinham de pagar duzentos reais brancos.
Os lavradores ficaram também obrigados a limparem o rio e repararem as suas testadas todos os anos. Caso não cumprissem esta ordem tinham de pagar também duzentos reais brancos.
Estes privilégios foram posteriormente reconfirmados, por carta de D. João II a 28 de Maio de 1487 e por carta de D. Manuel I a 4 de Novembro de 1496.

Mem Cerveira teve um primeiro casamento com D. Isabel de Montarroio e deste matrimónio nasceu D. Leonor de Montarroio Cerveira.
D. Leonor de Montarroio Cerveira casou com Francisco de Faria e do matrimónio nasceu Manuel de Faria Cerveira.
Na Igreja de São João da Ribeira encontra-se a sepultura térrea de Francisco de Faria que faleceu a 9 de Junho de 1528.

A administração do Morgado de São João da Ribeira ficou assim na família dos Farias.


Por linhagem feminina o morgado chegou a Francisco de Novaes Cazado. O seu pai foi Nuno de Novaes Pimental e sua mãe D. Michaela de Almeida Cazada.
Francisco de Novaes Cazado era um fidalgo cavaleiro da casa real que foi Comendador da Ordem de Cristo e contador do mestrado da Ordem de Santiago de Cristo.
Francisco de Novaes Cazado era natural de Aldeia Galega do Ribatejo, casou com  D. Antónia Maria de Faria Cerveira, natural de Setúbal e de cujo matrimónio nasceu Tomás João de Novais Pimentel Faria e Cerveira.
Tomás João de Novais Pimentel Faria e Cerveira, natural de Setúbal, fidalgo cavaleiro da Casa Real, capitão de cavalos, casou com D. Francisca Josefa Caetana do Amaral, natural da freguesia de Nossa Senhora do Alecrim, Lisboa. Deste matrimónio nasceu Francisco de Novais Casado Pimentel Faria e Cerveira.
Francisco de Novais Casado Pimentel Faria e Cerveira era natural de Setúbal, morador em Lisboa e fidalgo cavaleiro da Casa Real que faleceu a 11 de Agosto de 1808.
Como curiosidade, estão bem documentadas as diligência de habilitação para a Ordem de Cristo, em 1744, de Francisco de Novais Casado Pimentel Faria e Cerveira.

O último registo que encontrei sobre o Morgado de São João da Ribeira, corresponde a João Maria da Piedade Coutinho de Seabra e Sousa Tavares, 21º Sr. dos Morgados de S. João da Ribeira. Este Sr. era também o 2º Visconde da Baía (Brasil) e possuía vários outros títulos e terras no Brasil

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Praxe aos novos alunos da ESDRM

E terminou ontem a Praxe aos Caloiros da Escola Superior de Desporto de Rio Maior.


Agora só no próximo ano é que se vai ver os novos alunos a se passearem pela cidade de Rio Maior com os típicos penicos amarelos na cabeça e os aventais já bastante sujos. Estes caloiros (novos estudantes) chamam-se Porcos pois é o animal pelo qual infelizmente Rio Maior é conhecido devido às muitas suiniculturas que cá existem. 
Foi uma longa praxe que durou mais de mês e meio e que serviu para acolher e integrar os novos alunos da ESDRM que na sua grande maioria não são do Concelho de Rio Maior. De notar que todos os dias se reuniam junto ao Estádio Municipal numa pequena cerimonia realizada pontualmente às 8:40 da manhã. 
Quero referir que a adesão à praxe foi totalmente voluntária e que o principal objetivo foi criar laços de amizade entre os colegas e dar a conhecer o curso a escola e a cidade. 
O final da praxe ocorreu ontem numa cerimónia intitulada por Batismo. Todos se concentraram junto ao Pavilhão Multiusos e depois deslocaram-se em cortejo até ao Jardim Municipal onde a atividade principal se realizou no lago do jardim. 
As imagens para quem não está dentro do sistema da praxe podem transparecer uma certa brutalidade gratuita, mas tal não foi o que aconteceu, foi sim um processo de iniciação e de fecho de um ciclo de preparação, a praxe. 








