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domingo, 10 de junho de 2012

Barroco de Arrifana - Arrouquelas

O Barroco de Arrifana fica na encosta Sul de Arrouquelas.
Na realidade, aqui barroco não se refere ao estilo artístico que floresceu no século XVIII, mas ao seu significado de Cova ou Barranco. Também, apesar de se chamar Barroco de Arrifana, fica em Arrouquelas.
 
A realidade é que este local é hoje em dia quase mágico. Quem aqui vem, passa a entrar num ambiente diferente de qualquer paisagem que lhe fique perto.
Esta garganta é fruto de o terreno ser muito arenoso e de estar a ser cavado por um pequeno ribeiro que por aqui passa. Sempre que chove, mais um pouco da areia fina é arrastada pela água e mais cavado fica o desfiladeiro.
Neste local também se dava uma espécie de iniciação dos jovens da terra, em que estes eram incentivados a subir ao topo das ‘ilhas’ que aí se formam.






Este local inspirou António Rogério Jesuíno Bom que fez umas quadras que de seguida transcrevo e que desde já agradeço ao autor a autorização que me deu à sua publicação.

             A VOZ DO BARRÔCO

                                 I
Teus avós me deram o nome
Num baptismo que foi errado
Continuam a dizer que sou de Arrifana
Por isso estou muito zangado.

                                                                     II
                                               Todos me olham e me admiram
                                                É para Arrouquelas que estou voltado
                                                Encontro-me muito triste
                                                Continuo a ser filho rejeitado

                   III
Recuso ser de quem me dizem
Não foi para eles que cresci
Sempre tive de costas voltado
Sou de Arrouquelas, estou aqui!

                                                                  IV
                                                Arrifana diz que sou vosso
                                                Eles sempre tiveram razão
                                                Pois em mim reconhecem
                                                Por Arrouquelas, a única paixão.

                        V
Nasci nesta encosta com posição
Aqui bem juntinho ao rio
Tenho bastante admiração
Pela brancura do vosso casario.

                                                                    VI
                                                  Não posso negar quem sou
                                                  Mas também não peço fama
                                                  Uma coisa, a vós pedir vou
                                                  Não digam que sou de Arrifana.

                    VII
Estou deserto e abandonado
Mas tenho água e coisas belas
Quando for mais visitado
Serei um valor para Arrouquelas.

                                                           António Rogério Jesuíno Bom
                                                                            15 /07 /2001

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Buraco dos Mouros em Arrouquelas

Buraco dos Mouros fica na encosta do Corticinho em Arrouquelas. Em coordenadas, será algo como 39º15’2”N,8º53’7”W.

Segundo a história verbal que passou por várias gerações, aqui existiu em tempos um posto de vigia dos mouros. Faz algum sentido, pois esta encosta é virada a Norte que foi de onde os Cristãos vinham a conquistar estas terras. Também segundo a história verbal, este Buraco dos Mouros tinha ligação com a quinta do Horte que fica entre a Póvoa de Manique e Vila Nova de São Pedro.
Agora o local encontra-se cheio de mato que impossibilita chegar à entrada principal do Buraco dos Mouros, mas percorrendo a encosta do Corticinho nota-se que esta possui muitos buracos de dimensões a quase permitirem a passagem de uma pessoa. Depreendo que o Buraco dos Mouros seja um túnel cavado pela força da água das chuvas que entrando pelos vários buracos existentes na encosta, criou um rio subterrâneo que alimenta uma pequena ribeira à sua saída. Quem já entrou no Buraco dos Mouros, descreve-o como um túnel muito comprido, com várias ramificações e que metia medo andar lá dentro.
 
A imagem seguinte é a vista que se tem sobre Arouquelas, estando na Encosta do Corticinho.

domingo, 29 de abril de 2012

Kids Bike Tour - Arrouquelas

 
Realizou-se hoje o ‘Kids Bike Tour’, promovido pela Associação de Cicloturismo “Os Amigos da Roda” de Arrouquelas.
Apesar de o dia não estar bonito e com chuva regular, o clube conseguiu juntar cerca de 40 crianças bem dispostas, para este evento. A juntar às crianças houveram outros tantos adultos que também quiseram dar o seu contributo, participando no passeio.
Apesar de algumas quedas, que nestas provas existem sempre, chegaram todos ao final do passeio a onde a organização a todos surpreendeu com um lanche.
Excelente iniciativa deste clube, que mesmo em terras pequenas, consegue mobilizar tanta gente.






As fotos do evento estarão disponíveis em:

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cristãos Novos

Massacre
Foi a 19 de Abril de 1506 (Fez ontem 506 anos) que se deu o início do Massacre de Lisboa, também conhecido como Matança da Páscoa ou ainda com Pogrom de Lisboa (Progrom é um ataque violento e maciço a pessoas com a destruição dos seus bens). Nesta matança que se prolongou por três dias, uma multidão perseguiu, torturou e matou centenas de pessoas acusadas de serem judias.
 
Árabes
A península Ibérica foi conquistada pelos Árabes entre os anos 711 e 713. A este novo espaço foi dado o nome de al-Garb al-Andalus (daqui advém o nome de Algarve). Na atual Estremadura portuguesa, desenvolveram-se os centros urbanos de al-Usbuna (Lisboa) e de Santarin (Santarém).
Os vestígios da longa permanência muçulmana são relativamente poucos, principalmente porque a política dos conquistadores cristãos foi a de destruir cada localidade retomada aos árabes e a de queima dos seus pertences. Mesmo assim, chegaram alguns vestígios árabes até aos nossos dias como a atual igreja matriz de Mértola (Antiga mesquita).
Também no concelho de Rio Maior é difícil identificar um vestígio que sem qualquer dúvida se possa caracterizar como muçulmano. Isto a pesar das muitas lendas e atribuições de nomes árabes a algumas construções, como a torre mourisca (S.J. da Ribeira), fonte mourisca (Assentiz), ...
D. Afonso Henriques nasceu em 1109 (ou 1108) e passa de facto a governar o Condado Portucalense em 1128. Em 1145 conquista Leiria, em 1147 Santarém e no mesmo ano Lisboa. O Algarve foi a última porção de território português a ser definitivamente conquistado aos mouros em 1249, no reinado de D. Afonso III.
Para evitar abusos aos muçulmanos por parte dos cristãos, ainda no século XII, D. Afonso Henriques outorgou aos mouros uma carta de fidelidade (amizade) e segurança. Nesta carta o novo rei dava liberdade aos mouros e garantia que a nenhum cristão seria reconhecido o direito de os maltratar.

Judeus
Acredita-se que os primeiros judeus chegaram à Península Ibérica ainda durante o reino do rei Salomão (970-931 a.C.), com os comerciantes de Tiro (fenícios).
As sucessivas invasões a Israel causaram a dispersão do povo hebreu pelo mundo (Diáspora). Estes exilados fizeram crescer em grande número a população judaica na Península Ibérica, na qual fundaram muitas comunidades e contribuíram para o florescimento cultural, económico e científico.
Em Santarém a comunidade judaica era numerosa e próspera já no período muçulmano. Estando Santarém no coração da lezíria e com uma localização privilegiada, foi desde sempre um próspero centro agrícula e comercial onde afluíram judeus. A Judiaria (bairro judeu) de Santarém constituiu uma das sete comarcas definidas por D. Dinis (1279-1325) e foi reconfirmada por D. João I (1385-1433). Em Santarém, os judeus dedicavam-se às atividades artesanais e intelectuais.

Morte aos Hereges
O combate aos hereges, começou a tomar forma com um tratado escrito pelo abade Pedro, que chefiava a abadia de Cluny em França, durante o século XII. Ele afirmava que para eliminar a heresia do seio da Igreja Católica era necessária uma purgação a realizar em quatro fases: Investigação, discussão, achado e defesa. Assim, começou-se a desenhar a Inquisição.
A Inquisição entrou em decadência com o Renascimento (século XV), mas em Espanha e Portugal ela foi revigorada, com a perseguição não apenas dos hereges, mas sobretudo dos judeus.
Porque é que os judeus passaram a ser considerados ‘criminosos’?
No século IV o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, mas já no ano 325, o Concílio de Niceia culpava os judeus pela morte de Jesus (esta acusação só foi retirada pelo Vaticano em 1965). Esta hostilidade aos judeus advém em grande parte do ‘Novo Testamento’ em que existem referências que podem ser entendidas como os judeus terem sido os culpados pela morte de Jesus e de terem ligações com o diabo. Os pregadores cristãos começaram a falar mal dos judeus e assim começaram a crescer os mitos da ligação deles com rituais e atitudes satânicas. O anti-semitismo foi crescendo cada vez mais sendo os judeus acusados de todos os males que ocorriam, como secas e pestes. Os direitos e liberdades dos judeus começaram a ser restringidos.
A Inglaterra expulsou os Judeus em 1290 e a França em 1306. A Espanha em 1391 assassinou cerca de 4 mil judeus em Sevilha. Para escapar à morte, milhares de judeus espanhóis procuraram o batismo, embora muitos continuassem a praticar a sua religião secretamente. Em 1478, o papa Xisto IV, autorizou a criação oficial do Tribunal da Inquisição em Espanha. Como o confisco dos bens dos acusados pela Inquisição era norma, esta passou a ser uma ferramenta usada para o saque aos bens dos judeus. Em 1492 os reis espanhóis decretaram a expulsão de todos os judeus que não aceitassem a imediata conversão ao cristianismo. Quase 150 mil judeus atravessaram a fronteira e vieram para Portugal.


Cristão Novos
Em Portugal os cristãos, muçulmanos e judeus mantinham uma boa convivência.
O rei D. Manuel I decidiu casar com Isabel, filha dos reis espanhóis que exigiram que Portugal expulsasse os judeus. Como os judeus eram responsáveis por uma importante parcela da economia nacional o rei preferiu transformá-los em Cristãos Novos por meio de um batismo forçado em 1497.
A violência explodiu em 1506, com o massacre de Lisboa, conforme está descrito no início deste artigo.
Em 32 de Maio de 1536, o rei D. João III teve autorização do papa para instalar a Inquisição em Portugal. A partir desta data foram mortos muitos Cristãos Novos nos autos-de-fé da Inquisição e estes tribunais foram usados para retirar os bens aos acusados que por muitos eram cobiçados.
Durante o período dos reis espanhóis (1580-1640) a Inquisição teve de alargar a sua base de apoio e controlo da população. Foram criados os conhecidos Familiares do Santo Ofício que tratavam-se de agentes locais da Inquisição com a função de recolherem informação, denunciarem, acompanharem a prisão e participarem no saque dos bens do condenado.
O Marquês de Pombal, foi dos poucos políticos que conseguiu dominar a máquina da Inquisição e em 25 de Maio de 1773, acaba com a distinção entre Cristãos Velhos e Cristãos Novos.
A Inquisição acabou oficialmente em 1821 em Portugal e em 1834 em Espanha.

Descobrimentos Portugueses
Os descobrimentos Portugueses, foram o conjunto de viagens e explorações marítimas realizadas entre 1415 e 1543 pelos portugueses.
Interessante é relacionar a fase de ouro da nacionalidade portuguesa com a época de grande tolerância e boa convivência entre povos que aqui habitavam. De notar que desde o final do século XIII os judeus vêm sendo escorraçados das outras nações europeias e que tinham em Portugal um porto seguro. No início do século XVI começaram os problemas também em Portugal, coincidindo com o final da época dos descobrimentos.
Os judeus, mouros e gentes de outras terras que viviam em Portugal estiveram sempre na frente das explorações marítimas com novos conhecimentos e técnicas de navegação. Por exemplo, Abraão Zacuto que esteve em Portugal foi o autor de um novo e melhorado Astrolábio e editou em 1496, numa oficina em Leiria, as Tábuas Astronómicas para os anos de 1497 a 1500 (As Tábuas permitiam aos navegadores orientarem-se pelas estrelas).


Rio Maior
Nesta altura e quem teve a paciência de ler esta síntese histórica, deve-se estar a questionar da razão da existência deste artigo num blog relacionado com a região de Rio Maior.
Só peço um pouco mais de paciência que a ligação está quase a chegar.
Num censo realizado em 1527, identifica-se que em número de vizinhos (vizinhos eram famílias e em média representavam 5 pessoas) a distribuição na região era a seguinte: Arruda – 27; Outeiro – 13; Cortiçada – 6; Correias – 14; Rio Maior – 98; Arrouquelas – 5; Malaqueijo – 24;  Assentiz – 13; Marmeleira – 11; Sourões – 14; Alcobertas e Alqueidão – 40; Teira e Fonte Longa – 16 e Cabos – 6.
Parece-me um número muito reduzido de habitantes para uma zona que se encontra muito perto de Santarém (perto mesmo para os meios de locomoção da época) e para uma terra fértil em termos agrícolas, com muita água, com um subsolo rico em minerais e na altura com muita e variada fauna.
Também existem relatos que não se coadunam com uma terra de pequenas dimensões, como: D. Fernando (reinou entre 1367 e 1383) visitou várias vezes Rio Maior para descansar e caçar; existe uma referência a D. Fernando ter vindo para Rio Maior com a sua Côrte após assinada a paz com Castela; D. Pedro, duque de Coimbra ficou em Rio Maior antes da batalha de Alfarrobeira (onde veio a falecer); ...
Em Arrouquelas, por exemplo, enquanto em 1527 só foram identificadas 5 famílas, existem relatos de nesta aldeia já ter havido: Uma possível mesquita (vestígios encontrados por baixo da atual igreja); várias fontes de mergulho muito antigas; um açude em estacaria de madeira associado a uma azenha; uma fábrica de Tijolo Ladrilho; uma ferraria; um lagar; ...
Embora algumas destas referências possam não ser completamente verdadeiras, quero é evidenciar o aparente desfasamento entre o número de habitantes em 1527 e a importância e ocupação que as terras da região tinham.
Sabendo que esta região era habitada por mouros e judeus e que a partir de 1506 começou o massacre, arresto de bens e destruição das edificações dos Cristãos Novos, é muito provável que aqui também tenha havido um massacre.
Continuando com o exemplo de Arrouquelas e com base no artigo referenciado a seguir que se encontra no site da Junta de Freguesia de Arrouquelas, junto à igreja, existe um local (os Mor Tórios) que segundo a lenda, houve aí uma grande mortandade.

