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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bairro do Espadanal

Em Rio Maior, a atividade mineira da Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, distribuía-se por três polos principais, para além da grande estrutura edificada na década de 40/50 do século passado:
Polo 1 – Espadanal – Polo inicial desenvolvido em torno do poço mestre aberto em 1916, com edifícios destinados a Escritório, Posto Médico, Refeitório, Oficinas, …
Polo 2 – Bogalhos – Junto a um segundo poço de acesso à mina, continha o sistema de drenagem de águas para a Ribeira do Aboim, a primitiva central eléctrica e casas para operários.
Polo 3 – Abum – Estabeleceu-se uma segunda concessão mineira, vulgarmente denominada ‘Mina do Giz’, para a extração de diatomite.

Nas imagens seguintes pode-se observar o aspecto dos antigos edifícios.
 

 
Fotos retiradas de uma filmagem amadora do pólo do Espadanal realizada em 19 de Setembro de 1998. A filmagem encontra-se na página do Facebook da Eicel Património Mineiro, em:


Os sete edifícios que existiam neste polo que se foram renovando ao longo do tempo de exploração da mina, destinavam-se a: Direção Técnica, Escritórios, Posto Médico, Refeitório, Topografia, Carpintaria, Oficina de Serralharia, Oficina Eléctrica, Ferramentaria, Armazém e Garagem.
Resumidamente, nesta área encontravam-se as áreas de apoio á laboração do complexo mineiro.

Em 1999 o conjunto edificado foi demolido pela Câmara Municipal para aí ser construído um bairro social para albergar 14 famílias de etnia cigana que ocupavam na altura um terreno privado junto à Avenida Mário Soares (zona do atual Pavilhão Multiusos e Parque escolar). Esta foi uma ação no âmbito do projeto “Percursos de Cidadania” (projeto de luta contra a pobreza do Concelho de Rio Maior). De notar que nos sensos de 2001 estavam registadas 20 barracas na freguesia de Rio Maior.

Em 2003 foram assim entregues e ocupadas as moradias do Bairro do Espadanal. O bairro é um conjunto de moradias térreas do tipo pré-fabricado.
Atualmente existem mais algumas construções em alvenaria que foram construídas à revelia.

 
Hoje em dia o Bairro do Espadanal está envolto em polémica, já que o ‘Centro Europeu dos Ciganos’ (European Roma Rights Center - ERRC) apresentou um relatório em que afirma que as famílias foram isoladas no meio da floresta, no topo de uma velha mina, onde não há transportes públicos, iluminação e acessos alcatroados. As queixas estendem-se há existência de infiltrações nas casas e aos problemas respiratórios relacionados com as poeiras provenientes da mina desativada.
O ERRC tem sede em Budapeste (Hungria) e é uma organização do direito internacional público que tem por missão combater a descriminação e alcançar a igualdade das pessoas de etnia cigana.
Em Novembro deste ano, vieram a Portugal dois emissários do ERRC (Dezideriu Gergely – Diretor executivo e Lydia Gall – Responsável jurídica) para denunciarem esta e outras situações que ocorrem em Portugal

A Câmara Municipal de Rio Maior tem uma opinião contrária e já rebateu oficialmente as denúncias.
Segundo a Câmara Municipal, a exploração da mina já cessou há cerca de 60 anos, não sendo conhecidos problemas de saúde relativos à antiga atividade mineira. Em 2003 foi feito um avultado investimento por parte da câmara para dar uma casa a pessoas que viviam de forma ilegal em barracas e tendas. O Bairro do Espadanal dista cerca de 400 metros do perímetro urbano da cidade (perto da zona escolar e do centro desportivo), é servido por uma estrada asfaltada e possui iluminação pública.


Independentemente da forma como o alojamento foi realizado em 2003, o importante é que a coabitação de todos se faça de uma forma integrativa de modo a que as diferenças existentes numa comunidade sirvam para valorizar e enriquecer culturalmente o povo e não para criar cisões e divisões sem nexo. O segredo está no conhecimento e respeito mútuo.

Sobre o complexo central da Mina do Espadanal pode consultar:

domingo, 4 de dezembro de 2011

Zona de Rio da Ponte em Rio Maior

Esta zona que fica na passagem do rio Maior em frente ao cemitério da cidade, encontra-se completamente remodelada em relação à sua situação em meados do século passado.
 
Na imagem antiga, retirada do livro ‘História de Rio Maior’ de Fernando Duarte, pode-se ver na zona central a antiga ponte que aí existia. Na zona esquerda da fotografia vê-se o acesso ao rio e do lado direito a taberna do João Romão (lagar do Varela) e a casa da Maria Romão. Ao fundo na fotografia, pode-se vislumbrar o arvoredo da entrada do cemitério e a torre da antiga igreja matriz que se encontra no cemitério e que entrou em ruína em 1755.

Na imagem seguinte pode-se ver a imagem actual do local, largo Eng. Adelino Amaro da Costa, com a actual ponte sobre o rio Maior.

A antiga ponte foi demolida nos anos oitenta do século passado com o objectivo de ser alargada.
Na exposição permanente que existe na Casa Senhorial, pode-se ver a pedra de fecho do antigo arco da ponte, a qual tem a inscrição "12.1870.9" que se refere à data de inauguração da mesma, 12 de Setembro de 1870.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Azambujeira em 1758

Este artigo é escrito com base no documento 'Memórias Paroquiais' de 1758 guardado no Arquivo Nacional Torre do Tombo.
O documento tem como código de referência PP/TT/MPRQ/5/67.
As páginas que referem Azambujeira são as 957, 958, 959 e 960 do nº67, volume 5 de 'Memórias Paroquiais'.

Este é um artigo que faz uma fotografia de Azambujeira no ano de 1758, três anos após o grande terramoto de Lisboa.

Em resumo:
O Conde de Soure era o donatário na altura da vila de Azambujeira.
É feita a localização geográfica de Azambujeira e é referido que possuía 97 famílias que dava cerca de 350 pessoas.
É feita uma descrição detalhada da Igreja Matriz com devoção a Nossa Senhora do Rosário e também surge a referência à Ermida de Santa Luzia que já na altura se encontrava em vias de ruína, mas que mesmo assim era muito frequentada pelos populares que a ela também se deslocavam para cumprir promessas.
Existe uma descrição muito detalhada dos rendimentos da paróquia (grande parte das medidas são em Moios e 1Moio=21,762hectolitros).
O poder politico na região também é descrito, com o Juiz Ordinário, Juiz de Órfãos, Alcaides, Vereadores, Procurador do Concelho, Oficial da Câmara e Almotacé.
São descritos também os dois rios que passam por Azambujeira: O Rio Maior e o Rio de Alcobertas.
Curiosa é a descrição pormenorizada do Rio Maior, começando pelo seu nome. O Rio Maior era conhecido na nascente como Rio do Jogadouro, depois em Rio Maior, chamava-se Rio Maior, em São João da Ribeira, era conhecido como Rio de São João e após Azambujeira passava a ser conhecido como Rio do Amial.
O Rio Maior é descrito como sendo navegável por bateis, como tendo um grande caudal desde a sua nascente e como tendo uma grande abundância de peixe (Enguias, barbos, fataças, Sarmoins, ruivacas e lampreia).
As margens do rio também não foram esquecidas e são descritas como muito produtivas para o trigo, milho, legumes, árvores de fruto e árvores silvestres. Na região também surge referências à cevada, às oliveiras, às videiras e ao feijão fradinho.
Por último, o terramoto de 1755 não fez muita destruição por Azambujeira, pois caíram somente algumas casas de sobrado.





Segue agora uma cópia que tentei fazer do manuscrito. No entanto como não sou entendido em português antigo, poderá ter alguns erros.

Emm. Sn’r
Que posso dizer a respeito desta minha freguezia da villa de Azambugeira hes seguinte
Pertençe ao Patriarcado de Lisboa, comarca da villa de Santarem, termo da villa de Azambugeira e Freguezia de Nossa Senhora do Rozario
Esta villa he donatario della o Excelentipsimo Conde de Soure e o he ao prezente.
Tem esta Freguezia noventa e sete moradores, tem trezentas e sincoenta pepsoas.
Está esta villa situada em hum monte e se descobre della a villa de Santarem donde dista duas Legoas para a parte do Nacente.
Tem esta villa seu termo e comprende dois Lugares hum delles se chama Louriçeira que he da Freguezia de Almoster tem doze moradores, o outro Lugar he desta Freguezia e se chama Alfouvés, e tem trinta e seis moradores.
A Paroquia esta dentro na villa, e fora da villa tem hum lugar que se chama Alfouvés; o Orago desta Freguezia he Nossa Senhora do Rozario; tem aí Igreja só huma nave; tem três Altares exceto o da capela mor; o da parte do Evangelho he de Santo Antonio; e o da Epistulla he do Senhor Jezus Crucificado; estes dois Altares ficáo na façia da Igreja tem outro Altar na parede da Igreja da parte da Epistulla e he de Nossa Senhora do Rozario; tem esta Freguezia duas comfrarias, huma do Santipsimo Sacramento e outra de Nopsa Senhora do Rozario, esta comfraria de Nossa Senhora do Rozario esta sobordinada ao Prior do convento de Sáo Domingos da villa de Santarem; O Parroco desta Freguezia he vigario he aprezentado pello Excelentipsimo Conde de Soure a renda serta que tem Sáo dois moýos, de trigo, e hum moýo, de Feijáo fradinho, quatro cantaros de azeite, e huma terra no Paul chamado emtre as vallas, que costuma dar de nouidade trigo e milho dois moýos o mais he, se de Altar que junto huma couza com outra, rendera húns annos pelos outros cento e vinte mil reis
Tem esta Freguezia huma Ermida da Evocaçáo de Santa Luzia a qual imagem se acha na igreja por estar a ruinada a Ermida
Esta Ermida pertence ao Povo, tem muntas pepsoas devoçao com a Santa, donde vem varias vezes agradecer á Santa algum milagre que rezas a respeito dos olhos
Os Frutos que os moradores desta Freguezia recolhem sáo trigo munto e bom sevada e bastante milho também recolhem munto vinho e azeite e legumes de todas as castas
He governada esta terra por hum Juis ordinário tem dois Veriadores e hum Procurador do conçelho e Almotaçe  e Oficial da camara e Alcaydes e o mesmo Juis ordinário he Juis dos orfos; Esta Justiça he feita de tres em tres anos por pelouro o qual se costuma a fazer justiça para tres anos e preside á Eleiçáo o corregedor da villa de Santarem pelo qual sáo confirmados quando se abre o pellouro; Sevinçe esta terra do correyo da villa de Santarem de onde dista duas Legoas
Fica esta terra distante da çidade de Lisboa quatroze Legoas.
A ruina que padeçeo no teremoto do anno de 1755 foráo só humas cazas de sobrado as quais cahiráo a inda se acháo cahidas
Está esta terra em hum monte a qual sercáo dois Rios hum da parte do poente o qual tem o seu nascimento na Freguezia de Rio Mayor junto a huma quinta chamada o jugadouro no qual sitio comteria o mesmo nome do sitio donde nasçe Logo mais abaixo se chama Rio Mayor tomando o nome da terra por onde papsa passando pella Freguezia de Sáo Joáo da Ribeira se chama o Rio de Sáo Joáo e chegando a esta Freguezia de Azambugeira se chama o Rio do Amial por passar por huma Ribeira chamada o Amial e dista desta Freguezia duas legoas ao seu nascimento
Este Rio nasçe logo caudallozo e corre todo o anno
Desta Freguezia para sima náo he navegável por cauza de huma ponte de cantaria que se acha no meyo das Fazendas da Freguezia ca tal ponte empede a navegação daqui para sima
O outro Rio da parte do Nacente naçe a onde se chama as Alcobertas  No chamado olho dagoa das Alcobertas e nesta Freguezia se chama o Rio de Calharis este Rio daqui para cima the o lugar do seu nascimento náo he navegável por respeito dos asudes Este Rio também naçe Logo caudaloso e corre todo o anno
Qualquer destes dois Rios desde o sitio donde moram the apon que esta nesta Freguezia são Navegaveis no tempo de Inverno por Bateis que costumáo carregar quinze dezasseis moyos de páo
Qualquer destes dois Rios em humas partes sáo de curso Arebatado em outras quieto;
Correm estes dois Rios do Norte para o Sul; Criáo estes Rio quantidade de Peixes de toda a casta estes sáo muntas emguia barbos Fataças Sarmoins Ruivacas e em  alguns mezes do anno como sáo Março Abril e Mayo se fazem huns carreiros donde se apanháo bastantes Lampreas e de toda a pescaria uzáo Livremente todas as pepsoas
As margens destes dois Rios se cultiváo donde se recolhe bastante trigo milho e Legumes em algumas partes tem seu Arvoredo tanto de Fruto como  Silvestre
Estes dois Rios se ajuntáo hum com outro nesta Freguezia donde chamáo o canto do pego juntos em hum váo morrer no Rio Tejo donde chamáo o Rio Novo
Os moradores desta villa uzam Livremente de suas agoas para a cultura das suas terras
O Rio da parte do Nascente desde o seu Nascimento ate donde morre dista sete Legoas e o da parte do Poente dista seis Legoas; he o que a Vossa Emm.ª poço dizer desta minha Freguezia de Azambugeira houje dois de Abril de 1758

O Vigario Francisco Baup.tas
Azambugeira

sábado, 19 de novembro de 2011

Casais Monizes

No alto da Serra dos Candeeiros existe o lugar de Casais Monizes que pertence a Alcobertas.

Este lugar árido está envolto em várias lendas, como se pode verificar no artigo:

Na terra as casas costumavam ser baixas e com portas pequenas como se pode observar na seguinte fotografia de 1943.
 
As casas eram baixas com portas pequenas, poucas janelas e muitas sem chaminé para protegerem os seus habitantes do frio e do muito vento que por aqui costuma fazer no inverno. A construção é em pedra pois esta matéria-prima abunda por toda a região.
Algumas destas casas ainda são possíveis de observar em Casais Monizes, embora a maior parte delas se encontrem ao abandono, preferindo agora os seus habitantes, como é óbvio, morar em casas novas e já com todos os confortos que a modernidade trouxe.

 
A água é um elemento que escasseia nesta terra, principalmente durante os meses de Verão. Por isso antigamente usavam-se as depressões nas rochas ou algares para servirem de cisterna, armazenando as águas da chuva. A abertura de poços é inútil por aqui devido à serra ser formada por rocha calcária.

 
Devido ao facto da terra ser árida, a agricultura sempre foi de subsistência, sendo que o gado constituía a verdadeira riqueza da região obrigando antigamente os habitantes a serem essencialmente pastores. Pelo gado os homens de Casais Monizes faziam todos os sacrifícios e criaram talhados na rocha os bebedouros para matar a sede aos animais.

