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domingo, 20 de outubro de 2013

Abrigos na garganta das Bocas



Os abrigos na parede Sul da garganta das Bocas.

A poucos metros do topo Sul desta garganta existem muitos abrigos. Há indícios de vários deles já terem sido habitados.
Neste artigo considero que estas formações são abrigos, pois vários especialistas só consideram grutas, cavidades com desenvolvimento horizontal superior a 20 metros.
Apesar destas cavidades não entrarem muito dentro do maciço calcário, têm aberturas que facilmente atingem os 6 metros de altura e quase todas elas permitem que um homem ande perfeitamente ereto no seu interior.
Tive dificuldade em as fotografar, pois a vegetação cobre-as quase por completo.
Os acessos também são muito maus, pois não há caminhos e tem-se que andar muitos metros com declives acentuados no meio de mato muito denso.
Mas o esforço é muito recompensador, pois estes abrigos são lindíssimos, a vista espetacular e faz-nos regressar ao tempo dos homens das cavernas.
Rio Maior tem condições excecionais para criar um roteiro de grutas e abrigos que poderia atrair muitos turistas aventureiros à nossa região.









Para uma próxima vez, tenho de explorar a vertente Norte desta garganta.


Ficam aqui exemplos de outros locais geológicos muito interessantes em Rio Maior que poderiam estar incluídos num roteiro.
Salinas
Gruta de Alcobertas
Nascente do Rio Maior
Gruta de Senhora da Luz I
Gruta de Senhora da Luz II
Buraco da Moura
Formações Prismáticas de Basalto
Formações Calcite Prismática
Algares

sábado, 16 de julho de 2011

Buraco da Moura nas Bocas

Quem circula pela estrada que liga Rio Maior a Caldas da Rainha (N114) , mesmo no final da recta ao entrar nas ‘Bocas’, pode encontrar ao seu lado direito o ‘Buraco da Moura’.

Este buraco nada mais é do que uma falha tectónica na zona Oeste do maciço calcário da Serra dos Candeeiros.
Em vários pontos desta falha é possível chegar à água que alimenta as nascentes do rio Maior.
Devido à perigosidade que a exploração desta falha apresenta, só devem de entrar nela pessoas experientes e devidamente equipadas. A falha já foi explorada por diversas vezes e segundo sei, nunca ninguém conseguiu chegar ao final dela pois é muito extensa e em vários locais muito estreita e inclinada.






sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Memórias da Buraca dos Mouros nas Bocas

No local aonde actualmente está a laborar a pedreira da Tecnovia nas bocas, existiu em tempos não muito remotos uma gruta com importância não só pela sua dimensão, mas também pelos achados arqueológicos lá encontrados.
Entretanto esta gruta foi completamente destruída com os trabalhos da pedreira.
A gruta conhecida como Buraca dos Mouros, possuía cerca de 35 metros de desenvolvimento e tinha uma entrada bastante ampla.
A planta da gruta feita em 1987 era o seguinte:

Neste espaço realizaram-se escavações em finais dos anos 30 do século passado pelo investigador Heleno e mais tarde em 1987 foram realizadas novas escavações por Lawrence G. Straus.
Durante as escavações encontraram-se vestígios de enterramentos da época calcolitica, acompanhados de cerâmica e indústria lítica. O espólio recolhido em 1987 foi levado para o Museu Municipal de Torres Vedras e o relatório dos trabalhos entregue no Departamento do Instituto Português do Património Cultural.
Este seria o local aproximado da localização da gruta.


Mais uma vez, foi autorizado que o património do concelho fosse destruído e o que restou em termos de espólio encontrado, fosse levado para fora da região.
Temos que ser mais activos na defesa do nosso património, pois nós estamos aqui só de passagem e não temos o direito de negar ás gerações futuras o legado que nos foi deixado e que temos vindo a o destruir.


sábado, 11 de dezembro de 2010

Gruta em Nossa Senhora da Luz I

Esta gruta encontra-se localizada no lugar de Nossa Senhora da Luz.
Para se aceder à gruta tem-se que passar por um terreno privado. Mais uma vez esta gruta não possui nenhum tipo de protecção.
A gruta possui na sua parte inicial o tecto bastante alto e é bastante fácil passar por esta área que compreende duas grandes salas ligadas por um corredor estreito.
Os vestígios arqueológicos encontrados na gruta foram datados da época do Neolítico/Calcolítico e incluem tumulações acompanhadas de oferendas funerárias como cerâmica, indústria lítica e adornos. O espólio recolhido encontra-se no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia em Lisboa.
As intervenções arqueológicas foram a escavação numa espessura de 3-4 metros em 1934-36 sob a orientação de Manuel Heleno e sondagens em 1987 realizadas por Anthony Marks e João Zilhão que concluíram já não haver mais vestígios arqueológicos.
Sendo esta gruta classificada como Monumento Nacional por decreto de 1934, deveria de estar melhor preservada, protegida, com caminhos de acesso definidos e sinalizada. Ainda estamos a tempo de preservar o nosso património, não temos é muito tempo para fazer o que tem de ser feito. É urgente começar a agir.





A seguinte imagem é de um vaso descoberto nesta gruta, datado do Neolítico Antigo Evoluído/Neolítico Médio e tem 20.3 cm de altura e 20.2cm de diâmetro.

Ver também o artigo sobre uma outra gruta que se encontra a alguns metros de distância desta, em:
A gruta está classificada como Monumento Nacional pelo Decreto nº23743, de 06-04-1934, inventariado na base de dados do IGESPAR com CNS3840 e no Plano Director Municipal de Rio Maior, PDM nº72).

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Gruta de Alcobertas

Gruta de Alcobertas

A gruta de Alcobertas toma o nome da freguesia a onde se encontra e os primeiros registos conhecidos desta gruta datam de 1872 a quando da publicação do livro ‘Diário Ilustrado nº127’ escrito por Bernardino Soveral e no qual descreve as formações cristalinas da gruta já em pormenor. Posteriormente em 1878 no livro ‘Portugal Antigo e Moderno’, Pinho Leal dedica 3 páginas com descrições detalhadas e no qual esta gruta é já descrita como uma das mais bonitas da Europa. Em Abril de 1880 foram realizadas escavações com objectivos arqueológicos por António Mendes (pertencente à antiga Comissão Geológica) e sob a orientação de Carlos Ribeiro e Nery Delgado. Foram encontrados restos osteológicos e um crânio incompleto.
A gruta tem formações que se distinguem pelas suas transparências e pelas diferentes côres que possuem.
Estando localizada numa das encostas da Serra dos Candeeiros a gruta tem uma extensão de 210 metros com uma altura que em alguns locais atinge os 9 metros e é constituída por quatro galerias principais que tomam os nomes de ‘Sala dos órgãos’, ‘Sala das estátuas’, ‘Sala da catedral’ e ‘Grande salão’. Uma representação destas galerias e da disposição da gruta pode ser observada no terraço da área de apoio à gruta.
Em termos arqueológicos a gruta também surpreende pois aqui foram encontradas ossadas de um homem do Paleolítico Superior (Homo Sapiens Sapiens) e diversos objectos desta mesma época (com cerca de 15.000 anos). Também foram encontradas ossadas do Neolítico (por volta de 3.000 a.C.). Todos os achados encontram-se em Lisboa no Museu dos Serviços Geológicos de Portugal devidamente catalogados.
Em termos de fauna a surpresa continua pois existe na gruta um verdadeiro troglobiont (nome dado a animais que só conseguem viver em grutas) que é o crustáceo Proasellus spinipes. A matéria orgânica necessária para estes crustáceos viverem é transportada pelos morcegos que também aqui habitam.
A Gruta é Monumento Nacional.

Foi nos anos setenta que se pensou em abrir ao público a gruta. O que seria uma boa ideia revelou-se quase fatal, pois as obras danificaram muitos afloramentos calcários e os gazes produzidos foram nocivos à conservação dos mesmos. A publicidade que a gruta teve, levou a que muitos curiosos fossem á gruta e partissem estalagmites e estalactites para levarem como recordação (o que é uma pura ilusão pois estes afloramentos calcários só têm valor e interesse inseridos no seu meio que é a gruta).
Finalmente a gruta foi fechada em 1986 e a Federação Portuguesa de Espeologia com a colaboração de jovens do Rancho Folclórico de Chãos realizaram trabalhos de limpeza de todo o espaço.
Actualmente só é possível visitar a gruta com uma marcação prévia e acompanhado de técnicos da Cooperativa Terra Chã. Este projecto é uma iniciativa do PNSAC (Parque Nacional das Serras de Aires e Candeeiros), Junta de Freguesia de Alcobertas, Câmara Municipal de Rio Maior e Associação Rancho Folclórico de Chãos.

A aparente desvalorização desta gruta está muito relacionada com algum vandalismo que aqui houve no passado, mas também não nos podemos esquecer que só mais recentemente é que outras grutas na região foram descobertas como: Grutas de Mira De Aire em 1947; Grutas de Santo António em 1955; Grutas de Alvados em 1964 e Grutas da Moeda em 1971.
Agora temos é que preservar a gruta e arranjar um modo que todos quanto a queiram visitar o possam fazer em segurança e sem danificar o que resta.























Entrada alternativa na gruta
Exemplos de vandalismo:
Estalactites partidas
Inscritos nas formações calcárias


Ficam agora algumas noções básicas sobre a formação de grutas.
As Galerias e Salas de uma gruta formam-se quando a água carregada de gás carbónico dissolve o calcário e alarga a conduta inicial do ‘rio’ subterrâneo.
As deposições minerais em cavernas que se formam principalmente por processos químicos de dissolução e precipitação tomam por nome espeleotemas e são classificados em:
Estalactites – Quando a água vinda por uma fenda chega ao tecto de uma galeria perde o dióxido de carbono e solta carbonato de cálcio ao redor da gota. Vai-se assim formando um elemento tubular por cujo interior a água flui. O crescimento da estalactite depende de muitos factores mas é da ordem de 0,3mm por ano.
Estalagmites – Quando a água chega ao solo começa a ser formada a estalagmite que normalmente é mais larga que a estalactite, mas que tem uma ordem de crescimento semelhante.
Coluna – Quando a estalactite se junta á estalagmite subjacente.
Cortina – Quando a gota de água surge na galeria numa parede ou tecto inclinado e escorre pela superfície deixando um rasto de calcite. Com o passar de tempo forma-se uma ‘lâmina’ ondulada que pode possuir várias côres conforme a água infiltrada transporta mais ou menos argila ou materiais orgânicos.
Couve-flor – Quando a gota de água cai dos tectos pode provocar salpicos o que origina um crescimento irregular da calcite sobre outros espeleotemas vizinhos formando superfícies rugosas e porosas.