Apesar desta época da história portuguesa ter partes bastantes escuras, seria bom realizar um estudo mais exaustivo pois para criarmos um futuro sólido e coerente é fundamental conhecermos o nosso passado, pelo menos, para não voltarmos a cometer os mesmos erros.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Fim de um lago em Arrouquelas

Em 2010, fiz um artigo sobre um lago natural em Arrouquelas com um ambiente muito agradável e que possuía água durante todo o ano.

Pois bem, nada é eterno.
As árvores foram arrancadas, o lago entulhado e o terreno lavrado.
É bom ver a diferença entre o antes e o depois.
Uns chamarão progresso, outros chamarão destruição.

domingo, 1 de abril de 2012

Fonte do Casal em Arrouquelas

A Fonte do Casal também era conhecida como Fonte dos Mouros atestando a presença dos mouros em Arrouquelas.
 
Em tempos esta fonte já foi muito procurada, juntando-se os populares junto a ela para irem buscar água e descansar do trabalho do campo.
A fonte também era conhecida pelas grandes aranhas que albergava no seu interior.
Agora a fonte encontra-se abandonada, com um grande abatimento de terra na zona da nascente e com a vegetação a invadir a zona contruída. Esta fonte merecia ser recuperada.


Pode saber mais sobre as outras fontes de Arrouquelas, em:

domingo, 25 de março de 2012

50 Anos da Freguesia de Arrouquelas.

Comemorou-se hoje em Arrouquelas, os 50 anos desta Freguesia.
 
Um dos pontos altos, foi a homenagem realizada aos fundadores da Freguesia, com a colocação de uma pedra no edifício da Junta na qual os seus nomes estão gravados. Os fundadores foram: António José Madaleno, Henrique José Fialho, Joaquim Coelho Fialho, Manuel Martinho Vitorino, Manuel Rosa Ataíde, Marcelino Relveiro Bom e Mário Relveiro Sena.

 
A Freguesia de Arrouquelas, foi criada por desanexação da Freguesia de São João da Ribeira, no decreto de 19 de Fevereiro de 1962.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Antigo Moinho em Arrouquelas.

Na rua Dr. João calado Maia, em Arrouquelas, na zona da descida para a Igreja, já existiu um grande moinho de vento.

Este moinho, pertença de Laura Marques servia para moer cereais e ainda para produzir energia eléctrica pois tinha acoplado um pequeno gerador.
Em meados da década de 80 o moinho de ferro foi vendido (embora aparentemente não tenha voltado a ser montado) e o edifício reconstruído para servir como habitação.
O novo edifício continua no mesmo local e ainda se conseguem identificar as marcas da construção original.


As mós colocadas junto à habitação lembram a todos os que por ali passam as origens deste local.

Gostaria de agradecer à D. Laura a autorização que deu para exibir a fotografia do moinho.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lavadouro Público em Arrouquelas

O Lavadouro Público em Arrouquelas, encontra-se junto à Fonte do Pote e ao poço que lhe daria água.
O lavadouro foi construído em 1985, mas inaugurado somente três anos depois a 10 de Dezembro de 1988.
Este lavadouro, como a maior parte dos que existem hoje em dia em Portugal, já não são usados pois a água canalizada e a melhoria das condições de vida da maioria das pessoas veio-lhes tirar grande parte da sua utilidade. No entanto ainda aí estão como marco de um passado recente.



Em 2017 o Lavadouro foi destruído para melhorar o acesso à Fonte do pote que lhe fica adjacente.
Ficou no seu lugar uma réplica estilizada de lavadouro para perpetuar a memória deste elemento.
Pode saber mais sobre esta obra em: 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ribeira e pontes em Arrouquelas

Não é muito visivel, mas em Arrouquelas passa uma ribeira.
Ainda menos conhecidas são as suas 4 pontes.

Ponte à entrada de Arrouquelas para quem vem de Manique do Intendente:
 
Ponte do Pontão, que foi construida pela Junta de Freguesia e Câmara Municipal, sendo inaugurada a 28 de Novembro de 1993:
 
Ponte Porto das Macieiras:
 
Ponte da Sanguinheira, inaugurada a 08 de Outubro de 2000:
 
Ora nesta última ponte, os seus construtores dicidiram deixar gravado no cimento os seus nomes: António Madail, Luis Barbara, Manuel B. Fialho, Horácio Madaleno, Alfredo Távares e Daniel Pião.

