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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Exibição Internacional de 1876 nos EUA



O Congresso dos Estados Unidos aprovou a 3 de Março de 1871 que a celebração do centenário da promulgação da Declaração da Independência dever-se-ia realizar na Cidade de Filadélfia com uma exibição internacional de artes, industria, agricultura e produtos mineiros.
Foram convidados cerca de 50 países e entre eles encontrava-se Portugal.
A exibição ocupou cerca de 19,62 hectares.


Todos os produtos em exibição estão descritos no Catálogo Oficial.
De Portugal foram 1905 diferentes produtos sendo que 87 foram da região de Santarém.
De Rio Maior foram os vinhos: 
               1299 - Ramos, António Pedro de Carvalho – Vinho Branco 
               1300 – Rosa, José Maria – Vinho Branco 
               1357 – Campos, Francisco Ferreira - Vinho Tinto
Daqui se nota a importância da vinicultura na região de Rio Maior durante o século XIX.


A Declaração da Independência dos EUA foi redigida e assinada a 04 de Julho de 1776. Neste documento, as treze colônias localizadas na América do Norte, declaram a independência da Grã-Bretanha. Esta declaração ocorreu na cidade da Filadélfia.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Padre Armando Delgado Marques


O Padre Armando Delgado Marques nasceu a 24 de Dezembro de 1928 na Ribafria, Benedita.
Cresceu numa família muito religiosa e aos 9 anos de idade foi internado nas Oficinas de São José em Lisboa como consequência do falecimento de seu pai.
Com quase 14 anos, a 5 de Janeiro de 1942 foi admitido no Seminário Patriacal de Santarém e a 29 de Junho de 1953 foi ordenado em Lisboa pelo Cardeal D. Manuel Gonçalves Cereja.
Começou a exercer ainda em 1953 na paróquia de A-dos-Negros e em Outubro de 1959 muda-se para Rio Maior como coadjutor do Padre António Pereira Quartilho.
A 1 de Janeiro de 1960 foi nomeado pároco de Rio Maior.

Apesar de Rio Maior na altura não ter uma comunidade muito religiosa, o Padre Armando foi recebido muito bem. A população esperou-o na povoação de Senhora da Luz e em cortejo automóvel acompanhou-o até à Igreja da Misericórdia.
Em Rio Maior o padre Armando desde logo abraçou e dedicou-se à tarefa para a qual foi nomeado directamente pelo Cardeal Cereja que foi a da construção da Igreja Nova. De notar que esta igreja nova já estava planeada pelo Ministério das Obras Públicas desde 1875 e que em Rio Maior os ofícios religiosos se realizavam na Igreja da Misericórdia.
O Padre Armando sempre foi muito dinâmico e empreendedor e a sua ação não se ficou pela construção do novo templo. O seu maior feito foi o de transformar mentalidades e conseguir unir a população na ajuda dos mais desfavorecidos.
Integrou-se muito bem na comunidade e estava sempre pronto a ajudar a quem nele procurasse ajuda.
Não tinha problemas em frequentar os cafés e tabernas de Rio Maior, nem se negava a um jogo de cartas ou xadrez. Organizou jogos de futebol e levou jovens a Lisboa para ver o cinema.
O Padre Armando também se ligou ao jornalismo tornando-se associado da tipografia que imprimia o jornal “O Riomaiorense”.
Foi professor de Religião e Moral na Escola Preparatória Latino Coelho.
Foi fundador dos ranchos folclóricos do Arco da Memória e Senhora da Luz.
O Padre Armando foi incansável na organização de eventos para angariação de fundos para a construção da nova igreja. A Igreja foi finalmente inaugurada a 26 de Maio de 1968 apesar da falta de dinheiro e das muitas polémicas que a rodearam.
Um evento protagonizado pelo padre Armando foi quando se negou a celebrar o matrimónio do vidente de Asseiceira, Carlos Alberto Delgado, que acabou por se casar só pelo civil.

Com a inauguração da igreja, o padre Armando podia ter acalmado, mas não. Sempre irrequieto e empreendedor, foi impulsionador do Lar dos Velhinhos e ajudou na criação do Jardim Infantil O Ninho.
A evangelisação e ação pastoral revitalizaram-se em Rio Maior com a criação de vários movimentos católicos.

