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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Covas do Bagaço na Serra dos Candeeiros.

Bagaço é o resíduo dos frutos que foram espremidos para lhe extrair o suco.
O Bagaço da azeitona guardava-se nas ‘Covas do Bagaço’ para ser utilizado posteriormente na alimentação dos porcos e galinhas, mas que também servia para a lareira e para adubar as terras.
 
As Covas do Bagaço são assim um equipamento mais, associado ás casas serranas. Como a oliveira se dá bem em terreno pedregoso e seco durante o Verão, esta árvore abunda na Serra dos Candeeiros e na aldeia de Chãos, por exemplo, ainda se podem ver várias destas covas.
A cova é um pequeno reservatório circular escavado no solo, não muito perfundo e que possuí um muro à sua volta. Para conservar o bagaço destinado à alimentação animal, era costume espalhar sal entre as camadas e no final tapar a cova com uma laje para a proteger da chuva.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Eiras na Serra dos Candeeiros

Eira (do latim área ou pedaço de terra) é um espaço plano com o chão duro onde os cereais eram secos, malhados e depois peneirados para se separar a palha e outros detritos dos grãos de cereais.


 
Na serra dos candeeiros pode-se encontrar eiras com a forma circular, mas também rectangulares, delimitadas por pequenos muros, apenas com uma abertura para permitir a entrada e saída. O piso é geralmente coberto de argamassa ou com lajes, mas também existem eiras com o piso em terra batida mas que precisavam de ser tratadas antes de utilizadas. Então nas eiras de terra batida, o piso era raspado e limpo, depois regado e alisado para logo de seguida se espalhar palha miúda que ao ser batida com a enxada rasa formava uma superfície bastante dura.
A imagem seguinte pertence ao arquivo do PNSAC.


A eira não era só lugar de trabalho, mas também se transformava num local de festa. As pessoas da aldeia ao se juntarem na eira permitiam uma certa descontracção e conversas animadas. Era também um local em que se cantava, dançava e claro namorava.
Estas eiras ainda existem, dispersas pelas zonas rurais, mas podem ser melhor observadas nas zonas serranas como na aldeia de Chãos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Cisternas na Serra dos Candeiros


A ausência de água à superfície em grande parte da Serra dos Candeeiros, levou a que os seus habitantes tivessem que recorrer a reservatórios de água (cisternas) para poderem ter água durante todo o ano (isto claro antes da água canalizada). Devido à natureza calcária da serra era inútil abrir poços, logo o único meio de se ter água era retendo a água da chuva.
A água era então considerado um bem precioso e utilizada apenas para o essencial do dia-a-dia das famílias (incluindo animais). Dada a sua importância, algumas aldeias possuíam mesmo cisternas comunitárias.
Para a construção das cisternas aproveitava-se pequenos algares ou depressões rochosas ou então tinha-se de as construir de raiz. As cisternas eram sempre tapadas para evitar que a água se sujasse, evaporasse ou ainda houvesse o aparecimento de algas com os inevitáveis insectos. Para a impermeabilização era tradicionalmente usada uma mistura de azeite e cal.
Engenhosa é a forma usada para encaminhar a água dos telhados para a cisterna que recorria a caleiras ou então a pequenas reentrâncias nas paredes ou muros.
Estes autênticos elementos de arquitectura rural podem ser observados em Casais Monizes ou então em Chãos.
Em Chãos a Cooperativa Terra Chã tem promovido a recuperação e revitalização das estruturas do património rural nas quais as cisternas se incluem.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Nelinho, pastor na Serra dos Candeeiros

Raúl Grabiel dos Santos Rodrigues, mais conhecido como Nelinho é casado e tem um filho.

Raúl é uma pessoa muito simpática e prestável, nasceu a 06 de Fevereiro 1971 e actualmente mora no repolho, São Sebastião embora a maior parte do tempo esteja a cuidar das 150 cabras (muitas delas prenhas) na Serra dos Candeeiros.
Ser pastor é um trabalho duro e solitário. Abrigos para a chuva são dificeis de encontrar no cimo da serra e para se protegerem do vento existem os chamados “abrigos de pastor” (pequenas paredes de pedra).
Nesta profissão é necessário saber prever o tempo, pois com muita chuva não se pode estar no topo da serra e com nevoeiro podem-se perder cabras. O conhecimento de cada recanto da serra também é essencial para se ser um bom pastor.
Os principais perigos de ser pastor na Serra dos Candeeiros são as víboras (víbora cornuda cujo veneno pode matar em 24h) e os escorpiões. Muito raramente aparecem raposas e os lobos já há muitos anos que não são vistos por esta região.

 
Raúl ao ser pastor está a abraçar o projecto de conservação da Gralha-de-bico-vermelho.

 
O projecto de “Conservação da Gralha-de-bico-vermelho na Serra dos Candeeiros” foi apresentado pela Quercus no âmbito do programa “Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade 2008-2012”. A Cooperativa “Terra Chã” é um verdadeiro parceiro operacional do projecto no terreno e que tenta dar continuidade ao projecto após os cinco anos.
A actividade de pastorícia vem dar condições para que a gralha se possa alimentar. Estas aves geralmente alimentam-se no solo de insectos, mas também de sementes e bagas. Aqui o gado tem um factor importantíssimo pois limita os arbustos e as plantas infestantes que impedem o acesso ao solo (como o carrascal e o alecrim), mas também as suas fezes atraem insectos que são o alimento favorito da gralha.
As primeiras cabras (cerca de 60) chegaram a Chãos no final do mês de Março de 2009. Estas cabras serranas (Ecotipo Ribatejano) pastam numa área com cerca de 200 hectares na Serra dos Candeeiros. As zonas de pastagem são perto dos algares em que as aves nidificam.

 
A presença das cabras não cria somente condições para a Gralha-de-bico-vermelho se fixar aqui na Serra dos Candeeiros, mas permite também:
- Reduzir o número e extensão dos incêndios por reduzir a quantidade de biomassa existente.
- Vender queijos certificados com leite produzido pelo rebanho.
- Permite produzir mel de excelente qualidade por darem condições ao aparecimento de flores.
- Permite criar iniciativas como a “Rota dos Pastores” em que as pessoas podem participar e viver por um dia como um pastor, acompanhando o pastor e as suas cabras na sua rota e actividades.
- Permite o desenvolvimento do turismo.


Como já foi dito, o principal dinamizador deste projecto é a Cooperativa “Terra Chã” e pode saber mais sobre ela em:

Vou terminar o artigo, agradecendo ao Nelinho pela sua ajuda e por permitir-me elaborar este artigo. A pastorícia já foi uma actividade muito importante no Concelho de Rio Maior, deve-se assim trabalhar para dignificar a profissão de pastor.

sábado, 19 de novembro de 2011

Casais Monizes

No alto da Serra dos Candeeiros existe o lugar de Casais Monizes que pertence a Alcobertas.

Este lugar árido está envolto em várias lendas, como se pode verificar no artigo:

Na terra as casas costumavam ser baixas e com portas pequenas como se pode observar na seguinte fotografia de 1943.
 
As casas eram baixas com portas pequenas, poucas janelas e muitas sem chaminé para protegerem os seus habitantes do frio e do muito vento que por aqui costuma fazer no inverno. A construção é em pedra pois esta matéria-prima abunda por toda a região.
Algumas destas casas ainda são possíveis de observar em Casais Monizes, embora a maior parte delas se encontrem ao abandono, preferindo agora os seus habitantes, como é óbvio, morar em casas novas e já com todos os confortos que a modernidade trouxe.

 
A água é um elemento que escasseia nesta terra, principalmente durante os meses de Verão. Por isso antigamente usavam-se as depressões nas rochas ou algares para servirem de cisterna, armazenando as águas da chuva. A abertura de poços é inútil por aqui devido à serra ser formada por rocha calcária.

 
Devido ao facto da terra ser árida, a agricultura sempre foi de subsistência, sendo que o gado constituía a verdadeira riqueza da região obrigando antigamente os habitantes a serem essencialmente pastores. Pelo gado os homens de Casais Monizes faziam todos os sacrifícios e criaram talhados na rocha os bebedouros para matar a sede aos animais.

 
Por estas terras o gado alimentava-se sobretudo de alecrim. Assim o alecrim sustentava os rebanhos, alimentava as abelhas que faziam o mel, desinfectava os quartos dos doentes, enfeitava os cabelos das noivas, servia de incenso na capela e dava um outro sabor às refeições. Havia assim uma dependência dos habitantes em relação a esta planta. E como refere Frederico Alves no artigo ‘Casais Monizes – A Serra dos Degredados’ que publicou em 1943 no ‘Multidão’, a planta do alecrim que em noutras terras é desprezada, aqui assume o estatuto de ‘planta sagrada’, cuidada como algo muito precioso por seus habitantes.

 
Para se poder usar o solo para a agricultura e pastorícia teve de se limpar este das pedras calcárias que o cobriam. As pedras foram usadas para construir muros, delimitando assim as propriedades, mas ao mesmo tempo protegendo as culturas dos ventos fortes.


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Escarpa de Penas de Andorinha em Alcobertas


Na estrada que vai de Alcobertas para Casais Monizes, na subida após a passagem dos três moinhos, encontra-se a tabuleta que indica o local de Penas da Andorinha.
Estacionando aí o carro, tem-se que andar apenas alguns metros por mato rasteiro e calcários carsificados para se chegar ao penhasco com algumas dezenas de metros de altura.
Este penhasco é na verdade uma escarpa de falha que acompanha o alinhamento tectónico Porto de Mós – Rio Maior com a orientação NNE-SSW.




A vista sobre o vale e sobre a formação rochosa é muito bonita, valendo a pena a sua visita, embora se tenha de ter cuidado com as quedas.
Este local está indicado para montanhismo e escaladas.
De seguida, um esquema de uma escarpa de falha com uma breve explicação.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Capela em Chãos

Quem chega a Chãos em Alcobertas depara-se com uma pequena capela de arquitectura simples mas que serve perfeitamente como lugar de oração e reflexão.
A capela foi inaugurada a 05 de Março de 1989 com o apoio da Junta de Freguesia e Câmara Municipal. O Povo do lugar também contribuiu para a sua construção.



Há uma lenda sobre Chãos e sobre São Francisco ser o seu Santo padroeiro.
Há muitos anos, chegaram a estas terras uns homens em cima de uma carroça. Quando passavam pela aldeia, um deles que se chamava Francisco caiu. Os colegas começaram a chamar pelo Francisco ao que este respondeu “Estou nos Chãos”. Todos acharam piada ao Francisco ter dito Chãos em vez de Chão e assim a aldeia passou a ser conhecida por “Chãos” e o Santo padroeiro da aldeia, São Francisco.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Capela em Casais Monizes

No largo principal de Casais Monizes, encontra-se uma capela que embora seja de estilo simples já é quase centenária.
Como se pode verificar na pedra que se encontra sobre a porta de entrada, a capela foi feita pelo povo deste lugar em Agosto de 1918.

domingo, 1 de agosto de 2010

Azenhas em Alcobertas

Sendo Alcobertas uma espécie de oásis no meio desta zona árida da serra dos candeeiros, não é de estranhar que a água que brota da nascente no seu 'olho d'água' tenha sido bem aproveitada aos longos dos tempos com recurso ás tecnologias da época.
Ainda não vai muito tempo as azenhas eram usadas para moer cereais e aqui em Alcobertas ainda restam vestígios de duas delas.
Logo na nascente, a ribeira divide-se em duas. Seguindo o braço de água que segue pelo nível superior, a poucos metros de distância pode-se observar que a água desaparece por baixo de uma casa que de momento se encontra em reconstrução.
Do outro lado a água reaparece numa conduta que vai ter á roda da azenha.

Neste lugar estranhamente verde, mas de uma incrível beleza encontra-se a roda que aproveita a energia da água para fazer mover a mó do moinho.
Muito recentemente este moinho ainda produzia mais de duas toneladas de farinha por ano.

Um pouco mais abaixo, e já após os dois braços de água se terem unido novamente encontra-se uma grande cascata e o recuperado edifício de uma outra azenha.


Este património merece de ser conservado, pois para além de fazerem parte de um conjunto de construções que valorizam toda uma zona, são memórias de um passado não muito distante cronologicamente, mas que devido ao incrível avanço tecnológico dos nossos dias já poucos jovens sabem para que serviram. Preservar o passado é garantir um futuro sustentado.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Lenda de Casais Monizes

Lendas de Casais Monizes.
Casais Monizes é uma pequena localidade situada na Serra dos Candeeiros e que pertence a Alcobertas.
Terra ventosa em que as principais fontes de rendimento são a agricultura, a criação de animais e a extracção de pedra.
Casais Monizes é uma terra pequena, mas de habitantes orgulhosos do espaço em que nasceram e viveram.
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1- Lenda dos Casais Monizes
No tempo dos reis, há muitos anos atrás, um homem chamado Moniz foi castigado pelo rei a viver no Alto da Serra dos Candeeiros por desobediência.
Desolado pelo castigo recebido, Moniz viu-se sozinho e sem nada num local em que o terreno era pobre e muito pedregoso.
Sua sorte começou a mudar quando se apaixonou e mais tarde veio a casar com uma bela rapariga que por ali passava. Os filhos foram nascendo e para manter a família Moniz teve de cultivar os terrenos à volta de sua casa e para a sua rega teve de construir uma cisterna em pedra de modo a guardar a água da época das chuvas (Primeira cisterna de Casais Monizes).
Com os filhos já crescido e tendo ido pedir o perdão ao rei, o monarca não só lhe perdoou a desobediência, como o recompensou, dando-lhe as terras de Casais Monizes.
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2- Lenda do Degredo
Como manter as pessoas nas prisões acarretava despesas elevadas à administração real, surgiu a ideia de usar os criminosos como agentes de colonização e povoamento das terras. Assim sendo, o degredo era uma das punições que existiam para crimes cometidos, desde o início da época colonial portuguesa. O degredo no Brasil era uma punição usada para os crimes mais graves, seguida do degredo para África e para os crimes menos graves a punição seria para as regiões despovoadas de Portugal.
Assim surge a lenda do povoamento de Casais Monizes, conforme reportagem de Frederico Alves na publicação periódica ‘Multidão’ de 20 de Abril de 1943 (nº1, ano I).
Em resumo, os guardas levaram uma leva de condenados com suas mulheres e filhos para o Alto da Serra dos Candeeiros e aí os abandonaram às suas sortes com recomendações para não fugirem pois os habitantes das terras vizinhas teriam ordens de os matar caso os avistassem.
Naquele local desolado e tomados pela fúria, os degredados fizeram casas, muros e moinhos, tendo uma vida difícil mas conseguindo viver.
Com o passar dos anos a população foi aumentando e por todo o lado do monte foram surgindo novas vidas, até que os vizinhos se esqueceram que ali só viviam condenados.
Podendo então ir para onde quisessem, as pessoas continuaram a não sair de Casais Monizes, nem sequer para descerem o monte e virem para lugares mais férteis junto ás nascentes.
É esta então a lenda dos habitantes de Casais Monizes que sendo Homens pacíficos são muito zelosos e defensores do que é seu por direito.


Mais informação sobre Casais Monizes em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2011/11/casais-monizes.html

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Antigo Lavadouro Público em Alcobertas

Antigo Lavadouro Público em Alcobertas.
Em Alcobertas e no caminho que liga a estrada nacional ao local onde se encontram os Silos e Forno Medieval, encontra-se o Antigo Lavadouro Público de Alcobertas.
A obra que agora lá se pode apreciar já não serve como lavadouro mas como local de abrigo e descanso. Esta obra data de 2005 e o elemento principal é um painel de azulejos representando o antigo lavadouro e cenas de lavoura, que possui por cima uma pequena clarabóia, iluminando assim e de forma natural este painel.

Mesmo ao lado existe a antiga fonte à qual se ia buscar água.Esta fonte é conhecida como Fonte da Francaria.
Esta nascente encontra-se recuperada e a data da sua construção (com aparência semelhante à actual) data de 07 de Outubro de 1914, sendo construída com o apoio da Câmara e do povo segundo está gravado numa pedra colocada na parede principal.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fonte de Chãos - Alcobertas

A Fonte de Chãos é um bom refugio para quem nos dias quentes se quer aventurar a um passeio pedestre pela Serra de Candeeiros.
Esta fonte está localizada na estrada que dá acesso a Chãos para quem vem do olho d'água em Alcobertas.
A fonte foi beneficiada em 2001 e como está escrito nos azulejos, 'Respire fundo ... e preserve este local'


domingo, 11 de abril de 2010

Marco Geodésico na Serra de Candeeiros

O Marco na Serra de Candeeiros encontra-se a
N 39°26’10’’ W 08°54’06’’ Altura 487m.
O marco geodésico da Serra de Candeeiros pertence a uma rede nacional de pontos cujas coordenadas são conhecidas e a partir deles permitem fazer levantamentos topográficos. A triangulação geodésica consiste numa rede de triângulos cujos vértices são os marcos e a partir dos quais se pode determinar com precisão as coordenadas de outros pontos formando ‘triângulos’ em que um dos vértices é o ponto que se pretende saber a coordenada e os outros dois vértices são dois pontos em que as coordenadas já são conhecidas.


Em Portugal a rede geodésica é constituída por 8.000 marcos e o seu centro geodésico está situado na Serra da Melriça em Vila do Rei (Aqui se pode encontrar o Marco Geodésico padrão construído em 1802).
Os marcos geodésicos são sempre colocados em locais elevados e isolados de modo a terem linha de visão com outros vértices e dividem-se em 3 ordens de grandeza:
1ª ordem Pirâmide quandrangular distanciando entre 30 a 60km
2ª ordem Cilindro mais cone com listas distanciando entre 20 a 30km
3ª ordem Cilindro mais cone pequeno com listas distanciando entre 5 a 10km.


A história da cartografia moderna em Portugal iniciou-se no século XVIII, quando D. Maria I encarregou a Academia Real da Marinha de iniciar os trabalhos de triangulação do território.
Mais recentemente, no início da década de 60 foi introduzido o sistema MED (Medição Electrónica de Distâncias).
Desde então tem-se recorrido aos satélites, começando com os Echo I e II, passando a partir de 1965 ao uso dos satélites Geos A e B e mais tarde com o sistema Transit. Desde a década de 90 que o sistema de navegação GPS (Global Positioning System) se tem imposto como o principal sistema de posicionamento, estando no entanto para breve a entrada em funcionamento do sistema de satélites europeu, Galileu.

sábado, 10 de abril de 2010

Lagoa na Serra de Candeeiros

Na Serra de Candeeiros existe uma pequena lagoa encaixada num vale.
Esta lagoa serve como reservatório de água das chuvas no meio da aridez da serra de Candeeiros. Este ponto de água é procurado pelo gado que por aqui pasta e pela fauna selvagem. Constitui também um importante reservatório de água usado pelos helicópteros no combate aos incêndios.
Pode-se tomar um banho nesta lagoa, mas tem que se ter atenção pois no centro a água atinge uma profundidade considerável e aqui infelizmente já se registaram mortes por afogamento, como a que o cruzeiro serve de memorial (Pedro Décimo faleceu aqui no dia 05 de Abril de 2003 com 29 anos).

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Gruta de Alcobertas

Gruta de Alcobertas

A gruta de Alcobertas toma o nome da freguesia a onde se encontra e os primeiros registos conhecidos desta gruta datam de 1872 a quando da publicação do livro ‘Diário Ilustrado nº127’ escrito por Bernardino Soveral e no qual descreve as formações cristalinas da gruta já em pormenor. Posteriormente em 1878 no livro ‘Portugal Antigo e Moderno’, Pinho Leal dedica 3 páginas com descrições detalhadas e no qual esta gruta é já descrita como uma das mais bonitas da Europa. Em Abril de 1880 foram realizadas escavações com objectivos arqueológicos por António Mendes (pertencente à antiga Comissão Geológica) e sob a orientação de Carlos Ribeiro e Nery Delgado. Foram encontrados restos osteológicos e um crânio incompleto.
A gruta tem formações que se distinguem pelas suas transparências e pelas diferentes côres que possuem.
Estando localizada numa das encostas da Serra dos Candeeiros a gruta tem uma extensão de 210 metros com uma altura que em alguns locais atinge os 9 metros e é constituída por quatro galerias principais que tomam os nomes de ‘Sala dos órgãos’, ‘Sala das estátuas’, ‘Sala da catedral’ e ‘Grande salão’. Uma representação destas galerias e da disposição da gruta pode ser observada no terraço da área de apoio à gruta.
Em termos arqueológicos a gruta também surpreende pois aqui foram encontradas ossadas de um homem do Paleolítico Superior (Homo Sapiens Sapiens) e diversos objectos desta mesma época (com cerca de 15.000 anos). Também foram encontradas ossadas do Neolítico (por volta de 3.000 a.C.). Todos os achados encontram-se em Lisboa no Museu dos Serviços Geológicos de Portugal devidamente catalogados.
Em termos de fauna a surpresa continua pois existe na gruta um verdadeiro troglobiont (nome dado a animais que só conseguem viver em grutas) que é o crustáceo Proasellus spinipes. A matéria orgânica necessária para estes crustáceos viverem é transportada pelos morcegos que também aqui habitam.
A Gruta é Monumento Nacional.

Foi nos anos setenta que se pensou em abrir ao público a gruta. O que seria uma boa ideia revelou-se quase fatal, pois as obras danificaram muitos afloramentos calcários e os gazes produzidos foram nocivos à conservação dos mesmos. A publicidade que a gruta teve, levou a que muitos curiosos fossem á gruta e partissem estalagmites e estalactites para levarem como recordação (o que é uma pura ilusão pois estes afloramentos calcários só têm valor e interesse inseridos no seu meio que é a gruta).
Finalmente a gruta foi fechada em 1986 e a Federação Portuguesa de Espeologia com a colaboração de jovens do Rancho Folclórico de Chãos realizaram trabalhos de limpeza de todo o espaço.
Actualmente só é possível visitar a gruta com uma marcação prévia e acompanhado de técnicos da Cooperativa Terra Chã. Este projecto é uma iniciativa do PNSAC (Parque Nacional das Serras de Aires e Candeeiros), Junta de Freguesia de Alcobertas, Câmara Municipal de Rio Maior e Associação Rancho Folclórico de Chãos.

A aparente desvalorização desta gruta está muito relacionada com algum vandalismo que aqui houve no passado, mas também não nos podemos esquecer que só mais recentemente é que outras grutas na região foram descobertas como: Grutas de Mira De Aire em 1947; Grutas de Santo António em 1955; Grutas de Alvados em 1964 e Grutas da Moeda em 1971.
Agora temos é que preservar a gruta e arranjar um modo que todos quanto a queiram visitar o possam fazer em segurança e sem danificar o que resta.























Entrada alternativa na gruta
Exemplos de vandalismo:
Estalactites partidas
Inscritos nas formações calcárias


Ficam agora algumas noções básicas sobre a formação de grutas.
As Galerias e Salas de uma gruta formam-se quando a água carregada de gás carbónico dissolve o calcário e alarga a conduta inicial do ‘rio’ subterrâneo.
As deposições minerais em cavernas que se formam principalmente por processos químicos de dissolução e precipitação tomam por nome espeleotemas e são classificados em:
Estalactites – Quando a água vinda por uma fenda chega ao tecto de uma galeria perde o dióxido de carbono e solta carbonato de cálcio ao redor da gota. Vai-se assim formando um elemento tubular por cujo interior a água flui. O crescimento da estalactite depende de muitos factores mas é da ordem de 0,3mm por ano.
Estalagmites – Quando a água chega ao solo começa a ser formada a estalagmite que normalmente é mais larga que a estalactite, mas que tem uma ordem de crescimento semelhante.
Coluna – Quando a estalactite se junta á estalagmite subjacente.
Cortina – Quando a gota de água surge na galeria numa parede ou tecto inclinado e escorre pela superfície deixando um rasto de calcite. Com o passar de tempo forma-se uma ‘lâmina’ ondulada que pode possuir várias côres conforme a água infiltrada transporta mais ou menos argila ou materiais orgânicos.
Couve-flor – Quando a gota de água cai dos tectos pode provocar salpicos o que origina um crescimento irregular da calcite sobre outros espeleotemas vizinhos formando superfícies rugosas e porosas.