A ribeira chama-se Ribeira de Arrouquelas, também conhecida por Vala do Montujo. No entanto nas cartas militares aparece como Ribeira do Juncal.
A água que passa nesta ribeira é alimentada de outras duas que se unem à entrada de Arrouquelas. A Ribeira Vale Das Lebres que nasce para os lados das Quebradas e a Ribeira da Amieira que nasce um pouco mais para Noroeste do Campo de Golf 'Golden Eagle' num lugar chamado Vale do Paul.
A última vez que a Ribeira foi limpa remonta a 1940, quando alguns proprietários fizeram o pedido ao Governo. A limpeza ficou concluída em 1944, mas em 1945 os proprietários dos terrenos que confinavam com o rio não ganharam para o susto ao serem intimados a pagarem cerca de 230 contos (cerca de 1.147,00€) para custear parte das despesas. Valeu a intervenção do Major Valente de Carvalho, Governador Civil, que atendeu às reclamações dos proprietários.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Arrouquelas

Imagem panorâmica da localidade de Arrouquelas.

Outra imagem de um ponto um pouco mais elevado.

terça-feira, 15 de março de 2011

H2O - Associação de Jovens de Arrouquelas

H2O – Associação de Jovens de Arrouquelas.

 Tive um encontro com Alexandre Jacinto, o presidente da Associação, com o objectivo de divulgar a “H2O” neste blog.
O resultado desta ‘entrevista’ ultrapassa em muito a história da “H2O” e mostra como com iniciativa, uma pequena Associação, numa pequena terra pode ser reconhecida e ouvida não só no Concelho, mas no Mundo. Vendo o plano de actividades para os próximos 5 meses, verifica-se que a “H2O” vai realizar projectos em 6 países diferentes (Macedónia, República Checa, Albânia, Sérvia, Bulgária e Letónia).
O texto que de seguida vou reproduzir, resultou do encontro já referido com o Alexandre Jacinto e, mais do que um resumo histórico, é uma lição para que os jovens se mantenham activos, pois com bom trabalho, boas iniciativas e perseverança, não existem limites.

Tudo começou com a pergunta ‘Como surgiu o nome “H2O” para a associação?’
Citando Alexandre Jacinto:
Com o nascimento da associação, sentimos a necessidade de arranjar um nome que nos diferenciasse e “H2O” que sendo um nome original, significa origem, e naquela altura estava directamente relacionado com as nossas actividades, muito direccionadas para o meio ambiente e descidas de rios em canoas.

Em 1996 um grupo de 13 jovens Arrouquelenses mergulhava num enorme desafio, quer pela organização quer pela realização da actividade propriamente dita.
A aventura era descer o Rio Tejo da fronteira até Santarém. Foram cerca de 10 dias de aventura e convivência que fortaleceu o espírito de equipa e os laços de amizades, o que levaria à formação da associação. Em 7 de Fevereiro de 1997 era publicado oficialmente em Diário da República a criação da “H2O” – Associação de Jovens de Arrouquelas, com os seguintes objectivos:
- Promover e desenvolver actividades sociais, educativas, culturais e desportivas, com o objectivo de ocupar o tempo livre dos jovens;
- Desenvolver projectos e actividades de interesse local, em estreita colaboração com o poder local, associações ou outras pessoas;
- Defender o meio ambiente e lutar pela preservação da natureza, com especial incidência sobre a preservação da água;
- Defender e valorizar o património da Freguesia.