Uma breve história da Praxe Académica em Portugal. 
A praxe apareceu na Universidade de Coimbra. 
No reinado de D.João V, século XVIII, a praxe foi proibida para evitar ofensas entre estudantes. 
No entanto a praxe não acabou e já no século XIX houve mesmo um aumento da violência com o aparecimento do canelão (os estudantes mais velhos davam pontapés nas canelas dos mais novos) e o rapanço (os estudantes mais novos viam os seus pelos rapados). 
No século XX, em 1902 o canelão foi abolido e com a implantação da República em 1910 a praxe é mesmo abolida. 
Com o Estado Novo, aparecem novamente as praxes nas Universidades. 
Com a revolução de 25 de Abril de 1974, a praxe é dissipada. 
Mas aos poucos a praxe vai ganhando força até chegarmos aos dias de hoje em que as praxes violentas são muito criticadas e combatidas, mas as praxes de integração e positivas são consideradas um bom instrumento de união dos estudantes. 
A praxe é para muitos novos estudantes a única forma que têm de no início do ano conhecerem pessoas, familiarizarem-se com o curso e integrarem-se na universidade e na cidade. A praxe cria amizades, integra, gera redes futuras de companheirismo e gera solidariedades grupais. 
No entanto a praxe não deixa de ser um sistema profundamente hierárquico com regras rígidas às quais os caloiros devem de obedecer sem levantar objeções.


Pode saber mais sobre a ESDRM em:
Pode saber mais sobre a inauguração do edifício da ESDRM em:
Pode saber mais sobre as tunas de Rio Maior em:
Pode saber mais sobre o Bagatunaço em:
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Dr. Fernando Sequeira Aguiar

Doutor Fernando Sequeira Aguiar, nasceu a 14 de Agosto de 1910 em Lisboa e faleceu a 28 de Abril de 2001 em Rio Maior. 


Nasceu e cresceu na freguesia das Mercês em Lisboa e licenciou-se em medicina na Escola Médico-Cirúrgica situada no Campo de Santana (Atualmente Campo Mártires da Pátria).
Durante a II Grande Guerra Mundial foi destacado para Cabo Verde como oficial médico miliciano. Ainda em Cabo Verde nasceu a sua filha, Manuela Aguiar. 
Com o fim da Grande Guerra, a 15 de Novembro de 1945 veio para Rio Maior exercer medicina.
O seu primeiro consultório localizava-se na avenida Salazar (Atual Rua Dr. Francisco Barbosa). No entanto permaneceu mais tempo no consultório situado na rua David Manuel da Fonseca no qual chegou a ter um aparelho de radioscopia único na região. 
Fernando Aguiar não exercia medicina somente nos seus consultórios, pertenceu também ao corpo clínico da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior, trabalhou como médico na Casa do Povo e dos Serviços Médico-Sociais da Caixa de Previdência, pertenceu ao corpo clínico do Centro de Saúde de Rio maior, exerceu como médico legista no Tribunal Judicial de Rio Maior e pertenceu ao Corpo de Bombeiros Voluntários de Rio Maior na qualidade de médico.
Em 1949 começa a colaborar com o jornal O Riomaiorense, desde o primeiro número da terceira série que saiu no dia 10 de Fevereiro. 


A localização da nova Igreja Matriz, que se encontrava em projeto de construção e problemas urbanísticos de Rio maior motivavam discussão pública e a imprensa tomou posição. Entre 1956 e 1958, Fernando Aguiar publicou diversos artigos sobre estas temáticas urbanísticas no jornal O Riomaiorense e em 1958 compilou estes artigos no livro Por Rio Maior. Este livro teve prefácio de Alexandre Laureano Santos (patrono da Biblioteca Municipal de Rio Maior).


Fernando Aguiar colaborou durante largos anos e de forma dedicada com o Grupo Cénico Zé P’reira como cenógrafo. Este grupo de teatro existiu sob a direção de Ernesto Alves.
Em 1958, Fernando Aguiar esteve muito ativo na candidatura do General Humberto Delgado à presidência da República. 
De 1 de Julho de 1966 a 18 de Novembro de 2000, presidiu ao núcleo de Rio Maior da Liga dos Combatentes da Grande Guerra (atualmente Liga dos Combatentes). A Delegação de Rio Maior da Liga dos Combatentes foi criada em 2 de Setembro de 1924, assumindo a presidência Raul Gomes Costa, mas teve curta duração e suspendeu a sua atividade. Até 1966 os sócios dependiam da Delegação de Santarém. Em 2000 assume a presidência da Liga o Dr. Eduardo Casimiro.
Desde as primeiras eleições autárquicas (pós 25 de Abril de 1974) que Fernando Aguiar pertenceu à Assembleia Municipal de Rio Maior em representação do Partido Socialista. Manteve-se neste importante órgão autárquico até ao seu falecimento em 2001. 
Fernando Aguiar também pertenceu ao cineclube de Rio Maior. A 24 de Julho de 1977 festejaram-se os 25 anos do Cineclube (foram projetados filmes de 8 e 16mm produzidos pela coletividade) que contou com a participação de Fernando Aguiar.
A 13 de Fevereiro de 1980 surgiu o nº1 da 1ª série do jornal Notícias do Concelho de Rio maior cuja direção era de Fernando Aguiar. 
A 1 de Agosto de 1985 surgiu o nº1 da 2ª série do quinzenário Notícias do Concelho de Rio Maior em que Fernando Aguiar era diretor e também proprietário.
 

Ainda em vida, O Município de Rio Maior atribui o nome de Fernando Aguiar a uma das ruas da cidade, a rua da Biblioteca Municipal.

No dia 28 de Abril de 2001, Fernando Aguiar faleceu vítima de doença perlongada. O velório realizou-se no núcleo de Rio Maior da Liga dos Combatentes. Cumpriu-se o seu desejo de ter como mortalha a sua bata de médico e o cortejo fúnebre passou pela Rua David Manuel da Fonseca onde se deteve por breves momentos no espaço onde foi o seu antigo consultório. Os seus restos mortais estão depositados no cemitério de Rio Maior na zona pertencente à Liga dos Combatentes.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas de Alcobertas


A primeira estação de tratamento de esgotos para suinicultura em Portugal foi inaugurada em Maio de 1993 na região de Alcobertas. A criação deste equipamento contou com o apoio financeiro do FEDER e do ICN. 
Na altura a suinicultura era uma das maiores fontes de riqueza do Concelho de Rio Maior, mas eram também reconhecidos os graves problemas para a saúde pública que o não tratamento dos dejectos provocam. 
A Associação de Desenvolvimento de Serra d’Aire e Candeeiros (ADSAICA) era a responsável pela Estação Coletiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ECTES) de Alcobertas. 
A estação de tratamento de esgotos para suinicultura tinha equipamentos considerados revolucionários para a altura permitindo não só o tratamento dos afluentes recebidos, mas também a produção de energia eléctrica. A ECTES de Alcobertas foi o primeiro sistema de digestão anaeróbia (Biogás), de tipo centralizado, destinado ao tratamento de efluentes de suinicultura, baseado na valorização do potencial energético daquele tipo de resíduos orgânicos. 
Mas a estação nunca funcionou conforme o previsto. Poucos suinicultores aderiram a esta estação de tratamento de efluentes e algumas dificuldades técnicas praticamente atiraram as instalações para o abandono.


A ADSAICA foi criada em 1990 pelos sete municípios da área do PNSAC e pelo então Instituto de Conservação da Natureza (ICN). Com a conversão do ICN em Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICN-B), a manutenção da estação foi-se degradando com a perda do técnico que geria a ECTES e do funcionário que retirava as lamas. 
Em 2010 a direção da ADSAICA, presidida então pela Câmara Municipal de Alcanena, assumiu a incapacidade para gerir a ECTES e aprovou em assembleia geral a sua doação ao Município de Rio Maior. Rio Maior assumiu o compromisso de arrancar com um projeto de recuperação e reativação da ECTES, orçado em 100 mil euros numa primeira fase. No entanto a estação manteve-se sem qualquer recuperação nem atividade. 
Em 2012, foi assinado entre a autarquia de Rio Maior e a Junta de Freguesia de Alcobertas um protocolo de transferência deste equipamento para a alçada da Junta de Freguesia. A Junta de Freguesia defendeu ser a ECTES economicamente sustentável uma vez que dos 100 mil euros orçados, 60 mil já não seriam necessários pois a Junta de Freguesia já tinha o trator e a cisterna. Apostava-se na venda do fertilizante, resultante do tratamento do resíduo, para a agricultura. 
A recolha e tratamento de efluentes pecuários começou a ser realizada, já o sistema de produção de energia eléctrica a biogás não voltou a ser ativado pois a recuperação foi considerada muito cara para o rendimento da ETAR. 
A Estação Colectiva de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ECTES) de Alcobertas também recebe águas ruças provenientes dos lagares de azeite. 
Já em Agosto de 2014 as instalações foram inspecionadas pelas entidades competentes na matéria e não foram encontrados problemas. 


Este é um equipamento prioritário para toda a região, não só para o Concelho de Rio Maior, pois existe uma grande concentração de suiniculturas e lagares e os problemas ambientais causados por estas atividades não são especulações mas uma realidade infelizmente sentida já por muitos habitantes. Não esquecer que o rio Maior está praticamente morto devido à elevada carga de poluição que nele é descarregada o que afeta todas as populações por onde ele passa. O rio Maior vai desaguar no rio Tejo contribuindo também para a poluição deste rio. Infelizmente atravessam Rio Maior dois cursos de água altamente poluídos que são o rio Maior e a ribeira de S. Gregório. Nós é que temos de decidir se estamos confortáveis com a situação atual ou se queremos mudar. 
Urge criar um sistema de identificação de todas as suiniculturas existentes na região, criar um sistema de recolha de resíduos de todas elas e em Estações de Tratamentos de Efluentes Suinícolas fazer a sua descontaminação e valorização. 

Pode ver imagens de 1993 da pré-inauguração desta estação de Alcobertas em:  
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/estacao-de-tratamento-de-esgotos/

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

RM Bikes – Sistema de bicicletas partilhadas de Rio Maior


O sistema de bicicletas partilhadas permite que Rio Maior tenha uma nova forma de mobilidade urbana. Uma mobilidade amiga do ambiente e que incentiva ao bem-estar físico dos utentes.



A ideia de promover o uso da bicicleta começou a ganhar forma na Câmara Municipal de Rio Maior e com o financiamento da União Europeia em Outubro de 2017 o sistema é concebido. É um sistema com origem no Canada na empresa Bewegen e foi trazido para Portugal pela Bikeemotion, um consorcio portugues criado em 2011. 
No dia 25 de Abril de 2018 foi inaugurado o sistema de bicicletas partilhadas, aproveitando as comemorações  do 44º aniversário da revolução dos cravos. Nesta apresentação do sistema estiveram presentes entre outros, a presidente da Câmara Municipal, Isaura Morais, o vice-presidente da Câmara Municipal, Luis Filipe Santana e o vereador João Lopes Candoso, considerado o mentor da iniciativa. 
O período experimental decorreu até o final do mês de Junho de 2018, altura em que o sistema partilhado de bicicletas entrou em funcionamento normal. 
Rio Maior tem umas excelentes condições para este tipo de mobilidade urbana recorrendo às bicicletas, pois é praticamente plana, com poucas elevações, possui já uma boa rede de ciclovias (embora ainda em expansão) e a cidade tem uma estreita ligação ao desporto. 
Existem actualmente disponíveis 24 bicicletas eléctricas RM Bikes e 4 estações onde as pode deixar ou levantar. O sistema permite ser ampliado com muita facilidade assim tenha a adesão dos riomaiorenses e de quem nos visite. 


As estações a onde se encontram as bicicletas situam-se no Jardim Municipal, Centro de Estágio, Piscinas e Salinas.
 

As bicicletas são eléctricas o que permite andar quase sem esforço e têm uma autonomia de perto de 100km sem pedalar. Têm um sistema de GPS incluído que permite saber a cada momento onde cada uma das 24 bicicletas está localizada. Têm um cesto na zona frontal que permite transportar até 20kg de carga. Cada bicicleta possui iluminação à frente e atrás o que aumenta o tempo de utilização da bicicleta e dá mais segurança ao utilizador. As baterias que equipam as bicicletas são de carga rápida e permitem o uso da bicicleta por longos períodos de tempo, mas se esta acabar existem sempre os pedais. 

Estão previstos dois perfis de utilizadores:
- Utilizadores Regulares (Os primeiros 30 minutos são grátis e pode fazer o número de viagens que pretender). 
  Subscrição anual – 25€ 
  Subscrição semestral – 15€ 
  Preço por tempo extra: +0,5€ entre 30 e 60 minutos; +0,5€ entre 60 e 90 minutos; +1,0€ cada fracção de 30 minutos acima dos 90 minutos.
- Utilizadores Ocasionais 
  Por dia –  6€ 
  Por hora – 2€ 
Se precisar de algum apoio, pode usar as seguintes formas de contacto:
- Telefone Geral: +351 243 999 300; Apoio a Cliente: +351 243 999 325 
- E-mail: info@wegoshare.com 
- Morada: Praça da República – Ed. Câmara Municipal, 2040-313 Rio Maior



Durante o período nocturno o sistema está indisponivel para realizar manutenção e redistribuir as bicicletas. 
Este sistema de transporte é barato e muito fácil de usar. Aproveite mais este equipamento que está ao seu dispor. Denuncie algum eventual uso excessivo que presencie.
Divirta-se sem esquecer descuidar da sua segurança. 


Pode saber mais sobre a rede de ciclovia em Rio Maior, em: 
Pode saber mais sobre o RM Bikes, em: 
Pode consultar o regulamento da RM Bikes, em: