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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Cabeço de Porto Marinho

Quem olha para esta imagem diz que é mais um local clandestino para depositar entulho e restos de mobiliário.
Este local fica perto das Salinas de Rio Maior a cerca de 500m para SE.
O triste e incompreensível é que este espaço é um dos locais mais relevantes de Portugal relativamente a achados dos períodos Magdalenense e Mesolítico.

Mais triste é dizer que este é um local raro em que se consegue recolher provas sobre a evolução da humanidade pois foram encontrados achados dos períodos: Gravetense, Proto-Solutrense, Magdalenense, Mesolítico, Neolítico Antigo, Calcolítico, Idade do Bronze e Romano. Portanto estamos a falar de um período que cobre uma parte significativa da humanidade que vai dos anos 28.000a.C até ao fim do período Romano, 400d.C.

Falando sobre o Paleolítico Superior e transição para o Neolítico (que inclui os períodos Magdalenense e Mesolítico), convém referir que a região de Rio Maior era bastante diferente da atual.
O tempo era instável e vivia-se alternâncias entre épocas glaciares e interglaciares. O mar estava bastante mais longe (a terra estendia-se por mais 30km para Oeste) pois o nível médio das águas do mar era mais baixo (entre 60m e 100m) e a vegetação também era diferente (composta por charnecas, pinheiros e carvalhos).
Na imagem seguinte consegue-se ver um mapa da Europa da altura do Paleolítico. Como curiosidade constata-se que a atual Inglaterra estava ligada à placa continental.
Pelo tipo de vestígios deixados relativos às matérias-primas usadas e modos de organização social é de prever que os habitantes do centro de Portugal estivessem divididos em 3 grupos étnicos.

Passando a falar do sítio arqueológico “Cabeço de Porto Marinho”.
É um habitat localizado em Rio Maior, na vertente Sul de um cabeço sobranceiro ao vale das ribeiras de S. Gregório e da Pá.
A jazida foi descoberta em 1986 e já na altura se encontrava parcialmente destruída por ação de um areeiro e pela plantação de eucaliptos.
O espólio encontra-se espalhado por uma área com cerca de 2500m2 sendo até ao momento escavado cerca de 5% do total.
As peças encontradas são: Indústria lítica (lâminas, lamelas, raspadeiras, raspadoras, buris...), cerâmica neolítica, do Bronze e romana. O espólio proveniente das escavações de 1987 e 1988 encontra-se depositado nas instalações do Museu Nacional de Arqueologia.
As peças que foram datadas de forma absoluta, por luminescência ou radiocarbono, vão de 19220+/-280 anos até 3030+/-90 anos.



Foram 13 os trabalhos realizados neste sítio arqueológico. 
    Prospeção (2019) - Plano de Pormenor e Salvaguarda das Marinhas do Sal, Rio Maior 
    Prospeção (2011) - Revisão do PDM de Rio Maior 
    Escavação (1998) - PNTA/98 - A Pré-História do Maciço Calcário 
    Escavação (1994) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Escavação (1993) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Escavação (1992) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Escavação (1991) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Escavação (1990) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Escavação (1989) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Levantamento (1989) - Carta Arqueológica do Parque Natural das Serras d'Aire e Candeeiros 
    Sondagem (1988) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Sondagem (1987) - As adaptações humanas durante o Plistocénico 
    Estudo de Espólio (1986) - Carta Arqueológica de Rio Maior

Estes locais têm de ser identificados, protegidos, estudados e cuidados.
Em Julho de 2017 e perto deste local (a menos de 200 metros) uma área contendo vestígios romanos sofreu uma terraplanagem com movimentação de terras feitas pelo proprietário mas sem nenhum controlo. O que é perdido agora, nunca mais poderá ser recuperado. O local da terraplanagem ainda continua hoje sem nenhum propósito.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Capela de Nossa Senhora da Saúde no Alto da Serra


A Capela do Alto da serra designada por Capela de Nossa Senhora da Saúde foi inaugurada a 2 de Junho de 2018 pelo Vigário Geral, o Padre Aníbal Vieira.
A inauguração contou com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, Isaura Morais, dos elementos do seu executivo, Filipe Santana Dias, Lopes Candoso, Ana Figueiredo e Miguel Santos, do presidente da Junta de Freguesia de Rio Maior, João Rebocho, do Vigário Geral da Diocese de Santarém, Aníbal Vieira, dos padres Paolo Beretta e Manuel Aníbal Mota e também de muitos convidados e população local. Perto de uma centena de pessoas marcaram presença no evento.

A história desta capela começa quando em 2010 a Comissão de Melhoramentos e Associação Recreativa, Desportiva e Cultural do Alto da Serra e a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição sugerem à Câmara Municipal de Rio Maior a doação da antiga escola primária que se encontrava fechada. A Comissão de Melhoramentos pretendia adaptar o edifício à função de capela.
Foi elaborado o documento que formalizava a doação do terreno e edifício da antiga escola em favor da Fábrica da Igreja Paroquial da Nossa Senhora da Conceição. O documento foi aprovado pelo executivo camarário a 12 de Novembro de 2010 e posteriormente a 27 de Novembro do mesmo ano em Assembleia Municipal.
O edifício escolar tinha sido inaugurado em 30 de Setembro de 1984, mas encontrava-se desativado há vários anos devido ao aparecimento dos centros escolares.

O apoio financeiro para a construção da capela surgiu de várias entidades como a Câmara Municipal, Junta de Freguesia, empresas locais e doações da população.

O exterior da capela é sóbrio mas bem delineado realçando a torre sineira, o pátio em calçada e os vitrais.

A Torre sineira tem 3 secções distintas: O painel de azulejos referentes a Nossa Senhora da Saúde, o relógio e o sino.

A calçada que cobre o pátio tem marcada a data de 2017 que foi a data de construção da capela.

Os bonitos vitrais têm de ser admirados pelo interior e representam cenas dispersas ligadas à religião, como:
A anunciação de Maria pelo anjo
A aparição de Maria aos pastorinhos em Fátima
A Sagrada Família
 O Espírito Santo

O interior da capela é surpreendentemente amplo e funcional decorado de forma simples mas muito elegante.
Na entrada foi colocado um painel de azulejos que mostram o rosto de Jacinta Marto, uma dos três pastorinhos que tiveram a visão da aparição mariana de Fátima.

O altar é moderno com as imagens da elevação triunfante de Jesus e da Nossa Senhora da Saúde.

Falta referir que o projeto do interior da capela é dos arquitetos Pedro Oon e Ferreira, Parte da arquitetura e especialidades é da responsabilidade do engenheiro Fragoso e o projeto do exterior da responsabilidade da arquiteta Rute.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Homenagem aos Estudantes


Na renovada Praça do Comércio, a Câmara Municipal de Rio Maior decidiu homenagear os estudantes com uma estátua em Bronze representando um braço de estudante segurando a capa com as fitas assinadas a esvoaçar.



Este é um monumento bem conseguido embora anatomicamente nota-se uma dificuldade do artista em colocar o braço naquela posição. 
Esta é uma homenagem justa, ainda mais que com as obras da Praça do Comércio a Fonte dos Estudantes desapareceu. 
Esta obra foi feita pela empresa Bernardino – Fundição d’Arte, Lda sediada em Vila Nova de Gaia. 
O agradecimento de Rio Maior aos estudantes, pode ser lido na pasta :“Homenagem do Município de Rio Maior a todos os estudantes que, com a sua alegria e juventude, dão vida à nossa cidade e levam consigo, com orgulho, o nome Rio Maior, terra onde se formaram! Rio Maior 2019”. 
No lado principal da pasta aparecem os símbolos da Câmara Municipal de Rio Maior e da Escola Superior de Desporto.




