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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Bolsa do Porco

Quem passa pela Rua Armando Pulquério (a principal rua da cidade, com as suas palmeiras ao lado do Parque 25 de Abril), repara que no primeiro andar da torre (lote1), na janela da Associação dos Produtores Agrícolas da Região de Rio Maior (APARRM), se encontra o valor da Bolsa do Porco.
 
Esta maneira de informar os produtores de porcos do valor de mercado da carne pode parecer um pouco antiquada, mas ainda deve de ser importante devido ao elevado número de suiniculturas que o Concelho de Rio Maior possui e talvez também à dificuldade de alguns destes produtores acederem à informação disponibilizada informaticamente.
A APARRM foi uma das organizações fundadoras da Bolsa do Porco.

A Bolsa do Porco foi constituída legalmente em 26 de Julho de 1994, embora já em 1991 desenvolvesse algumas actividades e a primeira sessão oficial se tenha realizado em 31 de Janeiro de 1992.
Esta associação foi fundada pelas seguintes organizações:
• ALIS - Associação Livre de Suinicultores
• APS - Associação Portuguesa de Suinicultura
• ACS - Associação Nacional de Comerciantes de Suínos
• ANIC - Associação Nacional dos Industriais de Carnes (hoje, APIC - Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes)
• APARRM - Associação dos Produtores Agrícolas da Região de Rio Maior
Com a colaboração do Ministério da agricultura e da Câmara Municipal do Montijo, a Bolsa do Porco tem as suas instalações no Parque de Exposições da Cidade de Montijo.
Actualmente a Bolsa do Porco continua a divulgar semanalmente as variações do preço do porco (em Euros/kg - Carcaça, Porco, Classe E, com 57% de músculo), a divulgar dados relativos aos abates semanais e a servir de ligação com as bolsas congéneres na União Europeia.

A carne de porco faz parte da alimentação quase diária de milhões de pessoas e apesar de ter má fama devido aos hábitos dos animais e de ser portadora de vários parasitas, teve um aumento do consumo devido a ser uma opção mais económica. O consumo da carne de porco também foi impulsionado devido às suspeitas que a BSE, conhecida como doença da vaca louca, lançou sobre a carne bovina quando na década de 80 do século passado apareceu na Inglaterra. O consumo da carne de porco é proibido entre os muçulmanos, judeus e adventistas do sétimo dia.
 
A Europa é excedentária na produção de carne de porco, mas Portugal é deficitário. Este excedente global na Comunidade Europeia e o fim de alguns apoios levou em 2007 o sector a entrar numa das maiores crises de sempre.
 
O preço da carne de porco tem estado sob grande pressão, principalmente devido aos custos com a alimentação dos animais que é maioritariamente constituída por cereais. Mais recentemente foi o embargo russo que provocou uma queda do preço ao consumidor em cerca de 20%.
 
Com a necessidade de reduzir custos, o negócio da carne do porco está cada vez mais associado a grandes grupos económicos que gerem todo o processo que passa por produção das rações, criação e reprodução de porcos, transporte, abate e transformação da carne. Estes grupos chegam mesmo a ter agências imobiliárias. O lado problemático é que com esta necessidade de redução dos custos com a produção as questões ambientais sejam delegadas para segundo plano com o fechar de olhos das autoridades responsáveis.

2 comentários:

  1. Mais uma publicação de muito interesse do Cidadania RM-Rio Maior, que termina com uma verdade de consequências bem nefastas para região de Rio Maior, os campos e o próprio rio, também chamado de vala de Asseca e vala de Azambuja, assim como para os seus afluentes. É que, sem tratamento do que sai das explorações pecuárias, a poluição continua. É assim vai para quarenta anos, o que tem levado a denúncias regularmente por parte das populações e tem mantido a exigência de que cesse esta poluição. O problema não é existirem suinicultoras, que são unidades que fazem falta. O problema é haver suinicultoras (e outras unidades) que não cumprem as regas estabelecidas, lançando toda a porcaria nos ribeiros e rios.

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