De início, a “H2O” estaria muito direccionada para a comunidade de Arrouquelas, mas desde cedo a nossa associação atravessou os limites da freguesia, do concelho, depois do distrito, do País e da Europa. Como tal, acolhemos sempre quem se pretenda envolver neste trabalho honroso que é pertencer a uma associação. Nomeadamente, desde que iniciámos as nossas actividades num plano internacional, tentámos sempre envolver outras organizações do nosso concelho e da nossa região, dinamizando diversas parcerias.
Inicialmente a vontade foi enorme, com grande motivação, o que levou a “H2O” a crescer e a tornar-se numa das organizações mais reconhecidas do Distrito de Santarém, com referência em vários jornais locais. Um dia o Sr. Eugénio Ferreira Vivo, que gostava de ver nos jornais as referências positivas da sua terra, pela dinâmica demonstrada pelos seus jovens, fez-nos um desafio: cedeu-nos um curral de cabras que não usava para que nós nos pudessemos reunir e guardar as nossas coisas.
Assim em 1999 pusemos mãos à obra, restaurando esse curral de cabras. Com a ajuda de muitas pessoas, entidades e muito esforço dos dirigentes e sócios da associação, em 2003 inaugurámos a nossa sede com a presença do secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins. Seria a primeira vez que tão alto cargo do governo visitava a freguesia de Arrouquelas. Na nossa sede, que é pequena, conseguimos meter lá dentro as nossas grandes ambições, tornando a associação mais forte e empenhada nos seus projectos e actividades que pautaram pelo desafio e exigência. A sede está cedida à “H2O” através de um contrato de comodato mantido mesmo após o falecimento do Ti Eugénio (como lhe chamávamos) pelos seus herdeiros. Nós agradecemos a confiança depositada. Este gesto estará sempre associado à história da associação.
Ao longo dos anos as actividades foram crescendo, tocando várias áreas de acção, sempre viradas para as questões ambientais e culturais, com uma metodologia assente na educação não formal. Ao longo dos anos o envolvimento dos mais jovens foi uma constante, tendo a “H2O” por várias vezes assumido a ocupação das crianças no período escolar, intervindo tanto fora da escola como dentro da própria escola de Arrouquelas, pois acreditamos que faz todo o sentido e é aí que o movimento associativo deve estar e ser promovido.

Não haverá dúvidas de que o que ficou na memória em questão de actividades foram as descidas de todos os rios nacionais e a participação na épica prova de canoagem em Espanha, “Descida do Sella”, onde se reuniram mais de 2.000 canoistas de todo o mundo e onde a H2O com os seus 30 participantes constituiu uma das maiores representações do evento.
Também ficou na memória a grande prova de carrinhos de rolamentos que fizemos e que trouxe à nossa terra a rádio Nacional Antena 3, que transmitiu em directo debaixo de uma oliveira um programa de 2 horas.
Outras actividades importantes foram a participação das nossas crianças no Natal do Hospital da Marinha com uma peça de teatro, peça essa que seria representada para toda a população acompanhada por um espectáculo de luz e som na rua. Ou a realização pela “H2O” do maior presépio do distrito, com 4 metros de altura e 12 de comprimento.
É também em grande parte da responsabilidade da “H2O” o início da reforma do património mais valoroso de Arrouquelas, a nossa Igreja Matriz. Primeiro tentámos arranjar a parte envolvente da Igreja, passando depois à remoção de equipamentos existentes em redor da mesma, uma situação que não seria consensual na nossa comunidade, mas que veio a confirmar-se correcta e necessária, pelo que a nossa igreja é hoje uma das mais bonitas do concelho de Rio Maior. A “H2O”, que desde sempre contribuiu para a valorização deste património, continua a fazê-lo responsabilizando-se pela iluminação da igreja em períodos festivos.
E ao longo de 14 anos de actividades, pouca coisa ficou por realizar. Dinamizámos a vivência associativa, e nas reuniões e representações em que participámos, a opinião da “H2O” e a sua experiência no movimento associativo são respeitadas.
A “H2O” é a única associação do Distrito de Santarém com dois projectos alvo do Alto Patrocínio do Presidente da República, um alto galardão de reconhecimento das nossas actividades, conseguidos em 2000 e 2001. Em 2008, pelo Sr. Primeiro Ministro José Sócrates e pelo Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, recebemos um Alto Patrocínio para um projecto de intercâmbio.
Lembro-me agora de que o primeiro vidrão existente nas freguesias do concelho de Rio Maior nasceu em Arrouquelas, pela mão da “H2O”.
Em 2005 demos um grande passo em frente, iniciámos a nossa participação em projectos internacionais, como organização de envio e organização acolhedora. A partir daqui iniciámos um novo caminho virado para a Europa e para parcerias internacionais. Podemos dizer que até hoje a “H2O” já esteve em praticamente todos os países europeus, proporcionando experiências únicas aos seus jovens. Estas actividades levaram-nos a ter relacionamentos com inúmeros parceiros um pouco por toda a Europa. Seria também um projecto Europeu que levaria o Secretário do Desporto e Juventude a visitar Arrouquelas por ocasião de um intercâmbio internacional.
É em 2007 que organizámos talvez o projecto mais ambicioso e grandioso da “H2O”, o ‘European Citizenship by the Sea we Learn’, um projecto de intercâmbio internacional, envolvendo 70 jovens de 10 países a bordo do Navio Creoula. Um projecto que exigiu um grande trabalho de equipa de toda a direcção da H2O, tendo no entanto sido recompensada, pois foi considerado um dos melhores 5 intercâmbios de 2006/2007 em toda a Europa, levando representantes da H2O a Bruxelas para a cerimónia de entrega de prémios.
Como foi dito tentámos sempre levar as nossas actividades fora dos limites da nossa freguesia, pelo que a “H2O” é talvez a única associação da região que mantém uma regularidade na dinamização de actividades na sede do concelho, nomeadamente nas escolas. Em 2008, nas comemorações do nosso aniversário organizámos um concerto de beneficência em prol dos utilizadores do centro de ensino especial “ O Ninho” com a famosa Banda da Armada.