As fitas estão assinadas, em bronze, com versos dos próprios estudantes: 
- “De malas e bagagem mudei-me, como tantos outros, para esta cidade que quase momentaneamente se tornou casa. Deu-me tudo, sem pedir nada em troca. Por ruas e ruelas, cantos e recantos, abraçou-me como se ali pertencesse. Envolveu-me em momentos e histórias que de tão efémeros se tornaram eternos. Finalista, mas pouco por Sara Alves” 
- “Mas chorei, por alguém; Por alguém, que não fez por merecer; Eu por ti sou capaz; De ir ao fundo e até de morrer. Bagatuna” 
- “A pequena cidade; Que vives a saudade; De querer voltar; E de capa negra traçar; Recordando as noites de luar; A saudade que cá fica serve para relembrar; Todos os dias vividos em rio maior. Sal & Tuna, 2015” 
- “São estes os melhores anos; Melhores momentos da vida; Ser da ESDRM é um orgulho; (...); Capa negra no coração, sacrifício pela Tradição. Comissão de Praxe ESDRM; DVRA PRAXIS SED PRAXIS” 
- “E o destino está traçado; Ao chegares a Rio Maior; Tens de estar preparado; Para chegares a doutor. Bagatuna, 2010.” 
- “Assim nasceu a Bagatuna; Uma história de encanto; A cidade saiu à rua; Só para vos ver passar. Bagatuna, 2003” 
- “Cantaremos noite e dia; Como divas ao luar; Alegrando corações; Para assim não chorar; Cavaquinhos e violas; Bandolins e pandeiretas; É a Sal & Tuna; Com as suas capas negras. Sal & Tuna 2006” 

A imagem seguinte é de ontem, dia  09-05-2019, na serenata do Traçar da Capa aos novos estudantes. 



Pode saber mais sobre a antiga fonte dos estudantes em: 
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/05/chafariz-na-praca-do-comercio-em-rio.html 

terça-feira, 7 de maio de 2019

O Lugar das Bocas e as suas galerias subterraneas


Que o rio Maior tem tido menos caudal nos últimos anos é um facto. 
De recordar que ainda no século passado Rio Maior tinha muitas azenhas movidas pela força das águas do rio, chegou a ter uma unidade industrial, a Moagem Maria Celeste, cujo acionamento era hidráulico e chegou mesmo a ter uma central hidroelétrica. Segundo alguns relatos, o rio Maior era mesmo navegável a partir de São João da Ribeira até ao rio Tejo. 
Vendo o caudal que sai pelas nascentes das Bocas nota-se que as principais nascentes do rio secam muito rapidamente quando o período de chuvas acaba.
Uma das razões para esta mudança, pode estar na água ter encontrado outras saídas preferenciais pelo maciço calcário da Serra dos Candeeiros saindo assim menos água na zona das Bocas. 
A nascente nas Bocas está bem descrita num artigo de Christian Thomas em 1991. “Grande ressurgimento na parte Sul do planalto dos Candeeiros. Esta nascente está bloqueada pelos blocos de pedra caídos, sobre os quais se construiu a estrada que liga Rio Maior a Caldas da Rainha.”
Em 1988, João Neves descobriu uma pequena entrada que após um percurso estreito dá acesso a um sifão que ele explorou até cerca de 100 metros. É por esta zona que passa a água que vai alimentar o rio Maior. 
A planta e o corte da passagem encontrada e explorada estão no topo deste artigo.

Sobre esta entrada também pode saber mais em: 


Mais recentemente, no Verão de 2016, membros da Associação AESDA e XploraSub confirmaram os mapas acima descritos e completaram-nos ainda mais.
Nesta nova exploração descobriram mais de 150 metros de novas galerias subterrâneas. Esta expedição permitiu ainda detetar um novo algar que dá acesso à zona freática da gruta e que se encontra à cota absoluta dos 100 metros.




Pode saber mais sobre esta exploração em: 

Neste artigo fica assim mostrado que por baixo do maciço calcário da Serra dos Candeeiros existem reservatórios de água e uma grande ramificação de rios subterrâneos que como qualquer curso de água vai criando novos caminhos com o passar dos anos.
Claro que os furos de captação de água da empresa Águas do Oeste também desviam uma parte da água para uso público. 

Pode saber sobre um estudo de 1867 para aproveitar esta água no abastecimento de Lisboa, em: 
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2013/02/estudo-de-1867-para-abastecer-agua.html
Pode saber mais sobre a Moagem Maria Celeste em: 
https://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/moagem-maria-celeste.html 
Pode saber mais sobre a antiga Central Hidroelétrica em:

terça-feira, 23 de abril de 2019

Militares nas ruas de Rio Maior em 23 de abril de 1976

Públicação de 1976 em Nova York, USA. 
Rio Maior, Portugal, 23 de abril. 
Na preparação para a reunião do partido comunista. 
A Guarda Nacional com carros de reconhecimento com equipamento antimotim está estacionada perto de uma escola em Rio Maior, no centro de Portugal, onde um punhado de membros e seguidores do Partido Comunista (PCP) realizou a sua primeira reunião eleitoral desde que foram expulsos da cidade no verão passado. 
Houve interferência, mas nenhum incidente violento durante a reunião eleitoral. 
Eleições parlamentares terão lugar no domingo. 

