Pesquisar neste blogue

A apresentar mensagens correspondentes à consulta rio maior ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta rio maior ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Antiga linha de Caminho de Ferro em Rio Maior

Linha Férrea de Rio Maior
A 19 de Agosto de 1907 o Governo decretou a construção da linha férrea de Rio Maior.
Embora fosse uma grande aspiração local, só muitos anos mais tarde foi concretizada e somente para transporte exclusivo de lenhite.
Em 1911 deslocou-se a Lisboa uma delegação de representantes dos Concelhos de Rio Maior, Cartaxo e Caldas da Rainha que foi recebida pelo Ministro do Fomento que prometeu desenvolver todos os esforços para a construção do ramal do caminho de ferro que servia Rio Maior, Setil-Peniche.
Em 1920 o Governo chega a abrir um concurso público para a construção da linha férrea de Rio Maior, mas como não apareceram concorrentes a obra não se inicia.
A linha começa a ser construída na década de 40 do século passado, mas a um ritmo muito lento.
Em 1942 a Comissão Reguladora do Comércio do Carvão é autorizada a contrair um empréstimo bancário de 18 mil contos (89.783,00€) para ocorrer a despesas com a construção do caminho-de-ferro mineiro.
A linha acaba por se concretizar em 1945 no traçado Rio Maior – Vale de Santarém.
Pelas 22:30 do dia 24 de Abril de 1945, saiu de Rio Maior o primeiro comboio carregado com lenhite (embora se tenha previamente realizado um carregamento de 250 toneladas de madeira dos pinhais do Concelho).
Passaram a sair diariamente de Rio Maior dois comboios, um com lenhite e outro com lenha.
O cais ferroviário da mina localizava-se no local em que actualmente está construído o pavilhão multiusos de Rio Maior.


 
Acaba assim o transporte de Carvão por camionetas que era realizado entre Rio Maior e a estação de Santarém. O descontentamento das populações de Rio Maior aumenta, pois o comboio não leva passageiros, nem sequer transporta mercadorias de particulares.
Ainda em 1945 foi autorizado o transporte de mercadorias de particulares, mas o transporte de passageiros nunca foi consentido.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial o interesse pela mina de lenhite começou a decrescer.
Na década de 60 do século passado a mina foi fechada e o comboio parou de circular pela linha férrea.
A linha foi desmontada em 1970.
Em 1978 noticiou-se um projecto de realização de uma via rápida que ligaria a EN1 em Rio Maior a Santarém, usando na sua maior parte o trajecto da antiga linha férrea. Este projecto contava com apoio Norte Americano.
O antigo traçado da linha férrea encontra-se abandonado em grande parte do seu trajecto, mas permite umas boas caminhadas ou uns excelentes passeios de bicicleta.
Falta referir que a linha férrea acompanhava muito de perto o percurso do rio Maior.
Carta Militar de Portugal - Série M 888 - Folhas 339
Carta Militar de Portugal - Série M 888 - Folhas 339 351 352 364


Mais informações sobre a Mina do Espadanal em:

Com a deslocalização do futuro aeroporto de Lisboa da OTA (decisão tomada em 2005) para Alcochete (decisão tomada em 2008) surgiu novamente a possibilidade de Rio Maior ser servida por comboio como contrapartida em 2 projectos:
- Estação do TGV
- Corredor Ferroviário Caldas da Rainha – Rio Maior - Santarém
Ambos os projectos se encontram actualmente suspensos devido à crise económica que teima em não nos deixar.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Guerra da Patuleia. Vivência em Rio Maior


Guerra da Patuleia

Patuleia é o nome pelo qual se designa a guerra civil, entre Outubro de 1846 e Junho de 1847, travada entre Cartistas, defensores da Carta Constitucional de 1826, e Setembristas, apoiantes da Constituição de 1838. Foi desencadeada pela nomeação, depois do golpe palaciano de 6 de Outubro de 1846, a que se dá o nome de “Emboscada”, de um governo cartista que tinha como presidente o marechal João Oliveira e Daun, duque de Saldanha. Para alguns autores, o nome “Patuleia” deriva de pata ao léu (pé descalço); para outros, é um termo espanhol que significa “soldadesca sem disciplina”.
A guerra civil teve uma duração de oito meses, opondo os cartistas (com o apoio da rainha D. Maria II) a uma coligação que juntava setembristas a miguelistas. A guerra terminou com a vitória cartista, a 30 de Junho de 1847 pela assinatura da Convenção de Gramido. A paz só foi conseguida após a intervenção de forças militares estrangeiras ao abrigo da Quádrupla Aliança (Reino Unido, a França, a Espanha e a Igreja Católica).

De referir que entre 1807 e 1811 houveram as invasões francesas que debilitaram em muito as estruturas sociais em Portugal. A razão das invasões a Portugal relacionou-se com a recusa portuguesa em aderir ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão em relação à Inglaterra, no ano de 1806.
Mas as guerras internas começaram com a Guerra Civil entre liberais e absolutistas sobre a sucessão real e que durou de 1828 a 1834.
Na Guerra Civil Portuguesa, também conhecida como Guerras Liberais, Guerra Miguelista ou Guerra dos Dois Irmãos, foi a guerra civil travada em Portugal entre liberais constitucionalistas e absolutistas sobre a sucessão real, esteve em causa o respeito pelas regras de sucessão ao trono português face à decisão tomada pelas Cortes de 1828, que aclamaram D. Miguel I como rei de Portugal. As partes envolvidas foram o partido constitucionalista progressista liderado pela rainha D. Maria II de Portugal com o apoio de seu pai, D. Pedro IV, e o partido absolutista de D. Miguel. Estiveram também envolvidos o Reino Unido, a França, a Espanha e a Igreja Católica.
Já na Primavera de 1846 ocorre a Revolução Maria da Fonte, ou Revolução do Minho, contra o governo cartista presidido por António Bernardo da Costa Cabral. A revolta resultou das tensões sociais ainda vindas das guerras liberais e pelo grande descontentamento popular gerado pelas novas leis de recrutamento militar, por alterações fiscais e pela proibição de realizar enterros dentro de igrejas.

Rio Maior esteve bastante envolvido desde o início nesta guerra civil e apesar de muito extenso, é interessante ler as referências que aparecem sobre Rio maior no Jornal “O Curioso”, um Jornal Político e Comercial de 1846 a 1847.

Antes de passar a transcrever as passagens que julgo serem relevantes, existem aspetos importantes em Rio Maior referentes a estas guerras civis:
- A Casa Senhorial D. Miguel deve o seu nome à permanência do monarca neste espaço antes da Batalha de Almoster, como pode ser visto em:
- Em 1834 o Concelho de Azambuja foi extinto por D. Maria II por represália da povoação ter estado ao lado de D. Miguel durante as lutas liberais, como pode ser visto em:
- Os Condes de Rio maior também tiveram participação relevante nestas guerras civis, nomeadamente a Condessa de Rio Maior (casada com o 3º Conde de Rio Maior) e o Duque de Saldanha (filho do 1º Conde de Rio Maior), como pode ser visto em:
- Em Rio Maior também aconteceram eventos militares de relevância durante as invasões francesas, como pode ser visto em:


Agora as passagens relevantes do jornal “O Curioso”
20 Outubro de 1846
“Portugueses! Às armas! Um punhado de assassinos se prepara na Capital do reino para vos extorquir a liberdade que comprastes com sangue e roubar-vos as regalias com que os reis passados vos remuneraram as vossas virtudes.
Portugueses! É necessário que não deixeis levar avante tão infame desígnio. Não é a primeira vez que vos vistes ameaçados pelas baionetas dos tiranos e que os debelastes sobre o campo de batalhas, nessas lides passadas de religião e nacionalidade.”
“Irrmo e Exmo Snr., O Exmo Conselheiro Manoel da Silva Passos foi ontem procurado em Alpiarça por uma força dos rebeldes estacionados em Santarém, porém não foi encontrado. Contamos reunir aqui dentro de dois dias forças populares de Alenquer, Lanceiros de Valada, Cartaxo, Rio Maior, Torres Vedras e Nazaré. Com estas forças reunidas e ocupando Peniche com gente da nossa confiança marcharemos para onde convier. Manoel da Silva Passos e José Estevão são os nossos comandantes. O povo corre de toda a parte a alistar-se debaixo das bandeiras de tão ilustres cavalheiros.”
26 Outubro de 1846
“O Visconde de Sá marchou ontem e deverá chegar no dia 27 aí (Porto). De Artilharia parte já um Destacamento. Por aqui nada de novo. Évora foi atacada pelo Barão de Estremoz com 450 infantes e 210 cavalos que foram repelidos. Estava a chegar ali o General Celestino com a força do Algarve. De Santarém saiu infantaria nº1 sem mochilas a reforçar o Barão de Estremoz. José Estevão marcha com as forças populares sobre Rio Maior.
Em 26 do corrente, José Ferreira Coelho, Alferes comandante da 2ª Divisão Telegráfica.”
29 Outubro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Acho-me junto a Rio Maior, 4 pequenas léguas de Santarém, a onde tenciono entrar em dois dias. O Galamba tomou a Artilharia ao Salazer e o Celestino vem sobre Évora. Deus os guarde a V. Exa junto a Rio Maior 29 de Outubro de 1915, Illmo e Exmo Snr. José da Silva Passos, Vice-Presidente da Junta Provisória do Governo Supremo do reino, O delegado da Junta, José Estevão Coelho de Magalhães.”
30 Outubro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Gozo o favor de assegurar a V. Exa que pela uma hora da tarde do dia de hoje, entrei no Distrito confiado à minha administração, na Vila de Rio Maior, 4 pequenas léguas distante de Santarém e assumi interinamente o Governo Civil e amanhã conto entrar na Sede de Distrito. As forças rebeldes que estão em Santarém são apenas 250 baionetas e 25 cavalos e se acham com bagagens carregadas sendo constante que evacuarão aquela Vila à porção que forem chegando as forças populares que convergem sobre aquele ponto de diferentes partes. O entusiasmo do povo é imenso, nesta Vila fui recebido a repique de sinos e fogo do ar e fica organizando-se uma força nesta Vila anseia a glória que cabe aos seus companheiros de armas pelo triunfo de uma causa tão santa como aquela em que nos achamos empenhados. Agora mesmo entrou nesta Vila a força de cavalaria nacional de lanceiros comandada pelo valente patriota Illmo Snr Adolfo Manoel Nunes e vem entrando a brigada do valente e intrépido o Illmo e Exmo Snr. José Estevão Coelho de Magalhães.
Deus Guarde a V. Exa Rio Maior 29 de Outubro de 1846. Illmo e Exmo Snr José da Silva Passos, Vice Presidente da Junta Provisória do Supremo Governo do reino, O Governador Civil Interino, Tristão de Abreu e Alburquerque.”
31 Outubro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Dei ontem conta a V. Exa que havia entrado no Conceilho de Rio Maior, distrito de Santarém e assumido o Governo Civil do mesmo. Expedi a seguinte circular a todos os Administradores dos Concelhos do meu Distrito para que não prestem obediência ao governo intruso, aos rebeldes ou autoridades suas, sendo eu o Magistrado superior administrativo legal até que a Exma Junta Provisória do Governo Supremo do reino determine o contrário. Fiz ativar a cobrança dos rendimentos públicos e tenho a satisfação de assegurar a V. Exa que neste concelho em oito horas realizei a receção de dinheiros públicos que fornecerão por alguns dias a brigada do comando do Exmo José Estevão de Magalhães, que ontem à uma hora deu entrada nesta Vila sendo recebido a repiques de sino e foguetes. Está-se organizando aqui uma força popular de valentes patriotas, que hoje por noite conto ficará armada e pronta para marchar para onde convenha. …”
Deus Guarde a V. Exa Rio Maior 31 de Outubro de 1846. Illmo e Exmo Snr José da Silva Passos, Vice Presidente da Junta Provisória do Supremo Governo do reino, O Governador Civil Interino, Tristão de Abreu e Alburquerque. Confere António Bernardino de Carvalho diretor da Repartição dos Negócios do Reino.”
3 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Vou avançar à manhã sobre Rio Maior. Peço a V. Exa que comunique à Junta Provisória do Governo Supremo do reino o meu movimento, o que não faço por não ter tempo.
Deus os Guarde a V. Exa Quartel General em Leiria 3 de Novembro de 1846, às 8 horas da noite. Illmo e Exmo Snr Marques de Loulé, Conde das Antas.”
6 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Pelo ofício que acabo de receber e que remeto a V. Exa verá que Santarém foi ontem mesmo ocupada pela coluna do conde da Taipa, Deus Guarde a V. exa Quartel General em rio Maior 6 de Novembro de 1846. Conde das Antas.
7 de Novembro de 1846
“Vimos uma carta datada de 7 do corrente em Rio Maior escrita por pessoa fidedigna que faz parte do nobre fiel e valente Exército Nacional que além de conter várias notícias de interesse por nós já publicadas diz o seguinte: Continuam a apresentar-se oficiais  e soldados fugidos da capital”
9 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Vou marchar com todas as minhas forças para Santarém, não só para ocupar tão interessante ponto, como para dar a mão às tropas fieis do Alentejo e Algarve, que hoje devem estar reunidas em Évora. Deus Guarde a V. Exa Quartel General de Rio Maior 9 de Novembro de 1846. Conde das Antas. Illmo e Exmo Snr. Francisco de Paula Lobo d’Avila.”
10 de Novembro de 1846
“Illmo e Exmo Snr. Ontem entrei nesta Vila (Santarém), com toda a força do meu comando e já se principiou o restabelecimento das linhas, estando seguro que não há força que de aqui possa expulsar-me. Em Rio Maior deixei José Estevão, comandando os Batalhões de Alcobaça, Caldas e Rio Maior, bem organizados e que sobem a 1.000 homens, e hoje mando o Conde da Taipa para Almeirim com uma bela força de 600 homens. Aqui estão 2.500 populares debaixo das ordens do Cézar de Vasconcelos.
Deus Guarde a V. Exa Quartel General em Santarém, 10 de Novembro de 1846. Illmo e Exmo Snr. Francisco de Paula Lobo d’Avila.”
17 de Novembro de 1846
“Quartel General de Santarém, 17 de Novembro de 1846.
Batalhão Nacional Móvel de Rio Maior.
Comandante, Joaquim Machado Franco.
Major, José da Costa Soares.
Ajudante, o Tenente graduado do Batalhão de caçadores nº1 servindo no nº2 da mesma Arma, José Cyrillo Machado.
Quartel Mestre, António Gil Alves.
Porta Bandeira, José Machado Feliciano.
Capitães: António Correa Mendes, Joaquim da Motta Ferreira e José Correa d’Almeida.
Tenentes: Henrique de Carvalho, João Machado Feliciano, José Henriques de Carvalho e Manoel Bernardino.
Alferes: Joaquim Machado Feliciano, António de Sá, Joaquim Ramos Franco e José Carvalho.
….”
10 de Dezembro de 1846
“Correu aqui ontem quase geral que no quartel geral do Exmo Conde das Antas houvera um movimento de suma transcendente, tendo sido destacadas de Santarém todas, ou a maior parte das forças sobre Rio Maior e retirando sobre Lisboa, acrescentavam alguns, as forças rebeldes de Saldanha.
Nem damos inteiro crédito ao boato, nem completamente o rejeitamos, com quanto ignoramos absolutamente o seu fundamento. Os últimos movimentos de tropas ao Sul podiam efectivamente ter influído para movimentos transcendentes nos dois quarteis generais. As vantagens que ultimamente temos obtido na esquerda do Tejo estando quase às portas da capital pelo lado de Almada e além disso a retirada de Leiria da coluna Lapa, perseguida pela denotada do exmo conde de Bonfim, que segundo as últimas participações devia no domingo ficar em Alcobaça.
De mais a mais o estado vulcânico em que se acha a capital, segundo todas as informações e por fim também o descrédito em que vai caindo o general das cem caras que prometendo subjugar todo o país apenas se tem podido estender até ao Cartaxo, podem efetivamente ter causado sérios e talvez decisivos acontecimentos. Anciosamente esperamos notícias que oxalá sejam conformes aos desejos dos verdadeiros patriotas.”
18 de Dezembro de 1846
“Corre como certo que o Tenente General Conde de Bonfim, se acha ocupando o ponto de Torres Vedras, sete léguas desviado de Lisboa e o valente General Conde das Antas em Rio Maior. Em breve anunciaremos a entrada destas forças na Capital.”
20 de Dezembro de 1846
“Illmo Exmo Snr. Ontem saí de Santarém depois das 10 horas por me constar a marcha das forças de Saldanha, umas na direção da Azambuja e outras na de Alcoentre e às 5 horas da tarde entrava em rio maior. Eu sabia que o Conde de Bonfim devia pernoitar em Torres Vedras e por isso esperava com razão que o inimigo marchasse na manhã de hoje na direção de Cadaval ou de Alenquer, mas vi com a maior surpresa que o não fez e só agora que são 8 horas da noite sou informado de ter empreendido a marcha às 3 horas da tarde. Acredito que o Conde de Bonfim, adiantando uma marcha do Saldanha, estará amanhã às portas da Capital. Eu vou seguir as tropas inimigas quase na mesma direção que levam, contando com uma vitória decisiva no caso de se chocarem as tropas, o que no estado atual das coisas me parece impossível evitar. Julgo pois que em poucos dias acabará esta luta fratricida, unicamente ocasionada por meia dúzia de degenerados portugueses.
Deus Guarde a V. exa Quartel General em Rio Maior 20 de Dezembro de 1848. Illmo e Exmo Snr. Francisco de Paula Lobo d’Avila, Conde das Antas.”
16 de Maio de 1847
“Pois que ontem entrou em Tomar uma guerrilha forte, segundo se afirma de mais de 200 homens! No Fundão há dias reapareceu a dispersada pelo capitão Liz de cavalaria 8, cometendo ali os maiores excessos. Em Penamacor houve movimento anárquico; em Peniche igualmente em 12 deste mês; e há dias nas Caldas, donde fugiram os principais agitadores, que de certeza se sabe, acharem-se nas serras de Rio Maior. Eu havia combinado uma batida aquela serra no dia 15, com a pouca força que está nas Caldas, e com o comandante do batalhão de Torres Novas; porem frustrou-se a combinação pela sedição em Peniche, e entrada dos guerrilhas ontem em Tomar, eu não obstante fiz marchar o major Fialho com 80 baionetas para Alcaneda, ignorando ainda a entrada dos guerrilheiros em Tomar, mas logo que esta me constou mandei ordem ao dito major para marchar logo para Torres Novas, e ali de combinação com o Lapa perseguir aqueles bandidos. O presente estado das cousas tem posto em grande desanimação os cartistas, e pelo contrário tem dado muita energia aos agitadores.
15 de Maio de 1847
“Cabe-me por esta ocasião a honra de participar a V. Exa que faltarão os correios ordinário e extraordinário que dessa capital deviam ontem chegar a esta cidade (Coimbra), constando que foram roubados nas proximidades de Rio Maior.
Deus guarde a V. Exmo  Coimbra 15 de Maio de 1847. Illmo e Exmo Sr. Ministro e secretario de estado dos negócios do reino. O governador civil interino barão de Almofallo.”
16 de Maio de 1847
“Consta que no dia 14 foram roubados quatro correios entre Alcobaça e Rio Maior.
Deus guarde a V. Snr  Quartel em Santarém 16 de Maio de I847. — Illmo Snr. J. de Pina Freire. C. C. Pedroso, coronel governador militar.”

sábado, 9 de março de 2013

Alcaide-mor de Rio Maior


Rio Maior já teve alcaide.
No tempo da reconquista cristã, alcaide designava em Portugal o magistrado de origem nobre, nomeado pelo rei. Desempenhava funções militares na cidade ou vila, residindo normalmente no castelo local. Com o fim da guerra com os muçulmanos, o alcaide tornou-se um mero magistrado judicial e com o passar dos séculos a magistratura tornou-se num título honorífico.
Este castelo em Rio Maior, a existir conforme alguns relatos, deveria de ter uma dimensão semelhante ao castelo de Alcanede e possivelmente recuperado de uma antiga edificação árabe.
Certo é a existência do Paço Senhorial Medieval que estaria integrado ou junto à fortificação. As fundações do Paço já estiveram a descoberto e constatou-se que a estrutura sofreu várias obras de ampliação e reparação, sendo que no século XVII o que restava foi demolido para criar o adro da igreja de Nossa Senhora da Vitória.
Pode saber mais sobre a capela e o paço medieval em:
Vamos à história do Alcaide de Rio Maior.

Desde meados do século XIV que a Coroa Nacional, começou a doar os direitos e rendas das aldeias a vassalos régios.
Em Rio Maior, o cavaleiro Estevão Lobo foi o primeiro a usufruir destas doações, em 1362.
Seguiu-se o cavaleiro Afonso Novais que em 1367 cedeu a renda a sua mulher, D. Maria Afonso.
Em 1379 a doação passou a ser perpétua quando foi entregue a Gonçalo Vasques Coutinho que tinha como genro Gonçalo Vasques de Azevedo, alcaide-mor de Santarém.
Durante o reino de D. Fernando (1367-1383), as rendas e os direitos passaram para Gonçalo Gomes de Abreu e sua mulher, Violante Afonso.
Em 1385, já no reinado de D. João I, Rio Maior foi entregue a Vasco Martins de Melo.
Pouco depois, Rio Maior foi entregue a D. Nuno Álvares Pereira. 
D. Nuno Álvares Pereira foi um dos filhos de D. Álvaro Gonçalves Pereira, Prior da Ordem do Hospital. Com a morte do Rei D. Fernando de Portugal em 1383, Portugal corria o risco de perder a independência para os castelhanos, pois a princesa D. Beatriz, única herdeira, era casada com o Rei João I de Castela. Nuno Álvares Pereira, foi dos primeiros a apoiar as pretensões de João, Mestre de Avis à coroa nacional e tornou-se um dos homens mais importantes de Portugal com a demonstração do seu génio militar ao vencer as difíceis batalhas dos Atoleiros, de Aljubarrota e de Valverde e do reconhecimento de D. João como Rei de Portugal. Foi largamente recompensado em doações de terras, privilégios e honrarias por D. João I.
A casa de Bragança foi fundada pelo rei D. João I e por Nuno Álvares Pereira com o casamento do príncipe bastardo D. Afonso com a filha de Nuno Álvares, D. Beatriz Pereira Alvim que foi realizado a 1 de Novembro de 1401. Os dotes feitos pelo Rei D. João I e por Nuno Álvares Pereira foram de tal ordem grandiosos que a Casa de Bragança se tornou a mais rica de Portugal. De entre as terras recebidas, deveria de estar incluída a região de Rio Maior.
No entanto, há registo de D. Nuno Álvares Pereira ter entregue ainda em vida os direitos e as rendas de Rio maior a um cavaleiro da terra, Pedro Afonso do Casal. A linhagem Casal permite recuar em Rio Maior a pelo menos a meados do século XIII.
O poder da Casa de Bragança foi suprimido por D. João II que não via com bons olhos o poder desta casa e mandou degolar D. Fernando II, terceiro Duque de Bragança, num processo de condenação de traição mal explicado. D. Jaime, herdeiro da Casa Ducal, de apenas 4 anos, foi desterrado em Castela. Assim, na década 90 do Século XV, Rio Maior é entregue a D. Fernando de Meneses, Conde de Alcoutim.
No entanto o Rei D. Manuel I, que era tio de D. Jaime de Bragança, em 1500, convida-o a regressar à corte e devolve-lhe os títulos e terras retirados. Rio Maior volta então a pertencer à Casa de Bragança. D. Jaime constrói o Palácio de Vila Viçosa e remodela várias residências ducais, como o castelo de Porto de Mós.
 
Em 1510, nasce D. Teodósio I, quinto Duque de Bragança. Em 1563, D. Teodósio faz um testamento em que aparece referências a Rio Maior.
Na página 242, do livro “Provas da Historia Genealógica da Casa Real Portugueza” de 1745, aparece: “Item: Hase de tirar tambem do monte maior o dinheiro, porque vendi Rio Maior a Martim Affonso de Sousa, e ...”.


Martim Afonso de Sousa, foi um nobre e militar português, descendente por linha bastarda do rei Afonso III de Portugal e nasceu na década de 1490, vindo a falecer em Julho de 1571.
Senhoriou, desde 1542, a vila de Alcoentre, ocupando-se desde esta data a engrandecer a sua casa senhorial. Em data incerta, assumiu a alcaidaria-mor de Rio Maior.
Do casamento de Martim Afonso de Sousa e de Ana Pimentel, nasceram numerosos filhos, entre os quais, Pedro Lopes de Sousa, senhor de Alcoentre e Alcaide-mor de Rio Maior.

No livro ‘Memorias Historicas, e Genealogicas dos Grandes de Portugal’ de 1740, pode-se seguir as referências de Alcaide-mor de Rio Maior, ligado ao conde de Vimeiro.

D. Francisco de Faro, terceiro neto de D. Fernando, duque de Bragança, foi o 1º conde de Vimeiro e faleceu em 1617. Casou com Dona Maria da Guerra, filha de Pedro Lopes de Sousa.
O titulo de Alcaide-mor de Rio Maior, volta a ser referido para D. Diogo de Faro e Sousa, nascido em 1620 e falecido a 25 de Setembro de 1698. Pertencente à ordem de Cristo e de Avis, foi 7º senhor de Vimeiro e das vilas de Alcoentre, Tagarro, Quebradas, ... Foi Alcaide-mor de Rio Maior e de Mora. Casou em 1658 com D. Francisca de Meneses.
O titulo segue pela descendencia: D. Sancho de Faro, 8º senhor de Vimeiro, casou com Dona Isabel de Luna e Carcomo; D. Diogo de Faro, 9º senhor de Vimeiro, casou com Dona Francisca de Noronha; D. Sancho de Faro, 2º conde de Vimeiro (renovado pelo Rei D. João V), casou com a Condessa Teresa de Mendonça; D. Diogo de Faro (1705-1741), 3º conde de Vimeiro, Casou com a Condessa Maria Jozefa de Menezes; D. Sancho de Faro (n 1735), 4º conde de Vimeiro.


Apesar da data não coincidir, existem noutros artigos referências ao Alcaide-mor de Rio Maior com D. Vicente Roque José de Sousa Coutinho Monteiro, nascido em 28 de Dezembro de 1726 em Lisboa e filho de Rodrigo de Coutinho Castelo Branco e Menezes e de D. Maria Antónia de Sousa Boaventura de Menezes Paim (Filha de Fernando de Sousa Coutinho, 12º Conde do Redondo).
D. Luís Roque de Sousa Coutinho Monteiro Paim (1783-1850), 3º Conde de Alva e 1º Marquês de Santa Iria, também era alcaide-mor de Rio Maior.

sábado, 30 de outubro de 2010

Parque de Negócios de Rio Maior


Para quem chega a Rio Maior pela estrada EN114 passa obrigatoriamente pela Zona Industrial e Parque de Negócios. O Parque de Negócios de Rio Maior é o primeiro do género em Portugal e será um dos maiores em termos de área ocupada.

As vantagem que este parque pode trazer ás empresas que aqui se queiram localizar são várias e consistem na sua localização central e próxima de Lisboa, dos bons acessos como a ligação directa á A15 e a proximidade da A1 e A8, dos investimentos previstos como a estação do TGV, ligação ferroviária à linha do Oeste e alagamento do IC2, qualificação da mão de obra local e escolas em Rio Maior como a Escola Superior de Desporto e a Escola Profissional, a imagem de marca de Rio Maior ligada ao desporto e claro vários incentivos fiscais. Este parque também vai inovar pois estão previstas uma série de estruturas para facilitar a vida das empresas como seja: segurança comum, gestão comum dos espaços verdes, incubadora empresarial, centro empresarial de uso comum, auditório, restaurantes, creche, residencial, …
O parque está a avançar por fazes e nesta primeira fase vai ocupar cerca de 65 hectares que contemplam 76 loteamentos. O investimento está previsto ser na ordem dos 125 milhões de euros e pretende-se criar cerca de 2.500 novos postos de trabalhos.


Apesar de ainda se estar a finalizar as infra-estruturas e de se estar agora em fase de construção da primeira unidade industrial, a história do Parque de Negócios de Rio Maior já está a ser escrita há quase de uma década.

A área total que vai ser ocupada por este parque de negócios que se situa entre a Zona Industrial e o nó de acesso á auto-estrada A15 é de 91 hectares tendo sidos adquiridos para o efeito á empresa Celbi 130 hectares em 2001 pelo valor de 653.000.000$00. O local era conhecido por Quinta do Sanguinhal.

No dia 02 de Julho de 2002 foi realizada a escritura da sociedade de capitais mistos (públicos e privados) que fica responsável pela gestão do parque de negócios. Surge assim a DEPOMOR – Desenvolvimento e Progresso de Rio Maior, S.A. A sociedade é composta por 14 accionista (Câmara Municipal de Rio Maior, NERSANT – Associação empresarial de Santarém, AECRM – Associação empresarial do Concelho de Rio Maior e empresários em nome individual). O primeiro Conselho de administração da DEPOMOR foi nomeado logo após a escritura e ficou constituído por: Silvino Sequeira que era presidente da Câmara Municipal de Rio Maior, José Eduardo Carvalho que era presidente da NERSANT-AE e António Barroca representante da construtora Lena.
Nesta altura parecia que estava tudo bem encaminhado, mas as obras não podiam começar, pois entre outras questões era necessário alterar o PDM (Plano Director Municipal) devido a parte dos terrenos estarem inseridos na Reserva Agrícola Nacional e outra na Reserva Ecológica Nacional. Outras coisas começaram também a correr menos bem, como a desistência do novo aeroporto de Lisboa ser construído na Ota. Até no processo de loteamento houve dificuldades devido a pareceres diferentes sobre o processo entre a Câmara Municipal de Rio Maior e a CCDR de Lisboa e Vale do Tejo.
Com estas complicações todas o projecto ficou parado quase sete anos o que implicou a desistência pela localização em Rio Maior de várias empresas.
Em 07 de Novembro de 2008 é finalmente descerrada a placa que marca o início de execução do projecto, numa cerimónia que contou com muitas presenças de relevo, como: Castro Guerra, Secretário de Estado Adjunto da Indústria e Inovação; João Sousa, representante do Governo Civil de Santarém; Silvino Sequeira, Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior; Vítor Damião, Presidente da Assembleia Municipal de Rio Maior; Fonseca Ferreira, Presidente da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo e Eduardo Carvalho, Presidente do Parque de Negócios e da NERSANT.



Neste momento já é visível a estrutura da unidade logística que a empresa Nobre está a construir. Este empreendimento que ficou acordado em Setembro de 2009 vai ter uma área coberta de 11 mil metros quadrados dividida igualmente por uma zona de frio e outra de armazenamento. Esta unidade vai complementar as unidades já existentes em Rio Maior e Mem Martins.
Em construção encontra-se também o pórtico de entrada no parque que vai nesta primeira fase integrar os serviços técnicos da DEPOMOR, os serviços de segurança e vigilância e ainda um bar-cafetaria. Este pórtico é de autoria do arquitecto Filipe Saraiva que possui escritórios em Ourém.

Já se encontra negociada a instalação de um posto de abastecimento da Petroibérica e este mês a empresa SGLUX fechou também um contracto com o Parque de Negócios para a construção de um entreposto logístico/comercial de mercadorias (materiais de construção, mobiliário e decoração) para exportação.

Aparentemente o Parque de Negócios de Rio Maior está a começar a seguir o seu bom caminho depois de um início bastante atribulado.
Este parque é um dos cinco parques de negócio que estão planeados para a região e que são os parques de Rio Maior, Torres Novas, Cartaxo-Santarém, Benavente e Fátima-Ourém. O parque de Torres Novas acabou de passar pelo processo de consulta pública, o do Cartaxo está em fase de preparação do terreno e o de Fátima está em fase de alteração do PDM e aquisição dos terrenos.
O parque de negócios deve servir para alavancar a requalificação desta zona de Rio Maior e é exactamente isto que está previsto embora como tem sido hábito em Portugal, com atrasos.

A requalificação da estrada EN114 entre o nó da auto-estrada A15 e a entrada da cidade foi prometida por Paulo Campos, Secretário de Estado das Obras Públicas, a 4 de Setembro de 2009, mas agora já todos ficavam contentes se a obra se realiza-se em 2011. A obra consiste em passar para duas faixas de rodagem o sentido Auto-Estrada – Rio Maior e a criação de três rotundas (uma junto à avenida 13 de Julho, outra para acesso à zona industrial e uma última para inverter o sentido de marcha a meio do trajecto.

A Zona Industrial também está a necessitar de uma requalificação, o que está de acordo com o que a Câmara Municipal pensa pois esta pretende investir cerca de 500 mil euros numa primeira fase para colocar nova sinalética, números de polícia, intervenções no saneamento e outros melhoramentos. A requalificação desta zona pode ser muito importante na captação de investimentos em Rio Maior. Um exemplo desta captação de investimentos é a Estação de Transferência de Rio Maior que já está concluída e a funcionar, servindo para a recolha e valorização de resíduos. Já agora, de referir que a rotunda que dá entrada á zona industrial encontra-se pouco cuidada, mas ainda se consegue ver as rochas com as placas evocativas de duas datas importantes para esta zona que é a fundação da União dos Empresários da Quinta do Sanguinhal em 05 de Fevereiro de 1993 e a conclusão da 2ª fase das infra-estruturas da Zona Industrial a 26 de Março de 1994.


Nesta época difícil em que os aspectos económicos e financeiros estão a colocar todos à prova, quem conseguir captar e manter investimentos vão ser certamente os Municípios que irão permitir uma melhor qualidade de vida e perspectivas de futuro aos seus munícipes.

Pode saber mais sobre a inauguração oficial do Parque de Negócios de Rio Maior em:

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Dr. Fernando Sequeira Aguiar

Doutor Fernando Sequeira Aguiar, nasceu a 14 de Agosto de 1910 em Lisboa e faleceu a 28 de Abril de 2001 em Rio Maior. 


Nasceu e cresceu na freguesia das Mercês em Lisboa e licenciou-se em medicina na Escola Médico-Cirúrgica situada no Campo de Santana (Atualmente Campo Mártires da Pátria).
Durante a II Grande Guerra Mundial foi destacado para Cabo Verde como oficial médico miliciano. Ainda em Cabo Verde nasceu a sua filha, Manuela Aguiar. 
Com o fim da Grande Guerra, a 15 de Novembro de 1945 veio para Rio Maior exercer medicina.
O seu primeiro consultório localizava-se na avenida Salazar (Atual Rua Dr. Francisco Barbosa). No entanto permaneceu mais tempo no consultório situado na rua David Manuel da Fonseca no qual chegou a ter um aparelho de radioscopia único na região. 
Fernando Aguiar não exercia medicina somente nos seus consultórios, pertenceu também ao corpo clínico da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior, trabalhou como médico na Casa do Povo e dos Serviços Médico-Sociais da Caixa de Previdência, pertenceu ao corpo clínico do Centro de Saúde de Rio maior, exerceu como médico legista no Tribunal Judicial de Rio Maior e pertenceu ao Corpo de Bombeiros Voluntários de Rio Maior na qualidade de médico.
Em 1949 começa a colaborar com o jornal O Riomaiorense, desde o primeiro número da terceira série que saiu no dia 10 de Fevereiro. 


A localização da nova Igreja Matriz, que se encontrava em projeto de construção e problemas urbanísticos de Rio maior motivavam discussão pública e a imprensa tomou posição. Entre 1956 e 1958, Fernando Aguiar publicou diversos artigos sobre estas temáticas urbanísticas no jornal O Riomaiorense e em 1958 compilou estes artigos no livro Por Rio Maior. Este livro teve prefácio de Alexandre Laureano Santos (patrono da Biblioteca Municipal de Rio Maior).


Fernando Aguiar colaborou durante largos anos e de forma dedicada com o Grupo Cénico Zé P’reira como cenógrafo. Este grupo de teatro existiu sob a direção de Ernesto Alves.
Em 1958, Fernando Aguiar esteve muito ativo na candidatura do General Humberto Delgado à presidência da República. 
De 1 de Julho de 1966 a 18 de Novembro de 2000, presidiu ao núcleo de Rio Maior da Liga dos Combatentes da Grande Guerra (atualmente Liga dos Combatentes). A Delegação de Rio Maior da Liga dos Combatentes foi criada em 2 de Setembro de 1924, assumindo a presidência Raul Gomes Costa, mas teve curta duração e suspendeu a sua atividade. Até 1966 os sócios dependiam da Delegação de Santarém. Em 2000 assume a presidência da Liga o Dr. Eduardo Casimiro.
Desde as primeiras eleições autárquicas (pós 25 de Abril de 1974) que Fernando Aguiar pertenceu à Assembleia Municipal de Rio Maior em representação do Partido Socialista. Manteve-se neste importante órgão autárquico até ao seu falecimento em 2001. 
Fernando Aguiar também pertenceu ao cineclube de Rio Maior. A 24 de Julho de 1977 festejaram-se os 25 anos do Cineclube (foram projetados filmes de 8 e 16mm produzidos pela coletividade) que contou com a participação de Fernando Aguiar.
A 13 de Fevereiro de 1980 surgiu o nº1 da 1ª série do jornal Notícias do Concelho de Rio maior cuja direção era de Fernando Aguiar. 
A 1 de Agosto de 1985 surgiu o nº1 da 2ª série do quinzenário Notícias do Concelho de Rio Maior em que Fernando Aguiar era diretor e também proprietário.
 

Ainda em vida, O Município de Rio Maior atribui o nome de Fernando Aguiar a uma das ruas da cidade, a rua da Biblioteca Municipal.

No dia 28 de Abril de 2001, Fernando Aguiar faleceu vítima de doença perlongada. O velório realizou-se no núcleo de Rio Maior da Liga dos Combatentes. Cumpriu-se o seu desejo de ter como mortalha a sua bata de médico e o cortejo fúnebre passou pela Rua David Manuel da Fonseca onde se deteve por breves momentos no espaço onde foi o seu antigo consultório. Os seus restos mortais estão depositados no cemitério de Rio Maior na zona pertencente à Liga dos Combatentes.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Presidentes de Câmara Municipal de Rio Maior



Lista dos Presidentes de Câmara de Rio Maior.

Decidi publicar esta lista que podendo ter erros e estando incompleta, é importante para se saber quem esteve à frente do Município. Penso ser um dado importante na história de Rio Maior que deveria ser mostrado com orgulho.
Todos os contributos para corrigir e/ou melhorar este artigo são sempre bem-vindos.