 
Por estas terras o gado alimentava-se sobretudo de alecrim. Assim o alecrim sustentava os rebanhos, alimentava as abelhas que faziam o mel, desinfectava os quartos dos doentes, enfeitava os cabelos das noivas, servia de incenso na capela e dava um outro sabor às refeições. Havia assim uma dependência dos habitantes em relação a esta planta. E como refere Frederico Alves no artigo ‘Casais Monizes – A Serra dos Degredados’ que publicou em 1943 no ‘Multidão’, a planta do alecrim que em noutras terras é desprezada, aqui assume o estatuto de ‘planta sagrada’, cuidada como algo muito precioso por seus habitantes.

 
Para se poder usar o solo para a agricultura e pastorícia teve de se limpar este das pedras calcárias que o cobriam. As pedras foram usadas para construir muros, delimitando assim as propriedades, mas ao mesmo tempo protegendo as culturas dos ventos fortes.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Fernando António Duarte - Cinéfilo

Fernando Duarte.
 
Fernando António Duarte nasceu em Rio Maior em 28 de Julho de 1928. Os pais foram António da Conceição Duarte (1897-1971) e Cacilda da Fonseca Esperança (1885-1958).
Frequentou o liceu em Santarém e seguiu a carreira de Solicitador Judicial
Destacou-se no cinema com artigos, críticas e filmografias. Fundou e dirigiu diversas revistas.



 
Fundou em 1952 o primeiro cineclube do país fora das grandes cidades (Lisboa, Porto e Coimbra), em Rio Maior.
Na imprensa, colaborou com inúmeras publicações regionais, dentro e fora do concelho de Rio Maior como o ‘Concelho de Rio Maior’, Gazeta do Sul’, ‘Comarca de Alcobaça, etc. Em 1948 foi um dos fundadores do jornal ‘O Riomaiorense’. Foi director também de jornais como ‘Jornal de Rio Maior’, ‘Jornal da Marinha Grande’, ‘Recorte’ e ‘Selecção’.
Em 1951, publicou um estudo sobre a história local, ‘Rio Maior – Estudo da Vila e seu concelho’. Nesse mesmo ano criou o primeiro programa semanal de cinema na Rádio Ribatejo.
Em 1953 fundou e dirigiu a revista ‘Visor’ e em 1957 fundou e também dirigiu a revista ‘Celulóide’
Em 1960 realizou o documentário ‘Sal sem Mar’ e posteriormente vários outros filmes experimentais.
Fundou em 1967 o ‘Ribatejo Ilustrado’ do qual foi director. Foi director do ‘Diário do Ribatejo’ desde o seu início em 28 de Novembro de 1967, chegando também a ser dirigente do ‘Diário Feminino’ em 1970.
Entre 1979 e 1982, Fernando Duarte publicou na revista ‘Ribatejo Ilustrado’ vários artigos sobre Rio Maior que depois os compilou num excelente livro o ‘História de Rio Maior’. Neste livro fala-se sobre quase tudo o que se relaciona com Rio Maior, fazendo-se uma síntese histórica das origens até 1900 e a evolução desde 1900 até 1979.
Participou em vários festivais do cinema e foi director do Festival Internacional do Cinema de Santarém desde a sua criação em 1971.
Colaborou na Enciclopédia Luso Brasileira de Cultura, da Editorial Verbo.
Faleceu a 24 de Julho de 1985
Após o seu falecimento, na cessão da Câmara Municipal de Rio Maior de 06 de Agosto de 1985 foi aprovada por unanimidade a atribuição do seu nome a uma rua da cidade.

 
O busto de Fernando Duarte foi colocado no ‘foyer’ do Cineteatro de Rio Maior, como homenagem a quem tanto deu para o desenvolvimento do cinema em Rio Maior. A execução deste busto foi de autoria do escultor Armando Ferreira.

Vários exemplos de publicações de Fernando Duarte.






Fernando Duarte publicou vários livros e opúsculos:
1951 – ‘Rio Maior – Estudo da Vila e seu concelho’
1952 – ‘Bases Teóricas do cinema’
1954 – ‘Cinema proibido’
1956 – ‘História do cinema’
1960 – ‘ Primitivos do Cinema Português’
1961 – ‘Boria Pasternak’
1961 – ‘Jean-Paul Sartre’
1961 – ‘Eça de Queiroz’
1962 – ‘Françoise Sagan’
1962 – ‘Trindade Coelho’
1962 – ‘Ernest Hemingway’
1962 – ‘Adolfo Hitler’
1963 – ‘Leão Toistoi’
1963 – ‘Júlio Dinis’
1964 – ‘Aquilino Ribeiro’
1964 – ‘Pablo Picasso’
1964 – ‘Robert Brasillach’
1964 – ‘Almeida Garrett’
1965 – ‘Cinema e Erotismo’
1965 – ‘Greta Garbo’
1965 – ‘Máximo Gorki’
1965 – ‘Shakespeare’
1966 – ‘Paulo Rocha e o novo cinema português’
1967 – ‘Camilo Castelo Branco’
1972 – ‘Adolfo Coelho e o cinema Português Agrícola e de Ambiente Rural’
1973 – ‘O Cinema de Temática Rural e o Documentário Agrícola’
1974 – ‘Leitão de Barros’
1975 – ‘Manuel Guimarães’
1976 – ‘Elementos para a História do Cinema Português’
1977 – ‘Marinhas do Sal de Rio Maior – Oito Séculos de História: 1177-1977’
1977 – ‘Pequena História do Cine-Clube de Rio Maior’
1977 – ‘Cinema, Agricultura e Extensão Rural’
1977 – ‘Apontamentos para uma biografia de Arthur Duarte’
1977 – ‘Alexandre Herculano’
1978 – ‘Charles Chaplin’
1978 – ‘Apontamentos para uma história do Cinema Português que não se fez’
1979 – ‘Howard Winchester Hawks – A vida e os filmes de um realizador americano’
1979 – ‘Manuel Luis Vieira e Reinaldo Ferreira – Repórter X’

sábado, 5 de novembro de 2011

Arranha-céus em Rio Maior

 
Em 1979 inicia-se a construção do então chamado arranha-céus de Rio Maior na Praça da República.
Este edifício gerou logo na fase de projecto muita controvérsia com acesas discussões entre aqueles que o apoiavam e os outros que eram contra uma construção de elevada dimensão naquela localização. O arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Teles, figura notável nos assuntos relacionados com o ordenamento do território e fundador do partido PPM (Partido Popular Monárquico), era da opinião que tal torre constituía um atentado em termos urbanísticos e em termos ecológicos.
A verdade é que o prédio foi construído e duma forma muito rápida. No início da década de oitenta do século passado já se encontrava erigida e a fazer sombra ao ainda antigo edifício dos Paços do Concelho.
O Arranha-céus de Rio Maior, conhecido como a Torre, tem o rés-do-chão reservado para comércio, depois tem 12 andares para habitação e ainda existe a cobertura.
Pode-se pensar que chamar arranha-céus a este edifício é muito exagerado, mas por definição é perfeitamente normal. De recordar a definição de arranha-céus que aparece na Wikipédia: ‘Arranha-céu ou arranha-céus é a denominação popular de edifícios dotados de uma altura singular frente aos seus demais e de uma forma geral apresentando formatos de torre’. Também é bom lembrar que o primeiro edifício que mereceu chamar-se arranha-céus (O Equitable Life Building, construído em Nova Iorque no ano de 1973) tinha somente 8 pisos e 43 metros de altura. Já agora, o edifício mais alto na actualidade é o Burj Khalifa que foi construído no ano passado no Dubai, com 160 pisos e medindo 818 metros de altura.


 
Ficam de seguida algumas imagens do espaço que posteriormente foi ocupado pelo arranha-céus. Estas imagens foram retiradas do excelente livro de Fernando Duarte, ‘Histórias de Rio Maior’.
Nesta primeira imagem pode-se ver o edifício dos Paços de Concelho que usava o espaço de um antigo hospício do século XVII (embora a torre seja de 1947) e a casa que foi demolida encontra-se no lado direito da imagem.

 
Fotos da casa que seria da época do hospício a ser demolida em 1978.


 
Em 1994 foi construída uma segunda Torre na Avenida Dr. João Calado da Maia. Este edifício foi erigido pela empresa SOCORIL (Sociedade Construtora Riomaiorense – Socoril, Lda.).


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Antigo Moinho em Arrouquelas.

Na rua Dr. João calado Maia, em Arrouquelas, na zona da descida para a Igreja, já existiu um grande moinho de vento.

Este moinho, pertença de Laura Marques servia para moer cereais e ainda para produzir energia eléctrica pois tinha acoplado um pequeno gerador.
Em meados da década de 80 o moinho de ferro foi vendido (embora aparentemente não tenha voltado a ser montado) e o edifício reconstruído para servir como habitação.
O novo edifício continua no mesmo local e ainda se conseguem identificar as marcas da construção original.


As mós colocadas junto à habitação lembram a todos os que por ali passam as origens deste local.

Gostaria de agradecer à D. Laura a autorização que deu para exibir a fotografia do moinho.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mina de Giz em Rio Maior

Antiga Mina do Giz em Rio Maior.



A popularmente conhecida como mina do giz foi de facto uma mina de diatomite.
A atividade de extração de diatomite da responsabilidade da EICEL era realizada no sítio do Album. Isto permitiu tirar melhor partido do minério existente no jazigo do Espadanal que era formado por camadas intercaladas de lignite e diatomite.
A extração de diatomite desenvolveu-se por escavação em céu aberto, mas também através da abertura de galerias.  Na zona central do jazigo, a diatomite atinge uma perfundidade de 60 metros.
Em 1936 a diatomite de Rio Maior já era vendida como produto de limpeza, como mostra o anúncio colocado na imprensa regional.

Até há pouco tempo ainda eram visíveis as ruinas dos quatro edifícios construídos para possibilitar a lavra e processamento deste minério com as funções de armazenagem, moagem e calcinação (fornos).
Em 2008 os edifícios foram demolidos o terreno terraplanado de modo a nele ser instalado os estaleiros da Câmara Municipal de Rio Maior (anteriormente localizados nos edifícios da mina do Espadanal). Os estaleiros começaram a funcionar nestas instalações em Maio de 2009. As instalações na Rua dos Bogalhos dispõem de áreas para as obras municipais, serralharia, carpintaria, pintura, sinalética, mecânica e também para o sector de água e saneamento. Possui igualmente espaços de apoio aos funcionários, como escritórios, refeitório e balneários.


Para este local também esteve em estudo a instalação de uma Central Termoeléctrica, embora tenha recebido o parecer negativo por parte da Câmara Municipal.
Apesar da tentativa de se apagar de forma definitiva este vestígio da história industrial recente de Rio Maior, a diatomite ainda é visível, bem como restos dos antigos edifícios. A entrada para as galerias foi tapada.



Diatomite ou diatomito é uma rocha organogenética sedimentar pouco densa, muito porosa e absorvente, formada pela precipitação das carapaças das diatomáceas. Possui um ponto de fusão alto (entre 1400ºC e 1650ºC), é insolúvel em ácidos (excepto o ácido fluorídrico), é solúvel em bases fortes e absorve 4 vezes o seu peso em água.
Esta rocha de cor branca, acinzentada ou amarelada tem um grão muito fino e é usada como:
- Agente filtrante, devido à sua alta permeabilidade e capacidade de retenção da parte sólida.
- Isolante, devido a possuir baixa condutividade térmica pois tem células cheias de ar contidas nas carapaças das diatomáceas.
- Absorvente, em inseticida, catalisadores e pilhas eléctricas. Para absorver a nitroglicerina no fabrico da dinamite.
- Elemento farmacêutico na elaboração de pastas de dentes e excipientes para pílulas.
- Material abrasivo para líquidos, pastas de limpeza e para polir metais, azulejos, vidros, …
- Matéria-prima silicosa na fabricação de silicato de cálcio e silicato de sódio e de materiais insonorizantes.
- Controlo de insectos, na agricultura usando diatomite em pó nos armazéns. A diatomite causa danos à cutícula dos insetos.
- Pista para detectar petróleo pois a diatomite serve como marcador preciso do tempo geológico da rocha.
- Como elemento de construção, usando tijolos de diatomite.

As diatomáceas pertencem ao reino vegetal e estão incluídas no grupo das algas. Estes seres microscópicos foram durante muito tempo classificados como animais e só no final do século XVII é que passaram a ser considerados como vegetais.
A diatomite forma-se, como já foi referido pela precipitação das carapaças das diatomáceas. Uma vez mortas as diatomáceas,a matéria orgânica decompõem-se e as frústulas (carapaças) depositam-se no fundo da água, formando grandes depósitos siliciosos. Este é um processo contínuo o que leva à formação de enormes depósitos. Se as águas forem calmas e puras, o depósito é constituído por camadas uniformes, mas se as águas forem agitadas as diatomáceas aparecem misturadas com detritos e argila o que leva ao depósito passar da cor branca para um cinzento mais escuro.
Em Rio Maior a diatomite é homogénea e possui uma coloração clara sendo que a idade da sua formação é do fim do Pliocénico médio ao princípio do Pliocénico superior (O Plioceno é a última época do antigo período Terciário da era Cenozoica e está compreendido entre cerca de 5 e 2 milhões de anos atrás).
O primeiro grande estudo sobre os depósitos de diatomáceas em Portugal foi realizado por Alfredo Andrade da Silva em 1946. Anteriormente só tinham havido uns trabalhos de F. Chaves na ilha de S. Miguel e de P. Lefébure em Rio Maior.
Diatomáceas Fósseis de Portugal
- Jazigo de Rio-Maior, Óbidos e Alpiarça –
Por Alfredo Andrade da Silva, Assistente da Faculdade de Ciência da Universidade do Porto.
Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, Vol. VI, Fasc.I-II, 1946.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Postal do vidente de Asseiceira, Carlos Delgado

A primeira aparição Mariana em Asseiceira aconteceu a 16 de Maio de 1954 ao vidente Carlos Alberto da Silva Delgado.
Pode saber mais sobre as aparições de Asseiceira em:
O que apresento neste artigo é um postal que me foi enviado por Rui Sobral. O meu muito obrigado ao Rui por me permitir publicar esta imagem.
Este postal manuscrito é do vidente Carlos, na altura ainda criança (11 anos), a informar Beatriz Fogaça do teor das suas visões.
O postal é de 07 de Julho de 1954.

‘Eu vi Nossa Senhora que me disse:
Eu sou a mãe do Redentor
que me mandou praticar boas acções e boas obras
Carlos Alberto da Silva Delgado’

Beatriz de Melo Fogaça era advogada em Caldas da Rainha e morava na Quinta de Porto Nogueira, em Alguber, Cadaval.
Como curiosidade, o irmão de Beatriz Fogaça era o conhecido Júlio de Melo Fogaça (1907-1980), político e militante do Partido Comunista Português (PCP). Nasceu na Quinta de Porto Nogueira, Alguber e integrou o secretariado do PCP em 1935. Durante o antigo regime, foi por diversas vezes preso. Doou todo o seu espólio à Academia das Ciências de Lisboa que instituiu um prémio de História com o seu nome.
A Quinta de Porto Nogueira, fica em Alguber, como já foi referido e é datada de meados do século XVII (anterior ao terramoto de 1755). Pertenceu à família Fogaça, embora atualmente pertença a Miguel Angelino.