Esta não foi a primeira vez que militares foram chamados a Rio Maior. 

Na altura da aparição Mariana em Asseiceira ao vidente Carlos Alberto em 16 de Dezembro de 1954 (penúltima aparição). O governo da altura não queria mais concorrência para as aparições de Fátima e então mandou a GNR e o exército bloquear todas as estradas de acesso a Asseiceira (ficando mesmo a EN1 sem circulação). As pessoas tinham de passar pelos campos e chegavam a Asseiceira com calçado e roupa pesados de tanta terra. Os habitantes do lugar faziam o que podiam para os ajudar. Nesta aparição mais de 40.000 pessoas chegaram a Asseiceira vindas de todas as partes do país. 

13 de Julho de 1975. Milhares de pessoas uniram-se aos agricultores, sendo a sede do Partido Comunista e a sede da Frente Socialista Popular em Rio Maior destruídas. Os ânimos só acalmaram com a chegada de militares vindos de Caldas da Rainha. A sede do Partido Comunista foi destruída com o arremesso de mobiliário e documentos pela janela. Por último foram também atirados pela janela 5 membros do partido que sofreram ferimentos.  

A 14 de Dezembro de 1975 realiza-se em Rio Maior o 2º Plenário Nacional  de Agricultores que juntou mais de 60.000 pessoas de todos os pontos do país. O coronel Jaime Neves, dos comandos, desloca-se a Rio Maior com uma força militar, mas tudo se passa com ordem e disciplina.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Subestação Eléctrica de Rio Maior



A Subestação Eléctrica de Rio Maior é um equipamento chave na Rede Nacional de Transporte de Energia Eléctrica pois serve de elo de ligação entre o Norte e o Sul do país e também é um dos pontos importantes no abastecimento à Região de Lisboa. 


A subestação ocupa uma área com cerca de 23 hectares e fica situada perto da localidade de Senhora da Luz, na fronteira entre os concelhos de Rio Maior e de Caldas da Rainha. Apesar de se chamar Subestação Eléctrica de Rio Maior, a instalação está praticamente toda no concelho de Caldas da Rainha. 
A inauguração da subestação ocorreu em 1979 e foi uma das primeiras em Portugal a funcionar em muito alta tensão (400KV) embora também funciona-se nos 60KV e 220KV (tensão normal no transporte de energia eléctrica em alta tensão). Alta tensão é um termo utilizado para identificar as considerações de segurança no sistema de geração, distribuição e utilização de energia eléctrica baseado no valor de tensão eléctrica utilizada e é geralmente caracterizada por carregar um risco substancial de arco eléctrico no ar. Define-se circuitos de alta tensão como aqueles com mais de 1KV em corrente alternada. 


Uma subestação é uma instalação eléctrica de alta potência que contem equipamentos para transmissão, transformação e distribuição de energia eléctrica e ainda equipamentos de protecção e controlo. 
A Subestação Eléctrica de Rio Maior é uma infra-estrutura de transformação e distribuição de energia eléctrica que recebe de unidades de produção, como o Parque Eólico da Serra dos Candeeiros ou a Central Térmica do Pego, em Abrantes e eleva a tensão da electricidade para ser transportada em Alta Tensão ou Muito Alta Tensão para as zonas de consumo. 
A subestação foi muito falada, quando pelas 22 horas e 20 minutos de 9 de Maio de 2000, uma cegonha tocou num cabo de alta tensão junto à subestação de Rio Maior e devido à centralidade desta infra-estrutura metade do país ficou sem electricidade. O “apagão” afectou sobretudo a região da Grande Lisboa e a península de Setúbal. Mas os distritos de Faro, Beja, Évora, Portalegre e Santarém foram também afectados. 


Actualmente a Subestação de Rio Maior é a 7ª maior infra-estrutura deste género na Rede Eléctrica Nacional que é composta por 67 subestações eléctricas. 


