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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Junta de Freguesia de Azambujeira e sua História


O lugar de Azambujeira, fica num planalto, na margem esquerda do rio Maior, na margem direita da ribeira de Alcobertas e a pouca distância da ribeira de Almoster. O rio Maior, a partir desta união com as ribeiras de Alcobertas e Almoster, passa a chamar-se Vala da Asseca.
Azambujeira fica a 16km de Rio maior e a 13km de Santarém.
 
A área da freguesia é de 9,02km2 e segundo os sensos de 2011 tem 458 habitantes.
Nos sensos de 1970, Azambujeira tinha 577 habitantes distribuidos pelos seguintes lugares: Alfouvés (191), Azambujeira (254), Calhariz (86), Carvalhal Velho (5), Casal da Boavista (8), Casal das Grilhandras (6), Casal Tagarrejo (8), Moinho de Vento (9), Quinta Freixial (4), Quinta Milhariças (8) e Vale do Carro (3).
Em 1945, para as eleições das juntas de freguesia, estavam 184 pessoas inscritas e votaram 42.
Em 1939, num senso para a criação de um Grémio, foram identificados em Azambujeira, 432 proprietários rústicos.
O nome de Azambujeira parece advir de aí terem existido muitas árvores de azambujos (árvore bravia parecida com a oliveira cujos frutos parecem pequenas azeitonas). Isto é o que está escrito no livro do século XVIII de António Carvalho da Costa, “Corografia Portuguesa e descrição topográfica do famoso reino de Portugal. Tomo III, Lisboa 1706-1712”.

 
O lugar de Azambuja já era habitado antes da fundação de Portugal em 1143.
No tempo de D. Sancho II (Reinou entre 1223 e 1248) era senhorio destas terras o fidalgo Bartolomeu Domingues de Carvalho. Bartolomeu Domingues de Carvalho é filho de Domingos Feirol de Carvalho (Morgado de Carvalho) e de Valida. Casou em 1150 e teve como filho Soeiro Gomes de Carvalho que o sucedeu no Morgado de Carvalho. A família Carvalho teve as suas origens em Payo Carvalho (fidalgo ilustre no tempo de D. Afonso Henriques), avô de Bartolomeu Domingues. O Morgado Carvalho é o mais antigo Morgado de Portugal.
Durante o reinado de D. Sancho III, por volta de 1279, foi construída a igreja de Santa Luzia. Entretanto esta igreja que se situava no espaço do atual cemitério, entrou em ruína e acabou por desaparecer.
Álvaro Gil de Carvalho (habitava em Azambujeira e era sobrinho de D. Nuno Álvares Pereira) ficou célebre na Batalha do Salado e por isso foi nomeado Mestre da Ordem de São Tiago pelo rei D. Afonso IV.
Gonçalo Pires de Carvalho foi capitão das naus portuguesas no oriente e foi decisivo nas batalhas de Diu e Malaca, Cochim.
A 27 de Maio de 1633, Azambujeira teve foral do rei D. Filipe III, sendo elevada à categoria de Vila e sede de concelho em 1654 por decreto de D. João IV. Este foral foi concedido quando a filha de Gonçalo Pires de Carvalho se casou na igreja da terra.
Azambujeira, durante o seu período áureo, andou ligada às casas de Sabugosa, Murça, Soure e ao Marquês de Borba.
- Conde de Soure foi um título criado por D. João IV de Portugal por carta de 15 de outubro de 1652 em favor de D. João da Costa. O 3° Conde de Soure, D. João José da Costa e Sousa serviu na Guerra da Sucessão de Espanha, foi provedor das Obras do Paço, comendador da Ordem de Cristo e, pelo casamento com D. Luísa Francisca de Távora, filha de Henrique de Carvalho e Sousa, morgado de Patalim, senhor de Azambujeira.
- Conde de Sabugosa foi um título criado por carta de 19 de Setembro de 1729, do rei D. João V, a favor de Vasco Fernandes César de Meneses.
- O título de Marquês de Borba foi criado em 15 de Dezembro de 1811 por D. Maria I, rainha de Portugal, a favor de D. Tomé Xavier de Sousa Coutinho de Castelo Branco e Meneses, 13.º conde de Redondo.
- Conde de Murça foi um título criado por D. João VI por decreto de 6 de Fevereiro de 1826 a favor de Miguel António de Melo.
A última descendente e senhoria do domínio directo do antigo foral, foi D. Maria Domingas de Sousa Coutinho.
Em 1834 o concelho de Azambujeira foi extinto por decreto de D. Maria II (nas reformas administrativas desencadeadas por Passos Manuel) e as suas freguesias foram integradas no concelho de Santarém. Esta despromoção de Azambujeira deve-se ao facto da vila ter vindo a perder influência em relação a povoações vizinhas, mas também devido a ter estado ao lado de D. Miguel nas lutas liberais (Também conhecida como Guerra Civil Portuguesa que acabou em 1834).
Em 1836, Azambujeira transitou para o concelho de Rio Maior com a criação deste concelho.

 
A Casa Senhorial de Azambujeira já foi um antigo Solar dos Marqueses de Borba, depois foi edifício da Câmara Municipal, no tempo em que Azambujeira era a sede do Município e agora alberga o Museu Regional Manuel Sequeira Nobre e a Biblioteca Pública.
Este edifício, em conjunto com o Pelourinho, a Igreja Matriz e a antiga Prisão, formam o Centro Medieval de Azambujeira.
A Igreja Matriz, datada do século XVII tem por orago Nossa Senhora do Rosário e foi mandada construir pelo Conde de Soure para substituir a igreja de Santa Luzia que entrou em ruina.
Chegou a existir um palácio, habitação do Conde de Soure que desapareceu por completo.
O Brasão de Armas inclui dentro do escudo de prata, o Pelourinho em vermelho, dois ramos de azambujo a verde com os frutos em negro e uma pequena asna em azul. O escudo é coroado pelas quatro torres em prata e possui um listel branco com a legenda em maiúsculas com o nome "AZAMBUJEIRA".

 
A sede da Junta de Freguesia encontra-se num edifício contíguo à Igreja Matriz que já foi uma antiga escola primária.
Neste edifício, encontram-se outros serviços de utilidade pública, como correios, cantina, espaço de acesso à internet e casas de banho.
No largo Alcino Torrodão (presidente da junta de freguesia entre 1977 e 1989), existe também um fontanário ladeado por dois bancos corridos.


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