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domingo, 20 de outubro de 2013

Abrigos na garganta das Bocas



Os abrigos na parede Sul da garganta das Bocas.

A poucos metros do topo Sul desta garganta existem muitos abrigos. Há indícios de vários deles já terem sido habitados.
Neste artigo considero que estas formações são abrigos, pois vários especialistas só consideram grutas, cavidades com desenvolvimento horizontal superior a 20 metros.
Apesar destas cavidades não entrarem muito dentro do maciço calcário, têm aberturas que facilmente atingem os 6 metros de altura e quase todas elas permitem que um homem ande perfeitamente ereto no seu interior.
Tive dificuldade em as fotografar, pois a vegetação cobre-as quase por completo.
Os acessos também são muito maus, pois não há caminhos e tem-se que andar muitos metros com declives acentuados no meio de mato muito denso.
Mas o esforço é muito recompensador, pois estes abrigos são lindíssimos, a vista espetacular e faz-nos regressar ao tempo dos homens das cavernas.
Rio Maior tem condições excecionais para criar um roteiro de grutas e abrigos que poderia atrair muitos turistas aventureiros à nossa região.









Para uma próxima vez, tenho de explorar a vertente Norte desta garganta.


Ficam aqui exemplos de outros locais geológicos muito interessantes em Rio Maior que poderiam estar incluídos num roteiro.
Salinas
Gruta de Alcobertas
Nascente do Rio Maior
Gruta de Senhora da Luz I
Gruta de Senhora da Luz II
Buraco da Moura
Formações Prismáticas de Basalto
Formações Calcite Prismática
Algares

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Passeio do Centro da Cidade à nascente do rio Maior



Ontem, dia 21 de Julho de 2013, participei num passeio promovido pelo Movimento Cívico Ar Puro.

O passeio teve o seu início junto ao edifício da primeira central elétrica de Rio Maior (nas traseiras da fábrica Nobre) até à nascente do Rio Maior nas Bocas. Esta caminhada que juntou um animado grupo percorreu quase sempre junto ao rio todo este percurso, permitindo assim admirar fantásticos locais que se encontram à espera de serem descobertos pelos riomaiorenses. É fantástico Rio Maior ter locais tão perto do centro da cidade ainda em condições de poderem ser partilhados e usufruídos pelos seus habitantes e por todos aqueles que nos procuram.
Deixo, para além das fotografias, o desafio de se fazer um percurso pedestre do centro da cidade à nascente do rio.

Fica aqui o percurso que sugiro e que por decerto viria a dinamizar o contacto dos habitantes com o rio (que ainda está vivo), criar um polo de interesse turístico e aproveitar estruturas já existentes.

O percurso poderia começar na Casa Senhorial d’El Rei D. Miguel com uma visita ao museu.
Descendo até junto ao cemitério, poder-se-ia admirar os excelentes vestígios que Rio Maior possui de uma Villa Romana com os seus belos mosaicos. É evidente a ligação dos romanos com o rio, como prova a ninfa aí descoberta.
Daqui passava-se pela antiga moagem Maria Celeste e começava-se a caminhar junto ao rio.
Paragem essencial que foi o início do nosso passeio de ontem é a primitiva central elétrica e a sua represa (escadinhas). Local de inigualável beleza que com pouco investimento permitiria ter o edifício da central como casa de apoio e o espaço envolvente da represa como parque de merendas (que por sinal a cidade não tem ainda nenhum). Com um ligeiro arranjo na zona, daria igualmente como uma excelente praia fluvial.


Daqui, permite seguir por caminhos de serventia sempre junto ao rio, passando por troços do rio muito bonitos (com troços navegáveis e represas ainda em bom estado), até se chegar ao moinho do Chão que segundo se sabe ainda está operacional.




Aqui tem-se que se afastar um pouco do leito do rio, mas logo mais à frente se volta a acompanhar este interessante rio.
Já em ambiente campestre, passa-se por estruturas de antigas azenhas e por mais açudes, não deixando o rio Maior de surpreender pela variedade de ambientes criados.
Alguns destes açudes ainda são usados por alguns populares para dar uns mergulhos.