Evolução da Rede de Transporte de Energia Eléctrica em Portugal. 
Até à década de 40 do século passado, o sistema eléctrico caracterizava-se por diversos pontos de produção, geralmente térmicos, e redes regionais e locais de distribuição. 
A Companhia Nacional de Electricidade (CNE) foi instituída por escritura pública em 14 de Abril de 1947, cujo objectivo centrava-se no fornecimento de energia aos concessionários da grande distribuição ou consumidores em que o abastecimento directo assim o justificava, recorrendo ao estabelecimento e exploração de linhas de transporte e subestações. 
Foi no dia 17 de Janeiro do ano de 1951 que foi inaugurada a denominada Rede Primária, com a entrada em serviço de um grupo da central de Castelo de Bode ligado a Lisboa. Meses mais tarde entraram em serviço as linhas que interligaram Vila Nova a Ermesinde e Ermesinde ao Zêzere, começando-se deste forma a delinear a Rede de Transporte a 150 KV. 
No ano de 1958 dá-se um facto importante no que era até então a Rede de Transporte com o aparecimento do nível de tensão de 220 KV na linha que unia o Picote a Pereiros. 
A expansão da rede de 220 KV no ano de 1961 assenta na criação de uma segunda linha Vermoim - Picote e na importante ligação à rede europeia nomeadamente, Espanha (Saucelle). Assim, Portugal passou a dispor do apoio eléctrico de Espanha e indirectamente da Europa, que quer por razões de segurança, quer por carências energéticas ou até mesmo por questões económicas, se revelou de grande importância. 
A Subestação de Pereiros em 1958 passou a ser o nó de ligação norte – sul. 
Dadas as dificuldades de previsão de cargas e da impossibilidade de estabelecer percursos para a energia, levou a que no ano de 1964 fosse instalado um analisador de redes. Este permitia antecipar sobrecargas e ter conhecimento dos níveis de tensão nos diversos pontos da rede. Já em 1963 tinha sido instalado um regulador automático de frequência, para que este a mantivesse dentro de intervalos aceitáveis, face à sua importância na qualidade e fiabilidade do serviço prestado. 
A fusão em 1 de Dezembro de 1969 de todas as empresas concessionárias da produção e da Rede de Transporte, deu origem à Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE). 
Com a crise petrolífera de 1973 e as alterações no quadro político em 1974/75, motivaram a nacionalização do sector eléctrico em 1975, e posteriormente em 1976, à constituição da Electricidade de Portugal (EDP). 
Em 1976 surge pela primeira vez na Rede de Transporte Nacional uma linha isolada para 400 KV, mas que funcionaria a 220 KV, na ligação Carregado – Setúbal. 
Este período para além das habituais ampliações necessárias em consequência do aumento
dos consumos, contemplou o reforço da produção térmica a sul com a grande central de Setúbal.
No ano de 1979, e dá-se início à exploração do nível de 400 KV. As primeiras subestações a usufruírem deste nível de tensão foram as então criadas subestações de Rio Maior e Palmela que entraram em serviço neste ano.
Chega-se a 1985 com o País dividido em termos energéticos entre Norte e Sul. Esta divisão do País com a produção, hídrica a norte e térmica a sul, conduz à transferência para a subestação de Rio Maior da forte interligação destas duas zonas, que antes se encontrava em Pereiros. De referir que o sul de Portugal não possuía ligações eléctricas a Espanha. Pereiros não poderá funcionar como reserva de Rio Maior face à quantidade de energia em jogo. 
A partir do ano de 1987 passa-se a possuir uma “auto-estrada” energética entre Sines e Riba D’Ave a 400 KV, reforçada no ano de 1990.
Em 1994 a REN se desagrega da EDP, ficando esta apenas com 30% do seu capital, e se constitui no operador único de transporte de energia eléctrica que hoje existe.
A rede de transporte de energia eléctrica está em constante desenvolvimento e tem sido alvo de abultados investimentos para melhorar a qualidade do serviço e se ir adaptando aos novos tipos de fornecedores e consumidores de energia.


