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domingo, 4 de julho de 2010

Bica de água de Nossa Senhora das Angústias

Em Azambujeira, mais concretamente em Calharis, existe uma bica de água datada de 2001 com um painel de azulejos alusivos a Nossa Senhora das Angústias.
Mais um local para refrescar nos dias quentes e que serve para mostrar as devoções de um povo.


A pouca distância desta fonte, no início da subida do caminho da Moucha (perto da autoestrada), existiu aí a Igreja das Angústias. Até data recente, ainda era possível ver as ruínas. Um seu antigo proprietário, destruiu-a e retirou-lhe os azulejos. Diz-se que esse proprietário era laico convicto.

Encontrei este poema na internet (http://padornelo.blogs.sapo.pt/23104.html) dedicado à Nossa Senhora das Angústias e por o achar muito bonito o publico aqui.
Estando a Virgem Maria
Na sua cela assentada,
Sobre as suas amarguras
A triste nova chegava,
De que era morto seu Filho,
Rico penhor da sua alma.
.

Pelas ruas corre a Virgem,
E a quem via perguntava,
Se morto era seu filho,
Rico penhor da sua alma.
.

Diziam uns, que amarrado
A uma coluna estava:
Outros, que, pela cidade,
Sob uma cruz caminhava.
.

Indo a Virgem mais avante,
Uma mulher encontrava:
Vai-se logo a perguntar-lhe
Pelo que ela não achava.
.

A mulher era judia,
E assim mesmo a consolava.
- Por aqui passou um homem
Com uma cruz, que arrastava;
A cada passo que dava,
Toda a terra se abalava:
O lenho como era verde,
Até o chão atormentava;
Como fosse grande peso,
Cada instante ajoelhava:
O baraço na garganta
Era o que mais o magoava.
Ele me pediu um lenço,
Para limpar suas chagas,
Eu lhe dei a minha touca
Com que a cabeça toucava.
.

Tudo isto ouvia a Virgem
E cada vez mais chorava:
Indo a volver os seus olhos
No chão caiu desmaiada.
.

São João, seu bom sobrinho,
Pela mão a levantava.
- Levante-se, minha tia,
Que o que ouviu não será nada. –
.

Indo lá mais adiante
Com o Senhor se encontrava.
- Porque chora, minha Mãe,
Oh, minha Mãe da minha alma?!
.

- Não choro as almas perdidas,
Que por ti serão ganhadas;
Choro por ver tuas carnes
Tão doridas e rasgadas:
Choro por ver do teu sangue
As ruas ensanguentadas. –
.

- Ai! minha Mãe, minha Mãe,
Que esta gente vai ser salva!
Suba além, àquele outeiro,
Onde a cruz está cravada;
Quando o meu sangue correr,
Toda a culpa será pagada.
.

Fez o Senhor, testamento,
Nele a todos se deixava.
Deixou a S. Pedro, a chave,
Para que o Céu governara;
A S. Miguel, a balança,
Para que as almas pesara;
A S. João, o deserto,
Para que logo o habitara;
O coração deixa à Virgem,
Coração que tanto amara.
De todos já despedido,
Subindo à cruz expirara.
.

Vendo a Mãe, seu filho morto,
Com tamanha angústia de alma,
De Angústias lhe deu o nome,
Por ele fica adorado.

Fonte: LEAL, Augusto de Pinho – Portugal Antigo e Moderno: Dicionário, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 1875, volume VI, pp. 166-167

Já em 2012, a fonte e zona adjacente, sofreu obras. A fonte foi coberta por um telheiro, foram instalados bancos e alguns divertimentos para os mais novos. A zona envolvente também foi arranjada.



O painel de azulejos foi substituído em Janeiro de 2013 por este outro:
Ver artigo em:

2 comentários:

  1. Ao pesquisar sobre as minhas origens, encontrei o seu site, e tenho a dizer-lhe que foi o que me agradou mais... Tenho que lhe dar os parabéns por esta sua pesquisa sobre o conselho.
    Sobre a Villa de Azambujeira, tenho a dizer-lhe que não encontrei aqui nada sobre a fonte de Azambujeira, que á uns anos recebeu uns melhoramentos que a mim, pessoalmente, me agradaram. Numa proxima oportunidade, aproveite para conhecer.

    Lígia Silva

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    1. Obrigado pelos seus comentários e sugestão.
      Fui conhecer a Fonte Antiga e já pode ser consultado o seu artigo em:
      http://rio-maior-cidadania.blogspot.com/2012/01/fonte-antiga-na-azambujeira.html

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