Actualmente a “H2O” é muito solicitada pelos parceiros internacionais pelo que fazemos desta relação uma das nossas actividades predominantes, sem esquecer no entanto os OTL´s, férias em movimento, dinamização cultural e formação. Acima de tudo queremos ser um espaço para a irreverência e criatividade. Apesar das dificuldades que existem, mas que nós vemos como desafios, nunca baixámos os braços. Sabemos que os níveis de motivação nem sempre são os mesmos e é aqui que sentimos mais dificuldades, pois a “H2O” cresceu, apetrechando-se de tudo o que faz falta para fazer um bom trabalho associativo, desde materiais, financiamentos, imagem, espaços, etc.., mas, continuamos a combater alguma desmotivação das gerações mais novas para esta causa que é o movimento associativo. No entanto mantemo-nos com força e confiantes de que estamos a fazer um trabalho digno e importante, que valoriza a nossa comunidade e nós próprios, pelas inúmeras experiências positivas que nos proporcionou, e que temos a certeza que doutra forma mais individualista seriam impossíveis de concretizar. O que nos fortalece é saber que várias das tarefas em que estamos envolvidos são difíceis, perto do impossível, mas que as conseguimos concretizar, tendo a perfeita noção da importância do nosso trabalho.
Todos os projectos e actividades são pensados essencialmente para atenuar e resolver necessidades visíveis dos nossos jovens, em particular, mas de toda a população em geral. Quando os objectivos são conseguidos, nós, os organizadores, temos uma grande recompensa, pois apesar de o trabalho na organização das mesmas poder ter durado dias, semanas, ou mesmo meses, o que fica é o sentimento de dever cumprido e o enriquecimento pessoal dos envolvidos.

O plano para o futuro é manter o nosso empenho e chegar cada vez mais longe, continuando com os nossos projectos, objectivos e metodologias, pois temos vindo a atingir grandes metas deste modo.

Resta deixar os contactos da H2O:
Site    http://www.h2o.pt/
Email  h2o@h2o.org.pt

Nota: Este artigo foi realizado tendo por base a experiência de Alexandre Jacinto e ambos estamos de acordo que seria enriquecedor se outros dirigentes, colaboradores ou pessoas que se relacionam com a H2O deixassem aqui o seu comentário sobre a sua visão da associação, acontecimentos marcantes ou simplesmente opiniões. Este artigo fica mais completo com o partilhar de experiências.

sábado, 5 de março de 2011

Tradição Carnavalesca em Arrouquelas

Em Arrouquelas existe uma tradição aliada ao Carnaval que apesar de muito antiga ainda perdura nos nossos dias.
A tradição consiste nos jovens de Arrouquelas irem 'roubar' os carros (agora chamados de carroças) e os juntarem num dos largos da localidade. Este 'assalto' ocorre todos os anos na noite de sexta-feira para Sábado que precede o Carnaval.
O difícil nos nossos dias é ainda se conseguir encontrar as carroças, mas elas vão aparecendo, como mostra a figura seguinte.
É Carnaval, ninguém leva a mal.

Segundo a lenda, esta tradição está relacionada com o facto de os cristãos terem conseguido expulsar os mouros indo pela calada da noite roubar os seus valiosos instrumentos de trabalho, como os burros e as carroças.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Igor Martinho, o Chef de 2009