*1836                  -- 06 Novembro – Rio Maior elevada a sede de Concelho
1836-                  José Henrique de Carvalho
1850 (déc)           Manuel Francisco de Figueiredo
1860 (déc)           Francisco de Sousa Ferreira
?                          Francisco José de Oliveira
?                          João Paulo Ferreira
1894-1896          Rafael José da Costa
1896                   Padre Gaspar Antunes da Costa
*1910                  -- 05 Outubro – 1ª República
1910-1911          António Custódio dos Santos                   
                           António Gomes de Sousa Varela                            
1911-1912          Eugénio Casimiro
1912-1914          João Ferreira da Maia
1914-1919          José Dâmaso de Almeida
1919-1926          Eugénio Casimiro
*1926                  -- 28 Maio – Ditadura Militar / Estado Novo
1926-1937          João Ferreira da Maia
1937-1944          João Franco Mesquita de Sá
1944-1947          José António Vieira
1947-1953          Francisco José Cardoso  de Quadros
1953-1963          João Afonso Calado da Maia
1963-1966          João Franco Mesquita de Sá
1966-1974          Amândio Rodrigues de Sousa
*1974                 -- 25 Abril - Regime Democrático
1974-1977          Alberto Santos Goucha
1977-1980          José da Silva Pulquério
1980-1983          Manuel Sequeira Nobre
1983-1986          Joaquim Pereira de Deus
1986-2009          Silvino Manuel Gomes Sequeira
2009 -                 Isaura Maria Elias Crisóstomo Bernardino Morais

De destacar os seguintes Presidentes:
- Isaura Morais – Atual Presidente do Município de Rio Maior.

- Silvino Sequeira – Anterior Presidente que esteve à frente da Câmara Municipal durante 23 anos.

- João Afonso Calado da Maia – Foi presidente do Município entre 1953 e 1963.
Nasceu a 8 de Novembro de 1917, na freguesia de São Martinho, em Sintra e faleceu a 13 de Outubro de 2011. Foi advogado e notário (Santarém, Rio Maior e Batalha). Foi deputado à Assembleia Nacional (XI Legislatura – 1973/74), Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior durante 54 anos, presidente da Mesa da União das Misericórdias. Recebeu a Comenda de Grão-Mestre da Ordem Internacional do Benemérito das Misericórdias. Fundou o Círculo Cultural de Rio Maior – Coral e Orquestra Típica, foi presidente da Comissão Distrital de Santarém da União Nacional (1966); presidente da Comissão de Distrito da Ação Nacional Popular de Santarém (1971);  presidente do Grémio da Lavoura de Rio Maior; e fundador e/ou cofundador de diversas instituições em Rio Maior, tais como a Cooperativa dos Produtores de Carnes e Ovos, a Adega Cooperativa e a Conferência de S. Vicente de Paulo.

- João Ferreira da Maia – Foi Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior por duas vezes (1912-1914 e 1926-1937). Foi o pai do anteriormente mencionado João Afonso Calado da Maia. Durante a sua presidência, muito evoluiu Rio Maior. Rio Maior sofreu avanços significativos nas suas infraestruturas e também em termos culturais.

- António Custódio dos Santos (1885-1972) – Foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior após a revolução de 5 de Outubro de 1910.
Foi diretor da segunda série do jornal “O Riomaiorense”, descobridor legal da Mina do Espadanal, a 21 de Julho de 1916, e sócio fundador da Empresa Industrial, Carbonífera e Eletrotécnica, Limitada, em 1920.

Deixo o registo do histórico de resultados eleitorais autárquicos para o Concelho de Rio Maior (Desde 1976 que é a data das primeiras eleições autárquicas).
Está indicada a data da realização do escrutínio, número de inscritos, número de votantes e resultado dos três partidos ou coligações mais votados.

2009 (11, Outubro)
                18.419  Inscritos
                66,17% Votantes
                49,21% PPD/PSD.CDS-PP; 39,30% PS; 03,13% Indep.
2005 (09, Outubro)
                17.874  Inscritos
                64,48% Votantes
                48,03% PS; 32,33% PPD/PSD; 07,31% CDS-PP
2001 (16, Dezembro)
                17.816  Inscritos
                61,65% Votantes
                53,21% PS; 35,64% PPD/PSD.CDS-PP; 06,15% PCP-PEV
1997 (14, Dezembro)
                18.151  Inscritos
                61,39% Votantes
                61,66% PS; 23,55% PPD/PSD; 06,10% CDS-PP
1993 (12, Dezembro)
                17.537  Inscritos
                69,08% Votantes
                65,81% PS; 23,06% PPD/PSD; 06,01% CDS-PP
1989 (17, Dezembro)
                16.848  Inscritos
                73,51% Votantes
                61,06% PS; 34,19% PPD/PSD; 02,36% PCP/PEV
1985 (15, Dezembro)
                16.168  Inscritos
                69,06% Votantes
                47,71% PS; 47,51% PPD/PSD; 02,49% APU
1982 (12, Dezembro)
                15.578  Inscritos
                63,63% Votantes
                50,37% AD; 41,82% PS; 04,05% APU
1979 (16, Dezembro)
                14.630  Inscritos
                71,61% Votantes
                63,34% AD; 25,73% PS; 05,43% APU
1976 (12, Dezembro)
                14.003  Inscritos
                61,36% Votantes
                45,31% PPD/PSD; 33,78% PS; 16,01% CDS

Em 2013, foi reeleita Isaura Morais, como Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior. Pode saber mais sobre esta eleição, em: 
http://rio-maior-cidadania.blogspot.de/2013/09/eleicoes-autarquicas-2013.html