Rio Maior já possuiu uma Central Hidroeléctrica, inaugurada em 1928. Pode saber mais em: 
Rio Maior já possuiu uma Central Térmica na década de 30 do século passado. Pode saber mais em: 
Rio Maior possui um grande Parque Eólico. Pode saber mais em: 
 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Mercado Municipal de Rio Maior


A 6 de Novembro de 2018 foi inaugurada mais uma obra de requalificação do Mercado Municipal de Rio Maior. Estas obras obrigaram ao encerramento temporário do piso térreo do mercado. 
Com estas obras o mercado ficou mais atrativo, com melhores condições para o seu funcionamento e tornou também o espaço de utilização mais flexível. De recordar que o edifício contempla uma área útil de 555m2 dividida por dois pisos. 



O objetivo destas obras foi dar mais conforto, higiene e segurança aos utilizadores do espaço de modo a fomentar um maior número de transações de bens, mas também proporcionar uma zona de convívio e de relação entre a cidade e o meio rural. 







A relação entre vendedor e consumidor nos mercados é que tem sido um equilíbrio difícil de manter, levando a que os consumidores passem a procurar menos os mercados em detrimento de outras superfícies, logo levando a que a oferta nos mercados também não seja tão variada quanto o desejado. Este é um círculo vicioso que tem de ser quebrado com ideias inovadoras. 
O mercado tem vindo a perder vendedores e clientes ao longo dos últimos anos e de notar que já em 2013 e 2014, várias bancas no mercado foram a haste pública com uma licitação mínima de 25€ por não haver interessados. 
Esta perda de movimento no mercado não tem sido por falta de investimento monetário no espaço. De referir que estas últimas obras custaram 71.112,55€ e que desde 2011 já foi aqui investido pelo menos 105.603,05€ sem contar com os custos de manutenção do espaço. De lembrar que em Março de 2012 foram terminadas grandes obras de remodelação.


Os mercados retalhistas já desempenharam um papel importante na distribuição de produtos de qualidade às populações, sendo mesmo um símbolo de comércio urbano. Os mercados começaram em recintos ao ar livre e depois passaram a existir como estruturas cobertas. Recentemente o desenvolvimento e conservação dos mercados tem sido posta em causa com o aparecimento de outras ofertas competitivas adaptadas aos novos hábitos de consumo. 

Pode-se e deve-se estudar os mercados municipais no contexto atual para melhor se poder decidir como gerir e direcionar este equipamento público. 

Os pontos fortes dos mercados são: 
- Especializado em produtos frescos com uma forte valorização dos produtos locais. 
- Existe uma forte relação com o espaço urbano e é gerador de efeitos positivos na envolvente. 
- Como a gestão é municipal existem garantias de sanidade, limpeza e higiene. 
- Valor patrimonial público. 
- O atendimento é centrado no consumidor. 
Os pontos fracos dos mercados são: 
- Formato de venda excessivamente dependente do ramo alimentar e desajuste entre a oferta e a procura. 
- Dificuldades de estacionamento e cruzamento de mercadorias com pessoas 
- Gestão pouco empresarial e falta de formação profissional 
- Escassa utilização das novas tecnologias 
- Horários restritos e inadequados 


Não há uma fórmula mágica, mas segundo vários estudos existem 4 cenários para os Mercados Municipais: 
Cenário 1 – Investir desistindo, “Não os matem que eles vão morrendo” 
   Cenário baseado na ideia que os mercados não são sustentáveis a médio/longo prazo. A gestão do mercado pode ser entregue a uma empresa de gestão de condomínios. 
Cenário 2 – Investir desinvestindo, “Vão-se os anéis, mas ficam os dedos” 
   As autarquias têm consciência de que dispõem de um património de localização privilegiada no centro da cidade que poderão rentabilizar. A área do mercado é dividida em espaços para aluguer e para realização de eventos, perdendo-se o objetivo de comércio local. 
Cenário 3 – Investir coexistindo, “Se não os vences, junta-te a eles” 
   Aposta-se na coexistência do comércio tradicional com outro tipo de oferta comercial mais do género das grandes superfícies. 
Cenário 4 – Investir investindo 
   Aposta-se numa abordagem integrada dos mercados, conjugando investimento e inovação de modo a se adequar o funcionamento do mercado com a envolvente urbana. 


Pode saber mais sobre o Mercado Municipal de Rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/11/mercado-municipal-de-rio-maior.html