Igor Martinho é um dos filhos notáveis de Rio Maior, apesar de ainda só ter 26 anos.
Nasceu no hospital de Santarém a 22 de Junho de 1984, tendo sempre vivido em Arrouquelas. Arrouquelas é uma pequena terra, mas possui 3 chefes de cozinha: Igor Martinho, João Revés e Vitor Lima.
O concurso Chefe Cozinheiro do Ano é organizado pelas Edições do Gosto e pela INTER Magazine, sendo o concurso mais prestigiante para os chefes cozinheiros a residir em Portugal.
A final nacional de 2009 (a vigésima edição deste concurso) decorreu nas instalações da ACPP (Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal), em Lisboa, na qual os concorrentes após conhecerem os ingredientes disponíveis, dispunham de uma hora e meia para pensarem no menu e depois de mais cinco horas para prepararem os quatro pratos (entrada vegetariana, prato de peixe, prato de carne e sobremesa).
A entrada vegetariana que Igor Martinho preparou foi requeijão com mel, manjericão e pinhões, doce de dióspiro perfumado com iogurte e cebolinho; o prato de peixe, robalo crocante com compota de pêra e tomate, sobre miga de batata e creme de alho francês; o prato de carne, perdiz em duas maneiras com puré de castanhas, estufado de cogumelos e molho de vinho tinto e, para finalizar, pudim abade de priscos com crocante de amêndoa, creme de citrinos e redução de Porto doce.
O colectivo de júris ficou rendido à qualidade dos profissionais que se encontravam em concurso, nomeadamente o Sr, Gissur Gudmundsson, presidente da WACS (World Association of Cooks Societies) que não poupou elogios aos participantes. O melhor destes excelentes profissionais foi o Igor Martinho e a sua vitória tem ainda mais impacto ao se saber que no ano de 2010 o colectivo de júris do concurso do CCA (Chefe Cozinheiro do Ano) decidiu não atribuir o prémio a nenhum dos concorrentes.
A história de sucesso de Igor Martinho como chefe cozinheiro, começou a ser escrita 7 anos antes da conquista deste galardão de cozinheiro do ano em 2009, quando em 2002 optou por entrar para o Curso de Cozinha e Pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril.
Claro que já antes Igor Martinho mostrava ter jeito para a cozinha ao fazer alguns petiscos em casa e ao admirar a sua mãe que trabalhava na cozinha do Restaurante Golden Eagle, mas, até essa altura a sua paixão era o futebol, chegando mesmo a integrar a equipa de juniores do União Desportiva de Rio Maior. De referir que um dos tios de Igor, o Chef Hélder Diogo, já foi também galardoado como Chefe de Ano em 2000.
Desde 2002, a cozinha passou a ser a sua paixão, frequentando o Curso de Cozinha e Pastelaria entre 2002 e 2005, tendo nesse período de tempo estagiado e trabalhado em vários restaurantes, como o Hotel Le Meridien no Algarve, o Hotel Ritz Carlton em Penha Longa e o Restaurante Golden Eagle em Rio Maior.
Com o curso acabado, começou a trabalhar no Hotel Marriot na Praia del Rey, para a Indústria de Carnes Nobre, bem como noutros projectos particulares.
Em 2006 dá-se o encontro com o Chef Chakall que logo se apercebe do talento de Igor Martinho e o chama para trabalhar com ele no Restaurante Cozinha Divina e posteriormente no Restaurante Quinta dos Frades em Lisboa.
Mas o talento de Igor Martinho já não conseguia passar despercebido e em 2009 foi estagiar para o muito conceituado Restaurante gourmet Ikarus em Salzburg, Áustria. No mesmo ano ganha o concurso Chefe do Ano em Portugal.
Já em 2010 faz mais um estágio num dos melhores restaurantes do mundo, o Restaurante Noma em Copenhaga, Dinamarca.
Também em 2010 passa a ser o Chefe Executivo do Restaurante Hemingway na Marina de Cascais e abre o Restaurante ‘Igor Martinho.COM’ na sua terra natal, Arrouquelas.
Em 2010 a Assembleia Municipal de Rio Maior, aprovou por unanimidade um voto de louvor a Igor Martinho, pelo seu mérito profissional.
Esta ascensão ‘meteórica’ na carreira de Igor Martinho podia tê-lo tornado uma pessoa arrogante, mas pelo contrário, é uma pessoa profissional, conversadora e bem disposta que não esconde o que aprendeu com o Chef Argentino, Chakal, nem a admiração que possui pelo Chef Henrique Sá Pessoa (de referir que Sá Pessoa ganhou o galardão de Chefe do Ano em 2005).


O seu restaurante em Arrouquelas, o Igor Martinho.COM, está de portas abertas a quem queira saborear uns bons petiscos tradicionais, como a salada de polvo, a queixada de porco, o coelho assado no forno, o arroz de tomate e o berbigão. O seu restaurante é um espaço simpático e acolhedor para poder degustar as especialidades da terra e tem ainda espaço para continuar a desenvolver-se.



O restaurante Hemingway está situado num local de eleição, como é a Marina de Cascais e na sua esplanada ficamos com o mar a estibordo e a baía a bombordo. No seu interior moderno mas com o requinte do antigo, podemos saborear com deleite as propostas do chef incluídas no seu menu.



Projectos para o futuro não faltam e já se encontra a trabalhar neles, como o lançamento de um livro, fazer um programa televisivo, criar uma academia culinária, …
O que falta a Igor Martinho é tempo, pois as muitas solicitações que tem não o deixam muito livre para a sua vida familiar e para os seus hobbies. Continua a alimentar a sua primeira paixão, o futebol, jogando regularmente com os amigos.
Para saber mais sobre Igor Martinho, consulte o seu site em: