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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O rio Maior

A cidade de Rio Maior é atravessada pelo rio Maior que acabou por ceder o nome à localidade.

Chama-se rio Maior pois é o maior dos três rios que convergem para o mesmo leito (rio Maior, ribeira de Alcobertas e ribeira de Almoster). O rio Maior nasce a Oeste da cidade de Rio Maior num sítio denominado por Bocas e é um afluente do rio Tejo com um comprimento de 54Km (26Km são percorridos pelo canal da Vala de Azambuja).
Actualmente o rio tem pouco caudal chegando mesmo a secar durante os meses secos do Verão, mas reza a história que ainda no século XIX o rio era navegável e utilizado para transportar pequenas mercadorias até ao Rio Tejo no qual aguardavam barcos maiores para se fazer o transbordo das cargas.
Nos nossos dias o rio Maior é muito mal usado, está poluído e com as margens mal cuidadas, servindo como ponto de descarga de várias pequenas indústrias e pecuárias e como ponto de captação de água para rega dos campos perto das suas margens. O peixe do rio Tejo (principalmente o sável) não consegue subir o rio Maior para além da Ribeira de São João devido aos vários açudes e azenhas existentes, havendo no entanto algumas bogas na ribeira de Almoster.
Este rio, nomeadamente a sua nascente tem um elevado potencial para ser mais um pólo de lazer e de turismo da terra, bastando para isso haver vontade e alguém que meta mãos à obra.

Ficam algumas imagens do rio Maior junto à sua nascente agora que após as grandes chuvadas que ocorreram nas últimas semanas corre com um bom caudal.





Imagem do rio no Verão, completamente seco.

Imagem do rio com o seu caudal normal.

O rio Maior nem sempre desembocou no Tejo em Azambuja.
Conforme se pode ver no mapa seguinte, mostrando a correição (zona de acção do corredor, representante do Rei na comarca) de Santarém, o rio Maior unia-se ao Tejo em Santarém. Nesta carta de 1640 de autoria de João Teixeira Albernaz, o rio Maior ainda aparece sem nome.

Após o terramoto de 1755, o Marquês de Pombal mandou averiguar os estragos no reino e à registos do rio se chamar Rio de São João, uma referência a São João da Ribeira, que era na altura uma das terras mais importantes na zona.
Só mais tarde é que o rio se passou a chamar rio Maior, por ser o maior dos 3 rios que concorrem para o mesmo leito.
Também começa agora ser questionado se foi o rio que deu o nome à localidade ou se não teria sido o oposto. Como se pode ver na carta da correição, a localidade Rio Maior (Rio Miyor) já estava referênciado e só mais tarde é que o rio se passou a chamar rio Maior.

Imagens antigas da nascente do rio Maior



Pode saber mais sobre o curso completo do rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/07/o-curso-do-rio-maior.html
Pode ver imagens da nascente do rio Maior seca em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2010/10/nascente-do-rio-maior-seca.html
Pode saber mais sobre a plantação de eucaliptos na nascente em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/09/eucaliptos-na-nascente-do-rio-maior.html
Pode saber mais sobre a Fonte das Três Bicas na nascente do rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/10/fonte-das-tres-bicas-em-rio-maior.html
Pode saber sobre a poluição no rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2012/11/problemas-ambientais-da-regiao-do-rio.html
Pode saber sobre um estudo de 1867 para aproveitar esta água no abastecimento de Lisboa, em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2013/02/estudo-de-1867-para-abastecer-agua.html
Pode saber sobre o curso do centro da cidade à nascente do rio Maior, em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2013/07/passeio-do-centro-da-cidade-nascente-do.html
Pode consultar mapas antigos do rio Maior, em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2014/11/o-rio-maior-nos-mapas.html
Pode saber mais sobre o rio Maior na cidade em: 
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2014/11/o-rio-maior-na-cidade.html 

sábado, 6 de novembro de 2010

Concelho de Rio Maior e sua História

Rio Maior foi elevada a sede de concelho a 6 de Novembro de 1836 e embora nunca tenha tido foro de vila, a partir desta data passou a ser considerada como tal. A elevação de Rio Maior a sede de concelho ocorreu por decreto de D. Maria II devido a um reordenamento administrativo do reino que foi coordenado por Passos Manuel.

Heráldica do Concelho de Rio Maior:
No escudo destacam-se as duas pirâmides de sal que representam as salinas e que são o verdadeiro símbolo desta região. O facto de terem a côr prata, pretende significar a riqueza e a humildade.
O rodízio de engenho, simboliza a riqueza industrial que provinha das suas noras e extracção mineira.
O rio Maior tinha de estar representado, já que deu o nome à cidade e a sua forma ondulada exprime caridade e lealdade.
O terreno verde também não podia faltar dado o cariz agrícula da região e neste escudo pretende representar a fertilidade da região e simbolizar a fé e esperança de um povo.
Curioso é o fundo negro, mas em termos heráldicos esta côr significa firmeza e honestidade.
Em termos oficiais as regras heráldicas para o Concelho de Rio Maior saíram no Diário da República, nº144 de 26 de Junho de 1986 (Rio Maior foi elevada a cidade em 1985) e diz:
Brasão: de negro, duas pirâmides de sal de prata, assente num terrado de verde, em contra chefe, cortado por três faixetas ondadas de prata e de azul. Em chefe um rodízio de engenho de prata. Coroa mural de cinco torres de prata. Listel branco com os dizeres a negro «Cidade de Rio Maior».
Bandeira: gironada de oito peças de branco e verde. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.
Selo: circular, tendo ao centro as peças das armas sem indicação dos esmaltes. Em volta, dentro de círculos concêntricos, os dizeres «Câmara Municipal de Rio Maior».


O Edifício dos Paços do Concelho:
Os primeiros autarcas tomaram posse a 13 de Janeiro de 1837 e os Paços do Concelho ficaram num edifício do qual se perdeu a identidade, mas em 1837 o governo civil de Santarém cedeu o edifício de um antigo hospício de frades franciscanos à Câmara Municipal que se passou a instalar aí desde 19 de Fevereiro de 1838. Inicialmente ficaram neste edifício as repartições públicas do concelho, a câmara, a administração, a repartição de fazenda, o tribunal judicial e ainda uma escola do sexo masculino.
Segundo consta, uma D. Anna terá em 1763 fundado um hospício que mais tarde o doou aos frades franciscanos, com a obrigação de estes criarem aí uma fábrica de buréis (burel é um tecido grosseiro de lã como o que é usado para os hábitos dos frades) de modo a dar emprego às pessoas necessitadas da povoação. A data da fundação do hospício vem de uma inscrição que estava numa pedra e na qual se lia ‘Aedificata est aedicula Sacra família, 1763’.
Em 1915 foi demolido o edifício que fazia frente à Câmara Municipal e foi empedrado o largo agora conhecido por Praça da República.
Nos anos 80 o edifício já não se adequava às suas funções e segundo solicitação da Câmara, o arquitecto José Amorim projectou o actual edifício em 1988. O edifício primitivo foi demolido e em 27 de Maio de 1992 é inaugurado o actual edifício com a presença do então Presidente da República, Dr. Mário Soares.
Imagens actuais:





Imagens do antigo edifício:



História do Concelho de Rio Maior:
Como referi, Rio Maior foi elevada a sede de concelho a 6 de Novembro de 1836 por decreto de D. Maria II. Anteriormente, Rio Maior pertencia ao concelho de Azambujeira que fora criado em 27 de Maio de 1633 por Filipe de Portugal e agora extinto.
Inicialmente o concelho de Rio Maior ficou constituído pelas freguesias de Rio Maior, Arruda dos Pisões, Azambujeira, Outeiro da Cortiçada, São João da Ribeira e Abitureiras.
Logo a 4 de Junho de 1837 a freguesia de Abitureiras foi desanexada de Rio Maior e passou a fazer parte do concelho de Santarém.
Em 1855 as freguesias de Alcobertas e Fráguas passam a pertencer a Rio Maior devido à extinção do concelho de Alcanena que passou a ser uma freguesia de Santarém.
Em 1877 aparece a freguesia da Vila da Marmeleira por desanexação do lugar de Marmeleira de São João da Ribeira.
Em 1962 São João da Ribeira volta a dividir-se, surgindo assim a freguesia de Arrouquelas.
Em 1984, novamente São João da Ribeira é dividida e surgem assim as freguesias de Ribeira de São João e de Malaqueijo. Mas também neste ano surge a freguesia de São Sebastião por divisão de Fráguas e a freguesia de Asseiceira por divisão de Rio Maior.
Em 1985 Rio Maior é elevada a Cidade.
Em 1989 o concelho de Rio Maior ficou com a divisão administrativa actual com a formação da freguesia de Assentiz por divisão da Vila da Marmeleira.



As origens e história de Rio Maior:
As primeiras provas de vida humana em Rio Maior remontam à pré-história.
Principalmente na zona das Bocas, foram encontrados vários materiais referentes ao período do Paleolítico Inferior e Superior.
Nas grutas de Nossa Senhora da Luz (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/03/gruta-em-nossa-senhora-da-luz.html) foram encontrados vestígios de enterramentos que decorreram desde o Paleolítico Superior até ao Calcolitico.
A Anta de Alcobertas (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/02/dolmen-igreja-de-santa-maria-madalena.html) é um vestígio surpreendente do Neolítico que chegou até nós.
Da época Eneolítica existem vários vestígios como os existentes no Alto das Bocas e que são compostos por fragmentos de carvão, cerâmicas e alguns artefactos.
Da Idade do Ferro também existem vários vestígios como o Castro de São Martinho (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/03/castro-de-sao-martinho.html).


Da presença romana existem muitos vestígios como a Villa Romana (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/villa-romana-de-rio-maior.html), a estátua de ninfa aí encontrada, o denominado Buraco da Moura (túnel de tijoleira para canalizar a água do rio Maior para uma fundição de metais) e vários fustes e mosaicos encontrados em campos de cultivo.
Uma actividade importante para os romanos nesta região era a recolha do sal (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/06/salinas-de-rio-maior.html), embora a exploração das salinas já fosse realizada em tempos mais remotos. A estrada romana que ligava Lisboa a Braga passava perto o que facilitava o escoamento do sal. Desta estrada existem vários vestígios, como os existentes no Alto da Serra e a ponte em Assentiz (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/ponte-romana-assentiz.html).
Depois vieram os Muçulmanos que para além de alguns vestígios arquitectónicos como a Torre Mourisca datada de 1111 em São João da Ribeira (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/torre-mourisca-e-igreja-matriz.html), deixaram algumas alfaias e técnicas agrícolas como o fabrico de adobo que se usou até ao século XIX. Em Alcobertas resistiram até os nossos dias os silos usados para guardar cereais (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/silos-medievais-em-alcobertas.html) e ainda no forno cerâmico (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/02/forno-medieval-em-alcobertas.html). Dos Muçulmanos ficaram também muitas lendas, como a da fonte em Assentiz (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2009/12/fonte-mourisca-assentiz.html), a do monte de S. Gens (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/01/fontanario-em-sao-joao-da-ribeira.html) e a da quinta do Jogadouro (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/10/moinho-dagua-jogadouro.html).
A extracção do sal foi continuada e mesmo ampliada pelos Muçulmanos.
Com a conquista de Santarém por D. Afonso Henriques, passaram a ser os Templários a querer disputar as salinas, conforme mostra o documento de 1177 de compra de parte do poço (1/5) a Pêro d’Aragão (este é o documento mais antigo referente a Rio Maior que se conhece e está guardado na Torre do Tombo).


Durante a período medieval o território de Rio Maior encontrava-se dividido entre o priorado da ordem de Avis e o domínio dos frades (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/04/arco-da-memoria.html). As principais actividades económicas eram a agricultura (centeio, trigo, cevada, milho e painço), viticultura, extracção de sal e extracção mineira.
Existe registo de vários acontecimentos e personagens da realeza que foram passando por Rio Maior:
- D. Fernando I participou em montarias nesta região e aqui descansou após a assinatura do tratado de paz com Castela após a entrada destes em Lisboa (1373).
- O duque de Coimbra, D. Pedro instalou nesta zona as suas tropas para se preparar para a batalha de Alfarrobeira (1449).
- Em 1802 foi atribuido o título de Conde de Rio Maior a João Vicente de Saldanha (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/05/os-condes-e-marqueses-de-rio-maior.html).
- Durante a terceira invasão napoleónica a Portugal, o general francês, Junot, é gravemente ferido na cabeça à passagem por Rio Maior (1810).
- D. Miguel também fica em Rio Maior, na chamada Casa Senhorial (http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2010/02/casa-senhorial-del-rei-d-miguel-casa-da.html) antes da batalha de Almoster que perdeu entre os liberais e miguelistas (1834)
.
Evolução demográfica da região:
- Em 1527, nos primeiros censos do reino, Rio Maior possuía 89 vizinhos e Alcobertas 40.
- No início do século XVIII, Rio Maior possuía 260 vizinhos e São João da Ribeira 300.
- Em 1758, Rio Maior possuía 3.000 pessoas com mais de sete anos e São João da Ribeira 1.830.
- Já como concelho, a evolução demográfica é a representada pelo gráfico e seguinte tabela.
Data ....... 1849 . 1900 . 1930 . 1960 . 1981 . 1991 . 2001 . 2004
Habitantes 5405 11645 15150 19356 19894 20119 21110 21621

Resumo Histórico de Rio Maior até à inauguração do actual edifício dos Paços do Concelho:
1177 – Documento mais antigo do concelho «Doacom de salinas e Rio Mayor» ;
(----) – Rio Maior pertence ao Termo da Vila de Santarém;
1449 – D. Pedro, duque de Coimbra, a caminho de Alfarrobeira;
1619 – Fundação de Albergaria Régia;
1633 – O lugar de Rio Maior passa a pertencer ao Concelho da Vila de Azambujeira;
1759 – Fundação da Santa Casa da Misericórdia de Rio Maior;
1761 – Criação da Feira Anual (actual Feira da Cebola);
1763 – A albergaria é entregue aos frades franciscanos arrábidos;
1789 – Estrada Real de D. Maria I (Lisboa – Rio Maior – Alcobaça – Coimbra);
1803 – Criação do título de Conde de Rio Maior (João V.S.O. Juzarte Figueira e Sousa);
1810 – Junot ferido aquando da 3ª Invasão Francesa;
1834 – D. Miguel (rei absolutista) pernoita nas vésperas da batalha de Almoster;
1836 – Criação do Concelho de Rio Maior;
1837 – A Câmara Municipal é instalada no edifício da albergaria;
1837 – Abitureiras é desanexada de Rio Maior e passa para Santarém;
1855 – As freguesias de Alcobertas e Fráguas passam a pertencer a Rio Maior;
1869 – Fundação do Grémio de Instrução e Recreio Riomaiorense;
1870 – Reconstrução do Hospital da Misericórdia;
1877 – Criação da freguesia de Vila da Marmeleira;
1878 – Fundação da Escola Primária da Vila;
1880 – Inauguração do Teatro Riomaiorense;
1886 – Fundação da Escola Municipal Secundária;
1892 – Fundação da Associação dos Bombeiros Voluntários de Rio Maior;
1893 – Fundação de «O Riomaiorense», primeiro jornal de Rio Maior;
1916 – Registo da Mina de Lignite do Espadanal;
1920 – Constituição da Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica Lda, Conc. das Minas do Espadanal;
1924 – Criação da Escola Comercial Municipal;
1928 – Electrificação da Vila de Rio Maior;
1935 – Inauguração do Matadouro Municipal;
1945 – Inauguração da linha férrea Rio Maior-Vale de Santarém (transporte de carvão);
1946 – Início da exploração de areeiros;
1955 – Início da laboração da Fábrica de Briquetes da Mina do Espadanal;
1957 – Fundação da empresa «Carnes Nobre»;
1962 – Criação da freguesia Arrouquelas;
1969 – Encerramento das Minas do Espadanal;
1972 – Fundação da União Desportiva de Rio Maior;
1978 – «Renascimento» do Coral e Orquestra Típica de Rio Maior;
1983 - Descoberta de vestígios de uma Villa Rustica Romana, denominada, Villa Romana de Rio Maior
1984 – Criação das freguesias de São Sebastião, São João da Ribeira e Malaqueijo.
1985 – Rio Maior é elevada a Cidade;
1992 – Inaugurado o novo edifício dos Paços do Concelho.
.
Alguns dados deste artigo foram retirados de outras páginas da internet com artigos muito interessantes, como por exemplo:
Site da Câmara Municipal
Site do Jornal Região de Rio Maior
Blog Memórias de Rio Maior
Site Wikipédia
Blog do Centro de Estudos Riomaiorenses

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Rio Maior e o 25 de Abril de 1974



Este artigo é para contextualizar a situação de Rio Maior na época da revolução dos cravos.
Vou usar excertos do excelente livro “História de Rio Maior” de Fernando Duarte e edição do autor.
Fernando Duarte tenta dar uma visão objetiva dos acontecimentos, mas conforme ele mesmo admite, sem ter a necessária distanciação temporal, já que o relato é jornalístico.


“A 17 de Janeiro de 1974, iniciaram-se, em Rio Maior, as obras de construção do primeiro cinema-estúdio do Ribatejo, de que é proprietário Fernando Casimiro. O projecto, modernista, é da autoria do arquitecto Jaime Dias de Azevedo, e a direcção do engenheiro Martins Vasco.
Em Fevereiro de 1974, comemora-se o 50º aniversário da Escola Comercial Municipal de Rio Maior. Estão concluídos o pavilhão gimno-desportivo e a nova sede da Casa do Povo de Rio Maior.
A 7 de Abril, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, visita a vila de Rio Maior.
O Almirante Américo Tomaz, Presidente da República, anuncia-se em em Fevereiro desse ano, visitará o Ribatejo: no dia 27 de Abril, Tomar; e no dia 28 de Abril, Rio Maior. Na vila, fazem-se preparativos mas a visita não se efectua pois o regime marcelista é derrubado a 25 de Abril de 1974. Nos jornais de 24, ainda se noticiam essas visitas.

O fim do Estado Novo, da ditadura de Salazar e Caetano, a 25 de Abril de 1974, é festejado em todo o concelho. Os elementos da Câmara Municipal estão demissionários mas mantêm-se até à eleição da nova Comissão Administrativa que, em Junho, toma posse no Governo Civil de Santarém. A 1 de Maio, Rio Maior manifestou exuberantemente o seu apoio ao triunfante movimento dos capitães e saúda a Junta de Salvação Nacional e o general António Spínola.
Eleita em assembleia popular, a Comissão Administrativa do Município de Rio Maior, tem a seguinte constituição: Presidente, Alberto Santos Goucha; vogais, José da Silva Pulquério, Mário Lopes Goucha, Arlindo Ferreira Santos e dr. Francisco Bergstrom Barbosa. Em Junho de 1974, esta Comissão toma posse, no Governo Civil de Santarém, no mesmo dia das de Santarém e Torres Novas. Curioso. Do acto de posse foram testemunhas, Armando Pulquério e Fernando Duarte, dois elementos do jornalismo regional.
A 24 de Julho de 1974 é impresso na tipografia de Rio Maior o nº 2.000 de Diário do Ribatejo. A 1 a 8 de Setembro, a Grande Feira realiza-se no novo clima de liberdade que se vive no país. ...
(...)
Em Dezembro comemora-se o 88º aniversário da Associação dos bombeiros Voluntários de Rio Maior e o Governador Civil desloca-se ao concelho para inaugurar a luz eléctrica em algumas das últimas povoações rurais que ainda a não possuíam.
Em Janeiro de 1975, iniciam-se, no Concelho de Rio Maior, as sessões de esclarecimento político dos vários partidos. ...
(...)
As eleições para os deputados à Assembleia Constituinte, em 25 de Abril de 1975, são, no concelho de Rio Maior, favoráveis sobretudo ao Partido Socialista e ao Partido Popular Democrático. Na vila, constituíram-se núcleos dos principais partidos. O concelho regista 13.586 eleitores.
(...)
A 13 de Julho de 1975, incidentes graves têm lugar em Rio Maior. Agricultores assaltam e destroiem, na vila, as sedes do Partido Comunista Português, na rua D. Fernando, e da Frente Socialista Popular, na rua D. Afonso Henriques. O Largo e a zona do Parque estão apinhadas de gente, irada contra os comunistas, vinda de todas as partes do concelho. Sucessivas edições de Diário do Ribatejo esgotam-se devido à objectividade da informação acerca do caso de Rio Maior. O povo diz que a Imprensa de Lisboa está manipulada pelos comunistas. Nos dias imediatos, milhares de exemplares do Diário de Lisboa e do Diário Popular, são rasgados no Largo. Forte dispositivo militar e da G.N.R. intervem. O Governador Civil desloca-se a Rio Maior. O clima é tenso e o povo não aceita a acusação de reaccionarismo. Fugitivos da prisão de Alcoentre foram capturados pela G.N.R. de Rio Maior. Na vila, gera-se uma hostilidade ao P.C.P. que se alarga a todo o país e cujos ecos chegam ao estrangeiro.
Em Agosto de 1975, Mário Soares fala num comício em Rio Maior. No mesmo mês, piquetes de vigilância interceptam, na vila, uma caravana de automóveis que, com armas, se dirigia a Leiria.
O dr. Francisco Bergstrom Barbosa demite-se da Comissão Administrativa do Município. (...)
Nos primeiros dias de Setembro, realiza-se a Grande Feira e o P.C.P. e o MDP/CDE afirmam que o ELP tem forte implantação no concelho de Rio Maior.
Um movimento de pequenos e médios agricultores, que hostiliza a reforma agrária e a ocupação selvagem de propriedades, converge para Rio maior, como centro de reivindicação. Rio Maior contesta a reforma agrária. Em Santarém após um encontro de agricultores, geram-se incidentes graves com camponeses convocados e que provoca mortes.
A 24 de Novembro de 1975 mais de 25.000 pessoas assistem em Rio Maior, a um plenário de pequenos e médios agricultores anti comunistas, reunião de significado histórico, comentada nacional e internacionalmente.
De 24 para 25 de Novembro de 1975 erguem-se barricadas em Rio Maior e durante horas é vedado o acesso a Lisboa. Uma revolução militar de esquerda saída na precipitação provocada pela tomada de posição de Rio Maior, é abafada pelas forças fiéis ao Governo do almirante Pinheiro de Azevedo.
Em Rio Maior é criada a CAP – Confederação Nacional de Agricultores.
(...)
Enquanto tudo isto se passa ainda sem proporcionar uma adequada perspectiva histórica ao estudioso, que só o tempo facultará, para um julgamento objectivo, os factos aqui ficam relatados com isenção. E uma coisa é certa – de um ponto de vista da história regional – na Câmara Municipal de Rio Maior há um notório esforço de dinamização, em situações nem sempre fáceis, mas Rio Maior caminha, confiante, no progresso do país novo e democrático criado pelo Movimento do 25 de Abril.”