Passa-se pela Quinta do Jogadouro, com o seu moinho ainda funcional e reconvertido em Alojamento Turístico.


Passagem obrigatória pelo antigo mosteiro beneditino, mas mesmo antes de lá chegar passa-se pela fonte das três bicas que apesar de neste momento ter um caudal de água reduzido, já suscitou estudos para aqui ser criada uma captação de água de forma a servir Rio Maior.


Por fim chega-se ao local considerado como a nascente do Rio Maior, as Bocas.
Aqui poderiam ser muito melhor aproveitados (o que facilitaria a sua conservação) os vastos vestígios arqueológicos aqui encontrados, como grutas e abrigos pré-históricos.


Acredito que esta minha sugestão é boa e fazível. Por último, o rio Maior está vivo. Junto à primitiva central elétrica podem ser observados lagostins e cardumes de pequenos peixes.
Devemos dar ao rio uma nova oportunidade.

Pode saber mais sobre o rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2010/01/o-rio-maior.html

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Eucaliptos na nascente do rio Maior


Estão a plantar eucaliptos na nascente do rio Maior.
 

O eucalipto é uma árvore de origem australiana e é considerada como a árvore que mais seca o solo, chegando as suas raízes a retirarem cerca de 200 litros de água por dia do solo. Como na Austrália o eucalipto se adaptou a viver em regiões áridas, a árvore está preparada para acumular muita água em períodos de cheia dos rios, para sobreviver aos períodos de seca.
As agulhas do eucalipto possuem uma substância química que inibe o crescimento de outras plantas, expulsando as espécies nativas ao redor da sua copa.
As folhas do eucalipto também são altamente indigestas, o que as impede de servirem de alimento aos animais que habitam em Portugal.
 
Sabendo que existem inúmeros estudos que atestam que a plantação de eucaliptos perto das nascentes pode secar as fontes, como é que se permitem este tipo de cultura na nascente do rio Maior?
 
Se o rio já tem problemas, só estamos é a agravar ainda mais a sua existência.

Pode saber mais sobre o rio Maior em:

domingo, 10 de junho de 2012

Barroco de Arrifana - Arrouquelas

O Barroco de Arrifana fica na encosta Sul de Arrouquelas.
Na realidade, aqui barroco não se refere ao estilo artístico que floresceu no século XVIII, mas ao seu significado de Cova ou Barranco. Também, apesar de se chamar Barroco de Arrifana, fica em Arrouquelas.
 
A realidade é que este local é hoje em dia quase mágico. Quem aqui vem, passa a entrar num ambiente diferente de qualquer paisagem que lhe fique perto.
Esta garganta é fruto de o terreno ser muito arenoso e de estar a ser cavado por um pequeno ribeiro que por aqui passa. Sempre que chove, mais um pouco da areia fina é arrastada pela água e mais cavado fica o desfiladeiro.
Neste local também se dava uma espécie de iniciação dos jovens da terra, em que estes eram incentivados a subir ao topo das ‘ilhas’ que aí se formam.






Este local inspirou António Rogério Jesuíno Bom que fez umas quadras que de seguida transcrevo e que desde já agradeço ao autor a autorização que me deu à sua publicação.

             A VOZ DO BARRÔCO

                                 I
Teus avós me deram o nome
Num baptismo que foi errado
Continuam a dizer que sou de Arrifana
Por isso estou muito zangado.

                                                                     II
                                               Todos me olham e me admiram
                                                É para Arrouquelas que estou voltado
                                                Encontro-me muito triste
                                                Continuo a ser filho rejeitado

                   III
Recuso ser de quem me dizem
Não foi para eles que cresci
Sempre tive de costas voltado
Sou de Arrouquelas, estou aqui!

                                                                  IV
                                                Arrifana diz que sou vosso
                                                Eles sempre tiveram razão
                                                Pois em mim reconhecem
                                                Por Arrouquelas, a única paixão.

                        V
Nasci nesta encosta com posição
Aqui bem juntinho ao rio
Tenho bastante admiração
Pela brancura do vosso casario.

                                                                    VI
                                                  Não posso negar quem sou
                                                  Mas também não peço fama
                                                  Uma coisa, a vós pedir vou
                                                  Não digam que sou de Arrifana.

                    VII
Estou deserto e abandonado
Mas tenho água e coisas belas
Quando for mais visitado
Serei um valor para Arrouquelas.

                                                           António Rogério Jesuíno Bom
                                                                            15 /07 /2001

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Buraco dos Mouros em Arrouquelas

Buraco dos Mouros fica na encosta do Corticinho em Arrouquelas. Em coordenadas, será algo como 39º15’2”N,8º53’7”W.

Segundo a história verbal que passou por várias gerações, aqui existiu em tempos um posto de vigia dos mouros. Faz algum sentido, pois esta encosta é virada a Norte que foi de onde os Cristãos vinham a conquistar estas terras. Também segundo a história verbal, este Buraco dos Mouros tinha ligação com a quinta do Horte que fica entre a Póvoa de Manique e Vila Nova de São Pedro.
Agora o local encontra-se cheio de mato que impossibilita chegar à entrada principal do Buraco dos Mouros, mas percorrendo a encosta do Corticinho nota-se que esta possui muitos buracos de dimensões a quase permitirem a passagem de uma pessoa. Depreendo que o Buraco dos Mouros seja um túnel cavado pela força da água das chuvas que entrando pelos vários buracos existentes na encosta, criou um rio subterrâneo que alimenta uma pequena ribeira à sua saída. Quem já entrou no Buraco dos Mouros, descreve-o como um túnel muito comprido, com várias ramificações e que metia medo andar lá dentro.
 
A imagem seguinte é a vista que se tem sobre Arouquelas, estando na Encosta do Corticinho.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Fim de um lago em Arrouquelas

Em 2010, fiz um artigo sobre um lago natural em Arrouquelas com um ambiente muito agradável e que possuía água durante todo o ano.

Pois bem, nada é eterno.
As árvores foram arrancadas, o lago entulhado e o terreno lavrado.
É bom ver a diferença entre o antes e o depois.
Uns chamarão progresso, outros chamarão destruição.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pegada de Dinossauro em Chãos.

 
Em Chãos, ao ser recuperada uma das casas antigas pela dinâmica cooperativa local, Terra Chã, verificou-se que uma das pedras tinha a marca de uma pegada de dinossauro. A Pedra em questão veio de uma pedreira da região.
Fica assim Rio Maior com uma pegada de dinossauro visitável a todos os que queiram ir até Chãos, em Alcobertas.

Mas um pouco por toda a Serra de Aire e Candeeiro se têm encontrado pegadas de dinossauros. Primeiro porque na zona existem muitas pedreiras que têm posto a descoberto as pegadas e em segundo porque há 175 milhões de anos atrás, no Jurássico Médio, esta área era uma zona costeira, de águas rasas e inundada por marés por onde os dinossauros herbívoros, como os Saurópodes costumavam pastar. De referir que entre o actual Portugal e o actual Canadá havia um mar pouco profundo de águas quentes e límpidas, com recifes de coral e com uma vegetação abundante (A Europa encontrava-se ligada à América do Norte formado o supercontinente Pangea).
Portanto, no fundo das lagoas marinhas depositava-se lama de calcário na qual ficavam facilmente gravadas as pegadas dos animais que por ali passavam.
Em Ourém, Torres Novas, existe o Monumento Natural das Pegadas dos Dinossauros da Serra de Aire. Pode saber mais sobre este monumento em:
http://www.pegadasdedinossaurios.org/

Pode saber mais sobre a Cooperativa Terra Chã, em:
http://www.cooperativaterracha.pt/


Representação de um dinossauro Saurópode.



domingo, 15 de janeiro de 2012

Algares na Serra dos Candeeiros

Algar é uma cavidade natural de desenvolvimento predominantemente vertical. O termo tem origem árabe, Al-gar.
Na Serra dos Candeeiros, os algares têm normalmente a forma de poço, pois derivam da dissolução do calcário na vertical.

 
Os algares são locais óptimos para a nidificação de aves como a gralha-de-bico-vermelho pois formam um microclima húmido e de temperatura constante que funciona como incubadora natural. De referir que a incubação da gralha demora 18 dias e o abandono do ninho ocorre cerca de 38 dias após o nascimento.
A boa manutenção dos algares é muito importante para a preservação da gralha-de-bico-vermelho pois esta ave não costuma migrar e é bastante fiel aos locais onde cria.
Perto do Cruzeiro na Serra dos Candeeiros, encontra-se um dos maiores algares desta zona, conhecido como Algar do Cruzeiro. Este algar não tem grande relevância geológica, possui cerca de 2 metros de profundidade, mas o seu relevo advêm de um casal de gralha-de-bico-vermelho costumar nidificar numa das suas fendas.

 
Como a Serra dos Candeeiros é muito seca à superfície, os algares ou reentrâncias em rochas, eram usados para reter água, através da sua impermeabilização e cobertura. Assim sendo estas cavidades também foram essenciais para a fixação de pessoas e animais na Serra.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Nelinho, pastor na Serra dos Candeeiros

Raúl Grabiel dos Santos Rodrigues, mais conhecido como Nelinho é casado e tem um filho.

Raúl é uma pessoa muito simpática e prestável, nasceu a 06 de Fevereiro 1971 e actualmente mora no repolho, São Sebastião embora a maior parte do tempo esteja a cuidar das 150 cabras (muitas delas prenhas) na Serra dos Candeeiros.
Ser pastor é um trabalho duro e solitário. Abrigos para a chuva são dificeis de encontrar no cimo da serra e para se protegerem do vento existem os chamados “abrigos de pastor” (pequenas paredes de pedra).
Nesta profissão é necessário saber prever o tempo, pois com muita chuva não se pode estar no topo da serra e com nevoeiro podem-se perder cabras. O conhecimento de cada recanto da serra também é essencial para se ser um bom pastor.
Os principais perigos de ser pastor na Serra dos Candeeiros são as víboras (víbora cornuda cujo veneno pode matar em 24h) e os escorpiões. Muito raramente aparecem raposas e os lobos já há muitos anos que não são vistos por esta região.

 
Raúl ao ser pastor está a abraçar o projecto de conservação da Gralha-de-bico-vermelho.

 
O projecto de “Conservação da Gralha-de-bico-vermelho na Serra dos Candeeiros” foi apresentado pela Quercus no âmbito do programa “Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade 2008-2012”. A Cooperativa “Terra Chã” é um verdadeiro parceiro operacional do projecto no terreno e que tenta dar continuidade ao projecto após os cinco anos.
A actividade de pastorícia vem dar condições para que a gralha se possa alimentar. Estas aves geralmente alimentam-se no solo de insectos, mas também de sementes e bagas. Aqui o gado tem um factor importantíssimo pois limita os arbustos e as plantas infestantes que impedem o acesso ao solo (como o carrascal e o alecrim), mas também as suas fezes atraem insectos que são o alimento favorito da gralha.
As primeiras cabras (cerca de 60) chegaram a Chãos no final do mês de Março de 2009. Estas cabras serranas (Ecotipo Ribatejano) pastam numa área com cerca de 200 hectares na Serra dos Candeeiros. As zonas de pastagem são perto dos algares em que as aves nidificam.

 
A presença das cabras não cria somente condições para a Gralha-de-bico-vermelho se fixar aqui na Serra dos Candeeiros, mas permite também:
- Reduzir o número e extensão dos incêndios por reduzir a quantidade de biomassa existente.
- Vender queijos certificados com leite produzido pelo rebanho.
- Permite produzir mel de excelente qualidade por darem condições ao aparecimento de flores.
- Permite criar iniciativas como a “Rota dos Pastores” em que as pessoas podem participar e viver por um dia como um pastor, acompanhando o pastor e as suas cabras na sua rota e actividades.
- Permite o desenvolvimento do turismo.


Como já foi dito, o principal dinamizador deste projecto é a Cooperativa “Terra Chã” e pode saber mais sobre ela em:

Vou terminar o artigo, agradecendo ao Nelinho pela sua ajuda e por permitir-me elaborar este artigo. A pastorícia já foi uma actividade muito importante no Concelho de Rio Maior, deve-se assim trabalhar para dignificar a profissão de pastor.