Em 1981 foi nomeado pároco do Entroncamento. Na altura da partida não foi esquecido pelos riomaiorenses que na despedida o acompanharam numa grande caravana automóvel.
Em 1994 foi nomeado Administrador Paroquial de Vila Nova da Barquinha, Moita do Norte e Atalaia.

Faleceu a 20 de Setembro de 1999 no hospital de Torres Novas.


Pode saber mais sobre a Igreja Matriz em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2010/02/igreja-matriz-em-rio-maior.html
Pode saber mais sobre a Igreja da Misericórdia em: 
Pode saber mais sobre o Vidente de Asseiceira em: 

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Povoado Paleolítico em Vale de Óbidos


Este povoado pode ser o mais antigo até agora descoberto a nível mundial em que havia uma clara separação das zonas de atividade masculinas e femininas.

O acampamento data de há cerca de 25 mil anos e integra-se no período gravetense.
A descoberta ocorre em 1992 após a abertura de um caminho de emergência para combater um incêndio no pinhal. No inverno seguinte e devido à chuva houve erosão das zonas de corte da estrada e aí apareceram várias peças líticas como lascas, lamelas, pontas, núcleos e raspadeiras.
Os achados encontravam-se bem preservados pois o pinhal nunca tinha sido lavrado em profundidade sendo os materiais encontrados nos mesmos locais em que foram deixados pelas populações originais.
O povoado encontra-se em Vale de Óbidos, Rio Maior, numa encosta de colina que separa as linhas de escoamento do rio Maior e do rio Jaleca e a uma altitude de cerca de 100 metros acima do nível do mar. Os vales dos dois rios seriam áreas protegidas dos ventos dominantes e seriam uma área de água e caça abundante.
Atualmente a zona do antigo povoado encontra-se no lado direito da estrada ‘Rua da Estrada Principal’ a cerca de 750 metros para quem vem da Avenida dos Combatentes.



O aspeto mais notável deste povoado do Paleolítico Superior é a existência de três áreas funcionais distintas e afastadas entre si: 
               - Oficina de talhe, onde eram feitas as lâminas, lamelas, pontas de setas, … (Zona masculina) 
               - Zona onde se cozinhavam os alimentos e se tratavam as peles dos animais (Zona feminina). Esta zona também era a área residencial. 
               - Zona de fumagem das carnes dos animais mortos na caça, armazém de resinas e produção de colas.
Com os achados do povoado de Vale de Óbidos procura-se também dar respostas a algumas dúvidas existentes sobre o aparecimento do Homem Moderno.

Os achados foram analisados pelo arqueólogo português a viver em rio maior, Carlos Pereira e por outros investigadores norte-americanos como Paul Thacker.
O povoado está classificado no Portal do Arqueólogo com o código 14980 e já foi alvo de vários trabalhos: Escavação em 1999; Escavação em 2000; Escavação em 2001; Prospeção em 2011.
Em 2011 foram usados métodos inovadores na análise dos vestígios: 
               - Prospeção por resistividade elétrica – Permite identificar locais com maior concentração de artefactos. 
               - Microdébito – Permite detetar vestígios de muito pequena dimensão. 
               - Extração de lípidos – Analisando as pedras usadas para cozer os alimentos pode-se ter informação da gordura usada e daí extrapolar para o tipo de dieta da comunidade. 
               - Susceptibilidade magnética – Permite obter informações complementares sobre as estruturas onde se fazia o fogo.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Guerra da Patuleia. Vivência em Rio Maior


Guerra da Patuleia

Patuleia é o nome pelo qual se designa a guerra civil, entre Outubro de 1846 e Junho de 1847, travada entre Cartistas, defensores da Carta Constitucional de 1826, e Setembristas, apoiantes da Constituição de 1838. Foi desencadeada pela nomeação, depois do golpe palaciano de 6 de Outubro de 1846, a que se dá o nome de “Emboscada”, de um governo cartista que tinha como presidente o marechal João Oliveira e Daun, duque de Saldanha. Para alguns autores, o nome “Patuleia” deriva de pata ao léu (pé descalço); para outros, é um termo espanhol que significa “soldadesca sem disciplina”.
A guerra civil teve uma duração de oito meses, opondo os cartistas (com o apoio da rainha D. Maria II) a uma coligação que juntava setembristas a miguelistas. A guerra terminou com a vitória cartista, a 30 de Junho de 1847 pela assinatura da Convenção de Gramido. A paz só foi conseguida após a intervenção de forças militares estrangeiras ao abrigo da Quádrupla Aliança (Reino Unido, a França, a Espanha e a Igreja Católica).

De referir que entre 1807 e 1811 houveram as invasões francesas que debilitaram em muito as estruturas sociais em Portugal. A razão das invasões a Portugal relacionou-se com a recusa portuguesa em aderir ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão em relação à Inglaterra, no ano de 1806.
Mas as guerras internas começaram com a Guerra Civil entre liberais e absolutistas sobre a sucessão real e que durou de 1828 a 1834.
Na Guerra Civil Portuguesa, também conhecida como Guerras Liberais, Guerra Miguelista ou Guerra dos Dois Irmãos, foi a guerra civil travada em Portugal entre liberais constitucionalistas e absolutistas sobre a sucessão real, esteve em causa o respeito pelas regras de sucessão ao trono português face à decisão tomada pelas Cortes de 1828, que aclamaram D. Miguel I como rei de Portugal. As partes envolvidas foram o partido constitucionalista progressista liderado pela rainha D. Maria II de Portugal com o apoio de seu pai, D. Pedro IV, e o partido absolutista de D. Miguel. Estiveram também envolvidos o Reino Unido, a França, a Espanha e a Igreja Católica.
Já na Primavera de 1846 ocorre a Revolução Maria da Fonte, ou Revolução do Minho, contra o governo cartista presidido por António Bernardo da Costa Cabral. A revolta resultou das tensões sociais ainda vindas das guerras liberais e pelo grande descontentamento popular gerado pelas novas leis de recrutamento militar, por alterações fiscais e pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.

Rio Maior esteve bastante envolvido desde o início nesta guerra civil e apesar de muito extenso, é interessante ler as referências que aparecem sobre Rio maior no Jornal “O Curioso”, um Jornal Político e Comercial de 1846 a 1847.

Antes de passar a transcrever as passagens que julgo serem relevantes, existem aspetos importantes em Rio Maior referentes a estas guerras civis:
- A Casa Senhorial D. Miguel deve o seu nome à permanência do monarca neste espaço antes da Batalha de Almoster, como pode ser visto em:
- Em 1834 o Concelho de Azambuja foi extinto por D. Maria II por represália da povoação ter estado ao lado de D. Miguel durante as lutas liberais, como pode ser visto em:
- Os Condes de Rio maior também tiveram participação relevante nestas guerras civis, nomeadamente a Condessa de Rio Maior (casada com o 3º Conde de Rio Maior) e o Duque de Saldanha (filho do 1º Conde de Rio Maior), como pode ser visto em:
- Em Rio Maior também aconteceram eventos militares de relevância durante as invasões francesas, como pode ser visto em:


Agora as passagens relevantes do jornal “O Curioso”
20 Outubro de 1846
“Portugueses! Às armas! Um punhado de assassinos se prepara na Capital do reino para vos extorquir a liberdade que comprastes com sangue e roubar-vos as regalias com que os reis passados vos remuneraram as vossas virtudes.
Portugueses! É necessário que não deixeis levar avante tão infame desígnio. Não é a primeira vez que vos vistes ameaçados pelas baionetas dos tiranos e que os debelastes sobre o campo de batalhas, nessas lides passadas de religião e nacionalidade.”
“Irrmo e Exmo Snr., O Exmo Conselheiro Manoel da Silva Passos foi ontem procurado em Alpiarça por uma força dos rebeldes estacionados em Santarém, porém não foi encontrado. Contamos reunir aqui dentro de dois dias forças populares de Alenquer, Lanceiros de Valada, Cartaxo, Rio Maior, Torres Vedras e Nazaré. Com estas forças reunidas e ocupando Peniche com gente da nossa confiança marcharemos para onde convier. Manoel da Silva Passos e José Estevão são os nossos comandantes. O povo corre de toda a parte a alistar-se debaixo das bandeiras de tão ilustres cavalheiros.”
26 Outubro de 1846
“O Visconde de Sá marchou ontem e deverá chegar no dia 27 aí (Porto). De Artilharia parte já um Destacamento. Por aqui nada de novo. Évora foi atacada pelo Barão de Estremoz com 450 infantes e 210 cavalos que foram repelidos. Estava a chegar ali o General Celestino com a força do Algarve. De Santarém saiu infantaria nº1 sem mochilas a reforçar o Barão de Estremoz. José Estevão marcha com as forças populares sobre Rio Maior.
Em 26 do corrente, José Ferreira Coelho, Alferes comandante da 2ª Divisão Telegráfica.”
29 Outubro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Acho-me junto a Rio Maior, 4 pequenas léguas de Santarém, a onde tenciono entrar em dois dias. O Galamba tomou a Artilharia ao Salazer e o Celestino vem sobre Évora. Deus os guarde a V. Exa junto a Rio Maior 29 de Outubro de 1915, Illmo e Exmo Snr. José da Silva Passos, Vice-Presidente da Junta Provisória do Governo Supremo do reino, O delegado da Junta, José Estevão Coelho de Magalhães.”
30 Outubro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Gozo o favor de assegurar a V. Exa que pela uma hora da tarde do dia de hoje, entrei no Distrito confiado à minha administração, na Vila de Rio Maior, 4 pequenas léguas distante de Santarém e assumi interinamente o Governo Civil e amanhã conto entrar na Sede de Distrito. As forças rebeldes que estão em Santarém são apenas 250 baionetas e 25 cavalos e se acham com bagagens carregadas sendo constante que evacuarão aquela Vila à porção que forem chegando as forças populares que convergem sobre aquele ponto de diferentes partes. O entusiasmo do povo é imenso, nesta Vila fui recebido a repique de sinos e fogo do ar e fica organizando-se uma força nesta Vila anseia a glória que cabe aos seus companheiros de armas pelo triunfo de uma causa tão santa como aquela em que nos achamos empenhados. Agora mesmo entrou nesta Vila a força de cavalaria nacional de lanceiros comandada pelo valente patriota Illmo Snr Adolfo Manoel Nunes e vem entrando a brigada do valente e intrépido o Illmo e Exmo Snr. José Estevão Coelho de Magalhães.
Deus Guarde a V. Exa Rio Maior 29 de Outubro de 1846. Illmo e Exmo Snr José da Silva Passos, Vice Presidente da Junta Provisória do Supremo Governo do reino, O Governador Civil Interino, Tristão de Abreu e Alburquerque.”
