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terça-feira, 1 de maio de 2018

Padre Armando Delgado Marques


O Padre Armando Delgado Marques nasceu a 24 de Dezembro de 1928 na Ribafria, Benedita.
Cresceu numa família muito religiosa e aos 9 anos de idade foi internado nas Oficinas de São José em Lisboa como consequência do falecimento de seu pai.
Com quase 14 anos, a 5 de Janeiro de 1942 foi admitido no Seminário Patriacal de Santarém e a 29 de Junho de 1953 foi ordenado em Lisboa pelo Cardeal D. Manuel Gonçalves Cereja.
Começou a exercer ainda em 1953 na paróquia de A-dos-Negros e em Outubro de 1959 muda-se para Rio Maior como coadjutor do Padre António Pereira Quartilho.
A 1 de Janeiro de 1960 foi nomeado pároco de Rio Maior.

Apesar de Rio Maior na altura não ter uma comunidade muito religiosa, o Padre Armando foi recebido muito bem. A população esperou-o na povoação de Senhora da Luz e em cortejo automóvel acompanhou-o até à Igreja da Misericórdia.
Em Rio Maior o padre Armando desde logo abraçou e dedicou-se à tarefa para a qual foi nomeado directamente pelo Cardeal Cereja que foi a da construção da Igreja Nova. De notar que esta igreja nova já estava planeada pelo Ministério das Obras Públicas desde 1875 e que em Rio Maior os ofícios religiosos se realizavam na Igreja da Misericórdia.
O Padre Armando sempre foi muito dinâmico e empreendedor e a sua ação não se ficou pela construção do novo templo. O seu maior feito foi o de transformar mentalidades e conseguir unir a população na ajuda dos mais desfavorecidos.
Integrou-se muito bem na comunidade e estava sempre pronto a ajudar a quem nele procurasse ajuda.
Não tinha problemas em frequentar os cafés e tabernas de Rio Maior, nem se negava a um jogo de cartas ou xadrez. Organizou jogos de futebol e levou jovens a Lisboa para ver o cinema.
O Padre Armando também se ligou ao jornalismo tornando-se associado da tipografia que imprimia o jornal “O Riomaiorense”.
Foi professor de Religião e Moral na Escola Preparatória Latino Coelho.
Foi fundador dos ranchos folclóricos do Arco da Memória e Senhora da Luz.
O Padre Armando foi incansável na organização de eventos para angariação de fundos para a construção da nova igreja. A Igreja foi finalmente inaugurada a 26 de Maio de 1968 apesar da falta de dinheiro e das muitas polémicas que a rodearam.
Um evento protagonizado pelo padre Armando foi quando se negou a celebrar o matrimónio do vidente de Asseiceira, Carlos Alberto Delgado, que acabou por se casar só pelo civil.

Com a inauguração da igreja, o padre Armando podia ter acalmado, mas não. Sempre irrequieto e empreendedor, foi impulsionador do Lar dos Velhinhos e ajudou na criação do Jardim Infantil O Ninho.
A evangelisação e ação pastoral revitalizaram-se em Rio Maior com a criação de vários movimentos católicos.

Em 1981 foi nomeado pároco do Entroncamento. Na altura da partida não foi esquecido pelos riomaiorenses que na despedida o acompanharam numa grande caravana automóvel.
Em 1994 foi nomeado Administrador Paroquial de Vila Nova da Barquinha, Moita do Norte e Atalaia.

Faleceu a 20 de Setembro de 1999 no hospital de Torres Novas.


Pode saber mais sobre a Igreja Matriz em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2010/02/igreja-matriz-em-rio-maior.html
Pode saber mais sobre a Igreja da Misericórdia em: 
Pode saber mais sobre o Vidente de Asseiceira em: 

domingo, 6 de novembro de 2016

XVI Gala de Acordeão Eugénia Lima




Realizou-se ontem, 5 de Novembro de 2016, a XVI Gala de Acordeão Eugénia Lima.

Este espectáculo de homenagem à acordeonista Eugénia Lima insere-se nas comemorações do Feriado Municipal e do 10.º aniversário do Cineteatro de Rio Maior. Esta Gala teve a participação dos acordeonistas Tino Costa; José Cláudio; Catarina Brilha; Tiago Pirralho, Luísa Martins e Michel.




Como tem vindo a ser habitual esta Gala contou com a participação de outras formas artísticas. Este ano estiveram presentes a Escola de arte riomaiorense “A Tocata” e o Grupo de Sapateado e Flamenco de Alenquer.


Todas as actuações foram excelentes o que enobrece a Gala e é uma excelente maneira de recordar Eugénia Lima.

Eugénia Lima, dispensa qualquer apresentação, mas de seguida uma breve biografia sua.