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Rio Maior em 1870

Uma imagem da Região de Rio Maior na década de 1870 pode ser retirada dos livros “Chorographia Moderna do Reino de Portugal”

No volume I de 1874 pode-se ver uma descrição da Serra dos Candeeiros e do rio Maior. 


Serra de Alcobertas (das), dos Candieiros ou dos Molianos.— A Oeste da Villa de Alcanede, na Freguezia das Alcobertas (concelho de Rio Maior) mencionam quasi todos os auctores esta serra, que nos parece não ser mais do que o resto das ondulações do terreno na extremidade da grande serrania de Minde, a que o povo da dita Freguezia das Alcobertas deu este nome, e alguns auctores o de serra dos Candieiros ou dos Molianos.
Não é possivel sem temeridade assignar-lhe dimensões, exceptuando a altura que é de 485m. João Baptista de Castro diz haver n'esta serra uma grande concavidade e dentro uma espécie de pedra que parece crystal, muito procurada para embrechados e brutescos. 

Rio Maior — Nasce duas leguas a Oeste de Alcanede: corre ao Sul e depois a S. E. ; passa em Rio Maior (a S. O.) onde tem bella ponte de cantaria : uma legua mais abaixo volta a E. S. E. ; passa uma legua ao Sul de Azambujeira: inclina depois para S. E. até á ponte d'Asseca, passando logo abaixo sob a ponte da via ferrea do norte; e voltando depois para S. S. O. até entrar no canal denominado Valla d' Azambuja, a qual segue quasi parallelamente ao Tejo, onde vae entrar 3 1/2k ao S. de Azambuja.
O curso do rio é de 14 léguas, das quaes 5 no encanamento da valla. 
Affluentes do Rio Maior
- Ribeira de Almoster — Nasce na Freguezia de Cercal, 6k a N. O. de Alcoentre: corre a S. E.; passa 1/2k a N. E. de Alcoentre, e 1/2l mais abaixo muda a direcção geral para E. N. E.: passa 1k ao S. de Alcoentrinho, em Almoster (a Oeste) e 1/2l mais abaixo entra no Rio Maior, com 6 leguas de curso.
 Tem tres pontes de madeira e uma de cantaria.
- Ribeira das Alcobertas ou de Calhariz.— Nasce na Freguezia das Alcobertas a Oeste de Alcanede: corre a S. E.; passa 1k a Este da Villa da Azambujeira, e logo entra no rio Maior com 5 leguas de curso. 

No volume IV de 1876 consegue-se uma descrição do Concelho de Rio Maior.

CONCELHO DE RIO MAIOR PATRIARCHADO COMARCA DE SANTAREM

ALCOBERTAS (1)
Antiga Freguezia de Santa Maria Magdalena no Logar de Alcobertas, curato da apresentação dos freguezes, no Termo da Villa de Alcanede. 
Em 1840 pertencia esta Freguezia ao concelho de Alcanede, extincta pelo decreto de 24 de outubro de 1855, pelo qual passou ao de Rio Maior.
Está situado o Logar das Alcobertas em valle, na serra das Alcobertas ou dos Candieiros. 
Tem estrada para Rio Maior.
Dista de Rio Maior 12k para N. N. E. 
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Feira ou Teira, Portella, Chans, Casaes dos Monizes, Sourons ou Serões, Alqueidão Velho; e os casaes de Val de Feira ou Val de Teira, Fonte Longa, da Velha, Cadouço, Ribeira de Baixo, Ribeira de Cima.
Vem mencionados em Carvalho, além do Logar das Alcobertas com uma ermida do Espirito Santo, os logares de Sourões com uma dita de Santo Amaro, e Alqueidão Velho com uma dita de S. Lourenço. 

População segundo a Chorographia de Carvalho
População segundo a Chorographia de Almeida 207 fogos 
População segundo Estatistica Parochial 212 fogos; 840 habitantes
População segundo Estatistica Civil 870 habitantes 
Recolhe milho, trigo, cevada e vinho.

ARRUDA DOS PISÕES (2)
Antiga Freguezia de S. Gregorio, vigaria e commenda da ordem de Aviz, sendo a apresentação da mesa da Consciencia em freire professo da mesma ordem (na Estatistica Parochial vem a apresentação do Marquez de Niza), no Termo da Villa de Santarem. 
Está situado o Logar de Arruda dos Pizões em valle junto á ribeira das Alcobertas. Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 11k para E. S. E.
Comprehende mais esta Freguezia os casaes da Boa Vista e Bréjo. 
Vem mencionados no Diccionario Geographico Manuscripto os Iogares de Pizões e Boa Vista.

População segundo a Chorographia de Almeida 40 fogos
População segundo Estatistica Parochial 52 fogos; 200 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 220 habitantes
AZAMBUJEIRA (3)
Antiga Villa d'Azambujeira, na antiga comarca de Santarem. Donatario o Conde de Soure.
Está situada em um monte entre o rio Maior e a ribeira das Alcobertas ou de Calhariz, 1/2k a O. N. O. da margem esquerda do dito rio Maior,11k a O. N. O. da margem direita do Tejo.
Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 18k para S. E. 
Tem uma só Freguezia da invocação de Nossa Senhora do Rozario, vigaria da apresentação do arcebispo de Lisboa, segundo Carvalho, da apresentação do Conde de Soure, Diccionario Geographico Manuscripto e Estatistica Parochial.
Comprehende esta Freguezia, além da Villa, os logarees de Alfouves, Calhariz; os casaes de Boa Vista, Tagoeiro (Tegarrejo no mappa topographico) de Cima, Tagoeiro de Baixo, Casalinho, Regato, Casal das Figueiras, Freixial; e a quinta do Carvalhal de Baixo. 
Vem mencionado em Carvalho o Logar de Affouves.

População segundo a Chorographia de Carvalho 40 fogos 
População segundo a Chorographia de Almeida 86 fogos
População segundo Estatistica Parochial 100 fogos; 398 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 392 habitantes
É abundante de trigo, milho, centeio, legumes, vinho, gado e caça. 
D. João IV elevou á categoria de Villa, em 1654, o antigo Logar de Azambujeira que pertencia n'esse tempo á Freguezia de S. João da Ribeira, do Termo de Santarem; e a doou a Lourenço Pires de Carvalho, provedor das obras e paços reaes, e depois em virtude de casamento da unica herdeira veiu a passar á casa dos Conde de Soure.
O nome de Azambujeira deve-o ao grande numero de zambujos ou azambujos, como alguns diziam, que ha pelos seus contornos. 

FRAGOAS (4)
Antiga Freguezia de Santo Antonio de Fragoas, capellania da ordem de Aviz pertencente á commarca de Alcanede, no Termo d'esta Villa 
Em 1840 pertencia esta Freguezia ao concelho de Alcanede, extincto pelo decreto de 24 de outubro de 1855, pelo qual passou ao de Rio Maior.
Está situado o Local de Fragoas na margem esqueda da ribeira das Alcobertas, na estrada de Alcanede para Rio Maior. Dista de Rio Maior duas leguas para N. E. 
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Cabos, Carvalhões ou Carvalhaes, Ribeira das Fragoas, Ribeira dos Moinhos; os casaes de Povoas, Dourado, Rouxinol, Azenha, Moraxico; e as quintas de Mamposteiro e Ortiga.
Vem mencionados em Carvalho, além do Logar de Fragoas séde da egreja parochial, os logares de Cabos com uma ermida de S. Sebastião, Carvalhos com uma dita de S. Gregorio. 
Tambem ali havia em um ermo, e muito distante da Freguezia, uma ermida de S. Miguel que em tempos remotos foi parochia.

População segundo a Chorographia de Almeida 144 fogos
População segundo Estatistica Parochial 140 fogos; 536 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 581 habitantes
Tem feira a 29 de setembro que dura 3 dias. 

OUTEIRO DA CORTIÇADA (5)
Antiga Freguezia de Nossa Senhora da Ribeira da Cortiçada, curato da apresentação do parocho da Freguezia de Abitureiras, do Termo de Santarem ao qual também pertencia esta Freguezia de Nossa Senhora da Ribeira, que hoje chamam do Outeiro da Cortiçada por comprehender o Logar do Outeiro, que parece pertencia em 1708 á Freguezia de Santa Maria de Almoster.
Está situado o Logar do Outeiro na margem direita da ribeira das Alcobertas. Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 11k para Este. 
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Val de Marinhas, Correias; os casaes Alto, da Raposa, da Cortiçada; e a quinta do Cubo.

População segundo a Chorographia de Carvalho 134 fogos 
População segundo a Chorographia de Almeida 95 fogos
População segundo Estatistica Parochial 108 fogos; 414 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 411 habitantes
A egreja parochial está mais de 1/2k a Este do Logar do Outeiro, além da ribeira e proxima ao casal da Cortiçada. 

RIBEIRA (S. JOÃO DA) (6)
Antiga Freguezia de S. João Baptista da Ribeira, vigaria da apresentação do convento de S. João Evangelista (Loios) de Santarem, no Termo da Villa Hoje é priorado 
Está situado o Logar de S. João da Ribeira na margem esquerda do rio Maior.
Dista de Rio Maior (para onde tem estrada) 12k para S. E. 
Por decreto de 3 janeiro de 1847 foi constituido este Logar cabeça do concelho de Rio Maior. 
Ignoramos a data do decreto que invalidou esta disposição.
Comprehende mais esta Freguezia os logares de Marmelleira (grande Logar segundo o mappa topographico), Assentis, Arrouquellas, Malaqueijo, Quintas; os casaes de Ventuzella, Ribeira; as quintas de S. Jurge, Ferraria, Santa Barbara, Lagarata ou Escagarata, Angustias, Seabra; e as Habitações Isoladas de Bairro, Miguel ou Antonio Miguel, Amieira, Curiosa, Brejo, Val de Barcos, Frazoas, Charneca.
Vem mencionados em Carvalho, além do Logar de S. João Baptista da Ribeira, séde da egreja, os logares de Malhaqueijo, Marmeleira, Assentis, Arrouquella, cada um com sua ermida. 

População segundo a Chorographia de Carvalho 300 fogos
População segundo Estatistica Parochial 601 fogos; 2201 habitantes 
População segundo Estatistica Civil 2542 habitantes


RIO MAIOR (7)
Antiga Freguezia de Nossa Senhora da Conceição no Logar de Rio
Maior, priorado da ordem de Aviz, da apresentação da Mesa da Consciencia, no Termo de Santarem, que posteriormente a 1708 foi elevado á categoria de Villa, e hoje é cabeça do actual concelho de Rio Maior. 
Está situada a Villa entre duas ribeiras que juntando-se formam o chamado Rio Maior.
Tem estradas reaes para Alcoentre e para a real das Caldas a Leiria. 
Dista de Santarem 6l para O. N. O.
Tem uma só Freguezia, que é a supra indicada. 
Comprehende esta Freguezia, além da Villa, os logares de Carraxana ou Escarraxana, Vivenda (Casaes da Vivenda no mappa topographico), Freiria, Assenta, Porta de Teiva, Fonte da Bica, Casal do Callado, Pé da Serra, Lobo Morto, Caniceira, Sidral ou Cidral, Azinheira, Ante-Porta ou Entre-Porta, Bouças, Panasqueira, Asseiceira; os casaes de Abixanas, Valle d'Obidos, Traz da Serra (Casaes da Serra no mappa), Alto da Serra; as quintas de Varzea, S. Paio, Logradouro, Bastilhas, Sobreiros; das Habitações Isoladas de Valles, Ribeira de Cima, Ribeira de Baixo, Val das Laranjas, Chainça.
Segundo o Diccionario Chorographico de José Avellino de Almeida ha para o lado septentrional da Villa uma pequena planicie cercada de pouco elevadas collinas, e no meio um poço empedrado de 25 palmos de profundidade, todo dividido em tanques pertencentes a diversos proprietarios, aonde se fabrica excellente sal, muito superior ao sal marinho; e em outra planicie mais consideravel, no sitio chamado Marinha Velha, é tradição que havia outro semelhante poço, com agua egualmente propria para sal, e que em todo este terreno mostra poder encontrar-se da mesma agua e promover uma industria muito importante; achando-se além d'isso o terreno desaproveitado para a agricultura porque nada produz. 

População segundo a Chorographia de Carvalho 270 fogos
População segundo a Chorographia de Almeida 850 fogos 
População segundo Estatistica Parochial 912 fogos; 3020 habitantes
População segundo Estatistica Civil 3400 habitantes 
Tem feira annual de 3 dias, começando em 15 de setembro.

Tem este concelho : 
Superficie, em hectares 33471
População, habitantes 8416 
Freguezias, segundo a Estatistica Civil 7
Predios, inscriptos na matriz 10229