segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Percurso 'PR1 RM' - Marinhas de Sal

PR1 (RMR) - Percurso Pedestre Marinhas de Sal

As Marinhas de Sal localizam-se no sopé da Serra dos Candeeiros, a 3 Km de Rio Maior.  As Marinhas são um ponto de paragem obrigatório para quem visita o Parque Natural das Serra de Aire e Candeeiros (PNSAC).
O percurso tem uma extensão de 3km, uma duração prevista de 1h30m e é de baixa dificuldade. Tem ao seu dispor um Posto de Turismo, Bares, Restaurantes e Lojas de Artesanato.
As Marinhas de Sal mantêm o mesmo tipo de utilização e gestão de há oito séculos e constituem um valioso património natural e cultural, classificado como Imóvel de Interesse Público.
Pode saber mais sobre as Marinhas de Sal em:
 
O percurso decorre sobretudo em zonas de agricultura, passando por pomares, vinhas, pinhais e eucaliptais. Podem ser observadas as osgas e a lagartixa-comum nos muros junto às salinas e durante o inverno patos-reais. Nos terrenos agrícolas existe a rã-de-focinho-ponteagudo, os ratos-do-campo, coelhos e raposas. Em termos de aves podem também ser observados exemplares de gralha-preta, melro, picanço-real, verdilhão, chamariz, pintassilgo, pica-pau-malhado-grande, gaio e estorninho-preto.

Pontos de Interesse:

Marinhas de Sal (Imóvel de Interesse Público)
As Marinhas do Sal, ex-líbris da cidade de Rio Maior, consistem numa mina de sal-gema, muito extensa e profunda, atravessada por uma corrente subterrânea que alimenta um poço, o que faz com que a água que dele é extraída seja sete vezes mais salgada que a do mar. Da sua exposição ao sol e ao vento e consequente evaporação, obtém-se o sal (entre Junho a meados de Outubro). Este é armazenado em curiosas construções de madeira com chaves e fechaduras também neste material (não se pode usar metal, pois este é atacado pelo sal), assim construídas desde a época romana.

Eucaliptal
O eucalipto é uma espécie florestal de origem australiana que chegou ao nosso país no século passado, inicialmente para produzir lenha para as caldeiras dos comboios, sendo hoje uma exploração florestal importante pela sua utilização na indústria do papel.
Como espécie de rápido crescimento, tem um elevado consumo de água, por isso deverá condicionar-se a sua expansão, sobretudo nas regiões calcárias, onde a problemática das águas subterrâneas é um factor determinante.


A Fonte da Bica
A “fonte da bica”, que dá o nome à povoação, era antigamente um ponto de encontro social importante (abastecimento de água e local de lavagem de roupa) foi revitalizado através do programa de Qualificação de Aglomerados Rurais, mantendo-se um espaço obrigatório de paragem, para os residentes e para os visitantes.

Vale Tifónico
Typhón é o deus da mitologia grega, que para nascer esventrou a mãe e está na origem da designação tifónico. O vale da altura do Jurássico Inferior (de 199,6 a 196,5 milhões de anos atrás) resultou do abatimento da camada superficial de calcário pela camada mais perfunda formada por rochas sedimentares (como o gesso e o sal).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Covas do Bagaço na Serra dos Candeeiros.

Bagaço é o resíduo dos frutos que foram espremidos para lhe extrair o suco.
O Bagaço da azeitona guardava-se nas ‘Covas do Bagaço’ para ser utilizado posteriormente na alimentação dos porcos e galinhas, mas que também servia para a lareira e para adubar as terras.
 
As Covas do Bagaço são assim um equipamento mais, associado ás casas serranas. Como a oliveira se dá bem em terreno pedregoso e seco durante o Verão, esta árvore abunda na Serra dos Candeeiros e na aldeia de Chãos, por exemplo, ainda se podem ver várias destas covas.
A cova é um pequeno reservatório circular escavado no solo, não muito perfundo e que possuí um muro à sua volta. Para conservar o bagaço destinado à alimentação animal, era costume espalhar sal entre as camadas e no final tapar a cova com uma laje para a proteger da chuva.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Eiras na Serra dos Candeeiros

Eira (do latim área ou pedaço de terra) é um espaço plano com o chão duro onde os cereais eram secos, malhados e depois peneirados para se separar a palha e outros detritos dos grãos de cereais.


 
Na serra dos candeeiros pode-se encontrar eiras com a forma circular, mas também rectangulares, delimitadas por pequenos muros, apenas com uma abertura para permitir a entrada e saída. O piso é geralmente coberto de argamassa ou com lajes, mas também existem eiras com o piso em terra batida mas que precisavam de ser tratadas antes de utilizadas. Então nas eiras de terra batida, o piso era raspado e limpo, depois regado e alisado para logo de seguida se espalhar palha miúda que ao ser batida com a enxada rasa formava uma superfície bastante dura.
A imagem seguinte pertence ao arquivo do PNSAC.


A eira não era só lugar de trabalho, mas também se transformava num local de festa. As pessoas da aldeia ao se juntarem na eira permitiam uma certa descontracção e conversas animadas. Era também um local em que se cantava, dançava e claro namorava.
Estas eiras ainda existem, dispersas pelas zonas rurais, mas podem ser melhor observadas nas zonas serranas como na aldeia de Chãos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cisternas na Serra dos Candeiros


A ausência de água à superfície em grande parte da Serra dos Candeeiros, levou a que os seus habitantes tivessem que recorrer a reservatórios de água (cisternas) para poderem ter água durante todo o ano (isto claro antes da água canalizada). Devido à natureza calcária da serra era inútil abrir poços, logo o único meio de se ter água era retendo a água da chuva.
A água era então considerado um bem precioso e utilizada apenas para o essencial do dia-a-dia das famílias (incluindo animais). Dada a sua importância, algumas aldeias possuíam mesmo cisternas comunitárias.
Para a construção das cisternas aproveitava-se pequenos algares ou depressões rochosas ou então tinha-se de as construir de raiz. As cisternas eram sempre tapadas para evitar que a água se sujasse, evaporasse ou ainda houvesse o aparecimento de algas com os inevitáveis insectos. Para a impermeabilização era tradicionalmente usada uma mistura de azeite e cal.
Engenhosa é a forma usada para encaminhar a água dos telhados para a cisterna que recorria a caleiras ou então a pequenas reentrâncias nas paredes ou muros.
Estes autênticos elementos de arquitectura rural podem ser observados em Casais Monizes ou então em Chãos.
Em Chãos a Cooperativa Terra Chã tem promovido a recuperação e revitalização das estruturas do património rural nas quais as cisternas se incluem.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Nelinho, pastor na Serra dos Candeeiros

Raúl Grabiel dos Santos Rodrigues, mais conhecido como Nelinho é casado e tem um filho.

Raúl é uma pessoa muito simpática e prestável, nasceu a 06 de Fevereiro 1971 e actualmente mora no repolho, São Sebastião embora a maior parte do tempo esteja a cuidar das 150 cabras (muitas delas prenhas) na Serra dos Candeeiros.
Ser pastor é um trabalho duro e solitário. Abrigos para a chuva são dificeis de encontrar no cimo da serra e para se protegerem do vento existem os chamados “abrigos de pastor” (pequenas paredes de pedra).
Nesta profissão é necessário saber prever o tempo, pois com muita chuva não se pode estar no topo da serra e com nevoeiro podem-se perder cabras. O conhecimento de cada recanto da serra também é essencial para se ser um bom pastor.
Os principais perigos de ser pastor na Serra dos Candeeiros são as víboras (víbora cornuda cujo veneno pode matar em 24h) e os escorpiões. Muito raramente aparecem raposas e os lobos já há muitos anos que não são vistos por esta região.

 
Raúl ao ser pastor está a abraçar o projecto de conservação da Gralha-de-bico-vermelho.

 
O projecto de “Conservação da Gralha-de-bico-vermelho na Serra dos Candeeiros” foi apresentado pela Quercus no âmbito do programa “Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade 2008-2012”. A Cooperativa “Terra Chã” é um verdadeiro parceiro operacional do projecto no terreno e que tenta dar continuidade ao projecto após os cinco anos.
A actividade de pastorícia vem dar condições para que a gralha se possa alimentar. Estas aves geralmente alimentam-se no solo de insectos, mas também de sementes e bagas. Aqui o gado tem um factor importantíssimo pois limita os arbustos e as plantas infestantes que impedem o acesso ao solo (como o carrascal e o alecrim), mas também as suas fezes atraem insectos que são o alimento favorito da gralha.
As primeiras cabras (cerca de 60) chegaram a Chãos no final do mês de Março de 2009. Estas cabras serranas (Ecotipo Ribatejano) pastam numa área com cerca de 200 hectares na Serra dos Candeeiros. As zonas de pastagem são perto dos algares em que as aves nidificam.

 
A presença das cabras não cria somente condições para a Gralha-de-bico-vermelho se fixar aqui na Serra dos Candeeiros, mas permite também:
- Reduzir o número e extensão dos incêndios por reduzir a quantidade de biomassa existente.
- Vender queijos certificados com leite produzido pelo rebanho.
- Permite produzir mel de excelente qualidade por darem condições ao aparecimento de flores.
- Permite criar iniciativas como a “Rota dos Pastores” em que as pessoas podem participar e viver por um dia como um pastor, acompanhando o pastor e as suas cabras na sua rota e actividades.
- Permite o desenvolvimento do turismo.


Como já foi dito, o principal dinamizador deste projecto é a Cooperativa “Terra Chã” e pode saber mais sobre ela em:

Vou terminar o artigo, agradecendo ao Nelinho pela sua ajuda e por permitir-me elaborar este artigo. A pastorícia já foi uma actividade muito importante no Concelho de Rio Maior, deve-se assim trabalhar para dignificar a profissão de pastor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Novo site do Município de Rio Maior

A Câmara Municipal de Rio Maior tem o seu espaço na Internet com novos conteúdos, mas principalmente com uma imagem renovada.


A não perder a secção de mapas, que está realmente muito boa. Pode-se consultar o mapa com um elevado nível de pormenor até à escala de 1:100 e com vários níveis de opções: Cartografia Militar; Ortofotomapas de 2006; PDM; Cartografia CIMLT/CMRM de 2006; Cadastro Rústico de 2004; Edifícios; Eixos de Via e Limites Administrativos de 2010.

Fica de seguida o mapa do Concelho de Rio Maior.

Falta dizer o endereço: http://www.cm-riomaior.pt/
Neste Blog também existe um atalho para o site da Câmara no lado direito.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Chegada a Malaqueijo

Que não fiquem dúvidas a ninguém, estamos a chegar a Malaqueijo.


A Freguesia de Malaqueijo foi criada somente a 16 de Maio de 1984, mas já existem registos da Aldeia de Malaqueijo de 1527, aquando de uma estatística realizada a Rio Maior.
Existe uma lenda que conta a origem do nome Malaqueijo que nos fala de um caminhante que ao passar por este local se sentiu cansado e com fome. Avistou um pequeno casebre no meio dos montes e dirigiu-se para lá. Bateu à porta e foi atendido por um velho pastor que lhe perguntou ao que vinha. O caminhante lá lhe respondeu que procurava algo para se alimentar pelo que obteve como resposta “mal há queijo”. Assim surge o nome como a região ficou conhecida, Malaqueijo.