Eugénia de Jesus Lima nasceu a 29 de Março de 1926 em Castelo Branco, filha de Mário António de Lima e de Maria do Rosário Martins de Lima.
Sendo o seu pai afinador de acordeões, Eugénia começou com 1 ou 2 anos a brincar com este instrumento e aos 4 anos, a tocar. Aos 4 anos actuou pela primeira vez em palco no Cinema-Teatro Vaz Preto, em Castelo Branco. Começou assim um período de actuações em toda a Beira Baixa, que lhe valeram a alcunha de "Miúda de Castelo Branco".
Aos 6 anos ouviu tocar em Castelo Branco, os acordeonistas, José Ferreiro Pai e Filho. Estes deram-lhe a conhecer o acordeão cromático, e conseguiram convencer o seu pai a comprar-lhe o seu primeiro acordeão.
Aos 8 anos apresentou-se como atração da Revista "Peixe-espada", em 1935 no Teatro Variedades, e a partir daí, atuou em várias casas de espectáculos de Lisboa.
No dia 21 de Novembro de 1935, estreou-se na rádio, na então Emissora Nacional.
Aos 13 anos, o pai tentou inscrevê-la no Conservatório de Lisboa, mas os responsáveis disseram-lhe que o acordeão não era instrumento para a instituição e a sua candidatura foi rejeitada. Aos 15 anos actuou no Casino do Estoril, com uma autorização especial da Presidência da República (pois os artistas menores não podiam actuar sem autorização) e teve um grande sucesso. Eugénia Lima continuou as suas actuações por todo o país.
Foi a Paris a sua primeira viagem ao estrangeiro, em 1947. Eugénia continuou a actuar em vários países, como Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Brasil, Argentina, Uruguai, Brasil, Angola, África do Sul, Moçambique, Rodésia, França, Bélgica, Alemanha, Itália, Áustria, ...
Foi para o Algarve através dos Ferreiros com quem criou laços de amizade. Viveu e leccionou acordeão em Bordeira. A grande quantidade de corridinhos que compôs, entre eles, «Coração Algarvio», demonstra o amor que tinha pelo Algarve.
No início da década de 70 passou a viver em Rio Maior.
Aos 52 anos foi para Paris frequentar o Curso Superior de Acordeão na categoria de Professora. Conclui o curso três anos mais tarde, pelo Conservatório de Acordeão de Paris. A União Nacional dos Acordeonistas de França atribui-lhe o seu Diploma Honorífico, em Setembro de 1984, pela primeira vez dado a um estrangeiro.
Após a morte do seu marido interrompeu a actividade, mas depressa voltou aos palcos, e como sempre, foi bem recebida pelo público que nunca a esqueceu.
A 25 de Abril de 2011 a Câmara Municipal de Rio Maior atribui o nome ‘Jardim Eugénia Lima’ a um Jardim que fica perto da casa da acordeonista.
Em 2011, com 85 anos e 81 anos de carreira, é uma das maiores acordeonistas de sempre, e regressou ao Algarve para uma homenagem que teve lotação esgotada e que reuniu fãs de vários pontos da região. Eugénia Lima revelou que sofria da doença de Parkinson.
Um amigo da acordeonista ofereceu-lhe um espaço que é um autêntico museu sobre a história da maior e mais antiga acordeonista portuguesa. O espaço cedido por António do Coito situa-se junto ao restaurante Fortaleza, no Alto da Serra, em Rio Maior, e abriu ao público a 29 de Junho 2013.
Eugénia Lima, a «Rainha do acordeão», faleceu em Abril de 2014, em Rio Maior, aos 88 anos de idade.
O acordeão que Eugénia considerava como o mais importante, afinado pelo pai da artista, foi oferecido ao Santuário de Fátima, a 25 de Março, dias antes da sua morte

Eugénia foi uma autodidacta aprendendo a tocar acordeão sozinha, mas teve professores de teoria musical, músicos da Banda Militar de Castelo Branco.
Eugénia Lima compôs mais de 200 melodias e imensos arranjos de outras músicas, tendo gravado mais de 50 discos. Eugénia também escreveu melodias para vários artistas consagrados. As composições da sua autoria que mais se destacam são «Minha Vida, Meu Sonho», «Noitinhas», que compôs com 14 anos, «A minha lágrima», «Quando a saudade é presença», «Fadinho de Silvares» e o «Picadinho da Beira», da década de 40, dedicado à sua terra natal, a Beira Baixa.
Ao longo do seu percurso, conquistou muitas distinções. Em 1947 venceu o Concurso de Acordeonistas, promovido pela então Emissora Nacional. Foi fundadora da Orquestra Típica Albicastrense em 16 de Julho de 1956. Em 1962 arrecadou o "Óscar da Imprensa", como melhor solista de música ligeira e possui incontáveis medalhas e diplomas, recebidos em Portugal e no estrangeiro. Foi cooperadora da Sociedade Portuguesa de Autores desde Maio de 1977. Em Maio de 1980 foi condecorada com o grau de Dama da Ordem Militar de Santiago de Espada, pelo Sr. Presidente da República, General Ramalho Eanes. A 10 de Setembro de 1986 foi agraciada com a medalha de Mérito Cultural, no Dia Mundial da Música, pelo Ministro da Cultura. Em Outubro de 1995 foi galardoada com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, atribuído pelo Sr. Presidente da República Dr. Mário Soares.


