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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Passeio do Centro da Cidade à nascente do rio Maior



Ontem, dia 21 de Julho de 2013, participei num passeio promovido pelo Movimento Cívico Ar Puro.

O passeio teve o seu início junto ao edifício da primeira central elétrica de Rio Maior (nas traseiras da fábrica Nobre) até à nascente do Rio Maior nas Bocas. Esta caminhada que juntou um animado grupo percorreu quase sempre junto ao rio todo este percurso, permitindo assim admirar fantásticos locais que se encontram à espera de serem descobertos pelos riomaiorenses. É fantástico Rio Maior ter locais tão perto do centro da cidade ainda em condições de poderem ser partilhados e usufruídos pelos seus habitantes e por todos aqueles que nos procuram.
Deixo, para além das fotografias, o desafio de se fazer um percurso pedestre do centro da cidade à nascente do rio.

Fica aqui o percurso que sugiro e que por decerto viria a dinamizar o contacto dos habitantes com o rio (que ainda está vivo), criar um polo de interesse turístico e aproveitar estruturas já existentes.

O percurso poderia começar na Casa Senhorial d’El Rei D. Miguel com uma visita ao museu.
Descendo até junto ao cemitério, poder-se-ia admirar os excelentes vestígios que Rio Maior possui de uma Villa Romana com os seus belos mosaicos. É evidente a ligação dos romanos com o rio, como prova a ninfa aí descoberta.
Daqui passava-se pela antiga moagem Maria Celeste e começava-se a caminhar junto ao rio.
Paragem essencial que foi o início do nosso passeio de ontem é a primitiva central elétrica e a sua represa (escadinhas). Local de inigualável beleza que com pouco investimento permitiria ter o edifício da central como casa de apoio e o espaço envolvente da represa como parque de merendas (que por sinal a cidade não tem ainda nenhum). Com um ligeiro arranjo na zona, daria igualmente como uma excelente praia fluvial.


Daqui, permite seguir por caminhos de serventia sempre junto ao rio, passando por troços do rio muito bonitos (com troços navegáveis e represas ainda em bom estado), até se chegar ao moinho do Chão que segundo se sabe ainda está operacional.




Aqui tem-se que se afastar um pouco do leito do rio, mas logo mais à frente se volta a acompanhar este interessante rio.
Já em ambiente campestre, passa-se por estruturas de antigas azenhas e por mais açudes, não deixando o rio Maior de surpreender pela variedade de ambientes criados.
Alguns destes açudes ainda são usados por alguns populares para dar uns mergulhos.



Passa-se pela Quinta do Jogadouro, com o seu moinho ainda funcional e reconvertido em Alojamento Turístico.


Passagem obrigatória pelo antigo mosteiro beneditino, mas mesmo antes de lá chegar passa-se pela fonte das três bicas que apesar de neste momento ter um caudal de água reduzido, já suscitou estudos para aqui ser criada uma captação de água de forma a servir Rio Maior.


Por fim chega-se ao local considerado como a nascente do Rio Maior, as Bocas.
Aqui poderiam ser muito melhor aproveitados (o que facilitaria a sua conservação) os vastos vestígios arqueológicos aqui encontrados, como grutas e abrigos pré-históricos.


Acredito que esta minha sugestão é boa e fazível. Por último, o rio Maior está vivo. Junto à primitiva central elétrica podem ser observados lagostins e cardumes de pequenos peixes.
Devemos dar ao rio uma nova oportunidade.

Pode saber mais sobre o rio Maior em:
http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2010/01/o-rio-maior.html

10 comentários:

  1. Correndo o risco de tornar o percurso demasiado extenso, começaria o percurso na Serra, junto das salinas (já exploradas no tempo dos romanos), passando Complexo Mineiro do Espadanal (já agora), para vincar ainda mais essa ligaçao importantissima que faz dos vestigios romanos com o rio (estrategica porque é matricial cultural e patrimonial de Rio Maior, assim como outras, nomeadamente os mineiros alentejanos e nortenhos que vieram para na mina trabalhar, e porque não.. a guerra peninsular, etc). O Bom Verão é com forte probabilidade uma herança de culto pré-romanico ao rio. Nos anos 30 encontraram-se vestígios arqueológicos que se pensa ter sido um templo romano, o que leva a supor que havia um ritual praticado pelos romanos. http://www.portugalromano.com/2011/11/villa-romana-de-rio-maior-rio-maior/ Porque não um desafio a arquitetos e historiadores para uma recriação desse monumento romano? Templo à deusa Nubia por exemplo, que deixou fortes rastos nesta zona e galiza. http://auren.blogs.sapo.pt/501784.html Falta visão estratégica nos politicos governantes. Dos actuais, espreme-se aquilo e nada.., nestes tempos dificeis aquilo serviu para arranjar empregos para gente que nao serve para nada, o amadorismo e a antitese do que deveria ser, que vai desde as propostas, passando pela acção politica, e acabando na comunicaçao https://www.facebook.com/municipioriomaior?fref=ts, o atentado ao patrimonio irreparável na praça do Comércio. Só se ganha o beneficio (não dispiciendo)da boa disposição pela observação da azelhice. Silvino, esse merece reconhecimento, teve visão estratégica, a cidade do desporto, foi um sucesso cuja amplitude no presente e futuro de Rio Maior continuará a ser marcante, mas o desrespeito e desprezo pelo patrimonio, destruição de imóveis histórico e identitarios, na mina do giz, no complexo do Espadanal, etc, acabando na central electrica com a venda para sucata da maquinaria, ainda para mais, tendo sido ele professor de história é IMPERDOAVEL.

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    1. Obrigado pelo seu contributo.
      Penso que o maior problema da região é o desconhecimento do seu património (material e imaterial) e devido a isso uma das missões deste blog tem sido precisamente a sua divulgação.
      As suas sugestões para percursos são boas.
      Espero que alguém as possa acolher, melhorar e criar condições para que sejam realidade.

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  2. Esta iniciativa, na qual estive, com muito gosto, e que aqui merece a atenção dedicada e de qualidade, como sempre vem fazendo o Américo sobre Rio Maior e redondezas no seu blog, foi muito importante, por diversas razões. Basta ler e ver o que o blog nos mostra e as sugestões que nele se fazem, nomeadamente em comentários, para relevar quão bem sucedida foi a realização do Movimento Cívico Ar Puro, criado, recorde-se, pela necessidade de dar resposta de cidadãos organizados contra o que está a matar o rio, que são as descargas suicidas de suinicultoras e outras malfeitorias de indústrias e esgotos urbanos, com particular destaque em povoações como Póvoas, no concelho de Rio Maior, além de outras, ao longo do curso do rio, até à sua foz, para lá de Azambuja. Ora, para mim, o que mais me chamou a atenção foi a qualidade das águas do rio Maior no percurso que fizemos: águas limpas, transparentes, mesmo junto à Fábrica Nobre onde, digo, tinha eu dúvidas de que assim fosse, antes de ver. É claro que não fiz análises das águas aí nesse local (nem eu nem outros, na caminhada)mas pela limpidez que mostravam fiquei muito satisfeito.
    Ora, infelizmente, o rio tem grande poluição "mais para baixo", no sentido da foz, de tal modo que, já há muitos anos, a partir de Junho/Julho e até que chova bem (no Inverno) o peixe foge ou então morre. Isso não sucede ainda este ano porque choveu muito, o caudal tem sido forte e o peixe ainda se aguenta. Ninguém, nesta luta pela salvaguarda do rio pretende exigir o encerramento de suinicultoras, o encerramento de fábricas. Nada disso. O que se pretende (e é de lei, além de ser um serviço de cidadania e de respeito pela vida) é que todos cumpram as regras (como, pelo que deduzo, a Nobre estará a fazer), e que as ETAR funcionem, que as populações também colaborem, em vez de lançarem porcarias e desviarem esgotos das suas casas para o rio.
    Além disso, é evidente o que a cidade de Rio Maior, os seus habitantes e os das aldeias em redor, sobretudo, têm muito a ganhar em conhecerem melhor o rio que dá nome à sua terra e, já agora, bem fariam a Câmara Municipal, as forças políticas e os sem partido se tomassem em mãos essas propostas que aqui foram apresentadas, ou outras, no sentido de aproveitar, melhorando, valorizando, o que o rio tem de beleza e de natureza pura para oferecer, e que corre o risco de ficar soterrado, esquecido, abandonado pelos cidadãos de hoje de Rio Maior e seus arredores. Seria uma pena.
    Um agradecimento ao blog Cidadania RM.
    Manuel Sá.

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    1. Obrigado pelas suas considerações e palavras amigas.
      Um rio Maior despoluído não beneficia só os habitantes dos Concelhos diretamente afetados como seja Rio Maior, Santarém, Cartaxo e Azambuja. Este rio sendo um afluente do rio Tejo, vai contaminar uma área muito maior e não nos podemos esquecer que os elementos vivos do ecossistema não conhecem as nossas divisões territoriais e principalmente os peixes, anfíbios e aves ficam muito vulneráveis. Trabalhar para ter um rio despoluído é assim uma causa que ultrapassa os meros interesses locais, já de si importantes, passando a ser também uma luta para o bem estar das futuras gerações que têm o direito de usufruir dos rios e de ter uma vida saudável. Que a ganância e falta de bom senso de alguns não comprometa o amanhã de todos.
      Abraço, Américo.

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  3. Vivi parte da minha juventude próximo das margens deste rio, mais propriamente na zona do Matão... guardo boas recordações daquela época em que ainda não existia poluição e os peixes abundavam nas suas águas límpidas e onde as mulheres iam lavar a roupa!

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  4. Conheço bastante bem o Rio Maior, inclusivamente em 2005 toda a zona das nascentes secou e salvei umas centenas de peixes (bogas portuguesas, escalos e verdemãs) que guardei num lago até ao inverno seguinte para os devolver... fiquei curioso onde será a central eléctrica? Antes ou depois da fábrica Nobre/cemitério?

    Continuem a dinamizar actividades que ajudem a chamar a atenção para a reabilitação e melhoria da qualidade da água do rio.

    Bem hajam

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    1. Obrigado pelo seu comentário.
      A antiga Central Hidroeléctrica fica mesmo por trás (antes) da fábrica Nobre.
      http://rio-maior-cidadania.blogspot.pt/2014/02/central-hidroelectrica-em-rio-maior.html

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