31 Outubro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Dei ontem conta a V. Exa que havia entrado no Conceilho de Rio Maior, distrito de Santarém e assumido o Governo Civil do mesmo. Expedi a seguinte circular a todos os Administradores dos Concelhos do meu Distrito para que não prestem obediência ao governo intruso, aos rebeldes ou autoridades suas, sendo eu o Magistrado superior administrativo legal até que a Exma Junta Provisória do Governo Supremo do reino determine o contrário. Fiz ativar a cobrança dos rendimentos públicos e tenho a satisfação de assegurar a V. Exa que neste concelho em oito horas realizei a receção de dinheiros públicos que fornecerão por alguns dias a brigada do comando do Exmo José Estevão de Magalhães, que ontem à uma hora deu entrada nesta Vila sendo recebido a repiques de sino e foguetes. Está-se organizando aqui uma força popular de valentes patriotas, que hoje por noite conto ficará armada e pronta para marchar para onde convenha. …”
Deus Guarde a V. Exa Rio Maior 31 de Outubro de 1846. Illmo e Exmo Snr José da Silva Passos, Vice Presidente da Junta Provisória do Supremo Governo do reino, O Governador Civil Interino, Tristão de Abreu e Alburquerque. Confere António Bernardino de Carvalho diretor da Repartição dos Negócios do Reino.”
3 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Vou avançar à manhã sobre Rio Maior. Peço a V. Exa que comunique à Junta Provisória do Governo Supremo do reino o meu movimento, o que não faço por não ter tempo.
Deus os Guarde a V. Exa Quartel General em Leiria 3 de Novembro de 1846, às 8 horas da noite. Illmo e Exmo Snr Marques de Loulé, Conde das Antas.”
6 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Pelo ofício que acabo de receber e que remeto a V. Exa verá que Santarém foi ontem mesmo ocupada pela coluna do conde da Taipa, Deus Guarde a V. exa Quartel General em rio Maior 6 de Novembro de 1846. Conde das Antas.
7 de Novembro de 1846
“Vimos uma carta datada de 7 do corrente em Rio Maior escrita por pessoa fidedigna que faz parte do nobre fiel e valente Exército Nacional que além de conter várias notícias de interesse por nós já publicadas diz o seguinte: Continuam a apresentar-se oficiais  e soldados fugidos da capital”
9 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Vou marchar com todas as minhas forças para Santarém, não só para ocupar tão interessante ponto, como para dar a mão às tropas fieis do Alentejo e Algarve, que hoje devem estar reunidas em Évora. Deus Guarde a V. Exa Quartel General de Rio Maior 9 de Novembro de 1846. Conde das Antas. Illmo e Exmo Snr. Francisco de Paula Lobo d’Avila.”
10 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Ontem entrei nesta Vila (Santarém), com toda a força do meu comando e já se principiou o restabelecimento das linhas, estando seguro que não há força que de aqui possa expulsar-me. Em Rio Maior deixei José Estevão, comandando os Batalhões de Alcobaça, Caldas e Rio Maior, bem organizados e que sobem a 1.000 homens, e hoje mando o Conde da Taipa para Almeirim com uma bela força de 600 homens. Aqui estão 2.500 populares debaixo das ordens do Cézar de Vasconcelos.
Deus Guarde a V. Exa Quartel General em Santarém, 10 de Novembro de 1846. Illmo e Exmo Snr. Francisco de Paula Lobo d’Avila.”
17 de Novembro de 1846
“Quartel General de Santarém, 17 de Novembro de 1846.
Batalhão Nacional Móvel de Rio Maior.
Comandante, Joaquim Machado Franco.
Major, José da Costa Soares.
Ajudante, o Tenente graduado do Batalhão de caçadores nº1 servindo no nº2 da mesma Arma, José Cyrillo Machado.
Quartel Mestre, António Gil Alves.
Porta Bandeira, José Machado Feliciano.
Capitães: António Correa Mendes, Joaquim da Motta Ferreira e José Correa d’Almeida.
Tenentes: Henrique de Carvalho, João Machado Feliciano, José Henriques de Carvalho e Manoel Bernardino.
Alferes: Joaquim Machado Feliciano, António de Sá, Joaquim Ramos Franco e José Carvalho.
….”
10 de Dezembro de 1846
“Correu aqui ontem quase geral que no quartel geral do Exmo Conde das Antas houvera um movimento de suma transcendente, tendo sido destacadas de Santarém todas, ou a maior parte das forças sobre Rio Maior e retirando sobre Lisboa, acrescentavam alguns, as forças rebeldes de Saldanha.
Nem damos inteiro crédito ao boato, nem completamente o rejeitamos, com quanto ignoramos absolutamente o seu fundamento. Os últimos movimentos de tropas ao Sul podiam efectivamente ter influído para movimentos transcendentes nos dois quarteis generais. As vantagens que ultimamente temos obtido na esquerda do Tejo estando quase às portas da capital pelo lado de Almada e além disso a retirada de Leiria da coluna Lapa, perseguida pela denotada do exmo conde de Bonfim, que segundo as últimas participações devia no domingo ficar em Alcobaça.
De mais a mais o estado vulcânico em que se acha a capital, segundo todas as informações e por fim também o descrédito em que vai caindo o general das cem caras que prometendo subjugar todo o país apenas se tem podido estender até ao Cartaxo, podem efetivamente ter causado sérios e talvez decisivos acontecimentos. Anciosamente esperamos notícias que oxalá sejam conformes aos desejos dos verdadeiros patriotas.”
18 de Dezembro de 1846
“Corre como certo que o Tenente General Conde de Bonfim, se acha ocupando o ponto de Torres Vedras, sete léguas desviado de Lisboa e o valente General Conde das Antas em Rio Maior. Em breve anunciaremos a entrada destas forças na Capital.”
20 de Dezembro de 1846
“Illmo Exmo Snr. Ontem saí de Santarém depois das 10 horas por me constar a marcha das forças de Saldanha, umas na direção da Azambuja e outras na de Alcoentre e às 5 horas da tarde entrava em rio maior. Eu sabia que o Conde de Bonfim devia pernoitar em Torres Vedras e por isso esperava com razão que o inimigo marchasse na manhã de hoje na direção de Cadaval ou de Alenquer, mas vi com a maior surpresa que o não fez e só agora que são 8 horas da noite sou informado de ter empreendido a marcha às 3 horas da tarde. Acredito que o Conde de Bonfim, adiantando uma marcha do Saldanha, estará amanhã às portas da Capital. Eu vou seguir as tropas inimigas quase na mesma direção que levam, contando com uma vitória decisiva no caso de se chocarem as tropas, o que no estado atual das coisas me parece impossível evitar. Julgo pois que em poucos dias acabará esta luta fratricida, unicamente ocasionada por meia dúzia de degenerados portugueses.
Deus Guarde a V. exa Quartel General em Rio Maior 20 de Dezembro de 1848. Illmo e Exmo Snr. Francisco de Paula Lobo d’Avila, Conde das Antas.”
16 de Maio de 1847
“Pois que ontem entrou em Tomar uma guerrilha forte, segundo se afirma de mais de 200 homens! No Fundão há dias reapareceu a dispersada pelo capitão Liz de cavalaria 8, cometendo ali os maiores excessos. Em Penamacor houve movimento anárquico; em Peniche igualmente em 12 deste mês; e há dias nas Caldas, donde fugiram os principais agitadores, que de certeza se sabe, acharem-se nas serras de Rio Maior. Eu havia combinado uma batida aquela serra no dia 15, com a pouca força que está nas Caldas, e com o comandante do batalhão de Torres Novas; porem frustrou-se a combinação pela sedição em Peniche, e entrada dos guerrilhas ontem em Tomar, eu não obstante fiz marchar o major Fialho com 80 baionetas para Alcaneda, ignorando ainda a entrada dos guerrilheiros em Tomar, mas logo que esta me constou mandei ordem ao dito major para marchar logo para Torres Novas, e ali de combinação com o Lapa perseguir aqueles bandidos. O presente estado das cousas tem posto em grande desanimação os cartistas, e pelo contrário tem dado muita energia aos agitadores.
15 de Maio de 1847
“Cabe-me por esta ocasião a honra de participar a V. Exa que faltarão os correios ordinário e extraordinário que dessa capital deviam ontem chegar a esta cidade (Coimbra), constando que foram roubados nas proximidades de Rio Maior.
Deus guarde a V. Exmo  Coimbra 15 de Maio de 1847. Illmo e Exmo Sr. Ministro e secretario de estado dos negócios do reino. O governador civil interino barão de Almofallo.”
16 de Maio de 1847
“Consta que no dia 14 foram roubados quatro correios entre Alcobaça e Rio Maior.
Deus guarde a V. Snr  Quartel em Santarém 16 de Maio de I847. — Illmo Snr. J. de Pina Freire. C. C. Pedroso, coronel governador militar.”

sexta-feira, 9 de junho de 2017

III Mercadinho Romano de Rio Maior




Abriu hoje mais um Mercadinho Romano em Rivus Maior.

Neste mercadinho vende-se de tudo um pouco, como comida, vegetais, artesanato, plantas, sabonetes, perfumes, bijutaria, …
Esta excelente iniciativa que já vai na terceira edição, mobilizou muita gente. É com acções destas que se promove o envolvimento da população, se divulga a arte, se dignifica a história e se valoriza a terra.
A abertura do mercadinho foi precedida pelo cortejo que reuniu várias centenas de figurantes. O cortejo percorreu a Avenida Paulo VI, Rua Dr. Francisco Barbosa, Rua Serpa Pinto, Praça da República, Rua David Manuel da Fonseca e terminou na Praça do Comércio. É precisamente na Praça do Comércio  que o mercadinho foi montado.
A Sra Variadora da Cultura, Ana Filomena Figueiredo, participou no cortejo fazendo-se transportar numa liteira romana. Dignificou desta forma a iniciativa, encarnando uma personagem da época dos romanos.
O Mercadinho Romano privilegia a interacção com a comunidade escolar local. Este ano contou com a participação da Escola Secundária de Rio Maior, Agrupamento Marinhas do Sal, Agrupamento Fernando Casimiro e o Colégio Alto Pina.
Rio Maior teve uma presença romana significativa, como comprova a Villa Romana cujas ruínas se podem visitar. Este mercadinho é uma forma de reavivar a história da região.



















Se ainda não visitou, o mercadinho aproveite a oportunidade até amanhã, Vai haver uma série de actividades como um teatro nocturno, passagem de modelos, música, dança, jogos tradicionais e muito mais.

Pode saber mais sobre a Villa Romana de Rio Maior, em: 

sábado, 15 de outubro de 2016

Dia do Agricultor Livre


O feriado de Rio Maior nem sempre foi a 6 de Novembro.
No período pós revolução do 25 de Abril de 1974, passou-se o Feriado Municipal para o 13 de Julho, Dia do Agricultor Livre.

Pode saber mais sobre o 13 de Julho de 1975 em:

Ficam aqui duas fotos dos festejos que se faziam nessa época:
- Desfile de tractores a passar da Rua Armando Pulquério para a Avenida Paulo VI
- Gincana de tractores em frente da Igreja Paroquial.

Este feriado durou poucos anos, pois rapidamente voltou-se a celebrar o Feriado Municipal a 6 de Novembro, dia de aniversário da elevação de Rio Maior a Concelho.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Extração e processamento do ferro em Rio Maior


Este artigo vai-se debruçar sobre a história da extração e transformação de ferro em Rio Maior.

Em termos históricos, o uso do ferro tem uma importância muito relevante que levou a classificar uma época como Idade do Ferro e que na Península Ibérica começou por volta de 1000-900 a.C. O uso do ferro segue-se ao uso do cobre e do bronze.

Em Portugal e com os romanos, o ferro merece um relevo especial, havendo inúmeras explorações de jazidas de superfície de minério de ferro. Nessa época seria o ferreiro que trataria de todas as etapas de extração, fundição e forja que se misturavam entre si.
Em Rio Maior existem vestígios de ter existido uma ferraria romana na zona do Matão (aproximadamente na zona do atual parque de estacionamento da industria de carnes Nobre), pois foi descoberto um túnel que levaria a água do rio para as oficinas em que o ferro era tratado.
Pode saber mais sobre este túnel, em: 

Durante o período visigótico e muçulmana não existe qualquer referência à atividade metalúrgica, em consonância com o que acontece com o resto de Portugal.

Com a Idade Média, a função de extração do minério de ferro é separada do trabalho metalúrgico. Nesta época em cada núcleo populacional haveria um ferrador e/ou ferreiro. Por esta razão a existência de artesãos metalúrgicos não implica a existência de minas.
No entanto, só no século XIII é que aparecem referências documentais da atividade de extração e trabalho do ferro em Rio Maior. Os frades alcobacenses é que se dedicavam a este ofício pois o ferro era fundamental na elaboração de ferramentas para a agricultura.
A 7 de Abril de 1250, D. Fernando Mendes, abade de Alcobaça, faz inúmeras doações de possessões do mosteiro em Rio Maior (moinhos, fornos, herdades, casas, vinhas, …) a D. Estevão Anes, chanceler do rei Afonso III, mas ressalva que continuam na posse do mosteiro o minério de ferro existente na região (“reseruamos nobis mineriam ferri que est in heriditate quam habemus de Domna Vrraca fernandi. Et domos in quibus sunt strumenta ad ferrum fundendum”). Nesta altura, o Mosteiro de Alcobaça explorava uma mina de ferro em Rio Maior, na herdade deixada por D. Urraca Fernandes e uma outra mina existente em Freiria.
Existe uma outra referência, de 1256, que trata de forma explícita e pormenorizada de uma oficina de fundição de ferro em Rio Maior.
Ao longo do século XIII, aumentou a preocupação da Coroa em controlar a exploração dos recursos de metais. Foi D. Dinis que, em 1282, autorizou Sancho Peres e alguns sócios, com direitos sucessórios, a explorarem minas de ferro por todo o reino, dando à coroa a quinta parte de tudo o que extraíssem, e a dízima do aço e do ferro trabalhado.

Em resumo e em relação à mineração de ferro na região de Rio Maior, ‘talvez’ se possa dizer que:
- Os romanos exploraram intensivamente as jazidas mais importantes chegando mesmo a esgotar algumas delas.
- Com a chegada dos povos germânicos e dos muçulmanos assistiu-se a um retrocesso na exploração mineira.
- Na Idade Média houve um voltar ao trabalho nas minas de ferro, embora não esteja bem documentada. Durante esta época deve-se ter esgotado o minério fácil de apanhar na região de Rio Maior.

Na região existem mais referências à extração e trabalho do ferro, como:
 - Em Alcobertas também existem registos de terem havido minas de ferro e de bronze.
 - Existem topónimos em Rio Maior que indicam atividades associadas ao ferro e/ou ferreiro, como é o caso de Fráguas que deriva de ‘Frávegas’ e a Quinta da Ferraria.
 - É sabido que um dos problemas das areias siliciosas da Bacia de Rio Maior é o alto teor de ferro que pode atingir valores de Fe2O3 na ordem de 1.800 a 2.200ppm.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Procissão do Enterro do Senhor em Rio Maior

Em Rio Maior, existem duas Procissões Pascais. A Procissão dos Paços e a Procissão do Enterro do Senhor. Ambas são da responsabilidade da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior.

A procissão do Enterro do Senhor tem início na Igreja Paroquial e passa por diversas ruas da cidade. A solenidade termina na Igreja da Misericórdia com o ato simbólico do Enterro do Senhor.
Nesta cerimónia estão representadas as várias entidades de Rio Maior, como a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia, a Associação e Corpo de Bombeiros, os Escuteiros e a Liga dos Combatentes. Durante o percurso coube à Banda Filarmónica da Freguesia de São Sebastião o acompanhamento musical. A solenidade é muito participada, havendo muitos populares que acompanham a procissão e muitos outros que aguardam a sua passagem para assistirem ao evento.









 
Esta procissão já se realiza há muitos anos em Rio Maior.



Existe um relato curioso envolvendo estas procissões pascais que se passou com a procissão do Corpo de Deus em 1435. O dia do Corpo de Deus era é celebrado na segunda quinta-feira após o domingo de Pentecostes (60 dias após a Páscoa) e era dia feriado até 2012. Esta festa é a “festa de guarda” onde é celebrado o mistério da Eucaristia.
Ora em 1435, vários bens de Rio Maior foram penhorados pelo facto da população não ter participado na procissão organizada em Santarém. A 20 de Julho de 1435 os moradores de Rio Maior foram a Alenquer, onde a Corte portuguesa estava a passar uns dias, obtiveram uma audiência e expuseram o facto de não terem ido a Santarém devido à procissão se realizar já há muitos anos em Rio Maior. Obtiveram um alvará de D. Duarte que ordenava aos juízes de Santarém à devolução dos penhores e conseguiram ainda o direito a organizarem localmente a sua festa e procissão. Posteriormente e com medo de novas intervenções dos Juízes do Concelho procuraram a confirmação sucessiva do diploma, a 13 de Maio de 1440 em Santarém e a 24 de Agosto de 1449 em Óbidos. Este evento reforçou os laços entre a comunidade de Rio maior e a igreja local, já que até então as relações não eram muito próximas. O facto da igreja se encontrar fora do espaço da aldeia e do outro lado do rio é exemplo do fraco envolvimento da população. Claro que as ordens religiosas estavam envolvidas em alguns ramos económicos, como a extracção de sal-gema nas salinas (pelo menos desde 1177) e a extracção de ferro numas minas existentes no termo da aldeia referenciadas no século XIII.