Algumas ligações:
Homenagem a Eugénia Lima 
SIC - D. Eugénia Lima 
Homenagem a Eugénia Lima - Parte 1 
Homenagem a Eugénia Lima - Parte 2 
Homenagem a Eugénia Lima - Parte 3 
Vira da Minha Terra 
EUGÉNIA LIMA (Lisboa Menina e Moça) 

domingo, 15 de maio de 2016

Sr. Ramos, ardina em Rio Maior


No século passado, o ardina era comum e fazia parte das povoações. Os vendedores de jornais andavam assim pelas ruas apregoando a notícia, chamando a atenção de potenciais clientes.

Em Rio Maior, tínhamos o Sr. Ramos.

A origem do ardina remonta à época em que a notícia passava de boca em boca e sempre foram personagens populares devido à sua exposição pública. Os ardinas começaram a desaparecer com o aparecimento dos quiosques e mais actualmente como surgimento da internet.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Mimi



Mimi era uma pessoa característica de Rio Maior durante as últimas décadas do século passado. Símbolo da libertinagem.

Mimi apesar de ser meigo com todos, gostava de pregar sustos às crianças. Se alguém gritava “Vem lá o Mimi”, começava tudo a correr. Para isso também contribuíam as mães que quando os filhos não queriam comer a sopa, ameaçavam “Ou comes a sopa toda, ou o Mimi leva-te num saco”.

O seu fiel cão, acompanhava-o para todo lado. Mimi Tomava banho com sabão azul e branco num repuxo na zona do Casaleiro e por vezes dormia dentro de contentores do lixo.
Mimi andava muitas vezes com o pénis à mostra e gostava de o ir mostrar às peixeiras da praça e às senhoras burguesas.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Busto de homenagem a Fernando Casimiro


No dia 7 de Novembro de 2015, a Praça do Comércio recebeu o busto de homenagem a Fernando Casimiro Pereira da Silva.
Esta iniciativa integrada na comemoração dos 179 aos da elevação de Rio Maior, teve origem num grupo de cidadãos que com ele privaram e contou com a disponibilidade e colaboração da Câmara Municipal e dos seus dois filhos.
A obra intitulada “Um Homem Solidário” é de autoria do escultor Rogério Azevedo e foi descerrada pela presidente da Câmara Municipal, Isaura Morais, e pelas netas de Fernando Casimiro, Joana e Eduarda.
O descerramento do busto foi precedido por uma cerimónia de evocação da sua obra e vida que teve lugar no edifício dos Paços do Concelho.


O vídeo da cerimónia pode ser consultado em:
https://www.youtube.com/watch?v=Mqj-7UoKG-E

Alguns marcos biográficos de Fernando Casimiro (N1910-F1987):
- Fernando Casimiro nasceu a 24 de Agosto de 1910, filho de Eduardo Casimiro da Silva e Beatriz do Carmo Pereira.
- Foi um dos primeiros alunos da Escola Comercial de Rio Maior (fundada em 1924) e em 1930 terminou o curso do Magistério Primário em Lisboa.
- Foi redactor principal do “Jornal de Rio Maior” cujo primeiro número foi publicado a 15 de Dezembro de 1931. Manteve-se no cargo até 1933.
- Em 1933 era professor da Escola Comercial Municipal de Rio Maior.
- Fernando Casimiro foi editor/proprietário do jornal “Concelho de Rio Maior” cuja primeira edição foi a 1 de Fevereiro de 1936 e durou até 15 de Abril de 1950 com o número 39.
- Em 1936, o nome de Fernando Casimiro foi gravado no obelisco comemorativo do primeiro centenário do Concelho de Rio Maior. Na altura, era Vogal da Câmara Municipal e elaborou em conjunto com Laureano Santos e Frederico Alves o álbum ilustrado “Rio Maior 1836-1936”.
- Na década de 1940 surgiu em Rio Maior o Grupo Cénico Zé Pereira no qual Fernando Casimiro também participou.
- Foi o último Presidente da Direcção da Associação Agrícola de Rio Maior, em 1939.
- Em 1940 assume as funções de professor-secretário da Escola Comercial Municipal de Rio Maior sucedendo a Augusto César na sua direcção (dirigiu a escola de 1945 a 1956).
- Em 1940 fez parte da primeira direcção do Grémio da Lavoura de Rio Maior.
- A 24 de Setembro de 1940 é formada a sociedade comercial “Cinema Riomaiorense, Limitada” da qual Fernando Casimiro é sócio.
- Foi director do Centro da Mocidade Portuguesa em Rio Maior e presidente da Assembleia Geral da Casa do Povo de Rio Maior.
- Fez parte da direcção da Banda dos Bombeiros Voluntários.
- Em 1944 é fundada uma nova tipografia em Rio Maior, da empresa “Afonso, Oliveira & Silva, Lda”, da qual Fernando Casimiro é sócio.
- Em 1945 entrou para a direcção do Grémio do Comércio de Rio Maior.
- A partir de 1949, passou a colaborar com a 3ª série do jornal “O Riomaiorense”.
- Foi membro da comissão dinamizadora para a criação da Escola Preparatória de Latino Coelho que foi inaugurada em 1968.
- Foi sócio gerente da firma Eduardo Casimiro da Silva, Lda. dando continuidade à empresa centenária fundada em 1855 pelos 3 irmãos Casimiros. Ainda hoje persiste a Loja de Ferragens e ferramentas em Rio Maior.
- A 17 de Janeiro de 1974 inicia-se a construção do primeiro cinema-estúdio do Ribatejo, de que é proprietário Fernando Casimiro.
- Em 1975 passa a colaborar com o novo jornal local de combate político, O Zé.

domingo, 6 de setembro de 2015

Busto de Marcolino Sequeira Nobre


Marcolino Nobre foi homenageado pela cidade de Rio Maior. 


No dia em que Rio Maior comemorou os 30 anos de elevação a cidade (14 de Agosto de 1985) foi também homenageado Marcolino Nobre com um busto erigido junto à rua com o nome de sua mãe, Fausta Sequeira Nobre (no jardim da Biblioteca Municipal). 
A cerimónia do dia 21 de Agosto de 2015, contou com a presença dos responsáveis autárquicos e da família mais próxima deste ilustre riomaiorense que teve funções relevantes com contributos à sociedade, à política, à solidariedade social e à imprensa. 




O busto é de autoria do escultor alpiarcense Armando Ferreira e a decisão de implementar o busto neste jardim foi aprovada na reunião ordinária da Câmara Municipal de Rio Maior, de 24 de Julho de 2015. 


Marcolino Sequeira Nobre foi um dos fundadores das Indústrias de Carnes Nobre, hoje Nobre Alimentação. Será também lembrado por ter sido presidente da assembleia municipal, impulsionador do centro pastoral, director do jornal Riomaiorense e fundador do jornal Região de Rio Maior. O livro “Rio Maior - retratos do passado” foi a sua última dádiva à comunidade.
O industrial nasceu a 03 de Abril de 1926 e faleceu a 05 de Março de 2012 com 85 anos. Ficou sepultado no cemitério de Ribeira de São João, na mesma freguesia em que residia.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Georgina Pinto




Georgina Pinto nasceu a 12 de Dezembro de 1868 em Rio Maior.

A actriz estreou-se no Porto no Teatro D. Afonso (Teatro já desaparecido), na companhia de Taveira, Santinhos e José Ricardo. Foi contratada para o coro, mas a sua bela figura de mulher e a sua voz clara, sonora e fresca, abriram-lhe a possibilidade de actuar, o que veio a acontecer na peça “Reino de Mulheres” de Sousa Bastos. Antes, já tinha representado em palcos amadores, manifestando extraordinárias faculdades artísticas.

Georgina conquistou o público na capital do Norte e depois partiu à conquista de Lisboa e Açores.
Apesar de ter começado com papéis de comédia e operetas, passou ao drama no espectáculo “Fanfan” de Lopes Teixeira.
Em Lisboa representou em teatros como o S.Luis e o D.Maria II. Após uma digressão pelo Brasil, constituiu uma companhia com o actor Carlos Santos, no Teatro da Rua dos Condes.


A actriz faleceu de febre amarela a 12 de Abril de 1903 no Rio de Janeiro. Na altura do seu falecimento, Georgina estava a ensaiar para a peça “O Oráculo” e iria interpretar a personagem central, Helena, que foi criada especialmente para si. Em exibição estava a peça “Estrangeira” que foi interrompida pela morte da actriz.
Georgina Pinto era a actriz principal da companhia “Parabeniza” do empresário e dramaturgo português, Eduardo Vitorino.